Quero falar-te deste amor, como de um vento amordaçado na camisa; uma febre de verão que o mercúrio não acha; um telhado esmagado pela ideia da chuva. Quero dizer-te
que sobre ele pairaram sempre brumas e nevoeiros e profecias de temporais maiores, como os que levam para longe os corpos dos navios. Não há notícias
deste amor; apenas uma intriga, um recado sonâmbulo, um temor que desmaia as pregas do vestido e um sortilégio urdido nas paisagens suspensas de um mapa que aperto na mão sem desdobrar. E há memórias
deste amor? A voz sem as palavras, um livro lido às escuras, um bilhete cifrado deixado num hotel, um velho calendário cheio de desencontros? Não,