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segunda-feira, agosto 28, 2017

Lúcida, a manhã canta na tua voz de prata,




Lúcida, a manhã canta na tua voz de prata,
Meu amor perdido que a saudade aquece.
Na cidade exangue donde eu vim poeta
Lembro a voz do vento que hoje me entristece...

Lembro as tuas faces, meu amor ausente,
Que a lembrança guarda no seu fumo triste,
Que paisagens novas me fizeram pobre
Nesta alma exausta que hoje em mim existe.

Ó sol, meu padrinho, flor do céu!
Que alegria, amor, quando o sol perdoa.
Há gemidos novos na paisagem nova
Meu amor perdido que em minha alma soa.

Antunes da Silva, Canções do Vento

sexta-feira, julho 20, 2012



Lúcida, a manhã canta na tua voz de prata,
Meu amor perdido que a saudade aquece.
Na cidade exangue donde eu vim poeta
Lembro a voz do vento que hoje me entristece...

Lembro as tuas faces, meu amor ausente,
Que a lembrança guarda no seu fumo triste,
Que paisagens novas me fizeram pobre
Nesta alma exausta que hoje em mim existe.

Ó sol, meu padrinho, flor do céu !
Que alegria, amor, quando o sol perdoa.
Há gemidos novos na paisagem nova
Meu amor perdido que em minha alma soa.


ANTUNES DA SILVA, Canções do Vento


Pintura de Domenico Feti


quarta-feira, agosto 10, 2005

Senhor Vento




Senhor Vento, ó Senhor Vento,

já não me posso conter,

veio a seca, tanto sol,

que anda por aqui a fazer?



Vá-se embora Senhor Vento,

não são horas daqui estar,

não há trevo nem há água

para o gado apascentar.



Tudo seco, Senhor Vento,

ai que morte, que morrer,

não há suco nem há seiva,

cinco meses sem chover...



Se cá ficar, Senhor Vento,

não tempera, só destapa

os horizontes de nuvens,

não há chuva neste mapa.



Tape a chaga, Senhor Vento,

siga siga para o mar,

já lhe disse, vá-se embora,

não são horas daqui estar!



Dou-lhe um tiro, Senhor Vento,

se andar aqui mais um dia,

gira gira, fora fora,

mande a chuva, não se ria.



Obrigado, Senhor Vento,

Empurre as nuvens, agora,

isso mesmo, traga as águas!

De contente, a terra chora.




(Antunes da Silva - Nasceu e faleceu em Évora - 1921-1997)


(Foto Adriana Oliveira - Alentejo - 1000Images)

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...