Estes meus versos são daquela hora De tardes invernais em que se traça, Frente ao mar, muita coisa na vidraça, Enquanto a chuva fria cai lá fora…
Ouvindo o vento – bandolim que chora Não sei que mágoa que no ar perpassa – No vidro baço a alma é que esvoaça Em rabiscos sem rumo, como agora…
É sonho o que no vidro embaciado O poeta escreveu e que se esfuma Por si mesmo, desfeito e apagado…
E não valeu a pena este sonhar! -É que os meus versos são irmãos da bruma Que se esvai, à deriva, sobre o mar…
OLIVEIRA SAN-BENTO
Oliveira San-Bento: Poeta Açoreano -21 de Abril de 1893/22 de Janeiro de 1975.
-Advogado; - Poeta; - Prosador; - Orador; - Jornalista (Polígrafo); - Benemérito e Dirigente de Associações de Solidariedade Social e de Interesse Público