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sexta-feira, setembro 01, 2017

O NOSSO TEMPO ...



Quanto tempo passou...?

Onde andaste ...?

Onde eu andei ...?

Não sabias de mim...

Nada sabia de ti...


E o tempo continuou a passar...


A tua imagem perdurava em meu coração...

Tu também não me esqueceste....

Muito tempo passou....


O amor, por ti, mantinha-se...

Continuavas a amar-me...


Novos rumos tomámos...

O tempo ganhou tempo....

Os dias fizeram anos...


O destino quis que nos reencontrássemos...

O destino quis apagar seus erros do passado...


O tempo, por momentos, parou...

Deixou-nos ser felizes por um tempo...


Mas o tempo é imparável...

E o destino também...

A vida continuou seu rumo...

Com lembranças mais vivas...

Que o tempo não pode apagar...



Luis Milhano (Lumife)

31 Agosto 2010


Foto de Vlad Belin

segunda-feira, agosto 14, 2017

AQUELA JANELA



AQUELA JANELA...
.
Aquela janela...
Onde meu corpo vergado
Acolhia teu busto enamorado.
.
Aquela abertura...
Onde o luar espreitava
O reflexo dos teus olhos quentes de lava.
.
Aquele sítio...
Onde o calor dos nossos beijos
Ateava o fogo da paixão e dos desejos.
.
Aquela janela...
Onde sonhos se construíam
E sorrisos se fundiam.
.

Aqueles momentos...
Em que o silêncio imperava
Loucuras mil se sonhava...
.
Aquelas horas...
Minutos fugidíos, fugazes,
De que felicidade éramos capazes...
.
Aquela janela...
Virada para o silêncio da rua
Onde o amor sucedia sob os olhos da lua.
.
Aquelas paredes...
Mudas testemunhas de um beijo,
Duma carícia, duma despedida, dum desejo.
.
Aquele silêncio, aquela rua,
Aquela janela, aquela felicidade,
Tudo desapareceu com a cidade...
.
Aquela janela, aquele silêncio,
Aquela rua... indeléveis companheiros meus,
Perene confirmação do último adeus.
.
Aquela janela...
Chaga viva, magoa sempre, até fere.
Impossível aceitar o que o destino quer.
.
Aquela janela...
Orvalhada por lágrimas doridas,
Expiadas e sofridas.
.
Aquela janela...
Um dia se abrirá de par em par
Afastará a tristeza, a dor e a saudade
E deixará o Sol entrar...

.
06 de Abril de 2006
.
Luis Milhano (Lumife)

Foto de João Torres

quarta-feira, maio 10, 2017

DIA E NOITE ...


Foto de Luis Milhano.


Dia
E noite
Corri pela cidade
Percorri ruas e avenidas
Becos, largos, vielas e jardins
Cambaleando, por fim sentei-me num banco
Pensativo, nervoso, indignado, pesaroso, arreliado, arrependido, teimoso
Recomecei a caminhada na tua direcção
Não queria perder-te outra vez
Corri mais esforço final
O nevoeiro cerrado
Escondeu-te bem
Perdi-te

L.M.

terça-feira, abril 11, 2017

AGORA ERAS MINHA

Foto de Eugene Buzuk
O dia estava quente
Quente estavam nossos corpos
Há tanto que aguardávamos aquele momento
Memórias doutros tempos
Que nos preenchiam e excitavam
A meus braços vieste de repente
Nossos lábios se juntaram
Suspiravas colada a mim
Arfava sentindo o teu seio fremente
Nossas mãos dançavam deslizando por altos e baixos
Nesse corpo que recordo a todo o momento
Olhos nos olhos eram desnecessárias palavras
Toda entregue nada te desviava a atenção
Eras feliz naquele momento
Vivias o momento da tua vida
Realizavas o sonho de então
Finalmente possuias quem te amava
Finalmente te possuia por inteiro
Um sorriso, um olhar mais profundo
Um ajeitar de corpos e de novo
Um suspiro, um abraço, um sentir diferente
De tudo que fora até ali
Porque o sonho se materializara
Porque enfim me guardavas dentro de ti
Porque, sim, agora eras minha.



11/04/2010


L.M.


Foto de Eugene Buzuk

segunda-feira, abril 10, 2017

FOI ALI ...



Gostavas de estar ali,
À vontade, liberta , fresca.
Resguardada nas rochas
De olhares indiscretos
Só aos meus permitias que
Desvendassem segredos
Ocultos nesse corpo de deusa.
A meiguice dos teus gestos
O pormenor do teu andar
A elegância do teu corpo
Tudo eu seguia com devoção.
Foi ali, naquela praia isolada
Que numa entrega total
Soubemos o que era amar.

L.M.

13ABR2010


Óleo de William-Adolphe Bouguereau, (1825-1905) pintor acadêmico francês, 

quinta-feira, março 23, 2017

A PRIMEIRA VEZ ...



Aceitaste o convite.
Encontrámo-nos.

Alguns passos dados
Demos as mãos.

Estremecemos ...
Tu coraste, eu corei.

Olhos nos olhos prosseguimos

As palavras não surgiam ...

Era a primeira vez...

L.M. /06

quarta-feira, março 08, 2017

O ALBUM




Abri o álbum
Das recordações
Folheei-o
Arrepiado
Percorri as folhas
Olhando os rostos amarelecidos
Revi dias felizes
Sentindo saudades
Balbuceei palavras
Sem sentido
Fiz perguntas
A que ninguém respondeu
Passeei por lugares
Que já não existem
Dei o braço a quem
Já não precisa do meu apoio
Difícil continuar
A virar as folhas
Confundia as imagens
Os tempos, as pessoas
Cerrei os olhos
Fechei o álbum


                                                                       L.M.

domingo, março 05, 2017

TANTO TEMPO PASSOU ...



Tanto tempo passou ...
foi ontem, há pouco, 
na semana passada
ou noutro ano
não sei porque para mim é sempre hoje,
na dúvida, talvez ontem...

Passei por lá
olhando aquelas paredes
entrei
vi aquele quarto
e logo ali te vislumbrei
no olhar que não  engana

imagens a galope 
trouxeram momentos 
que julgava não ter vivido
teriam sido sonhos?
realidades ?
talvez...

A menina que foste
ali estava igualzinha
O tempo 
tanto tempo passou
mas tu eras a mesma
para me fazer feliz

LM 04/03/2017

Foto de Mauro Nervi
Área de anexos

quinta-feira, março 02, 2017

NO VERÃO PASSADO ...



Corria pela areia escaldante
Saltitando como pequena ave,
Elegante, sensual e amante
Atraíndo logo um olhar suave.

Atrás e mais sóbrio no andamento,
Seguia ele, sorrisos, esgares. 
Já perto um do outro lentamente
Trocaram longos cúmplices olhares.

As palavras foram curtas e poucas.
Chegaram p’ra serem apresentados.
Bem depressa s’encontraram as bocas
Trocando beijos quentes, demorados.

Momentos de luxúria e de prazer
Vividos entre os dois corpos suados
Alheios a olhos que q’riam ver,
Rolavam, loucos, na areia, molhados.

Finalmente chegou a despedida
Presos um no outro e enlaçados
Sonharam a beleza desta vida
Vida dos amantes enamorados.

Espreguiçando-se, qual sereia,
Olhos atravessando o horizonte
Ela riu estendida na areia
Sentindo o sol a bafejar-lhe a fronte.


LM – 27FEV2010 



Foto de Pascal Renoux

domingo, fevereiro 19, 2017

RECORDANDO

As mãos acariciam o corpo
Como numa tarde já longínqua
Os lábios tocam-se frementes
Como da primeira vez …

Encostas-te sedutora
Com teus olhos atraentes
Teus seios quentes e macios
Trazem consigo o desejo

Um abraço solta os beijos
As bocas se confundem
Os corpos se atraem
Em maravilhoso arrebatamento

Momentos de êxtase aqueles
Que gozo nos deu
Ter-te toda para mim
Ser teu para sempre

LM – 15/02/2010


Foto de Pascal Renoux

domingo, março 01, 2015

O TEU SORRISO




O TEU SORRISO


Sorrio ao ver o teu sorriso
no rosto das crianças


encontro o teu sorriso
em tudo por onde passo

reparo nas pessoas
que revelam o teu sorriso

sorrio ao pensar em ti
recordando o teu sorriso

olho o espelho
onde se reflecte o teu sorriso

Foge o tempo e mais tempo
sempre me acompanha o teu sorriso

passo os dias e as noites
sonhando com o teu sorriso

esse sorriso
me chama
me atrai
me sufoca
é por esse sorriso
que te amo
que te quero
que me perco

sempre
quero sempre lembrar
esse sorriso.


28Fev2015
Lumife
foto de Igor

terça-feira, abril 29, 2014

PRECISO DE TI

Hoje, eu preciso de ti

Preciso da tua presença louca

Preciso dos teus devaneios

Preciso de beijar tua boca

Preciso de olhar teus seios

Preciso dos teus braços

Preciso do teu calor

Preciso dos teus abraços

Hoje, preciso do teu amor

Como sempre

L.M.

Foto de Ognyan Geshev

domingo, julho 26, 2009

O GRITO DA FOME





O GRITO DA FOME


Murmureja, resfolga

Sente-se, penetra.

Tomai tento

Senhores, ricos,

Abastados, soberbos,

Indiferentes e apáticos.

Tende atenção

Governantes, políticos,

Estadistas e líderes.

O grito da fome

É um grito de alma

Não se trava, não se prende

É um grito que não pára.

O grito da fome

Não suporta a indiferença

É a miséria revoltada

É a criança esfomeada,

É o idoso abandonado,

É o trabalhador desempregado.

CIDADÃOS:

ESCUTAI O GRITO DA FOME.

Lumife aos 26 de Julho de 2009


segunda-feira, outubro 15, 2007

Não digo adeus...

Foto de Ana Franco-Olhares




Largo no barco
Que ao largo se faz
Olhos rasos de água
- o meu adeus
Das horas más!

Levo-te no coração
Teu lugar preferido
Meu lugar de eleição
Beijo esses lábios
Sentindo o sabor
Que sempre recorda
Momentos de amor

Não digo adeus
Só até à volta
Vejo os olhos teus
Sentindo revolta
Haja o que houver
Ao meu lado estarás
Para ti voltarei
Por mim esperarás



Um último aceno
Um profundo olhar
Amo-te muito!
Sempre te hei-de amar!




LM – 15/10/07

segunda-feira, junho 05, 2006

Mensageira

Foto de Rebecca Xenia Wright-fotocommunity




Mensageira

Vem amiga, vem depressa,
novas do meu Amor trazer,
não durmo nem descanso
à espera de as conhecer;

O sonho comanda a vida
já lá dizia o poeta
Eu continuei sonhando
à espera da hora certa;

O tempo correu demais
passaram assim muitos anos
o pensamento era só um
apesar dos desenganos;

Quando te vi ali
nem queria acreditar,
olhei-te bem nos olhos,
parecia querer levitar;

O beijo que nós trocámos
ficou-me sempre gravado.
Quem poderá esquecer
a ternura do ser amado?

A chama que sempre viveu,
neste coração apaixonado,
tornou-se fogo intenso,
alto e descontrolado.

Queria estar perto de ti,
quimera dos meus desejos,
seríamos , por certo, felizes
na troca dos nossos beijos.

Não há dia, não há noite,
há sempre uma recordação,
tenho-te gravada na alma
esculpida no coração.

Obrigado Mensageira
pelas novas que me trazes
continuarei porfiando
em lutas tão audazes.



Lumife 05 de Junho de 2006

terça-feira, maio 30, 2006

Este grão que não germinou...

Foto de LG-Salih Guler-foto net




Este grão que não germinou,
sem motivo e sem razão,
na terra já amanhada;

Correu mundo arrastado
na bolanda do vendaval,
perseguiu mil aventuras,
num desespero de caminhada.

Quis regressar.
Era tarde.
A terra não era dele
a leira fora ocupada.

Aninhou-se em terra estranha,
onde encontrou acolhimento...


Sem o Sol que tanto amava
refugiou-se no Luar
esperando o passar do tempo.

Mas um dia, neste dia,
o Sol voltou a raiar.

Abrindo seu coração,
nele aconchegou o grão
que, feliz, voltou a sonhar…



Lumife 30-05-2006



foto de Marília-fotografia na net

segunda-feira, maio 22, 2006

Debruçado na janela...

Foto de Vasil Vasilev-photo net


Debruçado na janela
Olho o céu, o sol e a lua, o passado e o presente.
Seguem-me aqueles olhos, aquela boca, aquele sorriso.
Adormeço com esse rosto, companheira dos meus sonhos.


(Lumife-22-05-06)







Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

(Florbela Espanca)

sexta-feira, maio 19, 2006

Passarinho que tremes...

Fotos de Artur Cardoso



Passarinho que tremes na minha mão
p’los afagos que ao tempo te não faço,
aproxima-te do meu coração,
eu serei bem feliz no teu regaço.

(Lumife-18-05-06)






Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

(William Butler Yeats)


terça-feira, maio 16, 2006

Esta noite...

Foto de Paulo Custódio-Olhares



Esta noite

A rota definida era maravilhosa
Mas a viagem foi longa e tempestuosa
A noite abriu os braços e acolheu o navegador
sempre só, sempre sonhando com seu amor

Imagens em catadupa o cercavam
Um turbilhão de palavras o rasgavam
Nada o demovia, o sono estava ausente
Sorrindo prosseguia, sonhando sempre

Chegou à praia, na areia descansou
mas ao longe aquele vulto vislumbrou
Correu muito e loucamente a abraçou
e assim pode amá-la como sempre amou


Lumife -15/16-05-2006





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E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


(Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade)

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...