Sei agora como nasceu a alegria, como nasce o vento entre barcos de papel, como nasce a água ou o amor quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma à roda do corpo que desperta, sílaba espessa, beijo acumulado, amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito, um grito apertado nos dentes, galope de cavalos num horizonte onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei. De coisas que te dou para que tu as ames comigo: a juventude, o vento e as areias.
Obra de Eugénio de Andrade /2, in «Até Amanhã» , Fundação Eugénio de Andrade
sexta-feira, junho 16, 2006
foto de Anke M.-Fotocommunity
Na solidão na penumbra do amanhecer
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas, Nos mares, no brilho do sol e no anoitecer Via você no ontem, no hoje, no amanhã... Mas não via você no momento
Que saudade...
(Mário Quintana)
foto de Suzana Ferreira - 1000 Imagens
terça-feira, junho 13, 2006
C O N V I T E
A FESTA DO BARÃO
AOS TRINTA DIAS DO MÊS DE JUNHO manda o Barão de Alvito e sua mui nobre esposa que se convide toda a boa gente destas Terras da Baronia de Alvito para assistir à Festa de Baptizado de seu mui nobre e estimado filho
A Festa do Barão
No dia 30 de Junho, a partir das 19h30 irá ter lugar no Largo das Alcaçarias uma recriação da época tardo-medieval, à moda da Baronia de Alvito.
Trata-se da IV Edição desta festa temática organizada pelo Município de Alvito, que conta mais uma vez com os apoios da Região de Turismo Planície Dourada e da Escola Profissional de Alvito.
O referido evento, que nos anos anteriores teve lugar na Pousada, deverá assim tornar-se mais popular, o que vai ao encontro das solicitações de muitos dos potenciais clientes. O Largo das Alcaçarias é um local que será seguramente um bom palco para esta festa, pois é um espaço amplo e que se situa mesmo por detrás do Paço Acastelado.
Irá pois ser recriada uma noite da época tardo-medieval na qual se pretende reconstituir um banquete real da época, oferecendo um misto de história, cultura e lazer. Reviver o passado nos seus encantos, na rudeza do repasto, nas infinitas e diversas iguarias e manjares e na particularidade da animação.
O(s) público(s)-alvo da iniciativa são todos os interessados que pretendam custear o valor deste jantar com animação, que será de 35€ por pessoa, havendo preços especiais para famílias. Haverá também a possibilidade de alguma animação paralela para todo o Povo, bem como oportunidade de usufruto de um uma pequeno “lanche” (febra, sardinha ou linguiça no pão e um copo de vinho) a um preço simbólico.
A ementa da Festa do Barão é composta por diversos pratos quinhentistas (como a Sopa de Agraço ou a Galinha Mourisca guarnecida com Cenoura e Cominhos em Azeite) e a festa durará enquanto o vinho jorrar!
Olha só:
Beringelas Recheadas Sopa de Agraço Galinha Mourisca Guarnecida com Cenoura e Cominhos em Azeite Carne de Porco Agridoce com Gengibre Castanhas Estufadas com Ervas Doces Manjar Divino Coalhada com Fruta, Mel e Canela
Esta é a ementa para a Festa do Barão. Tire-se desde já o chapéu ao Chefe Santos e a toda a equipa da Escola Profissional de Alvito, responsáveis pela confecção, mise en scéne e mise en place dos manjares desta noite que promete ser de apetite!
A oferta desta noite no passado inclui ainda um Torneio de Armas e muita música e folia, tudo a cargo da Vivarte, companhia de Teatro que desenvolve sempre trabalhos de alto nível na área das recriações históricas.
Com esta iniciativa confirma-se que é possível organizar eventos de qualidade, com continuidade e visibilidade para o concelho de Alvito. Cuidar do património, da tradição e da cultura é cuidar do futuro! Alvito, Património Vivo espera por si!
Informações e Reservas até dia 23 de Junho (inscrições limitadas à capacidade disponível) Posto de Turismo de Alvito Tel:284 485 440 ou 284 480 800 (ext. 231) turismo@cm-alvito.pt
segunda-feira, junho 12, 2006
Foto de Sergey Rizkov
Onde quer que estejas (encontrar-me-ás). Encontrarás o meu rastro.
Como fumo de incenso levado pelo vento.
Vás para onde fores o vento encontrar-te-á.
Irei nele. Com ele.
Fundir-me-ei contigo porque me inalarás no ar que respiras.
(Conceição Paulino in Falar Mulher)
Rasguei o peito e dele saíu uma estrela
Com os dedos afastei os bordos e olhei o mar que de dentro brotava
Vem amiga, vem depressa, novas do meu Amor trazer, não durmo nem descanso à espera de as conhecer;
O sonho comanda a vida já lá dizia o poeta Eu continuei sonhando à espera da hora certa;
O tempo correu demais passaram assim muitos anos o pensamento era só um apesar dos desenganos;
Quando te vi ali nem queria acreditar, olhei-te bem nos olhos, parecia querer levitar;
O beijo que nós trocámos ficou-me sempre gravado. Quem poderá esquecer a ternura do ser amado?
A chama que sempre viveu, neste coração apaixonado, tornou-se fogo intenso, alto e descontrolado.
Queria estar perto de ti, quimera dos meus desejos, seríamos , por certo, felizes na troca dos nossos beijos.
Não há dia, não há noite, há sempre uma recordação, tenho-te gravada na alma esculpida no coração.
Obrigado Mensageira pelas novas que me trazes continuarei porfiando em lutas tão audazes.
Lumife 05 de Junho de 2006
sábado, junho 03, 2006
ROTA DO FRESCO INTERCONCELHIA PARA A COMUNIDADE LOCAL (DE ALVITO)
PINTURAS ALENTEJANAS POR DESCOBRIR
CONVITE
CLIQUE no blog ALVITO-BAIXO ALENTEJO e faça connosco uma Rota do Fresco. É só um cheirinho... pois ao vivo tem outra côr, outro movimento. E tem a "Guia" Dina Monteiro que a todos os participantes encanta com a sua simpatia e conhecimento profundo da matéria. Um dia esperamos por si, em Alvito, numa Rota do Fresco...
foto de Jacek Pomykalski
"o teu rosto à minha espera. o teu rosto a sorrir para os meus olhos. existe um trovão de céu sobre a montanha.
as tuas mãos são finas e claras. vês-me sorrir. brisas incendeiam o mundo. respiro a luz sobre as folhas da olaia.
entro nos corredores de outubro para encontrar um abraço nos teus olhos. este dia será sempre hoje na memória.
hoje compreendo os rios. a idade das rochas diz-me palavras profundas. hoje tenho o teu rosto dentro de mim."
(José Luís Peixoto, A Casa, A Escuridão)
quinta-feira, junho 01, 2006
Foto lg-Farid Salemi-photo net
Adormeço No fundo de um poema Ainda por fazer Convoco a memória E os sentidos Na procura de tudo Que se esconde na noite Mas o silêncio perdura As palavras fogem de mim Como folhas de Outono E desaparecem Na sombra De forma indolor
Mas tu já sabes a cor Do meu silêncio, As palavras Que não escrevo, Aquelas que não digo, E que clandestinas Vão pousar Suavemente Nos teus lábios...
Este grão que não germinou, sem motivo e sem razão, na terra já amanhada;
Correu mundo arrastado na bolanda do vendaval, perseguiu mil aventuras, num desespero de caminhada.
Quis regressar. Era tarde. A terra não era dele a leira fora ocupada.
Aninhou-se em terra estranha, onde encontrou acolhimento...
Sem o Sol que tanto amava refugiou-se no Luar esperando o passar do tempo.
Mas um dia, neste dia, o Sol voltou a raiar.
Abrindo seu coração, nele aconchegou o grão que, feliz, voltou a sonhar…
Lumife 30-05-2006
foto de Marília-fotografia na net
segunda-feira, maio 29, 2006
foto de G Steve-photo net
CANÇÃO
Nunca eu tivera querido dizer palavra tão louca: bateu-me o vento na boca, e depois no teu ouvido. Levou somente a palavra, deixou ficar o sentido. O sentido está guardado no rosto com que te miro, neste perdido suspiro que te segue alucinado, no meu sorriso suspenso como um beijo malogrado. Nunca ninguém viu ninguém que o amor pusesse tão triste. Essa tristeza não viste, e eu sei que ela se vê bem... Só se aquele mesmo vento fechou teus olhos, também...
(Cecília Meireles)
sábado, maio 27, 2006
Foto de Sergey Ryzkov
Soneto à maneira de Camões - Sophia de Mello Breyner
Esperança e desespero de alimento Me servem neste dia em que te espero E já não sei se quero ou se não quero Tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar amor de entendimento? Daquilo que te peço desespero Ainda que m’o dês – pois o que eu quero Ninguém o dá se não por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares, De ser tão breve e fundo o teu engano E de eu te possuir sem tu me dares.
Amor perfeito dado a um ser humano: Também morre o florir de mil pomares E se quebram as ondas no oceano.
sexta-feira, maio 26, 2006
“A vila era longe… Era longe Alvito…”
Talvez o poeta, quem sabe, tivesse usado este início do seu poema para lembrar que o moderno meio de transporte tinha a sua paragem distante desta vila. Quase meia légua, separava a estação do caminho de ferro da povoação. A maioria dos passageiros vinha visitar a família. Com eles traziam e levavam malas e caixotes, às vezes bem carregados, que não era fácil transportar num percurso que embora não muito longo, subia… subia… até à vila.
Na estação, esperando os conhecidos passageiros ou algum “caixeiro-viajante”, lá estavam o Quinito (foto acima) e o Afogadinho (como era conhecido). Transportavam com alegria e zelo todos os que chegavam. Havia sempre lugar para mais um embora se desse mais um apertão. A viagem era calma, alegre e por vezes perfumada dum “perfume muar” que hoje já poucos lembram. Os anos passaram. Os tempos mudaram. Embora o comboio ainda passe já não pára. Os “CHURRIÕES” do “Quinito” e do “Afogadinho” foram arrumados. Também foram arquivadas nas nossas memórias as recordações das novidades que nos contavam nessas “célebres viagens”. Restam-nos saudosas lembranças de quem deu muito da suas vidas para facilitar as nossas viagens.
Bem hajam!
Urge fazer a história dos costumes de Alvito…
Olinda
quinta-feira, maio 25, 2006
Foto Stefan Beutler - photo net
Pudesse eu não ter laços nem limites Ó vida de mil faces transbordantes Para poder responder aos teus convites Suspensos na surpresa dos instantes!
(Sophia de Mello Breyner Andreson)
quarta-feira, maio 24, 2006
Aos trinta dias do mês de Junho manda o Barão de Alvito e sua mui nobre esposa que se convide toda a boa gente destas Terras da Baronia de Alvito para assistir à Festa de Baptizado de seu mui nobre e estimado filho
A Festa do Barão
No dia 30 de Junho, a partir das 19h30 irá ter lugar no Largo das Alcaçarias uma recriação da época tardo-medieval, à moda da Baronia de Alvito.
Informações e Reservas até dia 23 de Junho (inscrições limitadas à capacidade disponível) Posto de Turismo de Alvito Tel:284 485 440 ou 284 480 800 (ext. 231) turismo@cm-alvito.pt