segunda-feira, novembro 12, 2007

Quero fazer uma confissão...

Imagem de Xtian Coulombe




Quero fazer uma confissão esta noite
porque a noite e a rua foram jantar juntas.
Quero dizer que amo uma mulher
cujo corpo não me dá
o seu calor esta noite,
cuja ausência é um ronsel laranja.
Quero dançar com minha sombra
para que o seu rumor chegue até ela
e ela saiba que eu lhe dou a noite,
toda senhora.
Quero escrever coisas que não se esvaeçam
com o sol,
que a chuva as faça flores
que cheirem a ela.
Quero que as minhas mãos voem,
voem em silêncio
onde ela guarda os seus sonhos...
sonhos que me pertencem
porque eu lhe pertenço.
Quero que ela fique, fique sempre,
quero ser a sua voz
quero ser o seu sorriso verde,
quero ser a sua chuva no cabelo,
quero amá-la mais do que ninguém
ama ninguém.
Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo
com a minha voz baixa,
com o meu ar de outono lento,
com o meu sabor de beijos possíveis.
Quero que os pássaros sejam
os meus mensageiros de saudade.
Quero que o mundo comece quando ela vir.
Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as
minhas mãos
a percorrer ela em silêncio o meu peito
e acordar com ela junto de mim,
calada e doce.
Quero só eu dizer-lhe sentimentos
que aceleram o coração,
o seu coração apaixonado,
eu gosto da sua timidez.
Quero nadar na sua boca sem horizontes.
Quero os versos todos do planeta
a falarem dela,
versos curtos de violetas,
versos firmes de cravos,
versos perfumados de rosas.
Quero suster os seus pés no ar
e trazer ao seu peito gaivotas fiéis
que sempre deixam pegadas na praia.
Quero ser eu no seu corpo
da alva ao sol-pôr,
de lua a lua
de eternidade a eternidade.

Quero amá-la até o meu último alento.



Xavier F. Conde


sexta-feira, novembro 09, 2007

Quanto de ti, Amor...

Foto de Piostr Kowalik



Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na auséncia indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.



Jorge de Sena
in Visão Perpétua
Agosto 1967



Jorge Cândido de Sena nasceu em 1919, em Lisboa. Depois de concluir os estudos liceais, ingressou na Escola Naval (curso que não concluiu por impedimentos vários), vindo a formar se em Engenharia Civil na Universidade do Porto. Ainda durante os estudos universitários, publicou sob o pseudónimo Teles de Abreu, as suas primeiras composições poéticas em periódicos como a "Presença" e foi nessa altura que travou conhecimento com um grupo de poetas que viriam a reunir se em torno de "Cadernos de Poesia", convivendo então, com José Blanc de Portugal, Ruy Cinatti, Alberto Serpa e Casais Monteiro, entre outros.
Foi no âmbito das edições de "Cadernos de Poesia" que em 1942, foi publicada a sua primeira obra poética: "Peregrinação". Ainda durante os anos 40, colaborou com "Aventura", "Litoral", "Portucale", "Seara Nova", e "Diário Popular", encetando ainda uma actividade importante na sua actividade literária como tradutor de poesia ("90 e Mais Quatro Poemas de Constantino Cavafy", "Poesia de Vinte e Seis Séculos: I de Arquiloco a Calderón, II – de Bashó a Nietzsche", ?Poesia do Século XX?, entre outros). A partir de meados dos anos 40, intensificou, paralelamente à actividade profissional como engenheiro, a sua actividade de conferencista, proferindo comunicações que incidiam frequentemente sobre dois dos seus temas preferidos: Camões e Fernando Pessoa (de quem editaria, em 1947, as "Páginas de Doutrina Estética"). Durante os anos 50, afirmou se como uma das presenças mais influentes e complexas da cultura e literatura portuguesas; e foi durante essa década que publicou algumas das suas mais conhecidas obras poéticas ("Metamorfoses", "Evidências", "Fidelidades"); que publicou a sua primeira tentativa dramática, a tragédia "O Indesejado"; que colaborou com publicações como a "Gazeta Musical e de Todas as Artes", "Árvore", "Notícias do Bloqueio", "Cadernos do Meio Dia"; e que organizou a terceira série da antologia "Líricas Portuguesas". A sua postura contra a ditadura fascista levou o em 1959, após o envolvimento numa tentativa falhada de golpe de Estado militar contra o regime salazarista, a optar por um exílio voluntário no Brasil, onde exerceu funções de docência nos domínios da Literatura Portuguesa e da Teoria da Literatura, nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras de Assis e de Araraquara, em S. Paulo. Publicou então, uma série de obras ensaísticas como "Da Poesia Portuguesa" e desenvolveu uma intensa actividade como congressista, não deixando ainda de, como redactor no jornal "Portugal Democrático", participar em acções de denúncia da ditadura a partir do exterior. Em 1960 publicou o seu primeiro livro de ficção, a colectânea de contos "Andanças do Demónio". No ano seguinte publicou o primeiro volume da sua obra poética completa. Face aos obstáculos que sistematicamente eram levantados à sua progressão na carreira académica (a sua naturalidade e a inadequação curricular entre a sua formação e a leccionação), em 1965 transferiu se para a Universidade do Wisconsin, Madison, nos Estados Unidos da América, em cujo departamento de Espanhol e Português seria nomeado professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira. Em 1970 transferiu se para a Universidade de Califórnia, em Santa Bárbara, onde viria a ser nomeado dois anos depois, chefe do Departamento de Literatura Comparada e, em 1975, chefe do Departamento de Espanhol e Português. Entretanto, participou em inúmeros congressos internacionais; tornou se membro da Modern Languages Association e da Renaissance Society of America, nunca interrompendo a edição, quer de títulos de teoria e história literária e estudos literários clássicos, modernos e contemporâneos, quer a obra poética pessoal, publicando, antes e depois da primeira visita autorizada a Portugal em nove anos de exílio, entre 1968 e 1969, os livros de poesia "Arte de Música" e "Peregrinatio ad Loca Infecta". Após o 25 de Abril, recebeu várias homenagens públicas em Portugal, tendo sido condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique e, a título póstumo, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago e Espada. No ano da sua morte, em 1978, vieram a público, revistos pelo autor, os volumes "Poesia II" e "Poesia III", a que se seguiriam, postumamente, os volumes "40 Anos de Servidão" e "Post Scriptum II".
(Notas retiradas de www.truca.pt/ouro/biografias1/jorge_de-sena.htm)




quarta-feira, novembro 07, 2007

Cecília Meireles - Homenagem




Canção Mínima

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta



Cântico VI

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.



Cecília Meireles nasceu, no Rio de Janeiro, a 07 de Novembro de 1901 e faleceu a 09 de Novembro de 1964

terça-feira, novembro 06, 2007

Amor e Medo

Foto de Edward Aninaru



Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.


Affonso Romano de Sant'Anna

quinta-feira, novembro 01, 2007

A L V I T O - Feira dos Santos




Um certame de grande tradição instituído, de acordo com documentos existentes, em 1579, mas ainda assim, há outros dados que dão conta que Alvito já tinha uma feira em 1295 no reinado de D.Dinis.
Os séculos foram passando e ao contrário daquilo que aconteceu noutros pontos do Alentejo e até do País, a Feira dos Santos, em Alvito, conseguiu sobreviver e alcançar uma grande notoriedade.
A Feira dos Santos é a última que se realiza em cada ano na região alentejana. Tal facto, aliado à sua intensa actividade comercial, contribui para o enorme prestígio de que desfruta na região.

Esperamos por si!







PROGRAMA


31 Outubro (4ª Feira)
19h00 – Abertura oficial da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
21h30 – Espectáculo musical com ORTIGÕES no Palco da Feira
23h00 - Festa Bacardi/Caipirinha no “Club Casa de Alvito” (Org.: Chico d’Alvito)
24h00 – Fecho da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
02h00 – Fecho dos Bares da Feira

01 Novembro (5ª Feira - Feriado)

9h00 - Reabertura da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
10h00 – Abertura de exposição de Antiguidades e Velharias para leiloar na Galeria de Arte (Largo das Alcaçarias, 3A)
15h30 - Leilão de Antiguidades e Velharias na Galeria de Arte (Largo das Alcaçarias, 3A)
15h30 – Actuações dos grupos de Cante Coral Alentejano do Concelho de Alvito
17h00 – Concerto pela Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alvito
21h00 – Espectáculo musical com CAMPOS DO ALENTEJO no Palco da Feira
24h00 – Fecho da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
02h00 – Fecho dos Bares da Feira

02 Novembro (6ª Feira)

10h00 – III Corta-Mato Escolar – CECA 2007. S. Romão (Org.: CECA e CNA)
18h00 - Reabertura da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais




20h30 – Reflexão/Debate sobre “Contribuição dos Partidos Políticos para as Práticas de Cidadania” no Centro Cultural de Alvito
22h30 - Espectáculo de FADO VADIO, com a actuação de MARIA DOS SANTOS e ANTÓNIO PINTO BASTO no Stand do Município de Alvito (interior da tenda)
23h00 - Festa Karaoke no “Club Casa de Alvito” (Org.: Chico d’Alvito)
23h00 – Fecho da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
24h00 – Fecho dos Bares da Feira

03 Novembro (Sábado)

14h00 – Reabertura da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
14h30 – Inauguração da Rota de Sant’Águeda e Marcha dos Santos (Org.: CNA)
17h00 –3º Festival Etnográfico dos Santos (Org.: INATEL Beja)
21h30 - Actuação dos COUPLE COFEE, no Palco da Feira
23h00 - Festa de encerramento Feira dos Santos 2007 no “Club Casa de Alvito” (Org.: Chico d’Alvito)
23h00 – Encerramento da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
24h00 – Fecho dos Bares da Feira

04 Novembro (Domingo)

09h00 – Abertura do Secretariado do 3º CROSSALVITO (Org.: Clube Natureza de Alvito)
10h00 – Inicio do 3º CROSSALVITO (Org.: Clube Natureza de Alvito)
14h00 – Reabertura da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais
18h00 – Encerramento da XII Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

Visite a exposição de pintura e escultura de Óscar Alves e Domingos Oliveira
no Centro Cultural de Alvito.

terça-feira, outubro 30, 2007

Quantas vezes...

Foto de Elblura


Quantas vezes caminhei pela praia
à espera que viesses. Luas
inteiras. Praias de cinza invadidas
pelo vento. Quantas estações quantas noites
indormidas. Embranqueceram-me
os cabelos. E só hoje
quando exausto me deitei em mim
reparei
que sempre estiveste a meu lado. Na cal frágil
dos meus ossos. Nas hastes do mar
infiltradas no sangue. Na película
dos meus olhos quase cegos.


Casimiro de Brito


segunda-feira, outubro 29, 2007

1-Fotos do Alentejo

Vento suão


Vento Suão - Foto de Manuel Dinis Cortes

Nasceu em Vila Real em 1955 e reside em Beja desde 1980. É Médico e tem como hobbies diversas actividades outdoor , incluindo a fotografia.

domingo, outubro 21, 2007

As ondas

Foto de Marko Schimanski



As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.



Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, outubro 20, 2007

Uma dor fina...

Foto de Reno



Uma dor fina que o peito me atravessa,

A escuridão que envolve o pensamento,

Um não ter para onde ir cheio de pressa,

Um correr para o nada em passo lento,



Um angustiante urgir que não começa,

Um vazio a boiar no alheamento,

Uma trôpega ideia que tropeça

No vácuo de um estranho abatimento.



É tédio? É depressão? Talvez loucura?

É, para um além de mim, passagem escura?

Um ir por ir que não tem outro lado?



É, sem máscaras, a esperança enfim deposta,

Ou no extremo da verdade exposta

A ironia feroz de um deus calado?




Natália Correia

(in Sonetos Românticos)

sexta-feira, outubro 19, 2007

BLOG SOLIDÁRIO




MARIA amiga que encontrei nas voltas da net e a quem por motivo de nossas sensibilidades se aproximarem na leitura e no sentir da poesia, pois esta MARIA quis mais uma vez distinguir o "Beja" com o prémio e o carinho do "BLOG SOLIDÁRIO". Ainda que o considere imerecido aceito-o com todo o prazer, dado de quem vem, retribuindo com um beijo amigo.

Vou, seguindo as regras, distribuí-lo por outros 10 blogs enviando as minhas saudações aos que não pude agora nomear.Provavelmente alguns blogs agora indicados já terão recebido este prémio mas esse facto mais reforçará esta atribuição.


1 - BLOG DO ZIG

2 - ADESENHAR

3 - ALÉM TEJO

4 - BLOG DO CANTINHO

5 - CHUVISCOS

6 - PALAVRAS AO VENTO

7 - PECISCAS

8 - POEMAS DE AMOR E DOR

9 - EREMITÉRIO

10- MOENDO CAFÉ

quinta-feira, outubro 18, 2007

Canção Grata




Por tudo o que me deste:
- Inquietação, cuidado,
(um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
- Obrigado, obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão,
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
- Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: - Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


Carlos Queirós







1907-1949

Carlos Queirós de seu nome completo José Carlos Queirós Nunes Ribeiro nasceu em Lisboa em 1907 e faleceu em Paris em 1949. Um dos seus livros mais conhecidos é Desaparecido e Outros Poemas.
Foi através dele que Fernando Pessoa conheceu Ofélia a quem escreveu as suas cartas e poemas de amor.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Reflexão

Foto de Denisse Herrera







Nas longas horas vividas,
procuro as rotas que perdi.


Prisioneiro de causas inúteis,
componho poemas à pressa
e descubro pétalas murchas
em diários de infância.


Há histórias nunca lidas
que um dia te escrevi.


Adormeço recordações
em leito de flores,
moldo-lhe formas,
sorvo-lhe a fragrância.


Irreais e já sem vida,
restam imagens a falar de ti.


Ao bom ou mau passado
jamais alguém regressa;
daí ter-me perdido,
no tempo… no sonho… e na distância!



Orlando Fernandes (Fronteiras do Sonho)

terça-feira, outubro 16, 2007

segunda-feira, outubro 15, 2007

Não digo adeus...

Foto de Ana Franco-Olhares




Largo no barco
Que ao largo se faz
Olhos rasos de água
- o meu adeus
Das horas más!

Levo-te no coração
Teu lugar preferido
Meu lugar de eleição
Beijo esses lábios
Sentindo o sabor
Que sempre recorda
Momentos de amor

Não digo adeus
Só até à volta
Vejo os olhos teus
Sentindo revolta
Haja o que houver
Ao meu lado estarás
Para ti voltarei
Por mim esperarás



Um último aceno
Um profundo olhar
Amo-te muito!
Sempre te hei-de amar!




LM – 15/10/07

domingo, outubro 14, 2007

Cinzas do Tempo

Foto Paulo Madeira-Olhares



A maré, a vazante,

O mar retirante

Recua diante

Da minha tristeza,

Presa de lembranças,

Represa de imagens,

Personagens, história

Que desenhei na memória

Com as cinzas do tempo.

Um dia de sol,

Trevas na alma,

Um momento, uma calma,

A pausa na dor.

Um alento, uma passagem,

Entre o amor e a amargura,

Entre a culpa e a tortura.

A frescura, a brisa

Me seduz, me abraça,

Festeja, me envolve

E assim me devolve a paz

Que deseja ficar

Mas, fraqueja e passa.

Um dia de sol,

A praia, a vida,

Na contrapartida

O escuro, o mergulho

Na saudade antiga,

Amiga, inimiga,

Refúgio, pensar,

Que agora me obriga

A rever e chorar.





FRANCISCO SIMÕES

sábado, outubro 13, 2007

PAZ!

CLIQUE na foto de Ive Volker para a ver em seu tamanho natural.



Paz é silêncio, é ajuda
É compreensão, é valor.
É riqueza que se conquista
Com a arma do amor.


Bom fim de semana!

sexta-feira, outubro 12, 2007

O nosso amor nasceu como um poema

Foto João Camilo-Olhares

"O Amor é a memória que o tempo não mata,
a canção bem-amada, feliz e absurda...
É a música inaudível...
O silêncio que treme e parece ocupar o coração
que freme quando a melodia do canto de
um pássaro parece ficar..."

- Vinícius de Moraes -




O nosso amor nasceu como um poema.
Como se nossas mãos não fossem duas.
Como se o teu corpo fosse o universo,
onde nos teus olhos cintilam outras luas
que enchem de luar estes meus versos.

O nosso amor nasceu como um poema.
Que tanto se excedia. E nos excedendo,
sempre o horizonte mais ficou distante.
Absorvente amor de tal forma absorvendo,
amando o amor talvez mais que o amante.

O nosso amor nasceu como um poema.
Com palavras que a amar se escreveram
em páginas de sonho, beleza e esplendor.
E tantas vezes as palavras se envolveram
que de um poema nasceu o nosso amor.





Albino Santos

quinta-feira, outubro 11, 2007

Sem Saída

Foto de Alex Krivtsov





Da tua sombra nasce a minha luz
do teu puro silêncio a minha fala
e ainda é teu o olhar que me seduz
no presságio do sono que me embala


Queria poder amar-te sem motivo
já sem corpo nem alma nem passado
quando só tu me provas que estou vivo
no teu sorriso mais que desesperado


Vem ter comigo, vem, enquanto a vida
nos abandona à flor do seu segredo:
ambos sabemos que não há saída


fora do nosso amor – ainda é cedo
e a noite é uma criança distraída
até ficarmos sós: não tenhas medo



Fernando Pinto do Amaral (A Luz da Madrugada)





Fernando Pinto do Amaral nasceu em Lisboa em 1960. Frequentou a Faculdade de Medicina, mas abandonou o curso, vindo a licenciar-se em Línguas e Literaturas Modernas, concluindo o Mestrado e o Doutoramento em Literatura Portuguesa.

É Professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa. Publicou, desde 1990, cinco livros de poesia, dois volumes de ensaio e traduziu poemas de Baudelaire, Verlaine, Jorge Luis Borges e Gabriela Mistral.

Prefaciou edições de poesia de Camões, Bocage, Antero de Quental, Cesário Verde, Ruy Cinatti, Tomaz Kim e Luís Miguel Nava, entre outros. Alguns dos seus poemas estão traduzidos e publicados em espanhol, francês, neerlandês, alemão, checo, inglês, búlgaro e turco.

Área de Serviço e Outras Histórias de Amor é a sua estreia no domínio da ficção narrativa.

A Luz da Madrugada é o seu mais recente livro de poesia.


INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...