segunda-feira, janeiro 16, 2006




Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal



*****


É PRECISO UM PAÍS


Não mais Alcácer Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.


Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.



Manuel Alegre

domingo, janeiro 15, 2006

22-ABRIL-2.006








ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO


ESTAMOS PREPARANDO O PROGRAMA QUE SERÁ PUBLICADO EM BREVE


AGENDA A TUA IDA A ALVITO



CONTAMOS CONTIGO

segunda-feira, janeiro 09, 2006

MANUEL ALEGRE - O NOSSO CANDIDATO

Foto Expresso Online-António Pedro Ferreira


VOTAR

em

MANUEL ALEGRE


Para ganhar um

PAÍS

feliz


"É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo:

CANTA.

"






NA NOITE DE ARRANQUE DA CAMPANHA ELEITORAL

ALEGRE dirige saudação a todos os apoiantes

Esta noite, apoiantes de Manuel Alegre reunem-se nas sedes em todo o país para celebrarem com poesia e canções o arranque da campanha eleitoral.

Veja aqui o vídeo da saudação





"LIVRE E FRATERNO PORTUGAL"

Fernando Guerra fez a música e a letra, Paulo de Carvalho cantou, a Digitalmix fez os arranjos e a produção. Eis um hino que vai acompanhar toda a campanha de MANUEL ALEGRE e vai ficar nos ouvidos dos portugueses.


Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sebastião Penedo um Poeta de Alvito


Sebastião Penedo. Um amigo que já não está entre nós mas que deixou obra feita e apreciada que terei todo o prazer em publicar neste blog. Esta a minha homenagem.

Sebastião Penedo é natural de Alvito.

De entre as obras que deixou chegou-me às mãos o Poesia (Edição da Câmara Municipal de Alvito) que iremos a pouco e pouco colocando para vossa apreciação.

Depoimentos:

-“Sebastião Penedo é um poeta marcado pela terra que julgamos nativa e os seus melhores poemas foram-lhe segregados pela planície heróica. A sedução do Alentejo é conhecida. Os poetas de lá são como as casas: francos, receptivos. Um belo livro que de contínuo nos empurra para o meio de uma província muito amada “
João Maia


-“Em certos passos da sua poesia não sabemos bem se ele nos fala das coisas ou dos elementos, tão intimamente se conjugam nos seus versos a obra do homem com a obra da natureza.
Sagrado ou não pela crítica, a verdade é que Sebastião Penedo tem desde já lugar entre os mais castiços líricos da poesia portuguesa do seu tempo.”
João Gaspar Simões


-“Uma torrente de poemas que cantam como a água dos açude do Guadiana, que falam com sotaque alentejano, que são furos legítimos, desambiciosos e, ás vezes, em sua singeleza, muito belos, muito ricos, de imensas coisas: vida, amor, fraternidade, luz”
Urbano Tavares Rodrigues


******

CEGUINHO SEM MÚSICA


No passeio, a meu lado,
vai indo
uma criança cega
pela mão de alguém.


Mas é minha dor silenciosa
que pela rua fora a conduz
e lhe vai contando
uma história.
Escuta, menino:
Era uma vez a luz…


E uma espécie de aragem,
estranha,
que não sei donde vem,
traz à minha dor
a fina música,
prolongada e triste,
de um violino
que o menino ainda não tem.





A NOITE ALENTEJANA


A planície já pôs sua roupagem
nocturna. Agora dorme, sem sentir,
um sono entre acordada e a dormir.
À noite, o Alentejo é a paisagem


dum brando sonho: a lua mira os olhos
ao espelho nos pegos das ribeiras.
Há malteses deitados pelas eiras,
além, uma queimada nos restolhos.


Ouvem-se as rãs nos poços coaxar.
Um cão vigia os gados ao relento
e o pastor dorme à porta da cabana.


Cheio de vultos, grilos e luar
e de rumores e de encantamento,
oh, como é grande a noite alentejana!




P O E S I A


Quando nós éramos crianças e morria
alguém amigo ou de família, o avô, lembro,
punham-nos uma tarja preta na manga
verde-axadrezada do bibe mais bonito.


Era o fumo no braço – sinal de finados.
O distintivo, o rótulo para certo tempo de luto,
conforme o grau de parentesco, a proximidade.


Era proibido rir, cantar e assobiar,
como se a morte castrasse o sentimento,
ou as lágrimas da vontade despida de chorar.


Não se sabia que não há luto por um grande amigo.
Não se sabia que a dor pode vestir aliviado,
verde, de todas as cores, vermelho e azul,
e pode, naturalmente, chorando, apetecer cantar.


Sebastião Penedo

domingo, janeiro 01, 2006




OBRIGADO À VIDA



Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me dois olhos
que quando os abro
perfeito distingo
o preto do branco
no alto céu seu fundo estrelado
e nas multidões a mulher que amo.

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o ouvido
que em toda sua extensão
grava noite e dia
grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuvaradas
e a voz tão terna da minha bem amada

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o som
e o abecedário
com ele as palavras
que penso e declaro
"mãe, amigo, irmão"
e a luz, iluminando
o rumo da alma de quem estou amando

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a marcha
dos meus pés cansados
com eles andei
cidades e charcos
praias e desertos, montanhas e planos
tua casa, tua rua e teu pátio.

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o coração
que agita seu marco
quando olho o fruto
do cérebro humano
quando olho o bom tão longe do mal
quando olho o fundo de teus olhos claros

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a risada
e deu-me o pranto
assim distingo
felicidade de fraqueza
os dois materiais que formam meu canto
o canto de todos que é mesmo canto
o canto de todos que é meu próprio canto

Obrigado à vida!



(Autora Violeta Parra)
(Adaptado da tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

quinta-feira, dezembro 22, 2005



CAROLINA



Participo a todos os meus amigos e a todas as minhas amigas o nascimento de Carolina, minha primeira neta, no dia 22 de Dezembro pelas 17H14, com 2,740Kgs. É muito linda. Foi a melhor prenda de Natal.

A Carolina envia um beijinho a todos os visitantes do "Beja" e deseja que todos tenham um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.

sábado, dezembro 10, 2005




Desejo que neste Natal,
antes de perceber Jesus nas luzes que piscam pela cidade,
O encontre primeiramente em seu coração.
E, à frente de qualquer palavra que expresse seu desejo de um feliz Natal,
O encontre em suas acções.

Que O encontre não só na alegria que sente ao sair das lojas
com presentes para as pessoas que ama, mas também
na feição triste da criança abandonada nas ruas,
na qual muitas vezes esbarra apressadamente.

Que encontre Jesus no momento em que pegar nas mãozinhas
delicadas de seu filho, lembrando-se das mãozinhas pedintes,
quase sempre sujas de calçada, que só sabem o que significa rudeza.

Que O encontre no abraço de um amigo,
lembrando-se dos tantos que só têm a solidão como companheira.

Que O encontre na feição do idoso da sua família,
lembrando-se daqueles que tanto deram de si a alguém,
e hoje são esquecidos até pela sociedade.

Que O encontre na lembrança suave e sempre viva
daquela pessoa querida que já não está mais fisicamente ao seu lado,
lembrando-se daqueles que já nem se recordam mais quem foram,
enfraquecidos pelo vazio de suas vidas.

Que encontre Jesus na bênção de sua mesa farta
e no aconchego de sua família, lembrando-se daqueles
que mal se alimentam do pão e sequer têm um lar.

Que O encontre não apenas no presente que troca,
mas principalmente na vida que Ele lhe deu como presente.

Que se lembre, então, de agradecer por ser uma pessoa privilegiada
em meio a um mundo tão contraditório!

Que também encontre Jesus à meia- noite do dia 31
e sinta o mistério grandioso da vida, que renasce junto com cada ano.

Então festeje...festeje o ano que acabou não apenas como dias que se
passaram, e sim como mais um trecho percorrido na estrada da sua vida!

Festeje a alegria que lhe extasiou e a dor que lhe fez crescer!
Festeje pelo bem que foi capaz de fazer
e pelo mal que foi capaz de superar!

Festeje o prazer de cada conquista
e o aprendizado de cada derrota!
Festeje por estar aqui!
Festeje a esperança no ano que se inicia, no amanhã!
Festeje a vida!

Abra os braços do coração para receber
os sonhos e expectativas do ano novo.

Rodopie...jogue fora o medo, sinta a vida!...

Sonhe, busque, espere... ame e reame!

Deixe sua alma voar alto...pegar boleia com os fogos coloridos.
Mentalize seus desejos mais íntimos e acredite:
eles também chegarão ao céu.
Ir-se-ão misturar às estrelas, irão penetrar no Universo
e voltarão cheios de energia para se tornarem reais.

Basta querer de verdade, ter fé e nunca, NUNCA desistir deles!
E que seu ano seja, então, repleto de bênçãos e realizações.







Vamos fazer uma paragem. Meditar.
Agradeço aos amigos que, generosamente, me têm acompanhado e prometo voltar mais junto ao fim do ano.

Para todos e suas Famílias vão os votos de um Bom Natal e um Ano Novo pleno de prosperidades.

Abraços

sexta-feira, dezembro 09, 2005




Só mais uma vez...


Queria apenas por um momento,
Poder apagar o passado,
Poder estar ao teu lado,
Para dizer que te amo.

Queria apenas por um instante,
Poder tocar a tua face,
Poder ter o teu amor,
Poder sonhar um pouco mais.

Queria apenas por um minuto,
Poder ser um daqueles silêncios,
Que quando menos se espera,
Surpreende de forma irreverente.

Queria apenas por um segundo,
Poder ser parte do teu pensamento,
Poder ser a cada instante,
Uma lembrança constante,
Que não se apaga mais.

Enfim, queria apenas uma chance,
Para ter um momento do teu amor,
Um minuto do teu silêncio, e...
Todos os segundos do teu pensamento!




quarta-feira, dezembro 07, 2005

ALVITO-Concertos de Natal e Ano Novo




Concertos de Natal e Ano Novo em Alvito


Conforme já vem sendo hábito, em Alvito não há quadra natalícia sem música!

Este ano, celebra-se de novo a “época das Boas Festas” através de duas actuações, uma em Alvito e a outra em Vila Nova da Baronia.

No primeiro concerto, que acontecerá no dia 18, Domingo, na Igreja Matriz de Alvito, pelas 17h00, teremos a actuação do Grupo Coral Vocal DaCapo. Fundado em 1982, tem participado em inúmeros concertos no país e no estrangeiro, sob a direcção vocal do maestro Eduardo Paes Mamede. O grupo conta também com um trabalho em CD, editado em Julho de 2002, como forma de comemoração dos seus 20 anos de actividade.

No dia 6 de Janeiro, Sexta-Feira, pelas 21h00, a música acontecerá em Vila Nova da Baronia e terá lugar, igualmente, na Igreja Matriz daquela localidade. Neste concerto de Ano Novo, ouviremos as vozes do Coral Eborae Musica, precisamente em noite de Reis. O maestro Fernando Teixeira, com vasto e brilhante curriculum, irá conduzir o grupo (constituído há já 18 anos) através de um repertório que destacará belas composições apropriadas à quadra.
A actuação do Eborae Musica incidirá, particularmente, sobre temas compostos pelo prestigiado músico Fernando Lopes Graça, uma vez que se comemora em 2006 o centenário do nascimento deste compositor.


Porque em Alvito também se vive com música, eis uma razão acrescida para a sua visita!

Primeiro Beijo




Estavas ali,
à mercê dos beijos
que íamos partilhar.

Acendíamos nos olhos,
fogueiras de desejo
que disfarçávamos inquietos.


Duas luzes tímidas,
sorvendo ansiosos
as ingenuidades possíveis.


Acontecia numa tarde,
num qualquer Maio cúmplice,
testemunhando sonhos.


Reflectido na planície,
o nosso querer para sempre
que não resultou.


Os pássaros cinzentos,
recusam-se a cantar
como nesse dia.


Vencidos pelo tempo,
vencidos pela distância.
Foi há tanto, tanto tempo…





(Orlando Fernandes in Alentejo…e outros poemas)

terça-feira, dezembro 06, 2005

Para Ti...



"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


Agora lê de baixo para cima.





Clarice Lispector

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Todo dia é menos um dia







Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber
ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:
- Desculpe, eu errei!
Para dizer:
- Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
E já não há mais como encontrar
onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos,
estaremos seguindo um caminho, que jamais
nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem.
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir
interpretar melhor e saber o que quis ser dito


(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, dezembro 04, 2005

Sonho ou realidade ?...




Procurei-te,
Depois daquele dia aziago.

Imaginava que tudo de novo
seria possível,
que novamente fosses minha.
Nunca o tinhas
deixado de ser…

Não respondeste
ao apelo.
Eu,
Nem quis crer.
Tudo tinhas esquecido?
Tudo tinhas olvidado?

A núvem que
nesse momento
toldou meus olhos
tudo enegreceu.
A própria caminhada
do dia a dia.

Dias, meses, anos,
muitos anos ,
se passaram.

Quantas loucuras.
Quantas mais desilusões.

Num instante
tua imagem
deslisou a meu lado.

Sonho, realidade?

Não houve uma palavra
de lado a lado.
Nossos olhos enevoados
se entenderam.
Tristes somente
se beijaram
num sonho impossível.

O tempo passara.
Passara tanto tempo.

Éramos os mesmos
sorrindo um para o outro.

Tarde demais…

Seguimos nossos destinos,
corações apertados,
olhos tristes.


Continuo à tua procura…



LM Abril/2005

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Coração Vagabundo







Meu coração não se cansa

De ter esperança

De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança

Não é só a lembrança

De um vulto feliz de mulher

Que passou por meus sonhos

Sem dizer adeus

E fez dos olhos meus

Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo

Quer guardar o mundo

Em mim

(Letra e música de Caetano Veloso)









AUSÊNCIA


Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia pra esperar

E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinho no meu canto
Tendo apenas o meu canto pra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi
A tua imagem fiel
Que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi



(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Retrato




Um silêncio, um olhar, uma palavra:

Nasceste assim na minha vida,

Inesperada flor de aroma denso,

Tão casual e breve...





Já te visionara no meu sonho,

Imagem de segredo, esparsa ao vento

Da noite rubra, delicada, intacta.

E pressentira teu hálito na sombra

Que minhas mãos desenham, inquietas.





Existias em mim. O teu olhar

Onde cintila, pura, a madrugada,

Guardara-o no meu peito, ó invisível,

Flutuante apelo das raízes

Que teimam em prender-te, minha vida!




(Luis Amaro)

quarta-feira, novembro 30, 2005

"Ainda Refulge ..."





Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?



Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?



Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?



Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?



O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?



Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?



(Luís Amaro)

terça-feira, novembro 29, 2005

Triste Outono




Que triste o fim da tarde vai ficando
com árvores a chorar ramos despidos,
e as folhas amarelas esvoaçando…
São pássaros perdidos!
Com o rosto colado na vidraça
mergulho neste céu meio pardacento,
manto dum tempo, insípido e sem graça…
Nostálgico e cinzento!
Murmúrios sem calor, soltos no ar
povoam um crepúsculo de Outono
e as vozes das gaivotas sobre o mar…
São gritos de abandono!
Pudesse eu agarrar a fé perdida,
gritando ao triste Outono: quem me dera,
que minha alma, que no mundo anda perdida…
Encontre a Primavera!
Quem sabe, se na contra luz do espaço,
dum igual fim de dia tão agreste,
não nascerá espontâneo o teu abraço…
Como uma flor silvestre!
A noite vem caindo, mansamente,
um odor a chão molhado anda no ar,
sereno, cerro meus olhos docemente…
E deixo-me embalar!




(Orlando Fernandes in Alentejo ... e Outros Poemas)

sexta-feira, novembro 25, 2005

MANUEL ALEGRE o Nosso CANDIDATO



Manuel Alegre em entrevista ao Público

Esta candidatura é um facto novo que desarruma os hábitos e o sistema

Por Maria José Oliveira e José Manuel Fernandes
24.11.2005


Manuel Alegre assume que o seu "contrato presidencial" apresenta propostas concretizáveis e defende que realizar um pacto económico e social não é uma aproximação ao "bloco central". Para além da estabilidade política, é necessário dar prioridade
ao combate a tensões sociais que possam surgir com a crise económica. Por isso, o candidato entende que o Presidente da República deve ter um papel mais interventivo, tentando restabelecer a confiança dos portugueses no sistema político-partidário. Alegre advoga ainda que o magistério não deve ser apenas de influência, mas também de "essência"




A alternativa Manuel Alegre
O passado de luta de Manuel Alegre, a sua postura política e o prestígio de que goza como poeta e escritor permitem-lhe ambicionar um resultado positivo e eventualmente a passagem a uma segunda volta nas eleições. E, se isso acontecer, pode até vir a vencê-las. De resto, para surpresa de muitos, esse cenário aparece como perfeitamente plausível, segundo as sondagens até agora efectuadas.
[Elísio Estanque, Professor Universitário, Militante do PS, 24.11.2005]







Debaixo das Oliveiras


Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.

O mês em que a brisa me pôs nas mãos
uma harpa de folhas
e a terra me emprestou
sua flauta e sua lua.
Maré viva. Meu sangue atravessado
por um cometa visível a olho nu
tangido por satélites e aves de arribação
navegado por peixes desconhecidos.

Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.

O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.

Este foi o mês em que fui a um lugar santo
dentro de minha casa.
O mês em que saí dos campos
e me banhei no rio como quem se baptiza
e cantei debaixo das oliveiras
as mãos cheias de terra. Palavras
e terra
de uma vida.

Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas. Palavras
e folhas
de uma vida.

O mês em que a mulher
tocou meus ombros com sua graça
e me deu a beber
a água pura do seu poço.
Este foi o mês em que o filho
derramou dentro de mim
o orvalho e o sol
de sua manhã.

O mês em que cantei
como quem de si se perde e reencontra
nas coisas novamente nomeadas.

Este foi o mês em que atravessei montanhas
e cheguei a um lugar onde as palavras
escorriam leite e mel.
MILAGRE MILAGRE gritaram dentro de mim
as aves todas da floresta.

Então reparei que era o lugar do poema
o lugar santo onde cantei
entre mulher e o filho
como quem dá graças.

Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.


(Manuel Alegre)





Nota do "Beja": Se estiver interessado em conhecer mais notícias e pormenores da Candidatura à Presidência da República clique em MANUEL ALEGRE

quarta-feira, novembro 23, 2005

Grande Edgar

Ilustração de Artur de Carvalho




Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

— Desculpe, deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

— Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

— Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

— Então me diga quem sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

— Pois é.

Ou:

— Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.

— Como cê tem passado?

— Bem, bem.

— Parece mentira.

— Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele esta falando:

—Pensei que você não fosse me reconhecer...

—O que é isso?!

—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

—E eu ia esquecer de você? Logo você?

—As pessoas mudam. Sei lá.

— Que idéia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

— É incrível como a gente perde contato.

— É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

— Cê tem visto alguém da velha turma?

— Só o Pontes.

— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

— Lembra do Croarê?

— Claro!

— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

— Rezende...

— Quem?

Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.

— Não tinha um Rezende na turma?

— Não me lembro.

— Devo esta confundindo.

Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.

Ele fala:

— Sabe que a Ritinha casou?

— Não!

— Casou.

— Com quem?

— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)

— Claro que conheci! Velho Bituca...

— Pois casaram.

É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.

— E não avisou nada?

— Bem...

— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?

— É que a gente perdeu contato e...

— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

— É...

— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.

— Desculpe, Edgar. É que...

— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. ( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)

— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

— Certo, Edgar. E desculpe, hein?

— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

— Isso.

— Reunir a velha turma.

— Certo.

— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...

— Bituca.

— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

— Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.


(Luís Fernando Veríssimo)


Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...