
segunda-feira, junho 12, 2006
sexta-feira, junho 09, 2006
Canção do Alentejo

Foto de Fialho Gois
Meu Alentejo trigueiro
Amassado em barro e pão,
Não trocava o mundo inteiro
Por esta terra celeiro
Que mora em meu coração.
Há sempre cantares de amigo
Na melodia dolente
Talhada no desencanto
Que ecoa na noite quente,
No sentir da tua gente
Em trovas feitas de pranto.
Há uma esperança vivida
Quando o sol espreita o montado
Por entre a chuva a correr,
O cheiro do chão molhado
É perfume abençoado,
É seiva que faz crescer.
Sinto-me a sofrer contigo
Quando o ano é de estiagem
E o “suão” traz desenganos;
Na aridez da paisagem
Há sempre um fio de coragem
Nos olhos alentejanos,
Nesta terra tão esquecida….
Meu Alentejo trigueiro
Amassado em barro e pão,
Não trocava o mundo inteiro
Por esta terra celeiro
Que mora em meu coração.
(Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho)
quarta-feira, junho 07, 2006
Não te vás
segunda-feira, junho 05, 2006
Mensageira

Foto de Rebecca Xenia Wright-fotocommunity
Mensageira
Vem amiga, vem depressa,
novas do meu Amor trazer,
não durmo nem descanso
à espera de as conhecer;
O sonho comanda a vida
já lá dizia o poeta
Eu continuei sonhando
à espera da hora certa;
O tempo correu demais
passaram assim muitos anos
o pensamento era só um
apesar dos desenganos;
Quando te vi ali
nem queria acreditar,
olhei-te bem nos olhos,
parecia querer levitar;
O beijo que nós trocámos
ficou-me sempre gravado.
Quem poderá esquecer
a ternura do ser amado?
A chama que sempre viveu,
neste coração apaixonado,
tornou-se fogo intenso,
alto e descontrolado.
Queria estar perto de ti,
quimera dos meus desejos,
seríamos , por certo, felizes
na troca dos nossos beijos.
Não há dia, não há noite,
há sempre uma recordação,
tenho-te gravada na alma
esculpida no coração.
Obrigado Mensageira
pelas novas que me trazes
continuarei porfiando
em lutas tão audazes.
Lumife 05 de Junho de 2006
sábado, junho 03, 2006
ROTA DO FRESCO INTERCONCELHIA PARA A COMUNIDADE LOCAL (DE ALVITO)
PINTURAS ALENTEJANAS POR DESCOBRIR

CONVITE
CLIQUE no blog ALVITO-BAIXO ALENTEJO e faça connosco uma Rota do Fresco. É só um cheirinho... pois ao vivo tem outra côr, outro movimento. E tem a "Guia" Dina Monteiro que a todos os participantes encanta com a sua simpatia e conhecimento profundo da matéria.
Um dia esperamos por si, em Alvito, numa Rota do Fresco...

foto de Jacek Pomykalski
"o teu rosto à minha espera. o teu rosto
a sorrir para os meus olhos. existe um
trovão de céu sobre a montanha.
as tuas mãos são finas e claras. vês-me
sorrir. brisas incendeiam o mundo.
respiro a luz sobre as folhas da olaia.
entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos.
este dia será sempre hoje na memória.
hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas.
hoje tenho o teu rosto dentro de mim."
(José Luís Peixoto, A Casa, A Escuridão)
quinta-feira, junho 01, 2006

Foto lg-Farid Salemi-photo net
Adormeço
No fundo de um poema
Ainda por fazer
Convoco a memória
E os sentidos
Na procura de tudo
Que se esconde na noite
Mas o silêncio perdura
As palavras fogem de mim
Como folhas de Outono
E desaparecem
Na sombra
De forma indolor
Mas tu já sabes a cor
Do meu silêncio,
As palavras
Que não escrevo,
Aquelas que não digo,
E que clandestinas
Vão pousar
Suavemente
Nos teus lábios...
Frog
quarta-feira, maio 31, 2006
terça-feira, maio 30, 2006
Este grão que não germinou...

Foto de LG-Salih Guler-foto net
Este grão que não germinou,
sem motivo e sem razão,
na terra já amanhada;
Correu mundo arrastado
na bolanda do vendaval,
perseguiu mil aventuras,
num desespero de caminhada.
Quis regressar.
Era tarde.
A terra não era dele
a leira fora ocupada.
Aninhou-se em terra estranha,
onde encontrou acolhimento...
Sem o Sol que tanto amava
refugiou-se no Luar
esperando o passar do tempo.
Mas um dia, neste dia,
o Sol voltou a raiar.
Abrindo seu coração,
nele aconchegou o grão
que, feliz, voltou a sonhar…
Lumife 30-05-2006

foto de Marília-fotografia na net
segunda-feira, maio 29, 2006

foto de G Steve-photo net
CANÇÃO
Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.
Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também...
(Cecília Meireles)
sábado, maio 27, 2006

Foto de Sergey Ryzkov
Soneto à maneira de Camões - Sophia de Mello Breyner
Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que m’o dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá se não por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano
E de eu te possuir sem tu me dares.
Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.
sexta-feira, maio 26, 2006

“A vila era longe… Era longe Alvito…”
Talvez o poeta, quem sabe, tivesse usado este início do seu poema para lembrar que o moderno meio de transporte tinha a sua paragem distante desta vila.
Quase meia légua, separava a estação do caminho de ferro da povoação.
A maioria dos passageiros vinha visitar a família. Com eles traziam e levavam malas e caixotes, às vezes bem carregados, que não era fácil transportar num percurso que embora não muito longo, subia… subia… até à vila.
Na estação, esperando os conhecidos passageiros ou algum “caixeiro-viajante”, lá estavam o Quinito (foto acima) e o Afogadinho (como era conhecido). Transportavam com alegria e zelo todos os que chegavam.
Havia sempre lugar para mais um embora se desse mais um apertão.
A viagem era calma, alegre e por vezes perfumada dum “perfume muar” que hoje já poucos lembram.
Os anos passaram. Os tempos mudaram. Embora o comboio ainda passe já não pára.
Os “CHURRIÕES” do “Quinito” e do “Afogadinho” foram arrumados.
Também foram arquivadas nas nossas memórias as recordações das novidades que nos contavam nessas “célebres viagens”.
Restam-nos saudosas lembranças de quem deu muito da suas vidas para facilitar as nossas viagens.
Bem hajam!
Urge fazer a história dos costumes de Alvito…
Olinda
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006

Aos trinta dias do mês de Junho manda o Barão de Alvito e sua mui nobre esposa que se convide toda a boa gente destas Terras da Baronia de Alvito para assistir à Festa de Baptizado de seu mui nobre e estimado filho
A Festa do Barão
No dia 30 de Junho, a partir das 19h30 irá ter lugar no Largo das Alcaçarias uma recriação da época tardo-medieval, à moda da Baronia de Alvito.
Informações e Reservas até dia 23 de Junho (inscrições limitadas à capacidade disponível)
Posto de Turismo de Alvito
Tel:284 485 440 ou 284 480 800 (ext. 231)
turismo@cm-alvito.pt
segunda-feira, maio 22, 2006

CLIQUE NAS FOTOS
A minha neta Carolina, aos 5 meses, enviando muitos beijinhos para todos os amigos e amigas.
De entre os diversos comentários que generosamente nos enviaram não podia deixar de publicar o poema que a Mily nos endereçou.
Sensibilizados agradeçemos a todos(as) as vossas palavras retribuindo com beijinhos da Carolina. Este poema é também para todas as crianças do Mundo.
*****
Ah, linda menina,
trazes na doce magia
do mundo da fantasia
esse sorriso tão lindo
que inunda o espaço de cores
realça brilho de estrelas
enche jardins de flores
e faz a água nascente
se criar em profusão
e faz com que dentro da gente
o riso fique a brincar
naquele cantinho mais lindo
que se tem no coração.
Ah, doçura de criança,
tens o dom de despertar
sorrisos e bem-querer
nas dobras de nossa alma
quando te vemos assim
tão terna, doce e tão calma
a brincar tão inocente
no olhar de um anjo contente
que veio ao mundo enfim
somente te proteger.
Ah, pequena Carolina,
Tu és um presente de Deus!
Nasceste para sorrir,
pra florir e pra cantar!
Vieste com outras crianças
trazendo no coração
aquela doce missão
do mundo iluminar!
*************
Debruçado na janela...

Foto de Vasil Vasilev-photo net
Debruçado na janela
Olho o céu, o sol e a lua, o passado e o presente.
Seguem-me aqueles olhos, aquela boca, aquele sorriso.
Adormeço com esse rosto, companheira dos meus sonhos.
(Lumife-22-05-06)

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
(Florbela Espanca)
sexta-feira, maio 19, 2006
Passarinho que tremes...

Fotos de Artur Cardoso
Passarinho que tremes na minha mão
p’los afagos que ao tempo te não faço,
aproxima-te do meu coração,
eu serei bem feliz no teu regaço.
(Lumife-18-05-06)
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.
(William Butler Yeats)

Foto de Paulo Custódio-Olhares
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
(Vinicius de Moraes)
quinta-feira, maio 18, 2006

Foto de Jorge Jacinto-1000 Imagens
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui nalma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tam serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...
(Almeida Garrett)
terça-feira, maio 16, 2006
Esta noite...

Foto de Paulo Custódio-Olhares
Esta noite
A rota definida era maravilhosa
Mas a viagem foi longa e tempestuosa
A noite abriu os braços e acolheu o navegador
sempre só, sempre sonhando com seu amor
Imagens em catadupa o cercavam
Um turbilhão de palavras o rasgavam
Nada o demovia, o sono estava ausente
Sorrindo prosseguia, sonhando sempre
Chegou à praia, na areia descansou
mas ao longe aquele vulto vislumbrou
Correu muito e loucamente a abraçou
e assim pode amá-la como sempre amou
Lumife -15/16-05-2006
*********** ***********
************
E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
(Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM
Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...
-
Aos meus amigos Por motivo de força maior não me foi possível colocar já, neste blog, a reportagem do I Encontro de Blogs em Alvito. Fá-lo-e...
-
Desejo que neste Natal, antes de perceber Jesus nas luzes que piscam pela cidade, O encontre primeiramente em seu coração. E, à frente de qu...
-
PRESÉPIO A noite era fria Mas bem estrelada, A geada caía Na terra molhada. No estábulo deitado Com bafo aquecido, Em panos enrolado O Menin...





