quinta-feira, maio 03, 2007

2º ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO






Conforme prometido aqui apresentamos o trabalho que a Drª Paula Silva nos enviou para ser lido no 2º Encontro de Blogs em Alvito. Na altura não foi possível ser transmitido aos Participantes mas aqui o deixamos para leitura e análise e para ser comentado.

"Cara organização, caros colegas, cara assistência,
Compromissos laborais impedem-me de estar presente neste segundo encontro na histórica vila de Alvito. No entanto, tenho o enorme prazer de partilhar convosco uma reflexão acerca dos resultados da minha tese de mestrado sobre a blogosfera portuguesa.

Prometendo ser breve, porque não há maior aborrecimento do que não estar presente e mesmo assim ser abusiva, vou directa ao assunto.



O último século viu os media impressos, a rádio e a televisão tornarem-se objectos de consumo massificados e hoje, a cada minuto que passa, há novos computadores a interligarem-se, novas pessoas a entrarem na Rede e novas informações a serem aí colocadas, ao alcance de “todos”.
Algo de profundo está a acontecer. Se a web 1.0 estava centrada nos negócios, a web 2.0 está organizada em torno de pessoas anónimas, do cibernauta. E o que quer isto dizer? A consolidação da autonomia individual, palavras de ordem que indicam o rumo da nova “web social” baseada numa Rede global, cujo substrato está assente na partilha de sons, textos, vídeos…
Pela primeira vez na história humana, a opinião pode tornar-se pública. Pública como consideramos a opinião de alguém que utilizou meios de comunicação como veículos, mas também pelo facto de poder dizer respeito a todos e que todos podem fundamentar ou rebater.
Neste sentido, os blogues são uma ferramenta imprescindível de promoção da racionalidade e de fomento da discussão. Abolidos os intermediários, amplia-se uma oferta de informação que até há pouco tempo estava confinada aos jornalistas e opinion makers.
É neste contexto que as “notícias” estão a ser produzidas pelo antigo público, por pessoas comuns, e não apenas por quem tradicionalmente costumava produzir a primeira versão da história.

Os media deixaram de ter o monopólio da informação, embora os blogues não procurem competir com os gigantes da comunicação. Até porque essa não é a sua intenção.

A blogosfera portuguesa não vive da informação original, o âmago do jornalismo, mas funda-se na opinião, a sua grande arma. Indivíduos privados discutem agora assuntos do interesse público e podem funcionar como vigilantes da acção dos media e dos que têm o poder.
Antes do surgimento da rede de comunicação de extensão planetária que é a Internet, a maioria dos seres humanos era invisível. Mas nas actuais circunstâncias é fácil ser-se ouvido, devido à facilidade de publicação de informação imediata. Os tão apregoados 15 minutos de fama de Andy Warhol transformaram-se em 15, 20, 30 ou muitos mais megas de notoriedade.
As massas chegaram à Rede, depois de terem tentado sem sucesso os meios impressos, apenas remetidos para as “Cartas dos Leitores”, e que tão bem se deram no formato mais popular de certos programas televisivos… não estimam a intimidade, divulgam-na a um público com os mesmos interesses e as mesmas angústias.

Opinativos por natureza, os blogues configuram-se antes como espaços de confirmação de identidades. São as idiossincrasias - a voz individual - que fazem um blogue.

Num jornal, rádio ou televisão seria impensável que se falassem de assuntos pessoais enquanto, por toda a parte e a todos os instantes, os acontecimentos se sucedem e o público deseja informação sobre eles. Em contrapartida, na Internet, falar sobre assuntos “intimistas” não tira espaço aos que desejam informação sobre o mundo.

Neste sentido, os blogues são também um ponto de inflexão na história dos meios de comunicação. Se os media apelam a um público mais vasto, os blogues, que abrangem toda uma gama de assuntos e estilos de escrita, são excelentes para gerarem descobertas fortuitas ou programadas, destinadas ao individual.

Autênticos best-sellers da Internet e verdadeiros êxitos de nichos informativos, os blogues vêm preencher o vazio criado pelos meios de comunicação tradicionais. São das melhores fontes para encontrar artigos menos conhecidos e sítios perdidos na web, com a oferta de fontes fidedignas a fazer muito pela conquista de seguidores dedicados.
Porém, com a entrada em cena do cibernauta como produtor de informação, é inegável o aumento de informação (desordenada mas substancial, sendo que a esmagadora maioria tem um interesse reduzido).
Por isso, os motores de busca terão, cada vez mais, um papel essencial de filtros, e os blogues uma palavra cada vez mais pujante a dizer acerca da fácil etiquetação por temas.
Sobretudo urge ainda reconhecer que mais do que meros produtos de lazer, os blogues são dos espaços onde se refaz a cadeia simbólica da comunidade. A Internet inaugura portanto um novo capítulo, quer no terreno da comunicação, quer no das relações pessoais.

Os blogues são, antes de mais, espaços comunicacionais, “lugares” de fronteiras simbólicas cujos editores se configuram à volta de comunidades de interesses e/ou práticas comuns produzidas ainda que por “desconhecidos”.

Experimentamos quotidianamente a comunicação que é um bem de primeira necessidade nas relações interpessoais e do homem consigo próprio. No entanto, recorremos cada vez mais a mediadores como os telefones e os computadores, que servem, também eles, de instrumentos de sociabilidade. As duas esferas (o encontro presencial e as conversas mediadas) tendem, cada vez mais, a combinar-se nas práticas diárias.

No mundo “pós-modem”, as amizades entre pessoas estão cada vez mais independentes da geografia. A crescente mobilidade das sociedades contemporâneas é caracterizada por uma sociabilidade que também se reclama mais autónoma.

Quem utiliza a Internet, não se limita a processar solitariamente a informação, interage também socialmente. A necessidade humana pela sociabilidade é tão indispensável quanto a necessidade de informação, pelo que existem tecnologias que permitem a satisfação de ambos os objectivos e os blogues parecem ser um desses casos. Encorajam o diálogo e são uma via para vozes que, na maioria das vezes, não têm como ser ouvidas.

Por outro lado, outro axioma básico para a minha investigação é que numa sociedade pós-moderna não se concebem produtos sem públicos, sendo notória a construção a priori de uma intencionalidade. Porque toda a comunicação tem como horizonte último um determinado efeito, é intencional, tem um objectivo.

Os seus editores preocupam-se com os números, estudam as estatísticas e não temem as críticas, sujeitando-se à avaliação de um público que pretendem conhecer.
A maioria colabora desinteressadamente para o crescimento do maior depósito de informação existente. Em última análise, esta mesma maioria quer a confiança do público, que será conquistado pela credibilidade do autor, e esta última será avaliada pelos leitores.
Novas promessas relacionadas com a interactividade aliadas ao facto da actualização poder ser contínua (várias vezes ao dia) faz com que se crie e se mantenha agarrada a audiência. Por detrás destas páginas pessoais está toda uma lógica que ultrapassa o simples lazer. Os blogues são apropriados de distintas formas porque distintos são também os objectivos de quem a eles acede.
Não é o meio que lhes dá a legitimidade, mas o discurso que no dia-a-dia apresentam. A coerência, o respeito e a argumentação fazem o resto. É por isso que se a confiança é difícil de se ganhar é também muito fácil de se perder.
Uma nova democracia participativa digital está a surgir. As novas ferramentas de edição criadas para a Internet vieram democratizar a Rede. Os novos desenvolvimentos tecnológicos estão ainda a fazer com que o anonimato se torne menos automático e mais uma escolha consciente dos internautas, isto apesar da Internet ter vindo potenciar (consciente ou inconscientemente) os danos respeitantes ao Direito de Autor, tendo em conta a livre circulação e a facilidade de copiar informação.

Num mundo fortemente dominado pelo paradigma da globalização e em constante mudança tecnológica, não se deve negligenciar também o potencial de capacidade das novas tecnologias de informação na renovação do debate e da comunicação pública. Tema este, aliás, que é o fio condutor desta tese.

Longe do tempo dos locais de sociabilidade onde se debatiam interesses comuns, o espaço público contemporâneo é um espaço mediatizado porque é funcionalmente dependente dos media.

Actualmente, uma parte importante da esfera pública está na Rede, contribuindo os blogues para a sua manutenção e crescimento constante. Espaço público esse que funciona como uma ágora universal cujo acesso é mais democrático que outrora e, por isso, promotor da cidadania, fazendo uso público da razão por pessoas privadas.

A informação aí disponibilizada, em consonância com um meio que não deixa de ser um fórum de debate, tem implicações para um ressurgimento da esfera pública, lugar da divergência e do heterogéneo.

Se, como afirma Françoise Zonabend, o silêncio só é de ouro para quem o excesso da palavra se tornou luxo sufocante, fica o desafio para os blogues, seus editores e seus mais fervorosos críticos, de rebaterem ou aceitarem a grande premissa que atravessa toda esta tese, a de que as palavras não estão gastas e ainda mantêm a sua força operativa."

terça-feira, maio 01, 2007

1º M A I O





1º. MAIO

Há Maio em cada rosto
em cada olhar
que passa pelo asfalto da Avenida
Há Maio em cada braço
que se ergue
há Maio em cada corpo em cada vida

Há Maio em cada voz
que se levanta
há Maio em cada punho que se estende
há Maio em cada passo
que se anda
há Maio em cada cravo que se vende

Há Maio em cada verso
que se canta
há Maio em cada uma das canções
há Maio que se sente
e contagia
no sorriso feliz das multidões

Há Maio nas bandeiras
que flutuam
e mancham de vermelho
o céu de anil
Há Maio de certeza
em cada peito
que sabe respirar o ar de Abril

Mas há Maio sobretudo
no poema
que se escreve sem ler o dicionário
porque Maio há-de ser
mais do que um grito
porque Maio é ainda necessário

Canto Maio e se canto
logo existo
que o meu canto de Maio é solidário
com o canto que escuto
e em que medito
e que sai da boca do operário

(Fernando Peixoto)



Com a devida vénia ao Movimentum

domingo, abril 29, 2007

foto de agent provocateur



Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco


Mário Cesariny

OVIBEJA E OS BLOGS





BLOGGERS CREDENCIADOS NA OVIBEJA

Provavelmente ainda não no formato ideal, mas o primeiro passo está dado.
Os bloggers interessados em assistir às conferências de imprensa e a ter um tratamento idêntico aos órgãos de comunicação social, devem manifestar essa intenção enviando um mail para o Gabinete de Imprensa da Ovibeja
( imprensaovibeja@hotmail.com ), com a identificação pessoal e o endereço do blogue. As solicitações serão analisadas caso a caso.
Um procedimento pioneiro e que certamente dará frutos.

Informação do Praça da República em Beja

quarta-feira, abril 25, 2007

2º ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO-BALANÇO_-

CLIQUE AQUI E VISITE O SITE DO ENCONTRO






Mais uma vez Alvito, vila histórica do Baixo Alentejo, recebeu com galhardia os bloguistas que pela 2ª vez ali confraternizam.
Incluído nas comemorações do 25 de Abril este evento proporcionou, de novo, excelentes participações dos Oradores e a atenção generalizada da Assistência.
Iniciou-se com a intervenção de Dina Monteiro, representante da Organização e moderadora do colóquio.
Agradeceu à Câmara Municipal de Alvito, na pessoa do Presidente João Paulo Trindade que mais uma vez nos honrou com a sua presença, aos Oradores Hugo Lança e João Espinho, a Olinda Bonito, a Luís de Sousa, autor do excelente Cartaz, a António Lascas, Lopes Guerreiro e Lumife da Organização, a Francisco da Conceição técnico do som e iluminação. Agradecimentos ainda aos Participantes, Acompanhantes e outros Convidados e a todos os bloggers que publicitaram o nosso Encontro.
Terminou lendo “A Carta” da autoria da Mad (Aliciante), belo momento de prosa intimista.

Seguiu-se a lembrança dos Poetas de Alvito:
--Raul de Carvalho;
--Sebastião Penedo;
--Luís Cabanas;
--Olinda Bonito.

Os elementos de recolha sobre estes Poetas foram apresentados por Luís Milhano (Lumife)

Os poemas dos referidos Poetas foram lidos por Olinda Bonito.

Na segunda parte falou Hugo Lança, jurista, com diversos estudos e intervenções na área da blogosfera, sobre “A Regulamentação da Blogosfera” donde sobressaímos as seguintes notas :

"É notório que as pressões económicas estão cada vez mais presentes na blogosfera."

"A blogosfera deverá, apesar disso, continuar a ser um espaço de liberdades, no qual é importante responsabilizar não só quem escreve - proprietário do blog, mas o que este permite que se escreva."

"É necessário reforçar meios técnicos para “controlar” o que aparece na blogosfera, sem colocar em causa a privacidade dos utilizadores. É de igual modo importante conferir qualidade aos conteúdos, no sentido de dar credibilidade à blogosfera."

"As ilegalidades e/ou ilicitudes relacionadas com internet e blogosfera, prendem-se também com os encaminhamentos “perigosos” que possam ser desencadeados para links considerados “menos próprios”."

"Nota conclusiva: O Estatuto Jurídico dos Blogs deverá ter um papel crucial naquela que é a nova blogosfera."



Seguiu-se João Espinho, tradutor, fotógrafo de reconhecida qualidade, autor do blog, talvez o mais antigo e mais visitado do Alentejo, o “Praça da República em Beja”, que apresentou o tema:
“O Futuro da Blogosfera” donde ressaltamos:

"Apresentada uma retrospectiva sobre blogs e evolução da blogosfera."

"Realçada a importância que o Blog Social (blog de intimismos) assume e assumirá sempre. Por outro lado, o Blog “Profissional” tenderá a disponibilizar, cada vez mais, conteúdos para a comunicação social. Deste modo, passa a haver dois públicos: o público generalista e o público constituído pelas direcções dos jornais."

"Haverá a necessidade de serem criadas plataformas de apoio para os blogs."

"É imperioso que se perceba que, ainda que se escreva em primeiro lugar para nós próprios, se está também a escrever para os outros, isto é, é preciso ter a consciência da existência do outro."


Deveria ter ainda intervido Paula Oliveira Silva, licenciada em Ciências da Comunicação, mas tal não foi possível . Temos, no entanto, um trabalho da sua autoria que publicaremos em breve dado o seu interesse para os bloggers.
Queremos agradecer publicamente a extraordinária colaboração dos Oradores que de todo valorizaram o colóquio.

-Continua-


Foto da Mad retirada do Praça da República em Beja




Foto do António Laskas
Olinda Bonito lendo Poetas de Alvito




Foto de Luís Milhano
Parte da Assistência



Foto de Luís Milhano
Jovens Participantes no Almoço




Foto de Luís Milhano
Dois Amigos que nos honraram com a sua companhia (A Mad e o João Espinho)




Foto de Luís Milhano
Os Amigos do Cante





“Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância do tempo”

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

ALVITO - COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL



CONCELHO DE ALVITO - 2007


SEXTA-FEIRA - 20/04/2007

17h30. Abertura da exposição “O Trabalho e o Sonho” de Maria Catarina Palma Fialho. Biblioteca Municipal. Alvito

18h30. Abertura de exposição “Memórias de Cor” de Jorge Caldeira (vencedor da V Edição dos Jogos Florais do Concelho de Alvito, modalidade pintura). Centro Cultural. Alvito


SÁBADO – 21/04/2007

10h30. II Encontro de Blogs em Alvito (ver programa próprio)

15h. Torneio de Snooker. Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Vilanovense. Vila Nova da Baronia (inscrições no local)

21h. Debate “Cidadania e o 25 de Abril”. Centro Cultural. Alvito
Com a participação de:
• João Paulo Trindade
• Ana Paula Fitas
• Cláudio Torres
• Manuel Alegre
• Camilo Mortágua (moderador)

23h30. “Ceia Alentejana”. Restaurante Camões. Vila Nova da Baronia (a ceia está sujeita a inscrição e pagamento)


Domingo - 22/04/2007

15h. Torneio de Dominó e Sueca. Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Vilanovense. Vila Nova da Baronia (inscrições no local)


2ª Feira - 23/04/2007

14h30. Sessão para adultos “Os livros que eu nunca li”. Junta de Freguesia. Vila Nova da Baronia


3ª Feira - 24/04/2007

22h30. Espectáculo de Música Popular com “Cant’Abril”. Parada dos Bombeiros Voluntários. Alvito
24h. Lançamento de Foguetes em Alvito e Vila Nova da Baronia


4ª Feira - 25/04/2007

10h. Arruada pela Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alvito em Vila Nova da Baronia

10h30. Inicio do Torneio Quadrangular de Futsal. Pavilhão Gimnodesportivo. Alvito (ver programa próprio)

11h. Inicio do 2º Torneio de Judo dos Bombeiros Voluntários de Alvito. Pavilhão dos Bombeiros Voluntários. Alvito

11h. Arruada pela Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alvito em Alvito

13h. Churrasco Convívio. Jardim da Casa do Povo. Vila Nova da Baronia

13h30. Almoço Convívio. Parada dos Bombeiros Voluntários. Alvito

14h30. Inicio das actividades culturais. Parada dos Bombeiros Voluntários. Alvito

14h30. Poesias de Abril, ditas por crianças
15h. “33 anos de Abril, 33 crianças, 33 gritos à Liberdade”

15h30. Danças Caboverdeanas

17h30. Actuação da Associação de Cante Coral do Concelho de Alvito

18h. Actuação do Grupo Coral e Instrumental de Reformados e Idosos da Junta de Freguesia de Peroguarda

18h30. Actuação dos Amigos do Cante de Alvito


Sábado - 28/04/2007

21h. Projecção do filme “Torrebela”, seguido de reflexão/debate com a participação de Tibério Ventura. Junta de Freguesia. Vila Nova da Baronia


Domingo - 29/04/2007

21h. Projecção do filme “Torrebela”, seguido de reflexão/debate com a participação do Prof. José Rabaça e vários intervenientes do filme. Centro Cultural. Alvito



Durante os dias das comemorações irão realizar-se torneios de malha e chinquilho em ambas as freguesias
(ver programa próprio)




quinta-feira, abril 12, 2007

2º ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO -21 DE ABRIL

CLIQUE AQUI E VISITE O SITE DO ENCONTRO




P R O G R A M A



10H30 - CENTRO CULTURAL/POSTO DE TURISMO
Recepção aos Participantes e Convidados

11H00 - AUDITÓRIO CENTRO CULTURAL
COLÓQUIO

11H00/11H30 - (1ª Parte)- "Lendo Poetas de Alvito"

-Leituras por Olinda Bonito

11H30/13H00 - (2ª Parte)- "O mundo dos blogs"

Oradores:
- Dr. Hugo Lança - "Regulamentação da Blogosfera"
- João Espinho --- "Blogosfera - Que futuro?"

- Seguir-se-à um período de perguntas e respostas com a Assistência

13H30 - ALMOÇO NO RESTAURANTE "O CAMÕES" - VILA NOVA DA BARONIA
PREÇO POR PESSOA - 15 € (Quinze euros)

15H30 - PASSEIO PELO PATRIMÓNIO DO CONCELHO.

18H00 - CENTRO CULTURAL DE ALVITO
Actuação de Grupo de Cante Alentejano de Alvito "OS AMIGOS DO CANTE"

19H00 - DESPEDIDA




INSCRIÇÕES: CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE NO SITE DO ENCONTRO

quarta-feira, abril 04, 2007

VEM SERENIDADE

Foto de Pascal Renoux



Vem, serenidade,
vem com a madrugada,
vem com os anjos de ouro que fugiram da Lua,
com as nuvens que proíbem o céu,
vem com o nevoeiro.

Vem, serenidade,
e lembra-te de nós,
que te esperamos há séculos sempre no mesmo sítio,
um sítio aonde a morte tem todos os direitos.

Vem, serenidade,
não apagues ainda
a lâmpada que forra
os cantos do meu quarto,
o papel com que embrulho meus rios de aventura
em que vai navegando o futuro.


Vem, serenidade!
E pousa, mais serena que as mãos de minha Mãe,
mais úmida que a pele marítima do cais,
mais branca que o soluço, o silêncio, a origem,
mais livre que uma ave em seu vôo,
mais branda que a grávida brandura do papel em que escrevo,
mais humana e alegre que o sorriso das noivas,
do que a voz dos amigos, do que o sol nas searas.

Vem, serenidade,
antes que os passos da noite vigilante
arranquem as primeiras unhas da madrugada,
antes que as ruas cheias de corações de gás
se percam no fantástico cenário da cidade,
antes que, nos pés dormentes dos pedintes,
a cólera lhes acenda brasas nos cinco dedos,
a revolta semeie florestas de gritos
e a raiva vá partir as amarras diárias.

Vem, serenidade,
leva-me num vagão de mercadorias,
num convés de algodão e borracha e madeira,
na hélice emigrante, na tábua azul dos peixes,
na carnívora concha do sono.

Leva-me para longe
deste bíblico espaço,
desta confusão abúlica dos mitos,
deste enorme pulmão de silêncio e vergonha.
Longe das sentinelas de mármore
que exigem passaporte a quem passa.


Ajuda-me a cumprir a missão de poeta,
a confundir, numa só e lúcida claridade,
a palavra esquecida no coração do homem.

Vem, serenidade,
e absolve os vencidos,
regulariza o trânsito cardíaco dos sonhos
e dá-lhes nomes novos,
novos ventos, novos portos, novos pulsos.

E recorda comigo o barulho das ondas,
as mentiras da fé, os amigos medrosos,
os assombros da índia imaginada,
o espanto aprendiz da nossa fala,
ainda nossa, ainda bela, ainda livre
destes montes altíssimos que tapam
as veias ao Oceano.


Vem, e compartilha
das mais simples paixões,
do jogo que jogamos sem parceiro,
dos humilhantes nós que a garganta irradia,
da suspeita violenta, do inesperado abrigo.


Vem, com teu frio de esquecimento,
com tua alucinante e alucinada mão,
e põe, no religioso ofício do poema,
a alegria, a fé, os milagres, a luz!

Vem, e defende-me
da traição dos encontros,
do engano na presença de Aquele
cuja palavra é silêncio,
cujo corpo é de ar,
cujo amor é demais
absoluto e eterno
para ser meu, que o amo.

Para sempre irreal,
para sempre obscena,
para sempre inocente,
Serenidade, és minha.

Raul de Carvalho

Poeta natural de Alvito
Excertos do poema “Vem Serenidade” dedicado à memória de Fernando Pessoa.

terça-feira, abril 03, 2007


VILA NOVA DA BARONIA

FESTAS EM HONRA DE SANT'AGUEDA

Nos próximos dias 13, 14 e 15 de Abril realiza-se em Vila Nova da Baronia mais uma edição das tradicionais festas em Honra de Sant´Águeda e S. Neutel.



ALVITO

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

O sector de Turismo da Câmara Municipal de Alvito, em colaboração com o sector de Bibliotecas, vai realizar várias actividades, nos dias 17 e 18 de Abril, com o objectivo de assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Sob o lema “Território - Um Património Plural” , o programa dá destaque à música e ao património construído do concelho.



Procissão do Senhor Morto

A Santa Casa da Misericórdia e a Paróquia de Alvito promovem mais uma edição da Procissão do Senhor Morto, em Alvito, no dia 6 de Abril, sexta-feira Santa, pelas 21horas

terça-feira, março 27, 2007



SERPA -CENTRAL FOTOVOLTAICA A 28 DE MARÇO

O ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho,
e o secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação, Castro Guerra,
presidem no próximo dia 28 à inauguração da Central Fotovoltaica
de Serpa, localizada na estrada de Brinches. A presença do
primeiro-ministro, José Sócrates, ainda está sujeita a confirmação.
A central, financiada pela GE Energy Financial Services – associada
neste projecto à PowerLight Corporation e à Catavento SA – e
considerada "uma das maiores do Mundo", constitui, segundo
os promotores, "uma nova unidade de produção de energia solar
de 11 megawatts, localizada numa área de 60 hectares e reforça
o compromisso de Portugal em apostar na energia renovável limpa
e fiável como a fonte solar". Segundo uma nota de imprensa da
General Electric, estarão ainda presentes Alfred Hoffman,
embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Kevin Walsh,
da GE Energy Financial Services, Thomas Dinwoodie,
da PowerLight Corporation, e Sérgio Costa, administrador
da Catavento. Espera-se também a presença de representantes
da Câmara Municipal de Serpa e de entidades regionais.
A cerimónia de inauguração está agendada para as 12 horas,
a que se seguirá uma conferência de imprensa, uma visita
pela central e um almoço.


(Diário do Alentejo)

sexta-feira, março 16, 2007

II ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO





II ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO


AOS 21 DE ABRIL DE 2007


ESTAMOS ELABORANDO O PROGRAMA


MARQUE JÁ NA SUA AGENDA!


MAIS NOTÍCIAS MUITO EM BREVE.






sábado, março 10, 2007

MAIS ALENTEJO





MAIS ALENTEJO

LEVAMOS O ALENTEJO A TODA A PARTE



Já está nas bancas o número 70 de Março/07 de MAIS ALENTEJO.

Esta prestigiada publicação mensal alentejana apresenta-se com um aspecto muito atractivo e é rica em notícias e imagens de todo o Alentejo.

"A revista Mais Alentejo - apesar de ter nascido regional em terras alentejanas -, mercê do constante e gradual número de leitores, espalhados por todo o país, que não param de crescer, edição a edição (e não apenas na nossa região, mas sobretudo fora dela), tem vindo a assumir-se como um produto jornalístico cujas "fronteiras" há muito já ultrapassaram o mapa do Alentejo para ser cada vez mais Portugal. E ainda bem!"
(In Carta do Director - António Sancho - Director de Mais Alentejo)

terça-feira, março 06, 2007





QUANDO QUISERES


Quando quiseres, serei vento!
Que soprará nos teus cabelos
os aromas bebidos nas flores.


Quando quiseres, serei rio!
Que correrá no teu corpo
cantando as águas transparentes.


Quando quiseres, serei ave!
Que voará nos teus pensamentos
pelas sombras dum fim de tarde.


Quando quiseres, serei madrugada!
Que ao de leve acordará em ti
os sonhos dum tempo sem idade.


Quando quiseres, serei mágoa!
Que chorará nos teus olhos
os dias de desencanto.

Quando quiseres, serei primavera!
que enfeitará de rosas vermelhas
a quietude da tua alma ferida.

Quando quiseres, serei vida!
Basta que te rendas num aceno…
e nascerei de novo nos teus braços!



(Orlando Fernandes in Alentejo… e outros poemas)




domingo, fevereiro 25, 2007





CANTE ALENTEJANO


Homens do sul, sobrando do montado,

unindo seu cantar num só lamento,

do sonho, embrulhado em sofrimento,

que marca esse passo demorado.



E toda a planície desolada

coberta da mais triste solidão,

acolhe em toda a sua vastidão,

a dor que há numa trova magoada.



Vozes suaves rasgam os espaços

e as letras doloridas são cansaços

espalhados nas searas a crescer



Irmãos no trilho agreste da amargura

vão a compasso cantando a desventura

dum Alentejo aos poucos a morrer


Orlando Fernandes – Alentejo…e outros poemas

sábado, dezembro 09, 2006

André Gonçalves (1686-1762)-Adoração dos Magos s/ data, óleo sobre tela - Museu Nacional de Machado de Castro - Coimbra



NATAL ALENTEJANO

O Natal também se celebra em Portugal sem a Missa do Galo. Apesar desta ser o centro de todo o ciclo comemorativo e comandar as demais manifestações, a tradição – muito viva no Alentejo – de representar os chamados “presépios vivos” pode assumir o seu lugar, como acontece na paróquia da Trindade, Beja.

A iniciativa partiu dos próprios fiéis e mesmo as gentes que há muito saíram da aldeia para ganharem a vida acabam por se deslocar propositadamente aos ensaios. O que se faz é contar a história toda do nascimento em verso.

Os autos de Natal inserem-se na tradição do teatro popular e representavam-se primariamente ao ar livre, na noite de Natal, das 21h às 06h00. Hoje o auto de Natal continua a demorar horas, mas já é feito no salão paroquial.

A Missa do Galo continua, ainda assim, a ser a principal protagonista da noite cristã no Alentejo. O tributo ao Deus menino "em palhas deitado” é conhecido de todo o país:

Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha p'ró chapéu
E Ele também me há-de dar
Um lugarzinho no Céu...

Olhei para a céu
Estava estrelado
Vi o Deus Menino
Em palhas deitado.

Em palhas deitado
Em palhas esquecido
Filho de uma rosa
Dum cravo nascido

Estas palavras disse a Virgem
Ai quando nasceu o Menino
Ai vinde cá meu anjo loiro
Meu sacramento divino

Outro contributo incontornável do Natal Alentejano para a vivência da quadra em todo o Portugal é o “Natal de Évora”:

O Menino está dormindo
Nas palhinhas despidinho
Os anjos lhe estão cantando:
Por amor, tão pobrezinho.

O Menino está dormindo
Nos braços de S. José
Os anjos lhe estão cantando:
Gloria tibi, Domine.

O Menino está dormindo
Nos braços da Virgem pura
Os anjos lhe estão cantando:
Glória a Deus lá nas alturas.

O Menino está dormindo
Um sono de amor profundo
Os anjos lhe estão cantando:
Viva o Salvador do mundo


O madeiro de Natal

O madeiro é aceso na chaminé de todas as casas, onde o Menino Jesus coloca os brinquedos no sapatinho. Nos largos das vilas, aldeias ou cidades, e nos adros das igrejas são queimadas quase árvores inteiras na fogueira que aquece a noite de natal.

Diz quem vive este Natal que o lume da chaminé é para o menino se aquecer quando vier pela noite dentro recompensar as crianças por se terem portado bem e terem ajudado a fazer o presépio. Vai-se buscar a lenha onde a houver sem necessidade de qualquer autorização: diz-se que é para “aquecer o Menino Jesus” e basta. A notável propensão do povo alentejano para a música fixou estas tradições em quadras:

O Menino vai à lenha
Espetô-le um pico no pé
Chamou Nossa Senhora
Respondê-le Sã José.

Ó mê Menino Jesus
Encostado ó madêro
Ê vos dô a minh'alma
Fazei dela o travessêro


Presépios e Roncas

Os bonecos de Estremoz, em barro cozido e polícromo, dão vida a um dos presépios mais conhecidos do país, com várias figurinhas profano-religiosas. Ainda hoje prestigiados artesãos ceramistas e barristas continuam a concebê-los num estilo muito próprio, numa diversidade de modelos, dimensões e cores.
Os presépios caseiros davam origem a visitas às casa na vizinhança. Em Elvas era habitual entoarem-se cânticos natalícios acompanhados pela “Ronca”, um instrumento semelhante à zabomba espanhola.

Este instrumento pode ser feito de uma panela de barro, cântaro de lata ou de um pote.A ronca leva uma pele a tapar a boca do recipiente, no centro da qual há uma cana.
A qualidade da pele é muito importante por causa do som. Por isso se usam peles de cabra ou borrego, e ainda de bexiga de porco.


A Missadura

Da preparação da mesa para a véspera de Natal fala-nos longamente o livro “Etnologia do Natal Alentejano”, (PESTANA, M. Inácio, Portalegre 1978).

Em algumas terras do distrito de Évora, tanto quanto é possível, faz-se a matança do porco antes do Natal, para se assegurar o abastecimento da “missadura”. Esta missadura (Consoada) ocorre em cada lar logo a seguir à missa do galo e na sua ementa inclui-se toda a variedade de carne de porco.

A Consoada é a seguir à Missa de Natal porque até lá o que se come propriamente ao jantar do dia 24 de Dezembro nas casas alentejanas é a sopa de cação, pescada frita, bacalhau, ou outro peixe, acompanhado com batatas, couve-flor ou grelos. Esta regra tem a ver com o antigo preceito da abstinência, que embora já exista na liturgia ainda é respeitada por muitos.

“Quem não jejua dos Santos ao Natal, ou é besta ou animal”, dizia um velho ditado popular.


(Projecto Évora Distrito Digital)









CONCERTOS DE NATAL - ALVITO E VILA NOVA DA BARONIA

A Câmara Municipal de Alvito promove um concerto de Natal, em cada uma das freguesias do concelho- Alvito e Vila Nova da Baronia. Esta é uma das formas de desejar as Boas Festas a todos os munícipes.

No dia 16 de Dezembro (Sábado) realiza-se na Igreja Matriz de Alvito, pelas 18 horas um concerto pelo Coral Polifónico de Alter do Chão e no dia 23 de Dezembro será na Igreja Matriz de Vila Nova da Baronia, também pelas 18 horas que o Coral de S. Domingos, de Montemor-O-Novo realizará a sua actuação.

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...