quarta-feira, agosto 17, 2005

Maria Campaniça




Debaixo do lenço azul com sua barra amarela

os lindos olhos que tem!

Mas o rosto macerado

de andar na ceifa e na monda

desde manhã ao sol posto,

mas o jeito das mãos

torcendo o xaile nos dedos

é de mágoa e abandono...

Ai, Maria Campaniça,

levanta os olhos do chão

que eu quero ver nascer o Sol!



(Manuel da Fonseca)



Maria Campaniça, camponesa, campaniça, da aldeia de Salvada, militante do P.C.P desde que se lembrava, trazia pregado na roupa, todo o ano, o emblema do partido em que acreditava.


Aguardava reformas, concretizações.


Morreu nova quando ainda tinha coisas importantes em que pensar, maiores lutas para travar, galeras para subir, manifestações onde erguer o punho, as paredes da sua aldeia para caiar, 4 homens em casa para cuidar, modas alentejanas para cantar.






(Adaptação do texto do blog "Pelos olhos de Caterina")

11 comentários:

Isabel-F. disse...

Oi Lumife...

Um belo texto...aliado a uma foto simplesmente espectacular...

Bjs

wind disse...

Havia Mulheres de coragem! Boa a foto. beijos

AJRamos disse...

Boas compadre, para além da nova roupagem também a farpela mudou, vou levar tempo a ler tudo pois com quase quinze dias de ausência fiquei dasactualizado do "BEJA", parabéns e um abraço

paper life disse...

A cara dessa mulher igual à da minha avó ou de outros milhares de avós que eu conheço conheci, tu conheces e o Manuel da Fonseca ... escreve!

Obrigada!

Beijo grande com discrição alentejana :)

O Micróbio disse...

Uma história de vida bem corajosa, independentemente do símbolo que trazia consigo... Também as conheço com outros símbolos na lapela, mas dessas o Manuel da Fonseca não falou...

Cristina disse...

Olá lumife,

Tempos que já não voltam, já não existem pessoas assim...

:)beijinhuu

O Micróbio disse...

Lumife, acabei por não ir ao Alentejo... as férias foram mais reduzidas do que eu pensava e limitei-me ao trivial: Aroeira e Fonte da Telha.

TMara disse...

Este post e o de cima...são simples e belos. Bj largo e florido

batista filho disse...

Bela Mulher que nos apresentaste. Inda existem tais por aí, assim como por cá. Em todos e tempos e lugares, sempre existiram e existirão: acreditando na vida; sonhando e lutando por uma realidade diferente... e na maioria das vezes - morrendo sem ver a realização de tais sonhos. Nessa luta, aparentemente inglória, uma faceta da humanidade que acho fascinante: não se deixar ir com a maré; ter consciência do Ser.

Anónimo disse...

Esta mulher da foto é realmente da Salvada, mas chamava-se Alda Salvador e não Maria Campaniça

Anónimo disse...

Eu só vi hoje esta adaptação ao texto que publiquei num blog que já extingui... Sim, chamava-se Alda Salvador, era minha tia-avó,irmã da minha avó Antónia, e uma mulher que rompeu com uma série de convenções, numa aldeia pequena.
E tantas histórias tenho mais para contar dela!

Natércia.

nmca70@hotmail.com