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Soneto




vejo-te debruçada sobre a cama

tão serena e perpétua nos lençóis

que o brilho e a brancura de mil sóis

transformam em velasquez inclinada.



e na serena idade reclinada

jónia, vestal caída, leve e nua

com os meus dedos toco a carne tua

que a minha própria carne tão reclama.



inicio as viagens corporais

que soltas pela mente dão sinais

de incontidos prazeres e paixões.



meço os gestos contidos mas audazes

porque tu me dás, dou-te em intenções;

é assim que nos tornamos mais capazes



de amar, por puro amar, sem condições.




(josé félix)


(Foto de Piotr Kowalski)

Comentários

Lmatta disse…
Olá Beja
Aonde um dia deixei presa a minha alma ...
Gostei do poema e da foto.
beijinhos
Cristina disse…
Olá,
passei por aqui e não posso sair, sem dizer que Beja é linduu...Estive uma noite no Pousada de Alvito, parece ter sido um sonho aquela noite, nunca tinha ficado assim nesse tipo de hotel, vivendo nos EUA, não temos cá essas coisas maravilhosas, essa história que Portugal tem...

Beijinhuuu
Isabel-F. disse…
Alô Lumife...

Bom dia...
Bonito poema... adorei a foto..

bj
wind disse…
Lindo este poema:) beijos
paper life disse…
Fiquei aqui a olhar o belo post e a escutar a nova versão de uma canção da minha infãncia.

Obrigada Lumife!

Beijo.

:)
soldeinverno disse…
lindo o poema que escolheste... volto sempre...
Nina disse…
Uma foto e um poema bem conjugados :)

beijinho
Anónimo disse…
Adorei o soneto onde refere o meu nome, Jónia. Ainda não conheci ninguém com o mesmo nome. Adoro a minha cidade de Beja.

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