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Naquele Tempo





Naquele tempo,
ainda haviam amoras nos silvados
à beira de ribeiras transparentes.

Naquele tempo,
ainda haviam papoilas nos trigais
para enfeitar os cabelos das ceifeiras.

Naquele tempo,
mergulhávamos nos pegos das herdades,
onde em paz nadavam as pardelhas.

Naquele tempo,
os morangos cheiravam na boca
e as maçãs amadureciam nos ramos.

Naquele tempo,
os primeiros versos envergonhados
eram escondidos nos cadernos da escola.

Naquele tempo,
éramos inocentes, generosos e simples,
como as aves que cruzavam o azul do céu.


Mas isso… era naquele tempo,
porque as nossas almas ainda estavam brancas!


Orlando Fernandes in Alentejo...e Outros Poemas

Comentários

Isabel-F. disse…
Lindissimo Lumife...
não conhecia e adorei...

que saudades desses tempos...
gostei muito desta parte

"Naquele tempo,
os morangos cheiravam na boca
e as maçãs amadureciam nos ramos.
"

tem um bfds
bjs
meialua disse…
É bom recordar...

Beijinhos e bom fim de semana
Recordar outros tempos através da poesia.Lindo o poema "naquele tempo", que para uns deixa saudades para outros nem por isso.Estarei nos segundos.Fugindo ao contexto do poema, nesse tempo não tenho boas recorações.Um abraço. Bom Fim de semana
segurademim disse…
... gosto de amoras e há uns silvados que frequento às vezes, onde me arranho mas apanho umas amoras bem docinhas!!
Bom fim-de-semana :)
gato-escaldado disse…
gostei mto. desse tempo das amoras.
wind disse…
Como é boa a infância! Lindo poema. beijos e bom fim de semana*
mariavaladas disse…
Ai Lumife!!
Fiquei novamente com lágrimas nos olhos...." naqueles tempos!!
Lindo poema....
Parabens para quem o escreveu e para quem o publicou no blog!!

Um bom fim de semana para ti tb..
Bjs
TMara disse…
brancas e leves...Ôi,se puderes passa lá por casa....pelo menos no domingo ;) bjocas de luz e paz :)
alentejodive disse…
Excelente texto. E óptima foto.
Parabéns.
Harry disse…
Gostei, da fotografia e da poema.

Bom fim de semana.
Um poema que bem descreve a região alentejana e as suas naturezas. Bom fim de semana.
Anónimo disse…
Lindo este recordar poetico. Todos nós , mais dia menos dia, recordamos tempos idos.Bfds.......e um chi da docerebelde.blogs.sapo.pt
Espectro #999 disse…
Ora bem, ao ler estas palavras só me ocorre dizer o seguinte:

Naquele tempo eu era mais novo.
BFS.
Inté.
mar disse…
Naquele tempo éramos crianças??!!
Bj
Mocho Falante disse…
É maravilhoso este poema, ainda por cima ao som da bela Guitarra de paredes o pema ganha uma vida estrondosa. Eu adorei

Bom fim de semana
Cris disse…
aoi, Lumife..vim te visitar...Gostei muito!
helena disse…
Belo poema!
Neste tempo, um feliz acaso, uma viagem por blogs e comentários, fez-me descobrir "um vizinho".
Não sou daqui, mas a profissão conduziu-me até este brilho, estas casas brancas, esta imensidão que eu costumo associar à palavra INFINITO.
Bom fim de semana.
helena disse…
ALENTEJO

ALÉM das brumas que se soltam do TEJO, já os rigores do Inverno se esfumam e não paira no ar o aroma a lareiras. O rio de asfalto que se dirige para Norte é bordejado de miríades de verdes. Na margem esquerda, surgem as primeiras estrelas das mimosas, competindo em cor e brilho com o tímido sol que as aquece. Contudo, o seu calor não chega à margem direita, onde as folhas ainda estão cobertas pela “magia” (1) da aurora.
As gaivotas aqui não param, mas os ares são percorridos pelo vai vem atarefado das andorinhas que com o seu pipilar acompanham alegremente a construção dos ninhos.
O embalo do tempo e do canto polifónico das aves remete-nos para o sonho que transforma o rio de asfalto em mar de mil cores. O verde é soberano, mas aqui e ali, aparecem giestas, vindas não se sabe de onde, florescem as estevas brancas, eternas companheiras das outras flores silvestres e contrastam com as rubras papoilas. O roxo da alfazema, mais tardio, empresta o colorido que faltava. O mar enche-se, assim, de pinceladas policromáticas, qual arco íris descido dos céus.
Klimt e os seus dourados chega, apenas no Outono, quando as searas ondulam ao vento, e o mar/planície cumpre o seu percurso.
O ciclo do tempo regressa aos rigores do Inverno, aos serões passados à lareira.
Lá fora, o mar aquieta-se e o aroma de azinho ardido espalha-se pelas ruas aquecendo-as.

(1) geada
Lisa disse…
Olá Lu...um lindo dia pra ti...
Tá lindo o teu blog...

Desejo para você

Que o sol lhe dê o calor e a energia que necessistas
Que as gotas da chuva lavem algum resquício de tristeza
Que a lua ilumine sua noite e quando ela não se fizer presente, as estrelas se encarreguem de ser um facho de luz no seu caminho...
Um lindo final de semana com mta luz e amor no teu coração...
Fica com Deus...
Beijosss...
Anónimo disse…
tirando o mau português, tens jeito...
Nina disse…
Nem tudo é bom qd se recorda o passado.

Beijinho e Bom Domingo :)
Cristina disse…
Olá lumife,
muito lindo, naquele tempo era tudo diferente mesmo
adorei este poema teu
:)
beijinhuu
batista filho disse…
Meu bom amigo:
os poemas que nos tens presenteado são por demais belos. "Naquele tempo" é um deles. Grato, de coração.
Creio que pouco antes de ires à Feira, quando da publicação de "Perdão", de Raúl de Carvalho, frisei que breve iria postar algo correlato. Feito: chama-se "Às vezes". Quando tiveres um tempinho...
Deixo o meu abraço fraterno.
romero disse…
Siempre bien , Lumife ! solo veni mandarte un abrazo.
Espiero que esteas bien:)

abrazo :))
lena disse…
"Naquele Tempo" excelente poema

como é bom recordar

"porque as nossas almas ainda estavam brancas!"

tanta força neste verso, tantas emoção no poema


beijinhos meus

lena
Dilbert disse…
Bons tempos aqueles :)
Um abraço e uma óptima semana de trabalho
TMara disse…
boa semana. Bjs de luz e paz :)
gato-escaldado disse…
tempo de amoras e de água fresca. mto bem. gostei desta incursão bucolólica. belo poema. abraços
paper life disse…
Naquele tempo eu passava a 2ª feira de Páscoa nas margens do Ardila . Começavam-se, terminavam-se namoros, comia-se ensopado de borrego, nadava-se num rio cheio de peixes vivos e comestíveis em fritadas futuras...

Pois é, naquele tempo...

Bjs.

:)

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