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ADEUS…


Além longe, atrás daquele monte,
lá bem fundo,onde o Sol se esvai,
há searas doiradas,e defronte
um rio ,salgueiros e cantam pardais.



Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.




Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.



Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.



Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.

OLINDA
01/06

Comentários

paper life disse…
Era tão bonito!

Tão triste esta realidade.

.

Bj
isa xana disse…
a triste realidade que nos cerca

*
Belas rimas e imagens!


Abraços
wind disse…
Poema demasiado real e triste com boa escolha de fotos para o acompanhar. Beijos
sónia disse…
Passei só para deixar um beijinho!
ZezinhoMota disse…
Parabéns pelo lindo poema que nos ofereces e pelas imagens, estás no teu melhor, é uma triste realidade mas alguém tem que pôr o dedo na ferida.
Fica bem.
ZezinhoMota
lena disse…
as fotos foram muito bem escolhidas,
esse "ADEUS" é triste e dorido, num poema tão belo que tanto nos diz
como adoro "a mancha vermelha das papoilas"

deixo-te um beijo e espero que a Carolina esteja bem , beijinhos para a bébé linda

lena
Clife disse…
Sad but true... é o mundo que temos.

Um sentir expresso de forma... que nos toca dentro.

Um abraço
lena disse…
vim deixar-te um beijo e um abraço meu amigo

lena
A última imagem lembra-me a Amazônia, vá lá saber o por quê! :(
Mocho Falante disse…
A tristeza invadiu este post de hoje!

Abraços
lazuli disse…
pode ser triste sim..mas é duma beleza tal que quase expulsa a tristeza.

Beijos para ti meu amigo

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Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

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moça branca como a neve,
me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
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menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

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- Ó doce e incorruptível Aurora...
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Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

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António Botto
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