A VIAGEM DEFINITIVA




Ir-me-ei embora. E ficarão os pássaros
Cantando.
E ficará o meu jardim com sua árvore verde
E o seu poço branco.

Todas as tardes o céu será azul e plácido,
E tocarão, como esta tarde estão tocando,
Os sinos do campanário.

Morrerão os que me amaram
E a aldeia se renovará todos os anos.
E longe do bulício distinto, surdo, raro
Do domingo acabado,
Da diligência das cinco, das sestas do banho,
No recanto secreto do meu jardim florido e caiado
Meu espírito de hoje errará nostálgico...
E ir-me-ei embora, e serei outro, sem lar, sem árvore

Verde, sem poço branco,
Sem céu azul e plácido...
E os pássaros ficarão cantando.



JUAN RAMÓN JIMÉNEZ (1881 – 1958)
(Prémio Nobel da Literatura 1965)
Tradução: Manuel Bandeira



Foto de Terje Trobe

Comentários

jorge vicente disse…
que magnífico poema!!!!
MARIA disse…
É verdade, Lumife, verdadeiramente belo este poema.
Daqueles que falam profundamente , muito além da beleza das palavras com que foi estruturado...
Ainda bem que o Lumife não está de viagem, e até já nem de férias está.
Pois perdoará o egoísmo, é muito bom tê-lo por cá entre nós que tanto gostamos do encanto da poesia com que nos brinda e do nosso amigo Lumife !
Um beijinho
Maria
Lisa disse…
Olá Lu...

É um poema lindo...apesar de ter uma certa nostalgia...

Desejo lindo final de semana pra ti com carinho...

Beijoss...
Nilson Barcelli disse…
Um bom poema.
Parabéns pela escolha.
Bfs, abraço.

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