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NÃO ADORMEÇAS: O VENTO AINDA ASSOBIA NO MEU QUARTO

Foto de Nuno Manuel Baptista-Olhares





Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.



Maria do Rosário Pedreira
de A Casa e o Cheiro dos Livros

Comentários

della-porther disse…
Lu

lindo meu amigo. lindo!

beijos

della
jorge vicente disse…
vale apenas vir aqui para ler estes poemas tão lindos!!!

um abraço
jorge
Paulo Sempre disse…
"(...)O meu corpo gela à míngua dos teus dedos(...)"

Bem pensado.....
A planície escaldante e o vento suão, em tarde de "marés", são, inquestionavelmente, fontes inspiradoras que "acordam" os poetas e/ou os levantam do "acarro" merecido enquanto as tardes, que "fervem" ao son da sinfonia de cigarras, anunciam o Sol posto.
Abraço
Paulo
Olhos de mel disse…
Oie lindinho! Existe coisa pior que a indiferença? Mas é um belo poema!
Bom fim de semana! Beijos
bitu disse…
Vim ver as novidades, desejar um excelente fds e dizer que no proximo irei até a Vidigueira, para a feira do queijo
bjk e tudo de bom

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