SONETO DA VÉSPERA




Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou — fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...


VINICIUS DE MORAES


Comentários

elvira carvalho disse…
Belíssimo poste. Não conhecia este soneto. Obrigada pela partilha.Amigo, a festa hoje é no Sexta. Passe por lá e junte-se a nós.
Um abraço e fico à espera.
mfc disse…
Ele canta o amor como poucos!
Paula Raposo disse…
Ahhhhh! Grande Vinícius.
MARIA disse…
Magnífico este soneto.
Tão bonito que quase não me posso perdoar não o conhecer.

"Que te direi ?"
Pergunta-se Vinicius, poeta apaixonado...
Apenas enfeita a vida com palavras, porque as palavras seriam, em tais circunstâncias, absolutamente dispensáveis com toda a certeza.


bjinho

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