terça-feira, janeiro 05, 2010

IN LIMINE








Estes meus versos são daquela hora
De tardes invernais em que se traça,
Frente ao mar, muita coisa na vidraça,
Enquanto a chuva fria cai lá fora…

Ouvindo o vento – bandolim que chora
Não sei que mágoa que no ar perpassa
– No vidro baço a alma é que esvoaça
Em rabiscos sem rumo, como agora…

É sonho o que no vidro embaciado
O poeta escreveu e que se esfuma
Por si mesmo, desfeito e apagado…

E não valeu a pena este sonhar!
-É que os meus versos são irmãos da bruma
Que se esvai, à deriva, sobre o mar…

OLIVEIRA SAN-BENTO


Oliveira San-Bento: Poeta Açoreano -21 de Abril de 1893/22 de Janeiro de 1975.

-Advogado;
- Poeta;
- Prosador;
- Orador;
- Jornalista (Polígrafo);
- Benemérito e Dirigente de Associações de Solidariedade Social e de Interesse Público

1 comentário:

Eduardo Aleixo disse...

É um poema muito belo. Parabéns.