segunda-feira, janeiro 11, 2010

SONETO


Soneto

Tempo das cerejeiras agressivas
A avançar pelo meu quarto dentro.
Velho tempo das noites explosivas
Em que o sangue crescia como o vento!

Tempo - aproximação das coisas vivas,
Do seu hálito doce, violento.
Tempo - horas e horas convertidas
No ouro raro e inútil dum lamento...

Tempo como ferida no meu lado,
Coração palpitando sobre a lama.
Tempo perdido, sangue derramado,

Resto de amor que se deixou na cama,
Horizonte de guerra atravessado
Pelo corpo audacioso duma chama.


Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio e Alvim

2 comentários:

Brancamar disse...

Olá Lumife,

Há muito não lia O'Neill e foi bom recordar através deste belíssimo poema.
Eram tão bons os poetas daquela geração que tudo o que lemos deles nos toma a alma e a pele...
Jà não estou no facebook, não tinha tempo, nem aprecio tanto como os blogues, embora fosses tu que me embelezavas mais vezes a página com bela poesia que nem sempre conseguia comentar.
Virei sempre por aqui.
Beijinhos.
Branca

jorge vicente disse...

o grande O'Neill

há poema há poema
há ler e voltar!

[sempre]

grande abraço
jorge