segunda-feira, agosto 15, 2011

BASTAVA-NOS AMAR. E NÃO BASTAVA.







Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar

a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.


JOAQUIM PESSOA


Foto de Berenice Kauffman

2 comentários:

MARIA disse...

Belíssimo o texto, esse Poeta é dono de uma Sabedoria emocional imensa, notória nas palavras com que arrima a sua poesia.A imagem é também uma electrizante sensação de bom gosto e beleza .

Um beijinho sempre amigo

Isamar disse...

O amor, o mar, a praia, três ingredientes num excelente poema. É a magia da poesia!

Bem-hajas!

Beijinho