Dia 17 de Dezembro pelas 21horas no Palacete dos Viscondes Balsemão.
Leitura de textos a cargo do actor António Reis.
Comparece e...divulga.
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SOBRE O AUTOR:
António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi Delegado do Ministério Público em Vimioso e Amarante, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia.
Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro.
Foi co-director e também co-autor de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI.
Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias.
Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia-geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.
Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo, neerlandês e sueco. Em 2002 foi-lhe atribuído o “Prémio Seiva” (Literatura). _______________
Natureza morta de Paul Cézanne
Poema quase triste
Os homens passam sem darem por nada carregados assim como eles vão com suas sombras a ganharem gibas, com os seus olhos a ficarem baços, cheios de presbitia e astigmáticos. Não lhes importa que nos frutos estejam confissões de poetas e de heróis. Os homens passam e não vêem nada, olham apenas para as suas vidas, para a filha doente ou para os filhos mortos. Não se apercebem das árvores e das rochas, sangue e nervos da terra. Seguem tristes e com os seus olhares voltados para dentro, para os seus crimes ou para os seus sonhos. Não param a escutar o coração da terra que bate, tranquilo, sob o chão. Tristemente aguardam os eléctricos que os hão-de levar a suas casas de paredes forradas pelos retratos dos fantasmas antigos e até próximos. É sem amor que trincam os frutos coloridos no sangue de todos os mortos e nem pensam que a terra se abrirá a seus corpos alheios, certo dia. Procuram suas chaves e, de cabeça baixa, penetram em casa, sentam-se à mesa e choram com suas mulheres, livros, diários íntimos, mas não falam sequer à Natureza que lhes oferece, em vão, todos os seus segredos e mistérios. Deitam-se sonolentos, fecham a luz e dão-se aos pesadelos ou aos sonhos de quando eram meninos. . . Embriagam-se ou matam-se e entregam-se aos vícios ou às lágrimas. . . Tristes os homens passam sem verem que a terra lhes oferece juntamente com frutos e canções.
António Rebordão Navarro A Condição Reflexa Poemas (1952 - 1982) Imprensa Nacional Casa da Moeda
Parabéns ao poeta! Não o conhecia. O poema realmente, dispensa qualquer comentário. Cheio de sentimento. FELIZ NATAL e que o ANO NOVO seja de realizações, paz, saúde e amor! Beijos
4 comentários:
Profundo, realista, mas apesar de tudo... poético!
Olá querido Amigo, adorei o poema... Parabéns!
Beijinhos de muito carinho,
Fernandinha
Parabéns ao poeta! Não o conhecia. O poema realmente, dispensa qualquer comentário. Cheio de sentimento.
FELIZ NATAL e que o ANO NOVO seja de realizações, paz, saúde e amor!
Beijos
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