À prostituta mais nova Do bairro mais velho e escuro, Deixo os meus brincos, lavrados Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida Rapariga sem ternura, Sonhando algures uma lenda, Deixo o meu vestido branco, O meu vestido de noiva, Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo Ofereço-o àquele amigo Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus Das contas de outro sofrer, São para os homens humildes, Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos, Esses, que são de dor Sincera e desordenada... Esses, que são de esperança, Desesperada mas firme, Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora, Em que a minha alma venha Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora... Com passos feitos de lua, Oferecê-los às crianças Que encontrares em cada rua...
Alda Lara, Poemas, Sá da Bandeira, 1966
Poeta angolana (Benguela, 1930/Cambambe, 1962), veio para Portugal, onde se licenciou em Medicina pela Universidade de Coimbra.
3 comentários:
Este poema é porreiro, pá
LINDO!
Um dos poemas de Alda Lara que ao longo dos tempos me comoveu imenso.
Beijo
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