A tua boca. A tua boca.
Oh, também a tua boca.
Um túnel para a minha noite.
Um poço para a minha sede.
Os fios dormentes de água
que a tua língua solta num grito cor de rosa
e a minha língua sorve e canta
e os meus dentes mordem derramando a seiva
da tua primavera sem palavras
o poema inquieto e livre que a tua boca oferece
à minha boca.
As loucas bebedeiras de ternura
por essa viagem até ao sangue.
Os beijos como fogueiras.
As línguas como rosas.
2 comentários:
Um poema ser ao mesmo tempo sensual e terno é digno de se tirar o chapéu do recinto craniano e aplaudir de pé. Parabéns pelo post, muuuuito bom!!!
Magnífica escolha poética. Gostei de ler, o Joaquim Pessoa é um grande poeta.
Abraço.
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