sábado, fevereiro 25, 2006
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
MARIA FAIA
Eu não sei como te chamas
Ó Maria Faia
Nem que nome te hei-de eu pôr
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria
Cravo não que tu és rosa
Ó Maria Faia
Rosa não que tu és flor
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria
Não te quero chamar cravo
Ó Maria Faia
Que t'estou a engrandecer
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria
Chamo-te antes espelho
Ó Maria Faia
Onde espero me ver
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria
O meu amor abalou
Ó Maria Faia
Deu-me uma linda despedida
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria
Abarcou-me a mão direita
Ó Maria Faia
Adeus ó prenda querida
Ó Maria Faia
Ó Faia Maria

Menino do Bairro Negro
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Zeca Afonso
A minha homenagem a Zeca Afonso no dia em que se completam 19 anos que nos deixou.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Visite também o SABIA QUE...? e saiba como a nossa privacidade está cada vez mais ameaçada, hoje, com os implantes de chips.
Há também informações de saúde: Problemas cardio vasculares; eczema atópico; níveis de colesterol.
Também o convidamos a ler no POÉTICUS poemas de Jaime Cortesão, Saúl Dias, Conde de Monsaraz entre outros.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006

SOLIDÃO
De noite a mente vagueia
Entre sonhos do passado,
Sonhamos de alma cheia
O tempo que fomos amados.
Foram tempos de loucura,
Aqueles que então vivemos.
Sentíamos amor ternura
Por aqueles que não esquecemos.
Dávamos as mãos e seguíamos
Os sonhos que então vivíamos,
Pensando ser hora certa.
Mas o tempo foi passando,
Outros amores encontrando
Deixam-nos a vida deserta.
01/06
(Olinda)
Foto de António Durães-1000Imagens
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
ALVITO-DIA MUNDIAL DA MULHER

Palavra de Mulher é a designação da iniciativa que irá ter lugar em Alvito, no dia em que se comemora o Dia Mundial da Mulher.
A 8 de Março, terá pois lugar uma actividade no espaço multiusos do Centro Cultural de Alvito, tendo como subtítulo palavra de mulheres dita por homens.
Serão convidados vários homens do concelho a dizer textos, principalmente poesia, de escritoras como Sophia de Mello Breyner, Maria Teresa Horta ou Natália Correia. Também serão lidos textos de autoras anónimas ou pouco conhecidas, sendo a palavra de mulheres no dizer e na voz dos homens, o mote do evento.
Pretende-se assim uma actividade participada por ambos os sexos num dia em que, normalmente, as mulheres apenas comemoram entre si. Trata-se de lembrar as diferentes lutas das mulheres ao longo dos séculos mas, neste caso, lado a lado com os homens.
No final, terá lugar uma prova de vinhos, para ser apreciada e promovida a nova produção vínica do concelho de Alvito: os vinhos da Herdade das Barras, sita em Vila Nova da Baronia.
Paralelamente estarão patentes ao público duas exposições. Uma de fotografia, “Profissão Mulher”, da autoria de Ana Caeiro, no Centro Cultural de Alvito e a outra de Artes Decorativas na Biblioteca Municipal, da autoria de Mariana Carapinha. Ambas podem ser visitadas entre 8 e 22 de Março.
Motivos acrescidos para vir a Alvito. Aguardamos a sua visita!
ALJUSTREL

Cerro da Mangancha
Classificado Imóvel de Interesse Público
Aljustrel possui mais um monumento classificado como Imóvel de Interesse Público, trata-se do Castro da Mangancha, situado no cerro do mesmo nome.
Embora esteja classificado desde 17 de Junho de 1996, por homologação do ministro da Cultura, só agora o IPPAR realizou as últimas diligências no sentido de dar por concluído o processo de classificação.
No cerro da Mangancha situa-se um importante Castro do período do Bronze Final (há cerca de 3.000 anos atrás), com ocupação humana até ao período romano (início do séc. I da nossa era), altura em que foi abandonado, uma vez que a população se deslocou para a cidade de Vipasca, que se situava junto à mina de Algares, nos terrenos hoje ocupados pela Lavaria Piloto.
Este Castro foi já objecto de sondagens arqueológicas em 1969 e 1971 por parte do Prof. Claude Domergue e do Engº Rui Freire de Andrade, tendo sido então detectado um pequeno troço de muralha e diversos materiais cerâmicos.
Da análise dos materiais aí recolhidos concluiu-se tratar-se de um importante sítio arqueológico, característico do Bronze Final do sudoeste europeu.
****
Universidade de Huelva e Museu Municipal de Aljustrel
Protocolo de colaboração assinado em breve
A Câmara Municipal de Aljustrel está a negociar um protocolo de colaboração com a universidade espanhola de Huelva.
Este protocolo irá permitir a elaboração de projectos conjuntos entre a universidade e a Câmara, no sentido de se efectuar intervenções nos diversos sítios arqueológicos do concelho. Os estudos aqui desenvolvidos irão aumentar consideravelmente os conhecimentos sobre a História do concelho e enriquecer o espólio das colecções do museu municipal. Futuramente, esta colaboração será alargada a outras áreas temáticas, que ainda estão a ser objecto de análise.
Entretanto, foi já assinado, no passado dia 8 de Fevereiro, um outro acordo que irá permitir aos alunos do curso de Pós-graduação e Mestrado de Património Histórico e Natural a frequência de aulas práticas e seminários em Aljustrel, nomeadamente no Museu de Aljustrel. Os estudantes poderão aprofundar as suas teses, trabalhando sobre colecções e achados arqueológicos existentes neste museu.
*****
Inauguração do Museu da Mina de Algares
Central de Compressores as portas ao público
A partir do próximo dia 22 de Fevereiro, a Central de Compressores da Mina de Algares, situada num dos acessos ao Bairro de Val d’Oca (Aljustrel), já estará disponível para visitas ao público.
A inauguração oficial da Central e de um Percurso Geológico-Ambiental pelas zonas Mineiras será realizada pela Câmara Municipal de Aljustrel, às 15h30 desse mesmo dia, e contará com a presença dos representantes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR), da Região de Turismo Planície Dourada, do INETI, da Câmara Municipal de Mértola e da Diputación de Huelva, parceiros deste projecto e também das Pirites Alentejanas.
A recuperação e musealização destas instalações, pela Câmara Municipal de Aljustrel, com recursos a fundos europeus do programa Interreg, foi possível através de um protocolo de colaboração com a empresa Pirites Alentejanas, SA que cedeu as instalações e as máquinas, com vista à valorização do património histórico e cultural e ao desenvolvimento turístico.
Neste edifício construído nos anos 50, foram instalados três grupos de compressores provenientes da Central Eléctrica. Alguns deles foram posteriormente transferidos para a Mina do Moinho. No início da década de 90, a Central foi completamente desactivada e abandonada.
Transformada em núcleo museológico, a Central de Compressores serve agora de testemunho de um tipo de actividade em que eram utilizadas ferramentas de ar comprimido, hoje substituídas por ferramentas hidraúlicas, daí o importante valor de memória patrimonial que encerram.
Conjuntamente ao processo de musealização foram efectuadas algumas beneficiações no Malacate do Poço Viana, que será um dos locais a descobrir ao longo do percurso mineiro agora também criado. Painéis informativos foram para o efeito igualmente colocados no Poço Vipasca, no Moinho triturador, na Corte de S. João e na Ermida de Nossa Senhora do Castelo. Cada um deles contém fotografias e textos com explicações histórica, geológica e ambiental.
As visitas à Central de Compressores, para quem estiver interessado, poderão ser solicitadas ao Museu Municipal de Aljustrel (Tel: 284600170) ou ao Posto de Turismo (Tel: 284601010), com marcação prévia em visitas ao fim-de-semana.
terça-feira, fevereiro 14, 2006

Velhos namorados,
Namorados velhos.
Viveram namorando, e se
Enamorando.
Uma vida juntos...
Ei-los ainda, como dois
Pombinhos arrulhantes.
Cabelos brancos,
Mãos dadas...
Passeio no jardim.
Velhice não é o fim.
Romance não tem idade,
Essa é a verdade.
Uma vida juntos,
Namorados em principio,
Namorados pelos anos afora,
Quando a vida for embora,
Namorados ainda que na Eternidade.
domingo, fevereiro 12, 2006

PÁSSARO CINZENTO
Voa agora, meu pássaro cinzento,
leva contigo a alma de presente;
meus sonhos, minha vida, meu lamento,
transporta em tuas asas mansamente.
Leva para o mar, para o céu, para a eternidade,
logo que hoje desponte a madrugada;
o meu grito de dor e esta saudade,
do tempo em que te davas, descuidada.
Solto de mim, enceta outra viagem,
inventa-me outra vida, outra passagem,
põe cobro ao meu penar, ao meu tormento.
Procura outro começo sem cansaço:
voa livre na vastidão do espaço…
meu coração, meu pássaro cinzento!
(Orlando Fernandes in Alentejo... e outros poemas)
sábado, fevereiro 11, 2006
Quando quiseres

Quando quiseres, serei vento!
Que soprará nos teus cabelos
os aromas bebidos nas flores.
Quando quiseres, serei rio!
Que correrá no teu corpo
cantando as águas transparentes.
Quando quiseres, serei ave!
Que voará nos teus pensamentos
pelas sombras dum fim de tarde.
Quando quiseres, serei madrugada!
Que ao de leve acordará em ti
os sonhos dum tempo sem idade.
Quando quiseres, serei mágoa!
Que chorará nos teus olhos
os dias de desencanto.
Quando quiseres, serei primavera!
que enfeitará de rosas vermelhas
a quietude da tua alma ferida.
Quando quiseres, serei vida!
Basta que te rendas num aceno…
e nascerei de novo nos teus braços!
(Orlando Fernandes in Alentejo… e outros poemas)
quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Vou fazer uma canção de amor que
em nada parece uma canção de amor.
Não vou falar de campos, nem de rosas e cravos,
nem de estrelas, nem de luar,
vou apenas falar de saudade.
Vou cantar um amor com saudade,
com saudade de um amor.
Não repetirei as canções de Castro,
nem vou falar como Bandeira ou Neruda.
Cantarei tão somente o amor com saudades de um amor.
Tudo tem um limite, menos a saudade do meu amor.
Tudo tem um fim, menos o meu amor com saudade.
Não é da noite que tiro o verso,
nem é do vento que tiro o som,
retiro da imensa saudade do meu amor.
Sinto saudade, sinto a dor.
Sinto o amor, sinto saudade.
(Germano Rocha)
ALVITO

Foto oferecida pelo Alentejodive
V EDIÇÂO DOS JOGOS FLORAIS DO CONCELHO DE ALVITO
O Município de Alvito volta a organizar a V Edição dos Jogos Florais do Concelho de Alvito, que à semelhança da edição anterior tem "Tema Livre", porém todos os trabalhos a concurso terão de incidir sobre o Concelho de Alvito.
As modalidades a concurso são Pintura, Fotografia (Cores e Monocromo), Poesia e Prosa. A participação é gratuita e a data limite para entrega de trabalhos a concurso é 31 de Agosto de 2006, sendo a entrega de prémios efectuada aquando da Comemoração das Jornadas Europeias do Património.
Consulte o regulamento dos Jogos aqui e concorra!
terça-feira, fevereiro 07, 2006

CANTAR DE AMIGO
Eu e tu: milhões!…
Entre nós - perto ou longe!
- entre nós rios e mares
montanhas e cordilheiras…
Eu e tu perdidos
nesta distância sem fim do desconhecido.
Eu e tu unidos
para além das cordilheiras
por sobre mares de diferença
na comunhão de nossos destinos confundidos
- a minha e a tua vida
correndo para a confluência
num mesmo Norte.
Eu e tu amassados
nesta angústia que é de nós,
minha e tua,
e mais do que de nós…
Eu e tu
carne do mesmo corpo
amor do mesmo amor
sangue do mesmo sacrificio!
Eu e tu
elos da mesma cadeia
grãos da mesma seara
pedras da mesma muralha!
Eu e tu, que não sei quem és.
Que não sabes quem sou:
- Eu e tu: Amigo! Milhões…
(Joaquim Namorado)
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
As minhas cinco manias
A Tmara pediu e não podia recusar responder a este questionário:
1ª mania- Normalmente não respondo a estes questionários;
2ª mania- Não há selo de correio ou moeda que não guarde;
3ª mania- Fazer zaping na TV;
4ª mania- Passear sem destino a pé;
5ª mania- Ouvir música anos 60 - sempre.
Não convido ninguém porque acho estas coisas uma seca como diz a Mad.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
A Vergonha da Humanidade

Não deixe de ler. Também pode ver vídeos. Mas sobretudo deve aderir a esta campanha.
Visite o SABIA QUE...? veja os blogs que já aderiram e apoie também esta causa.
"Quando a última árvore tiver caído,
Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe for pescado,
Vocês vão entender que dinheiro não se come!"
Greenpeace
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Foto de Piotr Kowalik (Fotografia na Net)
"Em cada página,o teu olhar,em cada montanha,
a tua voz.Deixa-me falar contigo.
Lembro-me tão bem de tudo o que me disseste.
As palavras existem.Eu quero encontrar-te sempre,
em cada noite,sobre a mesa dos papéis desarrumados
onde limpo a nossa vida.
Em página,os céus,em cada montanha,tu a chamares.
As páginas são,outra vez,o dia em que nasceste.
Lembraste tão bem de tudo.
Passam anos sobre as palavras.Os dias existem.
Seguro o livro como se segurasse a tua voz e,
quando alguém diz o teu nome,
eu continuo a responder."
(José Luís Peixoto)
(Um beijo para Lena/Cabana de Palavras pela maravilhosa oferta)
sábado, janeiro 28, 2006

"não me arrependo das horas que perdi a esperar-te quando ainda havia a esperança.
a esperança que havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que não me arrependo.
um instante na memória de chegares é mais valioso do que jardins.
do que montanhas. do que anos de tempo.
arrependo-me de ficar ao sol, de sorrir, de esquecer que devagar passam os dias.
os dias passam devagar, esquecendo-se de sorrir ao sol e de ficar onde me arrependo."
(José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão)
quarta-feira, janeiro 25, 2006

ADEUS…
Além longe, atrás daquele monte,
lá bem fundo,onde o Sol se esvai,
há searas doiradas,e defronte
um rio ,salgueiros e cantam pardais.

Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.

Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.

Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.

Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.
OLINDA
01/06
Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.

Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.

Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.

Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.
OLINDA
01/06
terça-feira, janeiro 24, 2006

Lançamento do livro
“TERRITÓRIO E DESENVOLVIMENTO LOCAL”
No próximo dia 28 de Janeiro, pelas 16h00, terá lugar no Auditório do Centro Cultural de Alvito, o lançamento da obra “Território e Desenvolvimento Local”.
Esta publicação, da autoria do Doutor José Francisco Ferragolo de Veiga, surge como resultado da sua tese de doutoramento, cuja componente prática é um caso de estudo aplicado ao concelho de Alvito.
No âmbito deste evento, irá realizar-se um debate sobre as perspectivas de desenvolvimento futuro do Concelho de Alvito.
O Município de Alvito convida todos os interessados nestas temáticas a participarem no mencionado evento.

EM VIDA, IRMÃO, EM VIDA
Se queres feliz fazer
Alguém a quem queiras muito…
Diz-lhe, hoje, o teu querer
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…
Se desejas dar uma flor,
Não esperes que ela murche
Manda-lha, hoje, com amor…
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…
Se desejas dizer “gosto de ti”
À gente da tua casa, que te é querida,
Ao amigo perto ou longe,
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…
Não esperes pela sepultura
Das pessoas, para as amar
E dar-lhes a sentir a tua ternura
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…
Ser venturoso mereces
Se aprenderes a fazer felizes
A todos os que conheces
Em Vida, Irmão, em Vida…
Nunca visites panteões
Nem enchas tumbas de flores
Enche de amor corações
Em Vida, Irmão, em Vida…
(Poema publicado por indicação da Olinda. A Autora é a sua amiga Júlia)
segunda-feira, janeiro 23, 2006

PEDRA FILOSOFAL
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão
Desmistificação
Trago nos pés o cansaço
que há em todas as estradas!
Palmilhei-as passo a passo
e nunca as dei por andadas!...
Descansei junto aos valados
Dormia comigo a lua,
e a meu lado, toda nua,
os dois, num só, abraçados!
O sol vinha com o orvalho,
acordar-nos!
Eu voltava ao meu trabalho;
ela, ao céu, já manhã cedo.
Até que à noite, em segredo,
vinha de novo abraçar-nos...
(José Augusto de Carvalho- Natural de Viana do Alentejo)
segunda-feira, janeiro 16, 2006

Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.
Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
*****
É PRECISO UM PAÍS
Não mais Alcácer Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.
Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.
Manuel Alegre
domingo, janeiro 15, 2006
22-ABRIL-2.006
segunda-feira, janeiro 09, 2006
MANUEL ALEGRE - O NOSSO CANDIDATO
Foto Expresso Online-António Pedro FerreiraVOTAR
em
MANUEL ALEGRE
Para ganhar um
PAÍS
feliz
"É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo:
CANTA.
"
NA NOITE DE ARRANQUE DA CAMPANHA ELEITORAL
ALEGRE dirige saudação a todos os apoiantes
Esta noite, apoiantes de Manuel Alegre reunem-se nas sedes em todo o país para celebrarem com poesia e canções o arranque da campanha eleitoral.
Veja aqui o vídeo da saudação
"LIVRE E FRATERNO PORTUGAL"
Fernando Guerra fez a música e a letra, Paulo de Carvalho cantou, a Digitalmix fez os arranjos e a produção. Eis um hino que vai acompanhar toda a campanha de MANUEL ALEGRE e vai ficar nos ouvidos dos portugueses.
Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.
Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
"É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo:
CANTA.
"
NA NOITE DE ARRANQUE DA CAMPANHA ELEITORAL
ALEGRE dirige saudação a todos os apoiantes
Esta noite, apoiantes de Manuel Alegre reunem-se nas sedes em todo o país para celebrarem com poesia e canções o arranque da campanha eleitoral.
Veja aqui o vídeo da saudação
"LIVRE E FRATERNO PORTUGAL"
Fernando Guerra fez a música e a letra, Paulo de Carvalho cantou, a Digitalmix fez os arranjos e a produção. Eis um hino que vai acompanhar toda a campanha de MANUEL ALEGRE e vai ficar nos ouvidos dos portugueses.
Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.
Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.
Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Sebastião Penedo um Poeta de Alvito
Sebastião Penedo. Um amigo que já não está entre nós mas que deixou obra feita e apreciada que terei todo o prazer em publicar neste blog. Esta a minha homenagem.
Sebastião Penedo é natural de Alvito.
De entre as obras que deixou chegou-me às mãos o Poesia (Edição da Câmara Municipal de Alvito) que iremos a pouco e pouco colocando para vossa apreciação.
Depoimentos:
-“Sebastião Penedo é um poeta marcado pela terra que julgamos nativa e os seus melhores poemas foram-lhe segregados pela planície heróica. A sedução do Alentejo é conhecida. Os poetas de lá são como as casas: francos, receptivos. Um belo livro que de contínuo nos empurra para o meio de uma província muito amada “
João Maia
-“Em certos passos da sua poesia não sabemos bem se ele nos fala das coisas ou dos elementos, tão intimamente se conjugam nos seus versos a obra do homem com a obra da natureza.
Sagrado ou não pela crítica, a verdade é que Sebastião Penedo tem desde já lugar entre os mais castiços líricos da poesia portuguesa do seu tempo.”
João Gaspar Simões
-“Uma torrente de poemas que cantam como a água dos açude do Guadiana, que falam com sotaque alentejano, que são furos legítimos, desambiciosos e, ás vezes, em sua singeleza, muito belos, muito ricos, de imensas coisas: vida, amor, fraternidade, luz”
Urbano Tavares Rodrigues
******
CEGUINHO SEM MÚSICA
No passeio, a meu lado,
vai indo
uma criança cega
pela mão de alguém.
Mas é minha dor silenciosa
que pela rua fora a conduz
e lhe vai contando
uma história.
Escuta, menino:
Era uma vez a luz…
E uma espécie de aragem,
estranha,
que não sei donde vem,
traz à minha dor
a fina música,
prolongada e triste,
de um violino
que o menino ainda não tem.
A NOITE ALENTEJANA
A planície já pôs sua roupagem
nocturna. Agora dorme, sem sentir,
um sono entre acordada e a dormir.
À noite, o Alentejo é a paisagem
dum brando sonho: a lua mira os olhos
ao espelho nos pegos das ribeiras.
Há malteses deitados pelas eiras,
além, uma queimada nos restolhos.
Ouvem-se as rãs nos poços coaxar.
Um cão vigia os gados ao relento
e o pastor dorme à porta da cabana.
Cheio de vultos, grilos e luar
e de rumores e de encantamento,
oh, como é grande a noite alentejana!
P O E S I A
Quando nós éramos crianças e morria
alguém amigo ou de família, o avô, lembro,
punham-nos uma tarja preta na manga
verde-axadrezada do bibe mais bonito.
Era o fumo no braço – sinal de finados.
O distintivo, o rótulo para certo tempo de luto,
conforme o grau de parentesco, a proximidade.
Era proibido rir, cantar e assobiar,
como se a morte castrasse o sentimento,
ou as lágrimas da vontade despida de chorar.
Não se sabia que não há luto por um grande amigo.
Não se sabia que a dor pode vestir aliviado,
verde, de todas as cores, vermelho e azul,
e pode, naturalmente, chorando, apetecer cantar.
Sebastião Penedo
domingo, janeiro 01, 2006

OBRIGADO À VIDA
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me dois olhos
que quando os abro
perfeito distingo
o preto do branco
no alto céu seu fundo estrelado
e nas multidões a mulher que amo.
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o ouvido
que em toda sua extensão
grava noite e dia
grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuvaradas
e a voz tão terna da minha bem amada
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o som
e o abecedário
com ele as palavras
que penso e declaro
"mãe, amigo, irmão"
e a luz, iluminando
o rumo da alma de quem estou amando
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a marcha
dos meus pés cansados
com eles andei
cidades e charcos
praias e desertos, montanhas e planos
tua casa, tua rua e teu pátio.
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o coração
que agita seu marco
quando olho o fruto
do cérebro humano
quando olho o bom tão longe do mal
quando olho o fundo de teus olhos claros
Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a risada
e deu-me o pranto
assim distingo
felicidade de fraqueza
os dois materiais que formam meu canto
o canto de todos que é mesmo canto
o canto de todos que é meu próprio canto
Obrigado à vida!
(Autora Violeta Parra)
(Adaptado da tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
quinta-feira, dezembro 22, 2005

CAROLINA
Participo a todos os meus amigos e a todas as minhas amigas o nascimento de Carolina, minha primeira neta, no dia 22 de Dezembro pelas 17H14, com 2,740Kgs. É muito linda. Foi a melhor prenda de Natal.
A Carolina envia um beijinho a todos os visitantes do "Beja" e deseja que todos tenham um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.
sábado, dezembro 10, 2005

Desejo que neste Natal,
antes de perceber Jesus nas luzes que piscam pela cidade,
O encontre primeiramente em seu coração.
E, à frente de qualquer palavra que expresse seu desejo de um feliz Natal,
O encontre em suas acções.
Que O encontre não só na alegria que sente ao sair das lojas
com presentes para as pessoas que ama, mas também
na feição triste da criança abandonada nas ruas,
na qual muitas vezes esbarra apressadamente.
Que encontre Jesus no momento em que pegar nas mãozinhas
delicadas de seu filho, lembrando-se das mãozinhas pedintes,
quase sempre sujas de calçada, que só sabem o que significa rudeza.
Que O encontre no abraço de um amigo,
lembrando-se dos tantos que só têm a solidão como companheira.
Que O encontre na feição do idoso da sua família,
lembrando-se daqueles que tanto deram de si a alguém,
e hoje são esquecidos até pela sociedade.
Que O encontre na lembrança suave e sempre viva
daquela pessoa querida que já não está mais fisicamente ao seu lado,
lembrando-se daqueles que já nem se recordam mais quem foram,
enfraquecidos pelo vazio de suas vidas.
Que encontre Jesus na bênção de sua mesa farta
e no aconchego de sua família, lembrando-se daqueles
que mal se alimentam do pão e sequer têm um lar.
Que O encontre não apenas no presente que troca,
mas principalmente na vida que Ele lhe deu como presente.
Que se lembre, então, de agradecer por ser uma pessoa privilegiada
em meio a um mundo tão contraditório!
Que também encontre Jesus à meia- noite do dia 31
e sinta o mistério grandioso da vida, que renasce junto com cada ano.
Então festeje...festeje o ano que acabou não apenas como dias que se
passaram, e sim como mais um trecho percorrido na estrada da sua vida!
Festeje a alegria que lhe extasiou e a dor que lhe fez crescer!
Festeje pelo bem que foi capaz de fazer
e pelo mal que foi capaz de superar!
Festeje o prazer de cada conquista
e o aprendizado de cada derrota!
Festeje por estar aqui!
Festeje a esperança no ano que se inicia, no amanhã!
Festeje a vida!
Abra os braços do coração para receber
os sonhos e expectativas do ano novo.
Rodopie...jogue fora o medo, sinta a vida!...
Sonhe, busque, espere... ame e reame!
Deixe sua alma voar alto...pegar boleia com os fogos coloridos.
Mentalize seus desejos mais íntimos e acredite:
eles também chegarão ao céu.
Ir-se-ão misturar às estrelas, irão penetrar no Universo
e voltarão cheios de energia para se tornarem reais.
Basta querer de verdade, ter fé e nunca, NUNCA desistir deles!
E que seu ano seja, então, repleto de bênçãos e realizações.

Vamos fazer uma paragem. Meditar.
Agradeço aos amigos que, generosamente, me têm acompanhado e prometo voltar mais junto ao fim do ano.
Para todos e suas Famílias vão os votos de um Bom Natal e um Ano Novo pleno de prosperidades.
Abraços
sexta-feira, dezembro 09, 2005

Só mais uma vez...
Queria apenas por um momento,
Poder apagar o passado,
Poder estar ao teu lado,
Para dizer que te amo.
Queria apenas por um instante,
Poder tocar a tua face,
Poder ter o teu amor,
Poder sonhar um pouco mais.
Queria apenas por um minuto,
Poder ser um daqueles silêncios,
Que quando menos se espera,
Surpreende de forma irreverente.
Queria apenas por um segundo,
Poder ser parte do teu pensamento,
Poder ser a cada instante,
Uma lembrança constante,
Que não se apaga mais.
Enfim, queria apenas uma chance,
Para ter um momento do teu amor,
Um minuto do teu silêncio, e...
Todos os segundos do teu pensamento!
quarta-feira, dezembro 07, 2005
ALVITO-Concertos de Natal e Ano Novo

Concertos de Natal e Ano Novo em Alvito
Conforme já vem sendo hábito, em Alvito não há quadra natalícia sem música!
Este ano, celebra-se de novo a “época das Boas Festas” através de duas actuações, uma em Alvito e a outra em Vila Nova da Baronia.
No primeiro concerto, que acontecerá no dia 18, Domingo, na Igreja Matriz de Alvito, pelas 17h00, teremos a actuação do Grupo Coral Vocal DaCapo. Fundado em 1982, tem participado em inúmeros concertos no país e no estrangeiro, sob a direcção vocal do maestro Eduardo Paes Mamede. O grupo conta também com um trabalho em CD, editado em Julho de 2002, como forma de comemoração dos seus 20 anos de actividade.
No dia 6 de Janeiro, Sexta-Feira, pelas 21h00, a música acontecerá em Vila Nova da Baronia e terá lugar, igualmente, na Igreja Matriz daquela localidade. Neste concerto de Ano Novo, ouviremos as vozes do Coral Eborae Musica, precisamente em noite de Reis. O maestro Fernando Teixeira, com vasto e brilhante curriculum, irá conduzir o grupo (constituído há já 18 anos) através de um repertório que destacará belas composições apropriadas à quadra.
A actuação do Eborae Musica incidirá, particularmente, sobre temas compostos pelo prestigiado músico Fernando Lopes Graça, uma vez que se comemora em 2006 o centenário do nascimento deste compositor.
Porque em Alvito também se vive com música, eis uma razão acrescida para a sua visita!
Primeiro Beijo

Estavas ali,
à mercê dos beijos
que íamos partilhar.
Acendíamos nos olhos,
fogueiras de desejo
que disfarçávamos inquietos.
Duas luzes tímidas,
sorvendo ansiosos
as ingenuidades possíveis.
Acontecia numa tarde,
num qualquer Maio cúmplice,
testemunhando sonhos.
Reflectido na planície,
o nosso querer para sempre
que não resultou.
Os pássaros cinzentos,
recusam-se a cantar
como nesse dia.
Vencidos pelo tempo,
vencidos pela distância.
Foi há tanto, tanto tempo…
(Orlando Fernandes in Alentejo…e outros poemas)
terça-feira, dezembro 06, 2005
Para Ti...

"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Agora lê de baixo para cima.
Clarice Lispector
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Todo dia é menos um dia

Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!
Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
refletir, saber o que falou ou escreveu.
Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber
ouvir e calar!
Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!
Todo dia é menos um dia para dizer:
- Desculpe, eu errei!
Para dizer:
- Perdoe-me por favor, fui injusto!
Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
E já não há mais como encontrar
onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.
E se esse dia chega, por mais que voltemos,
estaremos seguindo um caminho, que jamais
nos trará ao ponto de partida.
Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem.
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir
interpretar melhor e saber o que quis ser dito
(Carlos Drummond de Andrade)
domingo, dezembro 04, 2005
Sonho ou realidade ?...
Procurei-te,
Depois daquele dia aziago.
Imaginava que tudo de novo
seria possível,
que novamente fosses minha.
Nunca o tinhas
deixado de ser…
Não respondeste
ao apelo.
Eu,
Nem quis crer.
Tudo tinhas esquecido?
Tudo tinhas olvidado?
A núvem que
nesse momento
toldou meus olhos
tudo enegreceu.
A própria caminhada
do dia a dia.
Dias, meses, anos,
muitos anos ,
se passaram.
Quantas loucuras.
Quantas mais desilusões.
Num instante
tua imagem
deslisou a meu lado.
Sonho, realidade?
Não houve uma palavra
de lado a lado.
Nossos olhos enevoados
se entenderam.
Tristes somente
se beijaram
num sonho impossível.
O tempo passara.
Passara tanto tempo.
Éramos os mesmos
sorrindo um para o outro.
Tarde demais…
Seguimos nossos destinos,
corações apertados,
olhos tristes.
Continuo à tua procura…
LM Abril/2005
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Coração Vagabundo

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos
Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim
(Letra e música de Caetano Veloso)

AUSÊNCIA
Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia pra esperar
E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinho no meu canto
Tendo apenas o meu canto pra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi
A tua imagem fiel
Que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi
(Vinícius de Moraes)
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Retrato

Um silêncio, um olhar, uma palavra:
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso,
Tão casual e breve...
Já te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo, esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.
Existias em mim. O teu olhar
Onde cintila, pura, a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisível,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!
(Luis Amaro)
quarta-feira, novembro 30, 2005
"Ainda Refulge ..."

Ainda refulge a chama
que perturbou um dia meus sentidos?
Não se apaga jamais
a luz de certo olhar que em segredo amei?
Chora, em meu coração,
a nostalgia do bem com que sonhei?
Da noite, abismo imenso,
oiço indistinta voz chamar por mim?
O que me falta e inquieta
serás tu, de quem não sei o nome?
Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,
estrela fria, cada vez mais longe
do puro silêncio em que se esvai a vida?
(Luís Amaro)
terça-feira, novembro 29, 2005
Triste Outono
Que triste o fim da tarde vai ficando
com árvores a chorar ramos despidos,
e as folhas amarelas esvoaçando…
São pássaros perdidos!
Com o rosto colado na vidraça
mergulho neste céu meio pardacento,
manto dum tempo, insípido e sem graça…
Nostálgico e cinzento!
Murmúrios sem calor, soltos no ar
povoam um crepúsculo de Outono
e as vozes das gaivotas sobre o mar…
São gritos de abandono!
Pudesse eu agarrar a fé perdida,
gritando ao triste Outono: quem me dera,
que minha alma, que no mundo anda perdida…
Encontre a Primavera!
Quem sabe, se na contra luz do espaço,
dum igual fim de dia tão agreste,
não nascerá espontâneo o teu abraço…
Como uma flor silvestre!
A noite vem caindo, mansamente,
um odor a chão molhado anda no ar,
sereno, cerro meus olhos docemente…
E deixo-me embalar!
(Orlando Fernandes in Alentejo ... e Outros Poemas)
domingo, novembro 27, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
MANUEL ALEGRE o Nosso CANDIDATO

Manuel Alegre em entrevista ao Público
Esta candidatura é um facto novo que desarruma os hábitos e o sistema
Por Maria José Oliveira e José Manuel Fernandes
24.11.2005
Manuel Alegre assume que o seu "contrato presidencial" apresenta propostas concretizáveis e defende que realizar um pacto económico e social não é uma aproximação ao "bloco central". Para além da estabilidade política, é necessário dar prioridade
ao combate a tensões sociais que possam surgir com a crise económica. Por isso, o candidato entende que o Presidente da República deve ter um papel mais interventivo, tentando restabelecer a confiança dos portugueses no sistema político-partidário. Alegre advoga ainda que o magistério não deve ser apenas de influência, mas também de "essência"
A alternativa Manuel Alegre
O passado de luta de Manuel Alegre, a sua postura política e o prestígio de que goza como poeta e escritor permitem-lhe ambicionar um resultado positivo e eventualmente a passagem a uma segunda volta nas eleições. E, se isso acontecer, pode até vir a vencê-las. De resto, para surpresa de muitos, esse cenário aparece como perfeitamente plausível, segundo as sondagens até agora efectuadas.
[Elísio Estanque, Professor Universitário, Militante do PS, 24.11.2005]

Debaixo das Oliveiras
Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.
O mês em que a brisa me pôs nas mãos
uma harpa de folhas
e a terra me emprestou
sua flauta e sua lua.
Maré viva. Meu sangue atravessado
por um cometa visível a olho nu
tangido por satélites e aves de arribação
navegado por peixes desconhecidos.
Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.
O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.
Este foi o mês em que fui a um lugar santo
dentro de minha casa.
O mês em que saí dos campos
e me banhei no rio como quem se baptiza
e cantei debaixo das oliveiras
as mãos cheias de terra. Palavras
e terra
de uma vida.
Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas. Palavras
e folhas
de uma vida.
O mês em que a mulher
tocou meus ombros com sua graça
e me deu a beber
a água pura do seu poço.
Este foi o mês em que o filho
derramou dentro de mim
o orvalho e o sol
de sua manhã.
O mês em que cantei
como quem de si se perde e reencontra
nas coisas novamente nomeadas.
Este foi o mês em que atravessei montanhas
e cheguei a um lugar onde as palavras
escorriam leite e mel.
MILAGRE MILAGRE gritaram dentro de mim
as aves todas da floresta.
Então reparei que era o lugar do poema
o lugar santo onde cantei
entre mulher e o filho
como quem dá graças.
Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.
(Manuel Alegre)
Nota do "Beja": Se estiver interessado em conhecer mais notícias e pormenores da Candidatura à Presidência da República clique em MANUEL ALEGRE
quarta-feira, novembro 23, 2005
Grande Edgar

Ilustração de Artur de Carvalho
Já deve ter acontecido com você.
— Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?
Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.
Um, curto, grosso e sincero.
— Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
— Não me diga. Você é o... o...
"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:
— Desculpe, deve ser a velhice, mas...
Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.
E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
— Claro que estou me lembrando de você!
Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:
— Há quanto tempo!
Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.
— Então me diga quem sou.
Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:
— Pois é.
Ou:
— Bota tempo nisso.
Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.
— Como cê tem passado?
— Bem, bem.
— Parece mentira.
— Puxa.
(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)
Ele esta falando:
—Pensei que você não fosse me reconhecer...
—O que é isso?!
—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
—E eu ia esquecer de você? Logo você?
—As pessoas mudam. Sei lá.
— Que idéia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)
— É incrível como a gente perde contato.
— É mesmo.
Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.
— Cê tem visto alguém da velha turma?
— Só o Pontes.
— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)
— Lembra do Croarê?
— Claro!
— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)
— Rezende...
— Quem?
Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.
— Não tinha um Rezende na turma?
— Não me lembro.
— Devo esta confundindo.
Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.
Ele fala:
— Sabe que a Ritinha casou?
— Não!
— Casou.
— Com quem?
— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)
— Claro que conheci! Velho Bituca...
— Pois casaram.
É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.
— E não avisou nada?
— Bem...
— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?
— É que a gente perdeu contato e...
— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.
— É...
— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.
— Desculpe, Edgar. É que...
— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. ( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)
— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
— Certo, Edgar. E desculpe, hein?
— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
— Isso.
— Reunir a velha turma.
— Certo.
— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...
— Bituca.
— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
— Tchau, Edgar!
Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.
(Luís Fernando Veríssimo)
Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.
terça-feira, novembro 22, 2005
Traz Outro Amigo Também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
(Zeca Afonso)
sexta-feira, novembro 18, 2005
Porque Volto

Foto aérea de ALVITO retirada do livro O CASTELO DE ALVITO com texto de Fialho de Almeida - Edição da Fundação da Casa de Bragança - 1946
Volto,
porque há dias antigos
que ainda nos agarram
com o cheiro da terra lavrada,
onde em cada ano,
enterrávamos os pés e os sonhos.
Volto,
porque os olhos dos pastores,
continuam chorando
estios sem pastagens,
onde na terra gretada
o rosmaninho já secou.
Volto,
porque me doem as recordações
dos lugares perdidos,
onde há nomes de gentes,
que me deixaram marcas,
sulcadas na pele e na alma.
Volto,
porque ainda quero correr,
atrás das cotovias
que cantavam nas eiras,
quando o pão de trigo,
nascia nas mãos dos homens.
Volto,
porque em tardes de sol,
há espaços na planície quente,
onde velas de moinhos decadentes,
ainda gritam o teu nome ao vento,
enquanto moem saudades velhas.
Volto,
porque ouço canções tristes,
que os últimos cantadores,
penduram nas oliveiras abandonadas,
e que se arrastam comigo,
embalando nostalgias
fechadas dentro de mim.
Volto,
porque o verde dos trigais
é da cor da esperança em colheitas,
que possam merecer a pena,
e porque as derradeiras cegonhas,
ainda moram nas torres das igrejas.
Volto,
porque irremediavelmente,
luto por agarrar o tempo,
como outrora tentava
apanhar as rãs assustadas,
que se esgueiravam nos charcos.
Volto,
porque o meu Alentejo,
é o último dos redutos,
onde consigo esconder os sonhos
que ainda trago fechados,
nas minhas mãos desesperadas!
(Orlando Fernandes in Alentejo…e Outros Poemas)
Amigos:
- Como já devem ter reparado tenho postado no "Beja" vários trabalhos de Orlando Fernandes. A razão é simples. Os seus poemas traduzem indubitavelmente o nosso grito de alma de alentejanos obrigados ao exilio. Cada palavra sua é o retrato fiel duma imagem que nos acompanha em todos os momentos. Cada composição é um acontecimento que todos já vivemos. Lendo este Poeta Alentejano custa menos a saudade que nos consome. Obrigado Orlando Fernandes pela partilha do teu talento. Podes crer que muitas vezes os teus poemas são interrompidos na leitura porque os olhos, respondendo ao apelo da saudade, o não permitem.
---Desejo a todos os Amigos um bom fim de semana e prometo visitá-los em seus blogs nos próximos dias. Continuo a recomendar uma visita ao SABIA QUE...? e ao POÉTICUS
quinta-feira, novembro 17, 2005
Manuel Alegre no Porto

Foto de Dias dos Reis
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Alegre quer sacudir o País como Humberto Delgado
Para evocar 'general sem medo', candidato até foi à varanda da sede saudar apoiantes
[david mandim / DN, 17.11.2005]
Manuel Alegre apressou-se a confessar uma "certa emoção" por estar na cidade do Porto. Mais ainda, por inaugurar a sua sede de campanha num segundo andar de um edifício da Praça Carlos Alberto, muito perto da varanda, onde, em 1958, o general Humberto Delgado "deu uma grande sacudidela no medo e abalou o regime" salazarista.
Na abertura da sede portuense, Alegre teve ao lado figuras como Jorge Costa e Pedro Abrunhosa.
Volvidos 47 anos, Alegre propõe também uma "sacudidela", agora "no marasmo, no seguidismo" e "renovar os ideais do 25 de Abril". E não resistiu, qual candidato sem medo, a ir à varanda saudar a meia centena de apoiantes que estavam na praça portuense.
Com uma candidatura que "é um acto de liberdade", Manuel Alegre seguiu a evocação de Humberto Delgado para criticar aqueles que estão na política "menos por convicção que por carreirismo e não por fidelidade à democracia". "Não me candidato contra ninguém. Tenho uma causa e um projecto", assegurou, ladeado pelo futebolista Jorge Costa - "se fosse treinador seria sempre primeira escolha" -, pelo músico Pedro Abrunhosa -a quem, por engano, chamou Rui - e pelo arquitecto Manuel Correia Vicen- te, seu mandatário distrital. Também o escritor Mário Cláudio enviou uma mensagem de apoio.
"Cumprir e fazer cumprir a constituição" é o objectivo do candidato que recusa ser menorizado. "Estou a lutar para ser eleito. Não sou um candidato marginal. Quero evitar a eleição de Cavaco Silva na primeira volta, para na segunda volta, com toda a esquerda e com todos os portugueses" ser eleito presidente, disse o deputado socialista, consciente que o "combate é difícil, porventura desigual, mas vale a pena".
"Mas não há vencedores antecipados", afirmou. "Quiseram coroar o candidato Cavaco Silva, mas ele vai ter que ir à luta, aos debates, disputar a eleição com outros candidatos", acrescentou, para logo completar "Mas não é apenas para travar um candidato, é ter um projecto." E neste projecto encaixa "um presidente da República que deve ter um papel activo, que seja um provedor da democracia".
Por isso, se chegar a Belém, Alegre promete "não falar das forças do bloqueio" e questionar logo a Assembleia da República se "candidatos pronunciados pela Justiça poderão ser eleitos para cargos públicos". Alegre considera que é mau "Não creio que seja um acto prestigiante para a democracia."
Na sua intervenção, insistiu que é o único a correr sem o "apoio de nenhum partido" e sem "nenhuns interesses por detrás". Isto para dizer que a candidatura tem poucos meios mas é apoiada por gente sincera e com causas. "Comovo-me muito quando chegam cheques de cinco ou dez euros", disse.
Caso seja eleito, pretende lutar por tornar "os direitos políticos inseparáveis dos direitos sociais". É tempo de mudar, porque "há trinta anos se pedem sacrifícios ao povo". Agora, Alegre deseja que "os custos das mudanças sejam repartidos por todos".
Foi o final de um dia totalmente passado no Porto. De manhã, Alegre visitou a delegação do Instituto Português de Sangue, onde criticou o aumento das taxas moderadoras, anunciado pelo ministro Correia de Campos. "Temos de ter consciência que temos um País com dois milhões de cidadãos em estado de pobreza, mais meio milhão de desempregados e muita gente a viver de um salário mínimo que é dos mais baixos da Europa", justificou.
No dia temático da inovação, o candidato defendeu uma aposta no conhecimento tecnológico e científico, patente na actividade do instituto. À tarde, e depois de um almoço com dirigentes da Federação de Associações Juvenis, visitou uma empresa de informática em Perafita, Matosinhos, que definiu como um bom exemplo de empreendedorismo.
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INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM
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