terça-feira, agosto 09, 2005

Bicicleta de Recados





Na minha bicicleta de recados

eu vou pelos caminhos.

Pedalo nas palavras atravesso as cidades

bato às portas das casas e vêm homens espantados

ouvir o meu recado ouvir minha canção.

.

Na minha bicicleta de recados

eu vou pelos caminhos.

Vem gente para a rua a ver a novidade

como se fosse a chegada

do João que foi à Índia

e era o moço mais galante

que havia nas redondezas.

Eu não sou o João que foi à Índia

mas trago todos os soldados que partiram

e as cartas que não escreveram

e as saudades que tiveram

na minha bicicleta de recados

atravessando a madrugada dos poemas.

.

Desde o Minho ao Algarve

eu vou pelos caminhos.

E vêm homens perguntar se houve milagre

perguntam pela chuva que já tarda

perguntam pelos filhos que foram à guerra

perguntam pelo sol perguntam pela vida

e vêm homens espantados às janelas

ouvir o meu recado ouvir minha canção.

.

Porque eu trago notícias de todos os filhos

eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos

e um cesto carregado de vindima

eu trago a vida

na minha bicicleta de recados

atravessando a madrugada dos poemas.

(Manuel Alegre)

Foto Fotografia na net - mealha

segunda-feira, agosto 08, 2005

Poema Para A Mulher Que Passou




Quando ela passou por mim, indiferente

e distraída,

surpreendi-me a pensar, sem querer, de repente

em minha vida ...



Fiquei a imaginar que se lhe acompanhasse

os passos,

num lindo dia como o de hoje,

cheio de sugestões para os nossos desejos,

- talvez ela acabasse por me olhar, sorrindo,

e mais tarde talvez me desse as suas mãos,

e algum dia ficasse abrigada em meus braços

e quisesse os meus beijos...



Se eu a seguisse, ela que nunca me viu,

[e passou distraída

como se eu nem a visse,

se eu a seguisse

pela rua

em meio a tanta gente,

- talvez se transformasse toda a minha vida,

e ao encontro da sua,

minha estrada tomasse um rumo diferente...



No entanto ela se foi... E enquanto eu me deixava

a pensar,

quem sabe se não levou a metade dessa alma

que seria talvez a única metade

capaz de me completar?



Naquele segundo, - pressentimento estranho,

intuição fugaz,

- quis correr, ir buscá-la...

Corri! ... Fui procurá-la

e era tarde demais...



Acaso já pensaste, na grandeza trágica desse segundo

irremediavelmente perdido?

Quem há de nos dizer se ele encerrava um mundo,

esse mundo por nós sonhado há tanto tempo

e há tanto tempo esperado

e querido?



Quem há de nos dizer algum dia, se ele era

a única oportunidade,

que o Destino avarento e impiedoso nos dera

para a felicidade?



Ninguém! ... E ele passou!... Pensa um momento na

[grandeza

desse segundo atroz,

e terás a intuição dolorosa, a certeza

de que é precisamente num segundo desses

que a felicidade

passa por nós!



Queres correr, é em vão !

Hoje estou certo

que nessa angústia eterna ficarás talvez,

- porque a felicidade que passou tão perto

da tua mão

só passa uma vez !





(Poema de J.G.de Araújo Jorge)


Foto Galeria Von Marco WS - Markus Arns)

sábado, agosto 06, 2005

Alvito - Movimento Independente - Autárquicas

Diário do Alentejo edição nº 1212 De 15 a 21 de Julho de 2005


Candidatura independente nas autárquicas em Alvito


João Paulo Trindade, antigo presidente da Estig de Beja, é o candidato do movimento à presidência da Câmara Municipal de Alvito.


O concelho de Alvito protagoniza a primeira candidatura de independentes apresentada formalmente no distrito de Beja, com João Paulo Trindade, professor do Ensino Superior, como cabeça de lista à presidência da Câmara Municipal. De acordo com João Paulo Trindade, este é "um projecto colectivo que não se assume contra os partidos nem sequer contra as candidaturas concorrentes. Foi esta a fórmula encontrada para reunir um conjunto de pessoas interessadas e disponíveis para reflectir em conjunto sobre o rumo a seguir pelas nossas freguesias. É claramente uma alternativa pela positiva".Quanto às expectativas da candidatura do Movimento Independente, garante, o percurso iniciado não terminará no dia da eleições. "Pretendemos manter uma atitude continuada de auscultação e de debate com vista à melhoria das vilas de Alvito e de Vila Nova da Baronia". "Chegou a hora de agir em vez de reagir", defende João Paulo Trindade que aposta na implementação de "um novo estilo na administração da autarquia – uma gestão participada e virada para os utentes. Queremos a mudança de uma abordagem apática e inconsequente face aos problemas existentes, para uma visão coerente, integrada, credível e mobilizadora do nosso futuro comum". Segundo o candidato pelo Movimento Independente é necessária uma gestão "rigorosa, criteriosa, competente e transparente. Estamos seguros que esta é a única forma de conseguirmos "dar a volta" e orientar este concelho no caminho do desenvolvimento. É fundamental que se definam estratégias capazes de garantir, de forma sustentada, o seu desenvolvimento". O Movimento Independente concorre a todos os órgãos autárquicos do município de Alvito. José Manuel Sousa Carvalho, advogado, é o cabeça de lista à Assembleia Municipal; António Charrua, técnico de desporto, encabeça a lista à Junta de Freguesia de Alvito; e Virgínia dos Santos, enfermeira, é a candidata a Vila Nova da Baronia.




Rádio Pax 13 de Julho de 2005 (9:46:19)


Movimento Independente candidata-se a Alvito



Movimento Independente apresenta-se como alternativa em Alvito. João Paulo Trindade é o candidato deste Movimento à presidência da Câmara Municipal daquela vila, nas próximas autárquicas. O docente do Ensino Superior apresenta-se como uma alternativa pela positiva. Este é um movimento que nãose assume contra os partidos, afirma João Paulo Trindade.
Neste momento, o Movimento está a recolher opiniões para depois anunciar o programa eleitoral.
O candidato do Movimento Independente à Assembleia Municipal é José Sousa Carvalho. O cabeça de lista à Junta de Freguesia de Alvito é António Charrua e à Junta de Freguesia de Vila Nova da Baronia, Virgínia dos Santos. Este é o único movimento independente que se candidata às eleições autárquicas no Baixo Alentejo.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Poema Mestiço



escrevo mediterrâneo

na serena voz do índico

sangro norte

em coração do sul



na praia do oriente

sou areia náufraga

de nenhum mundo



hei-de

começar mais tarde



por ora

sou a pegada

do passo por acontecer




Mia Couto




Não podia deixar de colocar aqui o comentário do Charlie. Agradeço as suas palavras e

insisto para que crie o seu próprio blog.

.

E no passo por acontecer, nesse lapso de tempo

sem medida,

acontece sempre o nada

Coisa que está no inicio de tudo.

Avanças!

Pensas que fazes Historia.

Pé ao fundo esmagando a areia que lhe toma a

forma e que o vento depois cantará no eterno

exercicio da criação desfazendo a eternidade dum

passo criando a tela para os passos seguintes.

Das gentes que hão de vir.

De passos tão eternos quanto o horizonte infinito,

mas que acaba mesmo ali.

Onde os nossos sonhos começam e acabam.

Levados pelos ventos.

.

Charlie

Alentejo, debruado a Arraiolos



Na dourada planície alentejana
Onde o sol penetra e tudo queima
A falta de água mísera e insana
Quebra a vontade abate a alma

Nessa imensa e dourada pradaria
O vento de suão seca a cortiça
Leva consigo, numa lenta agonia,
O suor a que chamam de preguiça

Mas o Alentejo é belo e majestoso
Quem o ama chama-lhe de formoso
Quem parte volta, nunca diz adeus

Por isso há sempre vozes em coro
Cântico alentejano em vez de choro
A alma alentejana tem a força de Deus



Poemas de Amor e Dor


Rogério M. Simões


19-04-2005

Foto feita perto de Vila Nova da Baronia

A.C.Vera Cruz -(Montra Digital)

quinta-feira, agosto 04, 2005

Soneto




vejo-te debruçada sobre a cama

tão serena e perpétua nos lençóis

que o brilho e a brancura de mil sóis

transformam em velasquez inclinada.



e na serena idade reclinada

jónia, vestal caída, leve e nua

com os meus dedos toco a carne tua

que a minha própria carne tão reclama.



inicio as viagens corporais

que soltas pela mente dão sinais

de incontidos prazeres e paixões.



meço os gestos contidos mas audazes

porque tu me dás, dou-te em intenções;

é assim que nos tornamos mais capazes



de amar, por puro amar, sem condições.




(josé félix)


(Foto de Piotr Kowalski)

quarta-feira, agosto 03, 2005

Ternura

Foto de Paulo Ferreira




Desvio dos teus ombros o lençol

que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do Sol,

quando depois do Sol não vem mais nada...



Olho a roupa no chão: que tempestade!


há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio...



Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...



Mas ninguém sonha a pressa com que nós


a despimos assim que estamos sós!




(David Mourão Ferreira)

terça-feira, agosto 02, 2005

Projecto I


O longo muro alentejano e branco

O desejo de limpo e de lisura

Aqui na casa térrea a arquitectura

Tem a clareza nua de um projecto




(Sophia Andresen

Retratos Cativos

Campo de girassóis - Acrílico sobre tela - Maria Teresa Almeida Bielinski - Foto Wilson Lima





Mesmo com a treva sobre os olhos,

vejo ainda nos longes ondulantes o girassol.

No silêncio outonal dos campos de mérida

ou numa xácara do alentejo, aflante ave

que o ocaso não desdoira



– se anoitece de repente e o barro muito antigo

se transforma em silente névoa, são seus esses

revérberos que ainda me conduzem pelo labirinto

dessas tardes em que esvoaçaramos

enoivecidos ao tiro das usinas.



Se alguém me perguntar por um astro

de raiz em terra, sem ademanes, responderei

o girassol – atento guardião das manhãs

da infância vigiando, em seu modo cabeceante,

o lado alvoroçado pela luz.



Quero-o agora, a esse girassol antigo

voltejando no talhão defronte à eira;

juro foi meu pai que o semeou,

ele próprio coisa semeada

num janeiro de aguaceiros.



Fronde gloriosa aberta à iniciação

de estio, vê-lo é chama que infunde

à vista a majestade desses dias subtraídos

à usura. Inda, de ao longe passarem

bandos iluminados pela cegueira,

se apenumbrem campos e horizontes.





(José Luis Tavares -Cidade da Praia - Ilha de Santiago - Cabo Verde - 1967

"Retratos Cativos" in Paraíso Apagado por um Trovão.)

segunda-feira, agosto 01, 2005

Hoje o tempo não me enganou...

(freeimages)




HOJE O TEMPO NÃO ME ENGANOU. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas sim em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.





(José Luis Peixoto in Nenhum Olhar (excerto)

Amor Feito Poesia


AMOR...
É um conceito divino,
É dimensão sem medida,
É viagem sem destino,
É melodia da vida.

AMOR...
É um caminho sem fim,
É não ter que perdoar,
É não querer e dizer sim,
É dar tudo o que há p'ra dar !…

AMOR...
É voz da razão que cala,
É ter dor e não sentir,
É o silêncio que fala,
É ver o mundo sorrir.

AMOR...
É sopro de nostalgia,
É canção leve e suave,
É das trevas fazer dia,
É saber de quem não sabe.

AMOR...
É bem mais que sentimento,
É sussurro de magia,
É da alma o alimento,
AMOR...
É hoje aqui…feito poesia!…

Autor: Euclides Cavaco




sexta-feira, julho 29, 2005

Ceifeira Campo de Trigo a Crescer


Dórdio Gomes




Há terra lavrada
E vida nas ceifeiras.
Há trigo desejado
Em cada espiga cortada:
Nasceram os filhos
Às ceifeiras!
E ouvem-se pelos montes
Cantos da esperança
Por cada nova jornada:
Cantem!
Porque chora uma criança.

Há terra lavrada
E vida nas ceifeiras
Haja alegria
Pois a espiga doirada
Deu mais trigo à jornada.
Viva o trigo a crescer
O povo a viver
Pois em cada espiga cortada
Há uma força redobrada
Da natureza a parir.

Que viva a espiga doirada
De trigo e centeio a sorrir.



Rogério Simões - 1976


Poemas de Amor e Dor

Rota do Fresco


CLIQUE NESTE ENDEREÇO PARA CONHECER MELHOR A ROTA DO FRESCO


http://www.amcal.pt/cgi-bin/rotadofresco.php

Visite e conheça a Rota do Fresco.


Aproveite as férias para melhor se inteirar deste género artístico no nosso País, em particular, na região alentejana.

Amo-te

Foto de Bob Camargo





Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio

ou seta de cravos que propagam o fogo:

amo-te como se amam certas coisas obscuras,

secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem

dentro de si, escondida, a luz das flores

e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo

o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,

amo-te directamente sem problemas nem orgulho:

amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,

tão perto que a tua mão no meu peito é minha,

tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.




(Pablo Neruda)

quinta-feira, julho 28, 2005

Viagem


Moliceiro- Ria de Aveiro- Óleo de Paiva Carvalho





Aparelhei o barco da ilusão

E reforcei a fé de marinheiro.

Era longe o meu sonho, e traiçoeiro

O mar...

(Só nos é concedida

Esta vida

Que temos;

E é nela que é preciso

Procurar

O velho paraíso

Que perdemos).

Prestes, larguei a vela

E disse adeus ao cais, à paz tolhida.

Desmedida,

A revolta imensidão

Transforma dia a dia a embarcação

Numa errante e alada sepultura...

Mas corto as ondas sem desanimar.

Em qualquer aventura,

O que importa é partir, não é chegar.

(Miguel Torga)

quarta-feira, julho 27, 2005

O Soneto de Orfeu


Foto de Petter Hegre



São demais os perigos desta vida

Para quem tem paixão, principalmente

Quando uma lua surge de repente

E se deixa no céu, como esquecida.



E se ao luar que atua desvairado

Vem se unir uma música qualquer

Aí então é preciso ter cuidado

Porque deve andar perto uma mulher.



Deve andar perto uma mulher que é feita

De música, luar e sentimento

E que a vida não quer, de tão perfeita.



Uma mulher que é como a própria Lua:

Tão linda que só espalha sofrimento

Tão cheia de pudor que vive nua.




(Vinícius de Moraes)




Alentejano

"Verão" ou a "Ceifa" aguarela-1927 de Simão Cesar DORDIO GOMES 1890-1976 Natural de Arraiolos (Alto Alentejo)




À Buja




Deu agora meio-dia; o sol é quente

Beijando a urze triste dos outeiros.

Nas ravinas do monte andam ceifeiros

Na faina, alegres, desde o sol nascente.



Cantam as raparigas, brandamente,

Brilham os olhos negros, feiticeiros;

E há perfis delicados e trigueiros

Entre as altas espigas de oiro ardente.



A terra prende aos dedos sensuais

A cabeleira loira dos trigais

Sob a benção dulcíssima dos Céus.



Há gritos arrastados de cantigas...

E eu sou uma daquelas raparigas...

E tu passas e dizes: "Salve-os Deus!"





(Florbela Espanca - 1894-1930 - Natural de Vila Viçosa - Alto Alentejo)

terça-feira, julho 26, 2005

A Árvore da Serra


— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!



— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minh’alma! ...




— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:

«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»

E quando a árvore, olhando a pátria serra,



Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!



(Augusto dos Anjos)

segunda-feira, julho 25, 2005

Alvito - Ermida de S. Bartolomeu

Foto de António Cunha - Edição da Câmara Municipal de Alvito




A pouco mais de 2 km, à parte ocidental de Alvito, nas imediações da estrada do Galaz, levanta-se a ermida de S. Bartolomeu, na herdade do mesmo nome.


Remonta a 1575 a mais antiga referência documental a este local de culto, desconhecendo-se quem tivessem sido os seus fundadores. O edifício, de planta rectangular e frontaria voltada a Oriente, compreende o presbitério e a nave. O presbitério abre-se para a nave por arco mestre redondo de alvenaria. Primitivamente, alçados e coberturas ostentavam revestimento fresquista. Deste subsistem as pinturas das abóbadas. Na da ousia representam-se anjos músicos e nas outras Santos do hagiológio cristão e o Tetramórfico.


Abril de Sim Abril de Não


Foto de João Carlos Espinho



Eu vi Abril por fora e Abril por dentro

vi o Abril que foi e Abril de agora

eu vi Abril em festa e Abril lamento

Abril como quem ri como quem chora.



Eu vi chorar Abril e Abril partir

vi o Abril de sim e Abril de não

Abril que já não é Abril por vir

e como tudo o mais contradição.



Vi o Abril que ganha e Abril que perde

Abril que foi Abril e o que não foi

eu vi Abril de ser e de não ser.



Abril de Abril vestido (Abril tão verde)

Abril de Abril despido (Abril que dói)

Abril já feito. E ainda por fazer.




(Manuel Alegre


30 Anos de Poesia


Publicações Dom Quixote)

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...