segunda-feira, novembro 14, 2005

Contrato Presidencial




Contrato Presidencial

Candidatura à Presidência da República
de Manuel Alegre de Melo Duarte

Lisboa, 4 de Novembro de 2005


Razões da candidatura

A leitura do texto integral pode ser feita aqui no site do Candidato



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Abaixo el-rei Sebastião

É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Manuel Alegre







Da Weasel triunfa no Olympia em Paris

A mítica sala por onde passou Amália Rodrigues encheu-se de portugueses, luso-descendentes e franceses para ouvir o sexteto da margem sul, num concerto que acabou por ser uma grande festa.

No final, o vocalista do grupo, Pacman, confessou aos jornalistas que se sentiu "em casa".
O feito dos Da Weasel é tanto maís extraordinário quanto o seu sucesso em Paris ocorre num momento de grande tensão social em França, abalada por eclosões de violência urbana de grupos de jovens em revolta.

sexta-feira, novembro 11, 2005


Desejo-vos um bom dia de S. Martinho e um óptimo fim de semana, com muitas castanhas e alguma "água-pé". Cuidado com a estrada.



Lembro que o SABIA QUE ...? continua a editar temas importantes. Não deixe de o visitar.





Também e a pedido de um grande amigo convido-vos a visitarem POÉTICUS o blog que lembra os nossos Poetas.

Porque



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)

terça-feira, novembro 08, 2005

Manuel Alegre - O Nosso Candidato






«Trova do Vento que Passa»


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

(Manuel Alegre)





****
Perguntas que não podem deixar de ser feitas
[A candidatura de Manuel Alegre 31.10.2005]



A nossa candidatura não ataca ninguém. Define-se por um projecto próprio e considera todas as outras candidaturas em pé de igualdade.
Mas têm sido proferidas afirmações às quais, pela sua surpreendente agressividade, não podemos deixar de reagir.
Com todo o respeito e consideração, há perguntas que não podem deixar de ser feitas a Jerónimo de Sousa: contra quem está ele a combater? Contra Cavaco Silva ou contra Manuel Alegre? Por quem está ele a fazer campanha? Pela sua candidatura ou pela de outro candidato, apoiado por outro partido?



***
Mais cidadania, melhor democracia
[Manuel Alegre 24.10.2005]



Como deputado constituinte, fui co-fundador do actual regime pluripartidário em Portugal. O facto de a minha candidatura ser a única que não depende de nenhum partido político não significa que seja contra os partidos. Como muitas vezes tenho dito, os partidos políticos, de acordo, aliás, com a Constituição, são essenciais à formação democrática da vontade colectiva. Mas não esgotam a democracia. O excessivo peso dos aparelhos partidários afunila, não só os partidos, como toda a vida cívica.
É por isso que é preciso alargar o espaço da cidadania. É esse um dos objectivos centrais da minha candidatura: mais cidadania, melhor democracia.



***
Uma perversão inadmissível
[A candidatura de Manuel Alegre 22.10.2005]



Depois do que se passou na Comissão Nacional do Partido Socialista, a mobilização deste fim de semana em vários plenários distritais torna evidente que o que está em causa para alguns dirigentes não é derrotar Cavaco Silva, mas sim combater Manuel Alegre. De facto, não se ouviu uma palavra do Secretário Geral do PS a criticar a apresentação da candidatura do ex-primeiro ministro e a sua total ausência de propostas para a saída da crise nacional. Pelo contrário, parece que o principal objectivo é condicionar os militantes socialistas que apoiam Manuel Alegre. O que é uma perversão inadmissível da natureza da eleição presidencial e uma forma de limitar a liberdade de escolha de cidadãos eleitores que, pelo facto de militarem num partido político, não podem ver-se privados dos seus direitos constitucionais.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Naquele Tempo





Naquele tempo,
ainda haviam amoras nos silvados
à beira de ribeiras transparentes.

Naquele tempo,
ainda haviam papoilas nos trigais
para enfeitar os cabelos das ceifeiras.

Naquele tempo,
mergulhávamos nos pegos das herdades,
onde em paz nadavam as pardelhas.

Naquele tempo,
os morangos cheiravam na boca
e as maçãs amadureciam nos ramos.

Naquele tempo,
os primeiros versos envergonhados
eram escondidos nos cadernos da escola.

Naquele tempo,
éramos inocentes, generosos e simples,
como as aves que cruzavam o azul do céu.


Mas isso… era naquele tempo,
porque as nossas almas ainda estavam brancas!


Orlando Fernandes in Alentejo...e Outros Poemas

quarta-feira, novembro 02, 2005

Os Montes





Vieram de longe
montados em “jeeps
novinhos de ver.

Com ares de cidade
e dinheiro batido,
compraram-te os montes
velhos de cem anos …

Pintaram de cores,
o branco caiado.

Nem poiais de pedra,
nem barras azuis.

Mármores, cantaria,
madeiras pau-santo.

Bancos de baloiço,
mesas em forjado.

Há vinhos franceses,
charutos cubanos,
e amigos de longe,
nos fins-de-semana.

Alentejo, meu país,
não chores as tuas mágoas
atráz dos chaparros velhos …
que essa gente não é tua !

Compram-te as casas,
arruinadas pela pobreza,
e mudam-te as terras de pão,
em jardins …

Moram-te os espaços,
mas não te habitam a alma,
nem sabem cantar como nós …
o lírio roxo do campo !




In POIESIS – Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea. Ed. Minerva, Out./1999
ORLANDO FERNANDES - in Alentejo ... e Outros Poemas



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Feira dos Santos em Alvito





Que bom fim de semana prolongado passei em Alvito para assistir à Feira dos Santos. Nem a chuva que copiosamente caiu nos dias anteriores e que já é uma tradição impediu uma multidão de visitantes de ir até esta feira.
Evento que ocupa todas as ruas e praças principais da vila impedindo a circulação normal do trânsito automóvel mas que nos lembra tempos medievais com seu vetusto castelo assistindo a tudo mudo e quedo.
Os frutos secos imperam aqui e todos regressam aos seus lares com um ou mais sacos de nozes, figos, castanhas, amêndoas, avelãs, batata doce eu sei lá que mais.




Tendas onde se vendem presuntos, chouriços, entremeadas, linguiças, de porco branco e do muito apreciado porco preto. Mobiliário decorativo de madeira e de verga.




Mantas, conjuntos de cama, almofadas decorativas, todo o género de quinquilharia, casacos, blusões, camisas e outras peças de vestuário. Carrousséis e pistas de automóveis. Mais comes e bebes por todo o lado. Chineses, ciganos, indianos, africanos, algarvios, beirões e alentejanos, todos mostram e tentam vender os seus produtos.
Uma autêntica grande superfície comercial de levante.
À parte a zona comercial diversas manifestações culturais: Bandas de Música, Ranchos folclóricos,
Chocalheiros, Grupos Corais de Cante Alentejano, Exposição de Antiguidades e Velharias para leiloar, Exposição de cerâmica e pintura “O Cante e o Alentejo” de António Duro, etc. etc. Muito para se ver e apreciar.
Havia de tudo para todos os gostos.

quarta-feira, outubro 26, 2005



Venha visitar a Feira dos Santos/Frutos Secos


Esta é a última feira que se realiza em cada ano na região alentejana. Tal facto, aliado à sua intensa actividade comercial, contribui para o enorme prestígio de que desfruta na região.

Numa altura em que a grande maioria das feiras se tem gradualmente transformado em mero local de diversão, a Feira dos Santos/Frutos Secos tem conciliado, a par desta característica, as vertentes de comércio tradicional e de local de encontro de amigos, particularidades reveladas ano após ano.

Frutos secos, vestuário, utensílios agrícolas, artigos domésticos, são exemplos do intenso comércio que caracteriza a Feira dos Santos, contribuindo para que nos dias de Feira afluam a Alvito milhares de pessoas vindas de todo o País.


Entretanto, tem também havido um grande empenho no sentido de dotar a Feira de actividades de carácter cultural e recreativo que estejam ao nível do seu prestígio.

Visitar a Feira dos Santos/Frutos Secos, é pois, uma “obrigação” e um óptimo pretexto para conhecer Alvito, a sua beleza e o seu património.









PROGRAMA


29 Outubro (Sábado)




Inicio da Semana Gastronómica da Caça (nos restaurantes aderentes do Concelho de Alvito)

9h30 – 2º Passeio Equestre “Feira dos Santos”

10h00 – Torneio de Ténis de Mesa e Corrida de Patins em Linha

10h00 – Abertura de exposição de Antiguidades e Velharias para leiloar na Galeria de Arte (Largo das Alcaçarias, 3A)

16h00 – Abertura da exposição de cerâmica e pintura “O Cante Alentejano”, de António Duro no Centro Cultural de Alvito

17h00 – Abertura oficial da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais, com a presença da Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alvito, no Quintalão

21h30 – Espectáculo musical com SUDOESTE no Palco da Feira

24h00 – Fecho da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

02h00 – Fecho dos Bares da Feira



30 Outubro (Domingo)



9h00 - Reabertura da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

9H30 – Prova de Atletismo

10h00 – Abertura de exposição de Antiguidades e Velharias para leiloar na Galeria de Arte (Largo das Alcaçarias, 3A)

16h00 – Leilão de Antiguidades e Velharias na Galeria de Arte (Largo das Alcaçarias, 3A)

17h00 – Espectáculo musical com CAMPOS DO ALENTEJO no Palco da Feira

21h30 - Espectáculo musical com grupos de Música Popular Portuguesa

24h00 – Fecho da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

02h00 – Fecho dos Bares da Feira




31 Outubro (2ª Feira)




(Dia com actividades patrocinadas pelo INATEL)

9h00 - Reabertura da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

15h30 – 1º Festival Etnográfico dos Santos com:
· Chocalheiros de Vila Nova de S. Bento (pelo recinto)
· Bicicleta Gigante (70 ciclistas)
· Rancho Folclórico Verdes Campos (Palco da Feira)
· Grupo de Jogo do Pau (Palco da Feira)

21h30 - Espectáculo musical com Rastemenga (INATEL) no Palco da Feira

24h00 – Fecho da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

02h00 – Fecho dos Bares da Feira



01 Novembro (3ª Feira)



9h00 – Reabertura da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais

10h00 – Arruada pela Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alvito

15h00 – Actuação de grupos corais, no Palco da Feira

17h00 - Actuação dos Ganhões de Castro Verde, no Palco da Feira

24h00 – Encerramento da X Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel ?





Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?





Estou no meu cantinho a escrever as minhas coisas, longe da ribalta. Mas agora tem que ser.

Meu nome é António Mesquita Brehm, tenho 78 anos, e escrevo este depoimento como simples cidadão português e não como Vitório Káli, escritor.



As traições não são apenas de agora e transformam sempre o destino dos homens.



Em 1962 encontrei-me, pela primeira vez, com Manuel Alegre em Luanda. Sacámos o santo e a senha da algibeira para nos identificarmos e, a partir daquele breve instante, metemo-nos numa das maiores aventuras das nossas vidas. Combinámos formar um único grupo com armas na mão e derrubar o regime de Salazar.



A guerra colonial havia começado tempo antes, centenas de colonos portugueses tinham sido cruelmente abatidos nas matas do norte de Angola e alguns milhares de negros sofriam agora perseguições e morte nos musseques de Luanda. A vergastada emocional paralisou os nervos da população. Mas toda a gente lúcida sabia que se tornara imperioso estancar aquele martírio inútil dos nossos povos.

Se tomássemos o poder em Luanda e controlássemos Angola, faríamos um ultimato a Salazar e encetaríamos negociações com os movimentos de libertação para discutirmos as condições da independência do território protegendo não só os direitos naturais dos angolanos como ainda de todos os portugueses que ali viviam.



Foi então, às vésperas do golpe militar, que um oficial nosso compatriota nos traiu (ele e alguns mais) e nos denunciou à PIDE acusando-nos de estarmos a vender Angola às forças de Satanás. Toda a cabeça do grupo revolucionário foi presa e encurralada na Prisão de São Paulo de Luanda. Nas celas pegadas às do Luandino Vieira, do António Jacinto e do António Cardoso, cujos nomes ficaram bem gravados na literatura angolana.



Hoje, na proximidade de grandes decisões para o nosso país, afinal também o mesmo acontece. A traição tem sempre um preço.



Estes factos foram determinantes para a evolução da guerra de Angola. E ela continuou por mais onze anos provocando milhares de mortos e estropiados ao exército português e genocídios aterradores de populações angolanas, a fuga em massa dos nossos colonos que lá deixaram os seus haveres, tudo aquilo que era afinal o resultado de muitos anos de trabalho e esperanças. E a destruição de toda uma economia regional que deveria sustentar o futuro de um dos países africanos mais poderosos, e possibilitando o assalto das elites angolanas e dos oportunistas desta lusa terra ao domínio dos grandes negócios e dos empregos milionários enquanto o povo humilhado sofria a fome, a doença, o estropiamento e o abandono.



Pois isto aconteceu muitos anos antes da revolução do 25 de Abril. E teria certamente apontado novo caminho ao futuro de Portugal e de todas as nossas antigas colónias africanas. Os poderes oficiais, e aquela cáfila que deles se aproveita, fizeram uma lavagem da História. Nunca falaram sobre o golpe militar de 1963 em Luanda. Mas o nosso processo policial está fechado a sete chaves, desde há muito, nos Arquivos da PIDE e um dia será detalhadamente revelado para espanto de muita gente. Também eu publicarei mais tarde meu livro de memórias sobre este período da nossa vida colectiva.



Neste momento da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, é meu dever recordar a nossa saga de Angola, a figura lendária do Silva Araújo com o seu esquadrão de 500 guerreiros africanos, o major José Ervedosa que, no comando dos aviões de bombardeamento das bases da Ota e do Montijo da Força Aérea Portuguesa lançou as bombas de napalm nos sítios desertos da região de Malange para desrespeitar as ordens de massacrar os milhares de trabalhadores em greve da Baixa do Cassange, o Felisberto Lemos, gerente da Livraria Lello de Luanda, onde se organizaram também muitos encontros clandestinos, o comandante Jeremias Tschiluango dos guerrilheiros do Norte que logo se dispôs a levantar esquemas logísticos para nos ajudar a ocupar Luanda, o chefe Matifoge que roubou armas e munições nos quartéis portugueses.

E aqueles homens como o Vítor Barros, deputado da nossa Assembleia Nacional, que no Huambo nos abriu as portas dos gabinetes dos chefes militares das tropas da cidade, e o engenheiro Fernando Falcão que no Lobito havia preparado o levantamento da sua população contra o regime de Salazar.

E tantos outros oficiais e praças do nosso exército colonial e incógnitos civis que, desde a primeira hora, se integraram no movimento para a defesa da Liberdade.



E também muitos poetas e intelectuais (que palavra horrível) como o Alexandre Dáskalos, o Cochat Osório, o Adolfo Maria, o Henrique Abranches, o Mário António, o Aires de Almeida Santos, o Neves e Sousa, e os nossos camaradas do 1º Encontro de Escritores de Angola realizado no Lubango em Janeiro de 1963. Porque as revoluções também se preparam com poetas, escritores e artistas.



Mas a hora chegara.

E o nosso Manuel Alegre, o nosso grande poeta da gesta portuguesa e da nossa Resistência, foi também então um dos grandes líderes desta revolta armada. E muito deverá contar aos portugueses sobre aquelas horas transcendentes.



Por fim desejo contar dois episódios acerca dele nesse período que nunca esqueci. O primeiro aconteceu no pátio da nossa prisão na hora do recreio quando, de repente, recebemos a visita de São José Lopes, Director Geral da PIDE, que vinha "inspeccionar" o nosso comportamento. Perguntou diversas futilidades sobre a prisão, estacou diante do meu companheiro e disparou: – "Diga lá, senhor Alferes, se esta situação estivesse invertida e você me tivesse preso, o que faria?". Manuel Alegre não vacilou um segundo e respondeu-lhe com firmeza: – "Olhe, senhor Director, mandava-o prender sem hesitações para ser julgado e depois condenado, sem dúvida". São José Lopes, o senhor todo-poderoso da polícia secreta em Angola, ficou perplexo. Não esperava por tal desafio, esteve algum tempo calado e depois sentenciou: – "O senhor Alferes é um homem de coragem". Qual seria o preso, naquelas condições, que o enfrentaria com tal dignidade?



O segundo passou-se em minha casa quando fomos libertados, muitos angolanos nos vieram saudar. Recordo que nessa noite de alegria os funcionários negros da Texaco (a estação de serviço ao lado) nos bateram à porta para nos entregar duas galinhas vivas e era essa a singela homenagem de agradecimento pela luta que sempre travámos junto deles. Foi um bonito ritual de que só, muitos anos depois, entendi no seu verdadeiro significado. Madalena, minha fiel lavadeira da Vila Alice, a pequena Lídia que se esgueirava pelos becos com nossas mensagens, Simão, o carpinteiro do Rangel, que dirigia o grupo dos batedores do bairro e alguns outros, lá estavam presentes à nossa espera, as bocas rasgadas no melhor sorriso que vi até hoje. Manuel Alegre ficou com as lágrimas a brilhar de emoção quando eles o abraçaram. – "Somos todos irmãos", lhes disse. "Um dia os nossos povos caminharão sempre juntos".



Então, senhores historiadores, que é feito dos vossos conhecimentos e da vossa memória?

A juventude portuguesa terá que saber da verdade histórica que, nos subterrâneos do tempo, fundamentou o nascimento das nações africanas que falam a nossa língua e nos deu então a liberdade. A liberdade que ainda temos.



Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?



Decorridos tantos anos, o que vemos?

A nossa revolta de 63 foi enterrada, o 25 de Abril morreu há muito, os velhos conceitos políticos transfiguraram-se do dia para a noite (não apenas simbolicamente), já não existem esquerda e direita mas uma nova linha ética que marca plenamente dois territórios, o mundo dos homens que defendem o povo, os humildes e os pobres, o imperativo categórico da verdade, a igualdade de oportunidades e, do outro lado, aqueles que se defendem a si próprios, as suas fortunas, os seus privilégios, as suas leis ultrapassadas na justiça, na educação, na saúde, na administração, provocando a miséria do pão-nosso de cada dia, a insegurança nas ruas, a destruição das nossas florestas e os incêndios programados, a corrupção nos serviços, os compadrios dos partidos políticos (em que todos se ajeitam), as incompetências dos serviços públicos, os discursos vazios de dirigentes partidários, o negocismo que manda construir estádios megalómanos em detrimento da construção de novos hospitais, o absurdo despesismo com os nossos soldados no estrangeiro, a aquisição de material de guerra que ninguém sabe contra quem, enfim, o crescente divórcio entre o povo e o Estado.

A lista não tem fim.



Compete ao futuro Presidente da República corrigir estes desmandos e vigiar o comportamento ético do Estado. Sim, Ético. E estamos em cima do fio da navalha:

Se o povo português não compreender que estas eleições são as mais importantes em Portugal depois do 25 de Abril e não souber votar com a consciência de que é o futuro da nossa juventude (o futuro do país) que está em causa, então jogará a pátria nos braços e nas garras de soberanias alheias.

Basta.

Que não se fale tanto em democracia a torto e a direito mas que a pratiquem de coração aberto.

Não são os partidos que elegem o Presidente.

O povo é que deve dar a sua Voz.



Esta é a mensagem que te deixo nesta hora dramática da vida dos portugueses. A nação procura um homem sério, corajoso, leal, abnegado, generoso e honrado. Com a dignidade das íntimas convicções.

Avança, Manuel.



Publicado em:

www.manuelalegre.com

quarta-feira, outubro 19, 2005

Agenda de Outubro - II

ALJUSTREL







FEIRA NOVA DE OUTUBRO





Os frutos secos da época voltam a ser reis e senhores na edição 2005 da Feira Nova em Aljustrel. Trata-se de uma tradição que se repete, entre os dias 21 e 24 deste mês de Outubro, no recinto exterior do Parque de Exposições e Feiras da Vila Mineira.

Este ano a Câmara Municipal de Aljustrel, a entidade promotora, volta a apostar neste certame que, a cada ano que passa, cresce em número de visitantes e de feirantes. Um crescimento positivo que não é de estranhar já que a autarquia tem apostado no entretenimento e na cultura.

No que toca ao certame principal as tradicionais barraquinhas dos feirantes vão, mais uma vez, marcar forte presença nesta feira de Outubro onde se podem adquirir os mais variados produtos desde roupa, sapatos, enchidos, queijos, produtos artesanais entre muitos outros artigos.

Os frutos da época são um dos principais atractivos desta feira que “convidam” todos os anos centenas de pessoas a visitar o certame. Tanto as nozes, como os figos secos, as amêndoas, os pinhões e as castanhas assadas quentinhas, anunciadas pelo cheiro e pelo pregão característico dos vendedores, fazem as delícias de todos.







IV FEIRA DO LIVRO E MULTIMÉDIA




Mais de meia centena de editoras marcam presença em Aljustrel



À semelhança do que tem sucedido nos últimos anos a Câmara Municipal de Aljustrel promove, em simultâneo com a Feira Nova de Outubro, a Feira do Livro e Multimédia. Uma mostra a visitar no Pavilhão do Parque de Exposições e Feiras de Aljustrel de 21 a 26 de Outubro.

Trata-se de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Aljustrel que reúne mais de meia centena de editoras que apresentam nesta mostra cerca de 5 mil livros. Neste universo imenso de géneros literários pode encontrar-se obras para todos os gostos dos mais variados autores portugueses e estrangeiros. Uma mostra com livros infantis, policiais, culinária, livros técnicos, jardinagem, filosofia, decoração, romance, poesia, prosa entre muitos outros.

Marcam também presença nesta feira editoras discográficas que trazem até à vila mineira as últimas novidades em CD, vídeos e DVD`S. Tudo a preços convidativos.

Para animar ainda mais este certame, do ponto de vista do entretenimento, actuam, sexta-feira à noite, o grupo de música tradicional “Serões do Alentejo” e grupos corais e etnográficos do concelho de Aljustrel.

Integrado na programação da Feira do Livro e Multimédia vai ainda estar patente ao público uma exposição de pintura do NAVA, Núcleo de Artes Visuais de Aljustrel.




ALVITO-FEIRA DOS SANTOS




BEJA





PAX JULIA - Teatro Municipal


Visite o site PAX JULIA que lhe dá todas
as informações sobre cinema, teatro, música, dança, multidisciplinares, exposições.

Insensatez




Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi tão fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado.



Vinícius de Moraes

terça-feira, outubro 18, 2005

Arrojos





Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.



Se ela deixasse, extático e suspenso
Tomar-lhe as mãos "mignonnes" e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.



Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clarão dos relâmpagos nocturnos.



Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sabão das criancinhas.



Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.



Se aquela por quem já não tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.



Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,
Eu ergueria os vales mais profundos
E abateria as sólidas montanhas.



E se aquela visão da fantasia
Me estreitasse ao peito alvo como arminho,
Eu nunca, nunca mais me sentaria
Às mesas espelhentas do Martinho



Cesário Verde

segunda-feira, outubro 17, 2005

Se minhas mãos pudessem desfolhar





Pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
a beber na lua
e dormem as ramagens
dos arvoredos ocultos.
E sinto-me vazio
de paixão e música.
Louco relógio que canta
antigas horas mortas.

Pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante do que todas as estrelas
e mais dolente do que a mansa chuva.

Tornarei a te querer como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?

Se a névoa se dissipa,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!



*


Para A Dizzie e Romero


*


Si mis manos pudieron deshojar


Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

Te querré como entonces
alguna vez? Que culpa
tiene mí corazón?

Si la niebla se esfuma,
qué otra pasión me espera?
Será tranquila y pura?
Si mis dedos pudieron
deshojar a la luna!!



Federico García Lorca

sexta-feira, outubro 14, 2005

Agenda de Outubro




Castro Verde





14 – 15 e 16 de Outubro – Feira de Castro


O ritual repete-se todos os anos. É a azáfama ensurdecedora, que num ambiente outonal, confere às ruas um colorido único. Um cheiro já característico invade as ruas. De um lado, o polvo assado, do outro o algodão doce e o torrão de alicante. Há ainda o vendedor de castanhas e os algarvios com os frutos secos.

No âmbito deste evento secular, em parceria com associações e colectividades do concelho, a Câmara Municipal de Castro Verde, preparou um conjunto de iniciativas culturais que procurarão enaltecer o valor deste momento histórico.







Ferreira do Alentejo





Até 16 de Outubro – “O CORPO” – Exposição de Pintura

e Escultura de Nazareth Moreira.


De 20 de Outubro a 20 de Novembro – Exposição de

trabalhos do Centro de Convívio de Aldeia

de Rouquenho


29 de Outubro – 21h30 – No Auditório da Biblioteca

Municipal – Espectáculo do Grupo de Teatro Arte

Pública:

“CAMÕES é um poeta RAP”


VII Jogos Culturais do Concelho de Ferreira do

Alentejo –

Temática : Ambiente –proteger, preservar, partilhar.

Prosa – Poesia – Artes Plásticas – Música – Fotografia

Entrega de trabalhos até 30 de Novembro de 2005.






Alvito - 29 - 30 -31 de Outubro e 01 de Novembro

A última feira do Baixo Alentejo. Acontecimento

centenário.

Festejam-se 710 anos de tradição.

Preenche todo o Rossio e diversas ruas

desta Vila.

Nela se encontram os mais diversos produtos,

marcando presença significativa a fruta e os

frutos secos. Aqui se pode encher a dispensa

para o Natal.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Saudades do Alentejo




Sou filho da terra quente,
das searas, do montado …
Trago das canções dolentes,
o passo cadenciado.


Saudoso das leiras trigo,
vivendo em terra emprestada,
nas longas noites sem sono,
perdido neste abandono,
vou desfiando comigo,
contos perdidos na estrada …


Tenho na pele marcados
os traços de mil suões,
e os olhos tristes, magoados,
que eu herdei dos ganhões.


Guardo raízes profundas
dum campo velho, cansado,
onde mesmo em tempo agreste,
nascia uma flor silvestre,
naquelas terras fecundas,
de Alentejo ignorado.


Eu nasci p’ra lá do Tejo,
guardo da terra a lembrança …
Eu pertenço ao Alentejo,
que me conheceu criança!


Voltarei um destes dias,
com um bando de pardais …
hei-de voar pelos montes,
beber as águas das fontes,
cantar velhas melodias,
e embebedar-me em trigais.


Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho

“O poeta é natural do país-do-Sonho. Entre o país-Comum e o país-do-Sonho existe uma fronteira a que chamamos condição-humana. Só é possível passar tal fronteira com um cavalo-alado. Para o país-do-Sonho não é preciso levar bagagem material. No país-do-Sonho as grandes cidades são construídas com Amor, Liberdade, Infinito e Eternidade.
Que num qualquer mágico dia-físico nos possamos lá encontrar!”

Ângelo Rodrigues


O “BEJA” tem o grato prazer de editar estes trabalhos de Orlando Fernandes e, em breve, de novo voltaremos às Fronteiras do Sonho.
Bem haja !




VOLTAVA A GOSTAR DE TI




Sonhos perdidos na bruma,
Quimeras feitas de espuma
São rendas que a vida tece;
Dá-se às vezes por cegueira
Uma vida toda inteira
A quem depois nos esquece.


Olho as linhas desenhadas
Em rotas desencontradas
Que as pombas traçam no ar;
Lembram-me os caminhos meus
Que por destino dos céus
Percorri p’ra te encontrar.


Hoje estou de alma serena,
Pois sei que valeu a pena
Cada hora que vivi;
E se por destino ou fado
Voltasse atrás ao passado…
Voltava a gostar de ti!



Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho










SOLIDÃO



Quero mergulhar no fundo dos teus olhos,
Este amor gritar perdidamente;
Esquecer que a minha vida é mar de escolhos,
Barco solto levado p’la corrente.


Sentisse uma só vez o teu carinho,
Um gesto de ternura ou de afeição,
E não me quedaria tão sozinho
Na minha louca e triste solidão.


Dou vida em cada dia à falsa imagem
Dum sonho renovado, uma miragem
Que se esfuma para lá do horizonte.


Falho de amor, de esperança e de coragem,
Caminheiro perdido na viagem,
Morto de sede … à beira de uma fonte!



Orlando Fernandes-in Fronteiras do Sonho

quarta-feira, outubro 12, 2005

Compreensão




Deixaste que o meu olhar
te escorregasse pelos cabelos longos!
Consentiste que a minha voz
te envolvesse docemente os sentidos!
Não lutaste quando os meus braços
cingiram teu corpo delicado!


Porque me esperavas havia muitos anos …
E sabias que eu viria!


Não choraste quando te murmurei
que teria que te deixar!
Não tentaste prender-me
quando parei de acariciar a tua pele macia!
Sorriste, numa compreensão amargurada
quando te acenei na despedida!


Porque me conhecias havia muitos anos …
E sabias que eu partiria!





Orlando Fernandes - Natural de Ferreira do Alentejo -

terça-feira, outubro 11, 2005

ALVITO-Um fim de semana prolongado II



O prometido é devido. Faltava contar alguns eventos que decorreram em Alvito mas as
eleições autárquicas cortaram um pouco a
resenha. No entanto aqui fica um resumo.


I Encontro de Turismo de Alvito

“Baixo Alentejo: Que Turismo?”

Em parceria com a Região de Turismo
Planície Dourada a Câmara Municipal de Alvito
promoveu o I Encontro de Turismo de Alvito.

Esteve presente a Arquitecta Fernanda Vara
Adjunta do Secretário de Estado do Turismo.

Participaram de manhã:

Catarina Vilaça de Sousa – Coordenadora do Projecto Rota do Fresco-

Rafael Alfenim – IPPAR

José Manuel Simões – Coordenador Plano de Desenvolvimento Turístico Alentejo-Universidade Lx/CEDRU

Francisco Ramos – Presidente Dep. Sociologia da Universidade de Évora

Foi moderador Pedro Cravo – Coordenador Curso Estrat. Gestão Turísticas- ESTIG

De tarde participaram :

Luís Castanheira Lopes – representante do Grupo Pestana Pousadas

Jaime Serra – Docente do Curso de Estratégia e Gestão Turísticas-ESTIG

Manuel Maria Barroso – Gab. Relações Internacionais – Ministério da Educação

Foi moderador José Manuel Nunes – Presidente da Assoc. Desenv. Terras do Regadio





Este Encontro pretendeu reunir vários especialistas em matéria de turismo num programa que visou igualmente a divulgação do património e do turismo do concelho de Alvito e dos outros concelhos da Região de Turismo Planície Dourada.

Procuraram-se respostas para perguntas que se prendem com o turismo actualmente desenvolvido na região e o turismo que se gostaria de incrementar.

Foi um programa bem conseguido com algumas excelentes exposições perante uma assistência interessada. Um único senão foi a estranha ausência
de elementos responsáveis das autarquias na parte da tarde.




No Espaço Multiusos do Centro Cultural de Alvito foi inaugurada a Exposição de Fotografia “Retrospectivas” de João Espinho.

Foi com imensa alegria que aí nos deslocámos para ver e sentir a excelente mostra de alguns trabalhos do nosso amigo Nikonman .

Foi um momento especial pois tive finalmente oportunidade de conhecer pessoalmente o João Espinho, a Mad e uma sua Filha.

Aproveito a ocasião para de novo recomendar a visita ao seu site onde podem avaliar os seus trabalhos. Daqui retirei mais estes belìssimos retratos para vos aguçar o apetite.








Ainda houve oportunidade, a partir da Igreja Matriz de Alvito, de percorrer a Rota do Fresco ao Luar, brilhantemente apresentada pela Doutora Catarina Vilaça de Sousa ( Coordenadora do Projecto Rota do Fresco).Terminou na Ermida de S. Sebastião esta Rota.

Fazemos votos para que não se concretizem as notícias do afastamento desta estudiosa do Projecto que iniciou e a que se dedicou de alma e coração.






Terminaram estes eventos com a apresentação, na Praça da República, de três Grupos Corais de Alvito,
perante uma boa assistência.


segunda-feira, outubro 10, 2005

V-I-T-Ó-R-I-A





O MOVIMENTO INDEPENDENTE - M.I.- ganhou as

eleições autárquicas em Alvito.


Eis os resultados:

M I -----------------------549 votos--33,76%-Mandatos-2

P S---------------------------354votos------21,77------1

PCP-PEV-------------------339votos------20,85-------1

PPD/PSD.CDS/PP.PPM—330votos----20,30------------1


O Presidente da Câmara é João P. A. Lança Trindade.
.




Alvito acreditou no Movimento Independente.Aceitou

o programa de candidatura. Facultou a possibilidade

de levar a bom termo as suas propostas.

O Movimento Independente vai ter uma tarefa muito

difícil dadas todas as contingências actuais mas como

acreditou no projecto que defendeu com muita luta e

sacrifício também agora será capaz de levar

por diante e cumprir as promessas que fez

ao Povo de Vila Nova da Baronia e Alvito.



Confiança plena nos elementos desta Equipa.

Esperança que se consigam concretizar as linhas

prioritárias do seu Programa.


O “Beja” envia felicitações ao M I e votos dos maiores

sucessos na caminhada que ora se inicia.

sábado, outubro 01, 2005

MOVIMENTO INDEPENDENTE - ALVITO e VILA NOVA DA BARONIA


Trabalho - Rigor - Seriedade - Isenção - Humildade



Uma equipa para trabalhar com todos e para todos!!!

A sua (única) alternativa de mudança !












"A todas as pessoas do Concelho de Alvito; jovens e anciãos, mulheres e homens, com ou sem partido e ou de todos os partidos, de todas as religiões ou sem religião, ricos ou pobres, a todos...SEM EXCEPÇÃO ALGUMA, dirigimos este esclarecimento.

Nós: o ( pedro, a maria, o antonio o manel ) somos aqueles que vocês encontram desde há muito pelas ruas de Vila Nova e Alvito, conhecem as nossas famílias e as nossas historias de vida, têm ideia das nossas qualidades e defeitos, sabem que somos diferentes uns dos outros, que temos opiniões diversas sobre muitas coisas, sabem que entre nós, mesmo no campo político partidário, as simpatias são muito diferenciadas.

Sabem tudo isto e, por isso, é normal que se perguntem o que é que nos une, ao ponto de vos propor que confiem nesta equipe para, com a vossa participação e empenho, transformar o Município de Alvito, numa terra onde muita gente gostaria de viver.

O que nos une...é a vontade firme de ficar... ficar e lutar para que os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos tenham condições para continuar a povoar estas terras que são a referência da nossa identidade.

Ficar...para que a diminuição constante e progressiva do número de habitantes não leve ao desaparecimento do Município.

Ficar...para tentar ser exemplo de não resignação, de não aceitação do fatalismo de ter de partir para poder governar a vida.

O que nos UNE....é a vontade de nos unirmos para travar a batalha da sobrevivência deste Município."


"....
A maneira de governar um Concelho desta dimensão, pode, por si só, ser a âncora chave do seu desenvolvimento, basta ousar inovar e investir inteligência, persistência e determinação nesse objectivo.

Viver numa terra onde “ a governação é um apelo pedagógico à participação dos cidadãos no quotidiano das decisões formais e informais da comunidade” pode ser motivo suficiente para atrair a esse espaço as pessoas que tanta falta fazem à sustentação do seu desenvolvimento.

Ser capaz de conceber e desenvolver um tal processo, é bem mais importante que elaborar linhas programáticas baseadas em listas de obras a fazer, cada qual a ver quem mais obras promete, quer haja ou não recursos materiais e financeiros para as executar !."

"....
Embora estejamos conscientes da necessidade, (dados os condicionalismos da tradição), de também proceder a uma listagem de intenções de realização de iniciativas e obras, queremos deixar bem claro que, para as pessoas de Alvito e Vila Nova da Baronia, o mais importante não devia ser dizer que obras ou iniciativas nos propomos fazer, mas sim, COMO VAMOS FAZER ESSAS COISAS...com as pessoas ou sem elas.

INOVAR....romper com a velha maneira de “Governar como se o poder dado pelo voto fosse um poder que pode dispensar a participação cívica de todos os cidadãos e o diálogo democrático com a as entidades da Sociedade Civil organizada”... é possível. POSSÍVEL e necessário, até para a salvaguarda da Democracia e da LIBERDADE.

Governar para as pessoas, sem que elas participem dos processos de discussão e decisão, é governar contra elas. À escala Local...este é o grande desafio do nosso tempo...têm futuro os territórios que o compreenderem e assumirem !

Bem sabemos que -“palavras leva – as o vento”- e que, palavras de candidatos, raramente significam actos.

Nós já não somos apenas candidatos, para lá dos resultados eleitorais, assumimos a nossa condição de militantes activistas para que Alvito seja “ Terra onde muita gente gostará de viver”.

OLHOS NOS OLHOS, MÂOS NAS MÂOS...PELA NOSSA TERRA."




(Excertos de um texto de um apoiante do Movimento Independente)

.





- ALVITO - Um fim de semana prolongado


Passei uns dias em Alvito onde tanta coisa acontece.

Posso dizer que aproveitei bem cada momento ali passado. Assisti aos mais diversos eventos que tentarei resumir para deles vos dar conhecimento.

Antes, porém, devo ressaltar o “matar as saudades” dos muitos amigos e conhecidos que encontrei passados tantos anos. E como, por vezes, se tornou difícil identificar aqueles rostos… Muitos só lá fomos ouvindo os nomes de família ou as alcunhas que quase todos tínhamos na altura.
Também o conhecer pessoalmente quem só através dos blogs contactava , foi uma nova experiência. Foi uma sensação muito agradável.

Em todos os casos encontrei a maior simpatia, amizade e o melhor acolhimento.

Merece neste ponto incluir duas quadras da amiga Olinda:

A amizade é beleza,
É viver com alegria,
Reparte-se a gentileza
Vive-se bem dia a dia.


Ter amigos é viver,
Sentir o tempo passar,
Sem amigos é morrer
Sentindo a vida parar.


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Tive a oportunidade de assistir a um debate entre os 4 candidatos às Autárquicas, cabeças das listas dos partidos políticos CDU, PS, PSD e do MOVIMENTO INDEPENDENTE.

O salão estava repleto e sei que através da Rádio Planície (promotora do encontro) muitos foram os habitantes do Concelho que seguiram o desenrolar da sessão.

Bom sinal de cidadania.

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Participei num almoço dos naturais desta terra que estiveram no Ultramar.

Ponto de encontro onde se reviveram momentos já passados mas ainda tão vivos e que nos trouxeram
todo o género de lembranças.

Foi bom recordar e rever alguns amigos de então.


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(Foto retirada do Alvitrando)




Foi-me impossível estar presente na entrega de prémios de Poesia Raul de Carvalho e dos vencedores da IV edição dos Jogos Florais na Biblioteca Municipal de Alvito. Conto, no entanto, com a amiga Dina para vos dar essas notícias.

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Seguiu-se em Vila Nova da Baronia, na Igreja Matriz, o Concerto “A Música (en)canta o Património” com o St. Dominic’s Gospel Choir.

Novidade musical para estes lados foi aceite com entusiasmo pela assistência.

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Outra iniciativa, esta do Clube Natureza de Alvito – Competição de Orientação Pedestre - integrada na Taça de Portugal FPO, congregou à sua volta, segundo me informaram, cerca de 600 presenças (entre atletas e técnicos) e decorreu nos dias 24 e 25 nas ruas de Alvito tendo as metas de controle na Praça da República.


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No Domingo, correspondendo ao amável convite dos Ludinais, (maravilhosas pessoas de trato e simpatia) jantámos na Vidigueira, no restaurante Vila Velha que recomendo vivamente.
Saboreei uma açorda alentejana com bacalhau como já há muito não o fazia. O vinho da Herdade dos Pinheiros acompanhou soberbamente este manjar.
Voltarei certamente a visitar esta casa em próxima oportunidade.

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Ficamos por aqui, por hoje. Mas muito mais vos tenho para contar :

-I Encontro de Turismo de Alvito.

-Exposição de Fotografia "Retrospectivas" de JOÃO ESPINHO.

-Rota do Fresco ao Luar.

-Alvito em Concerto.

quinta-feira, setembro 29, 2005

P E R D Ã O




Regresso à minha terra; andei perdido...

Chamem-me réprobo, ignaro, o que quiserem...

Sou como o pássaro que, depois de ferido,

Que Deus lhe dê a campa que lhe derem...



Não olho altares, não rezo, não ajoelho,

Mas em minha alma a comoção dorida

De quem volta de longe, de bem longe...,

E encontra à sua espera toda a sua vida...



Ouço as primeiras falas que empreguei,

Vejo as primeiras luzes que enxerguei,

Amo as primeiras coisas que dei

O amor que Deus pôs em quanto amei...



E trago tudo junto, aqui, no peito

Neste albergue de vozes, gentes, passos,

Lúgubre às vezes, soalhento às vezes,

E tanto, tanto meu, que lhe criei o gosto



Verdadeiro de quem ama e já não chora

Porque o chorar passou... a despedida

Melhor que um poeta pode dar à Vida

É despedir-se dela num sorriso:



Talvez num beijo... Talvez numa criança

Que o mundo, ao largo mundo vem mandada

Por seus pais que a criaram, sua terra que a viu

Quando ela foi por Deus nada e criada...



Agora temos tempo de fartura

(Quer faça sol ou vento, ou entristeça

A minha mente, e a minha voz se esqueça...)

De ir cantando de novo, à aventura...



À aventura dos limos e das seivas,

Das secas e dos montes, dos moinhos,

Dos pais que não se fartam de sentir

A dor sublime de ver crescer os filhos...



Terra de alqueives, ou monda, ou de pousio,

Terra de largos trigueirais ao sol,

— Quem vos mandou contaminar-me,

E para sempre, do vosso resplendor?...



Poalha luminosa, mas agreste;

Folha de zinco em brasa; imensidão;

A toda a volta — Tanto em vós como em mim —

Implantou Deus a solidão.



Solidão! de hastes curvas no silêncio

Que dá a volta inteira à terra inteira,

Solidão que eu invoco como se

Vos conhecesse pela primeira vez!...



Subo os degraus a medo; páro e ouço...

O que ouço eu? a voz dos sinos? minha mãe?

É com palavras simples e em segredo

Que eu beijo a terra onde nasci também,



Bernardim, Florbela, meu louco e bom Fialho,

Meus irmãos de pobreza, e solidão, e amor preso,

Aqui vos trago o que hoje tenho: Um coração

Sofredor como o vosso, e como o vosso ileso!



Ó planície de alma! ó vento sem ser vento!

Ó ásperas vertentes ao nascente;

Ó fontes que estais secas, ó passeios

Da minha mágoa adolescente...



Como eu vos quero ainda! como eu sinto

Que tudo o mais é tédio e é traição...

Pode-se amar tudo na Vida, mas

Nunca se pode trair o coração.



Dele nos vem, mais tarde a confiança.

Do coração nos sobe, um certo dia,

Uma satisfação que já não pode

Sequer chamar-se-lhe alegria.



E todavia tanta... A de sabermos

Que ainda em nós se ergue e não distrai

A casa da esquina onde nascemos...

A torre que dá horas e não cai...



II



Peço perdão a Deus de ter voltado

Mais pobre e mais feliz: mais perdoado!



III



Voltei à minha terra; aqui faz sol!


.












Raúl de Carvalho / Poeta nascido em Alvito

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...