segunda-feira, fevereiro 20, 2006

SOLIDÃO



De noite a mente vagueia
Entre sonhos do passado,
Sonhamos de alma cheia
O tempo que fomos amados.

Foram tempos de loucura,
Aqueles que então vivemos.
Sentíamos amor ternura
Por aqueles que não esquecemos.



Dávamos as mãos e seguíamos
Os sonhos que então vivíamos,
Pensando ser hora certa.

Mas o tempo foi passando,
Outros amores encontrando
Deixam-nos a vida deserta.

01/06
(Olinda)



Foto de António Durães-1000Imagens

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

ALVITO-DIA MUNDIAL DA MULHER





Palavra de Mulher é a designação da iniciativa que irá ter lugar em Alvito, no dia em que se comemora o Dia Mundial da Mulher.

A 8 de Março, terá pois lugar uma actividade no espaço multiusos do Centro Cultural de Alvito, tendo como subtítulo palavra de mulheres dita por homens.
Serão convidados vários homens do concelho a dizer textos, principalmente poesia, de escritoras como Sophia de Mello Breyner, Maria Teresa Horta ou Natália Correia. Também serão lidos textos de autoras anónimas ou pouco conhecidas, sendo a palavra de mulheres no dizer e na voz dos homens, o mote do evento.

Pretende-se assim uma actividade participada por ambos os sexos num dia em que, normalmente, as mulheres apenas comemoram entre si. Trata-se de lembrar as diferentes lutas das mulheres ao longo dos séculos mas, neste caso, lado a lado com os homens.

No final, terá lugar uma prova de vinhos, para ser apreciada e promovida a nova produção vínica do concelho de Alvito: os vinhos da Herdade das Barras, sita em Vila Nova da Baronia.

Paralelamente estarão patentes ao público duas exposições. Uma de fotografia, “Profissão Mulher”, da autoria de Ana Caeiro, no Centro Cultural de Alvito e a outra de Artes Decorativas na Biblioteca Municipal, da autoria de Mariana Carapinha. Ambas podem ser visitadas entre 8 e 22 de Março.

Motivos acrescidos para vir a Alvito. Aguardamos a sua visita!




ALJUSTREL




Cerro da Mangancha
Classificado Imóvel de Interesse Público


Aljustrel possui mais um monumento classificado como Imóvel de Interesse Público, trata-se do Castro da Mangancha, situado no cerro do mesmo nome.



Embora esteja classificado desde 17 de Junho de 1996, por homologação do ministro da Cultura, só agora o IPPAR realizou as últimas diligências no sentido de dar por concluído o processo de classificação.

No cerro da Mangancha situa-se um importante Castro do período do Bronze Final (há cerca de 3.000 anos atrás), com ocupação humana até ao período romano (início do séc. I da nossa era), altura em que foi abandonado, uma vez que a população se deslocou para a cidade de Vipasca, que se situava junto à mina de Algares, nos terrenos hoje ocupados pela Lavaria Piloto.

Este Castro foi já objecto de sondagens arqueológicas em 1969 e 1971 por parte do Prof. Claude Domergue e do Engº Rui Freire de Andrade, tendo sido então detectado um pequeno troço de muralha e diversos materiais cerâmicos.

Da análise dos materiais aí recolhidos concluiu-se tratar-se de um importante sítio arqueológico, característico do Bronze Final do sudoeste europeu.

****

Universidade de Huelva e Museu Municipal de Aljustrel
Protocolo de colaboração assinado em breve





A Câmara Municipal de Aljustrel está a negociar um protocolo de colaboração com a universidade espanhola de Huelva.



Este protocolo irá permitir a elaboração de projectos conjuntos entre a universidade e a Câmara, no sentido de se efectuar intervenções nos diversos sítios arqueológicos do concelho. Os estudos aqui desenvolvidos irão aumentar consideravelmente os conhecimentos sobre a História do concelho e enriquecer o espólio das colecções do museu municipal. Futuramente, esta colaboração será alargada a outras áreas temáticas, que ainda estão a ser objecto de análise.



Entretanto, foi já assinado, no passado dia 8 de Fevereiro, um outro acordo que irá permitir aos alunos do curso de Pós-graduação e Mestrado de Património Histórico e Natural a frequência de aulas práticas e seminários em Aljustrel, nomeadamente no Museu de Aljustrel. Os estudantes poderão aprofundar as suas teses, trabalhando sobre colecções e achados arqueológicos existentes neste museu.

*****
Inauguração do Museu da Mina de Algares



Central de Compressores as portas ao público




A partir do próximo dia 22 de Fevereiro, a Central de Compressores da Mina de Algares, situada num dos acessos ao Bairro de Val d’Oca (Aljustrel), já estará disponível para visitas ao público.

A inauguração oficial da Central e de um Percurso Geológico-Ambiental pelas zonas Mineiras será realizada pela Câmara Municipal de Aljustrel, às 15h30 desse mesmo dia, e contará com a presença dos representantes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR), da Região de Turismo Planície Dourada, do INETI, da Câmara Municipal de Mértola e da Diputación de Huelva, parceiros deste projecto e também das Pirites Alentejanas.



A recuperação e musealização destas instalações, pela Câmara Municipal de Aljustrel, com recursos a fundos europeus do programa Interreg, foi possível através de um protocolo de colaboração com a empresa Pirites Alentejanas, SA que cedeu as instalações e as máquinas, com vista à valorização do património histórico e cultural e ao desenvolvimento turístico.



Neste edifício construído nos anos 50, foram instalados três grupos de compressores provenientes da Central Eléctrica. Alguns deles foram posteriormente transferidos para a Mina do Moinho. No início da década de 90, a Central foi completamente desactivada e abandonada.



Transformada em núcleo museológico, a Central de Compressores serve agora de testemunho de um tipo de actividade em que eram utilizadas ferramentas de ar comprimido, hoje substituídas por ferramentas hidraúlicas, daí o importante valor de memória patrimonial que encerram.



Conjuntamente ao processo de musealização foram efectuadas algumas beneficiações no Malacate do Poço Viana, que será um dos locais a descobrir ao longo do percurso mineiro agora também criado. Painéis informativos foram para o efeito igualmente colocados no Poço Vipasca, no Moinho triturador, na Corte de S. João e na Ermida de Nossa Senhora do Castelo. Cada um deles contém fotografias e textos com explicações histórica, geológica e ambiental.



As visitas à Central de Compressores, para quem estiver interessado, poderão ser solicitadas ao Museu Municipal de Aljustrel (Tel: 284600170) ou ao Posto de Turismo (Tel: 284601010), com marcação prévia em visitas ao fim-de-semana.





terça-feira, fevereiro 14, 2006




Velhos namorados,
Namorados velhos.
Viveram namorando, e se
Enamorando.
Uma vida juntos...
Ei-los ainda, como dois
Pombinhos arrulhantes.

Cabelos brancos,
Mãos dadas...
Passeio no jardim.
Velhice não é o fim.
Romance não tem idade,
Essa é a verdade.

Uma vida juntos,
Namorados em principio,
Namorados pelos anos afora,
Quando a vida for embora,
Namorados ainda que na Eternidade.

domingo, fevereiro 12, 2006





PÁSSARO CINZENTO


Voa agora, meu pássaro cinzento,
leva contigo a alma de presente;
meus sonhos, minha vida, meu lamento,
transporta em tuas asas mansamente.


Leva para o mar, para o céu, para a eternidade,
logo que hoje desponte a madrugada;
o meu grito de dor e esta saudade,
do tempo em que te davas, descuidada.


Solto de mim, enceta outra viagem,
inventa-me outra vida, outra passagem,
põe cobro ao meu penar, ao meu tormento.


Procura outro começo sem cansaço:
voa livre na vastidão do espaço…
meu coração, meu pássaro cinzento!


(Orlando Fernandes in Alentejo... e outros poemas)

sábado, fevereiro 11, 2006

Quando quiseres

Foto de André Lopes Arruda-Olhares






Quando quiseres, serei vento!
Que soprará nos teus cabelos
os aromas bebidos nas flores.


Quando quiseres, serei rio!
Que correrá no teu corpo
cantando as águas transparentes.


Quando quiseres, serei ave!
Que voará nos teus pensamentos
pelas sombras dum fim de tarde.


Quando quiseres, serei madrugada!
Que ao de leve acordará em ti
os sonhos dum tempo sem idade.


Quando quiseres, serei mágoa!
Que chorará nos teus olhos
os dias de desencanto.

Quando quiseres, serei primavera!
que enfeitará de rosas vermelhas
a quietude da tua alma ferida.

Quando quiseres, serei vida!
Basta que te rendas num aceno…
e nascerei de novo nos teus braços!



(Orlando Fernandes in Alentejo… e outros poemas)

quinta-feira, fevereiro 09, 2006




Vou fazer uma canção de amor que
em nada parece uma canção de amor.
Não vou falar de campos, nem de rosas e cravos,
nem de estrelas, nem de luar,
vou apenas falar de saudade.
Vou cantar um amor com saudade,
com saudade de um amor.
Não repetirei as canções de Castro,
nem vou falar como Bandeira ou Neruda.
Cantarei tão somente o amor com saudades de um amor.
Tudo tem um limite, menos a saudade do meu amor.
Tudo tem um fim, menos o meu amor com saudade.
Não é da noite que tiro o verso,
nem é do vento que tiro o som,
retiro da imensa saudade do meu amor.

Sinto saudade, sinto a dor.
Sinto o amor, sinto saudade.



(Germano Rocha)

ALVITO

Foto oferecida pelo Alentejodive




V EDIÇÂO DOS JOGOS FLORAIS DO CONCELHO DE ALVITO

O Município de Alvito volta a organizar a V Edição dos Jogos Florais do Concelho de Alvito, que à semelhança da edição anterior tem "Tema Livre", porém todos os trabalhos a concurso terão de incidir sobre o Concelho de Alvito.

As modalidades a concurso são Pintura, Fotografia (Cores e Monocromo), Poesia e Prosa. A participação é gratuita e a data limite para entrega de trabalhos a concurso é 31 de Agosto de 2006, sendo a entrega de prémios efectuada aquando da Comemoração das Jornadas Europeias do Património.

Consulte o regulamento dos Jogos aqui e concorra!


terça-feira, fevereiro 07, 2006



CANTAR DE AMIGO



Eu e tu: milhões!…





Entre nós - perto ou longe!

- entre nós rios e mares

montanhas e cordilheiras…





Eu e tu perdidos

nesta distância sem fim do desconhecido.





Eu e tu unidos

para além das cordilheiras

por sobre mares de diferença

na comunhão de nossos destinos confundidos

- a minha e a tua vida

correndo para a confluência

num mesmo Norte.





Eu e tu amassados

nesta angústia que é de nós,

minha e tua,

e mais do que de nós…





Eu e tu

carne do mesmo corpo

amor do mesmo amor

sangue do mesmo sacrificio!





Eu e tu

elos da mesma cadeia

grãos da mesma seara

pedras da mesma muralha!





Eu e tu, que não sei quem és.

Que não sabes quem sou:





- Eu e tu: Amigo! Milhões…


(Joaquim Namorado)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

As minhas cinco manias



A Tmara pediu e não podia recusar responder a este questionário:

1ª mania- Normalmente não respondo a estes questionários;

2ª mania- Não há selo de correio ou moeda que não guarde;

3ª mania- Fazer zaping na TV;

4ª mania- Passear sem destino a pé;

5ª mania- Ouvir música anos 60 - sempre.

Não convido ninguém porque acho estas coisas uma seca como diz a Mad.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A Vergonha da Humanidade





Não deixe de ler. Também pode ver vídeos. Mas sobretudo deve aderir a esta campanha.

Visite o SABIA QUE...? veja os blogs que já aderiram e apoie também esta causa.


"Quando a última árvore tiver caído,
Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe for pescado,
Vocês vão entender que dinheiro não se come!"

Greenpeace


segunda-feira, janeiro 30, 2006

Foto de Piotr Kowalik (Fotografia na Net)



"Em cada página,o teu olhar,em cada montanha,
a tua voz.Deixa-me falar contigo.
Lembro-me tão bem de tudo o que me disseste.

As palavras existem.Eu quero encontrar-te sempre,
em cada noite,sobre a mesa dos papéis desarrumados
onde limpo a nossa vida.

Em página,os céus,em cada montanha,tu a chamares.
As páginas são,outra vez,o dia em que nasceste.
Lembraste tão bem de tudo.

Passam anos sobre as palavras.Os dias existem.
Seguro o livro como se segurasse a tua voz e,
quando alguém diz o teu nome,
eu continuo a responder."

(José Luís Peixoto)

(Um beijo para Lena/Cabana de Palavras pela maravilhosa oferta)

sábado, janeiro 28, 2006





"não me arrependo das horas que perdi a esperar-te quando ainda havia a esperança.
a esperança que havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que não me arrependo.

um instante na memória de chegares é mais valioso do que jardins.
do que montanhas. do que anos de tempo.

arrependo-me de ficar ao sol, de sorrir, de esquecer que devagar passam os dias.
os dias passam devagar, esquecendo-se de sorrir ao sol e de ficar onde me arrependo."

(José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão)

quarta-feira, janeiro 25, 2006




ADEUS…


Além longe, atrás daquele monte,
lá bem fundo,onde o Sol se esvai,
há searas doiradas,e defronte
um rio ,salgueiros e cantam pardais.



Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.




Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.



Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.



Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.

OLINDA
01/06

terça-feira, janeiro 24, 2006





Lançamento do livro

“TERRITÓRIO E DESENVOLVIMENTO LOCAL”

No próximo dia 28 de Janeiro, pelas 16h00, terá lugar no Auditório do Centro Cultural de Alvito, o lançamento da obra “Território e Desenvolvimento Local”.

Esta publicação, da autoria do Doutor José Francisco Ferragolo de Veiga, surge como resultado da sua tese de doutoramento, cuja componente prática é um caso de estudo aplicado ao concelho de Alvito.

No âmbito deste evento, irá realizar-se um debate sobre as perspectivas de desenvolvimento futuro do Concelho de Alvito.

O Município de Alvito convida todos os interessados nestas temáticas a participarem no mencionado evento.





EM VIDA, IRMÃO, EM VIDA


Se queres feliz fazer
Alguém a quem queiras muito…
Diz-lhe, hoje, o teu querer
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Se desejas dar uma flor,
Não esperes que ela murche
Manda-lha, hoje, com amor…
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Se desejas dizer “gosto de ti”
À gente da tua casa, que te é querida,
Ao amigo perto ou longe,
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Não esperes pela sepultura
Das pessoas, para as amar
E dar-lhes a sentir a tua ternura
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Ser venturoso mereces
Se aprenderes a fazer felizes
A todos os que conheces
Em Vida, Irmão, em Vida…

Nunca visites panteões
Nem enchas tumbas de flores
Enche de amor corações
Em Vida, Irmão, em Vida…


(Poema publicado por indicação da Olinda. A Autora é a sua amiga Júlia)

segunda-feira, janeiro 23, 2006





PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão






Desmistificação


Trago nos pés o cansaço

que há em todas as estradas!

Palmilhei-as passo a passo

e nunca as dei por andadas!...





Descansei junto aos valados

Dormia comigo a lua,

e a meu lado, toda nua,

os dois, num só, abraçados!





O sol vinha com o orvalho,

acordar-nos!

Eu voltava ao meu trabalho;

ela, ao céu, já manhã cedo.

Até que à noite, em segredo,

vinha de novo abraçar-nos...


(José Augusto de Carvalho- Natural de Viana do Alentejo)

segunda-feira, janeiro 16, 2006




Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal



*****


É PRECISO UM PAÍS


Não mais Alcácer Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.


Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.



Manuel Alegre

domingo, janeiro 15, 2006

22-ABRIL-2.006








ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO


ESTAMOS PREPARANDO O PROGRAMA QUE SERÁ PUBLICADO EM BREVE


AGENDA A TUA IDA A ALVITO



CONTAMOS CONTIGO

segunda-feira, janeiro 09, 2006

MANUEL ALEGRE - O NOSSO CANDIDATO

Foto Expresso Online-António Pedro Ferreira


VOTAR

em

MANUEL ALEGRE


Para ganhar um

PAÍS

feliz


"É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo:

CANTA.

"






NA NOITE DE ARRANQUE DA CAMPANHA ELEITORAL

ALEGRE dirige saudação a todos os apoiantes

Esta noite, apoiantes de Manuel Alegre reunem-se nas sedes em todo o país para celebrarem com poesia e canções o arranque da campanha eleitoral.

Veja aqui o vídeo da saudação





"LIVRE E FRATERNO PORTUGAL"

Fernando Guerra fez a música e a letra, Paulo de Carvalho cantou, a Digitalmix fez os arranjos e a produção. Eis um hino que vai acompanhar toda a campanha de MANUEL ALEGRE e vai ficar nos ouvidos dos portugueses.


Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sebastião Penedo um Poeta de Alvito


Sebastião Penedo. Um amigo que já não está entre nós mas que deixou obra feita e apreciada que terei todo o prazer em publicar neste blog. Esta a minha homenagem.

Sebastião Penedo é natural de Alvito.

De entre as obras que deixou chegou-me às mãos o Poesia (Edição da Câmara Municipal de Alvito) que iremos a pouco e pouco colocando para vossa apreciação.

Depoimentos:

-“Sebastião Penedo é um poeta marcado pela terra que julgamos nativa e os seus melhores poemas foram-lhe segregados pela planície heróica. A sedução do Alentejo é conhecida. Os poetas de lá são como as casas: francos, receptivos. Um belo livro que de contínuo nos empurra para o meio de uma província muito amada “
João Maia


-“Em certos passos da sua poesia não sabemos bem se ele nos fala das coisas ou dos elementos, tão intimamente se conjugam nos seus versos a obra do homem com a obra da natureza.
Sagrado ou não pela crítica, a verdade é que Sebastião Penedo tem desde já lugar entre os mais castiços líricos da poesia portuguesa do seu tempo.”
João Gaspar Simões


-“Uma torrente de poemas que cantam como a água dos açude do Guadiana, que falam com sotaque alentejano, que são furos legítimos, desambiciosos e, ás vezes, em sua singeleza, muito belos, muito ricos, de imensas coisas: vida, amor, fraternidade, luz”
Urbano Tavares Rodrigues


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CEGUINHO SEM MÚSICA


No passeio, a meu lado,
vai indo
uma criança cega
pela mão de alguém.


Mas é minha dor silenciosa
que pela rua fora a conduz
e lhe vai contando
uma história.
Escuta, menino:
Era uma vez a luz…


E uma espécie de aragem,
estranha,
que não sei donde vem,
traz à minha dor
a fina música,
prolongada e triste,
de um violino
que o menino ainda não tem.





A NOITE ALENTEJANA


A planície já pôs sua roupagem
nocturna. Agora dorme, sem sentir,
um sono entre acordada e a dormir.
À noite, o Alentejo é a paisagem


dum brando sonho: a lua mira os olhos
ao espelho nos pegos das ribeiras.
Há malteses deitados pelas eiras,
além, uma queimada nos restolhos.


Ouvem-se as rãs nos poços coaxar.
Um cão vigia os gados ao relento
e o pastor dorme à porta da cabana.


Cheio de vultos, grilos e luar
e de rumores e de encantamento,
oh, como é grande a noite alentejana!




P O E S I A


Quando nós éramos crianças e morria
alguém amigo ou de família, o avô, lembro,
punham-nos uma tarja preta na manga
verde-axadrezada do bibe mais bonito.


Era o fumo no braço – sinal de finados.
O distintivo, o rótulo para certo tempo de luto,
conforme o grau de parentesco, a proximidade.


Era proibido rir, cantar e assobiar,
como se a morte castrasse o sentimento,
ou as lágrimas da vontade despida de chorar.


Não se sabia que não há luto por um grande amigo.
Não se sabia que a dor pode vestir aliviado,
verde, de todas as cores, vermelho e azul,
e pode, naturalmente, chorando, apetecer cantar.


Sebastião Penedo

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...