terça-feira, outubro 09, 2007

Muitos Anos Depois

Foto de Angela Vicedomini






Pouco me importa o que teci, o que perdi,

As lágrimas, as saudades, os desencantos,

Tantos disfarces, infernos, tantos véus,

E quantos céus que eu rejeitei, e quantos.



Pouco me importa agora esse tempo

Que traçou rugas, desenhando o envelhecer,

É o mesmo tempo que hoje pára e escuta

O que a vida sempre me ouviu dizer:

EU TE AMO.





FRANCISCO SIMÕES



Francisco Mário Simões dos Santos é descendente de portugueses, filho de português e mãe brasileira, nascido em Belém do Pará. Foi locutor, produtor de programas e escritor de crónicas diárias. Durante cerca de vinte anos pertenceu ao quadro da ABAF — Associação Brasileira de Arte Fotográfica no Rio de Janeiro, quando ganhou mais de mil prémios nos seus salões mensais e anuais. No auge da bitola super-8 produziu vários filmes de curta-metragem durante o regime autoritário. Participou de muitos eventos do género no Brasil, principalmente, os realizados em universidades e centros de treinamento profissional. Ganhou vários prémios de destaque em festivais e mostras de filmes basicamente voltados para a crítica social e política, o que lhe garantiu problemas com a Censura. Trabalhou por trinta anos no Banco do Brasil, onde foi professor, coordenador e programador de cursos, chefe de um grupo que produzia módulos áudio-visuais para palestras e aulas e assessor do gabinete da presidência da PREVI, entre 1982 e 1986. Depois de aposentado, passou a realizar suas exposições "Fotografias Artesanais" e continuou a ganhar prémios, um deles, o título de cidadão honorário de Cabo Frio, cenário e motivo de muitas de suas fotos e vídeos. Em 1994 voltou a escrever poesia, o que parara de fazer há muito tempo. De dezembro de 1999 a dezembro de 2001, foi vencedor de vários concursos literários. Retornou à prosa, pelas crônicas, a partir de Janeiro de 2001, já com 64 anos de idade. Escreve para alguns sites de literatura no Brasil como Blocos e Rio Total, tem um espaço em Londres-Inglaterra, "O Cantinho do Francisco", integrante do Cantinho do Poeta, de Marc Fortuna e Richard Price, além do site pessoal.

segunda-feira, outubro 08, 2007

"Conheço o Sal..."

Foto de Piotr Kowalik





Conheço o sal da tua pele seca

depois que o estio se volveu Inverno

da carne repousando em suor nocturno.



Conheço o sal do leite que bebemos

quando das bocas se estreitavam lábios

e o coração no sexo palpitava.



Conheço o sal dos teus cabelos negros

ou louros ou cinzentos que se enrolam

neste dormir de brilhos azulados.



Conheço o sal que resta em minhas mãos

como nas praias o perfume fica

quando a maré desceu e se retrai.



Conheço o sal da tua boca, o sal

da tua língua, o sal de teus mamilos,

e o da cintura se encurvando de ancas.



A todo o sal conheço que é só teu,

ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,

um cristalino pó de amantes enlaçados.




Jorge de Sena

domingo, outubro 07, 2007

Ideal

Foto de Marketa Uhlirova






Aquela que eu adoro não é feita

De lírios nem de rosas purpurinas,

Não tem as formas lânguidas, divinas,

Da antiga Vénus de cintura estreita...



Não é a Circe, cuja mão suspeita

Compõe filtros mortais entre ruínas,

Nem a Amazonas, que se agarra às crinas

Dum corcel e combate satisfeita...



A mim mesmo pergunto, e não atino

Com o nome que dê a essa visão,

Que ora amostra ora esconde o meu destino...



É como uma miragem que entrevejo,

Ideal, que nasceu na solidão,

Nuvem, sonho impalpável do Desejo...



Antero de Quental

sábado, outubro 06, 2007

Aparição


Foto de Melan Chol Ie




Saudosamente, ao luar das minhas mágoas,
Vens para mim na tua graça de ave:
O teu andar, de longe, é brando e suave
Como um cisne vogando à flor das águas.


Vens para mim, ao luar que me entristece,
Em tua alada e mística figura:
Nos teus olhos se abisma a noite escura
E é a luz do luar que neles resplandece.


Há qualquer coisa em ti que me comove
E dá motivo ao meu desassossego:
Minhas falas por ti são as de um cego,
Tenho por ti o olhar de quem não ouve.


Quisera erguer em teu louvor um canto
De divina, quimérica harmonia:
Assim na primavera a cotovia
Festeja o sol que nasce e o seu encanto.


Digo o teu nome aos ventos, no martírio
Da ansiedade febril que me consome:
E logo os ecos rezam o teu nome,
Num êxtase que é irmão do meu delírio.


Grito por ti quando me encontro a sós,
Mentindo à dor de te saber ausente:
Mas vens ao meu amor, saudosamente,
E logo morre o alvor da minha voz.


Saudosamente, ao luar que me deslumbra,
Vens através a noite silenciosa:
E a tua graça, etérea e misteriosa,
É um outro luar surgindo na penumbra.


Anrique Paço d’Arcos
(Poesias Completas)

quinta-feira, outubro 04, 2007

FREE BURMA - PETIÇÃO




O movimento internacional de Bloggers de apoio à campanha Free Burma/Birmânia/Myanmar (International Bloggers' Day for Burma on the 4th of October) está a recolher adesões e a solicitar que nos Blogs de todo o Mundo sejam inseridos textos, no próximo dia 4, onde se apele à liberdade e ao respeito pelos direitos humanos.
PETIÇÃO FREE BURMA


Vamos fazer chegar à ONU e à CHINA 1.000.000 de assinaturas

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olhar

Foto de Leona L



Olhas-me entre a surpresa e o desencanto
e eu fico embaraçado ante esse olhar:
nada podia perturbar-me tanto
como uns olhos roubados ao luar
das noites em que o tempo e o lugar
se faziam de espuma, luz e espanto.
Mas o que importa, sobre a ruinosa
erosão dos desenganos,
é esta força de quem ousa
amar-te acima do passar dos anos.


Torquato da Luz

terça-feira, outubro 02, 2007

Fado Saudade

Foto de Nina de Villeneuve





O Sol da minha ventura,
Era dado p’la ternura
Com que viveste a meu lado.
E os beijos que tu me deste
Tinham o gosto silvestre
A mel, a rosas e a fado.


Mas decorreram os anos,
Vieram mil desenganos,
E perdidos no caminho,
Vivemos a pena imensa
Desta imerecida indiferença
De cada um estar sozinho.


Solidão nos meus sentidos,
Mágoa dum tempo perdido,
Quantas vezes já morri?
Sonhos não realizados,
Remorsos dos meus pecados…

Tenho saudades de ti!



Orlando Fernandes (Fronteiras do Sonho)

segunda-feira, outubro 01, 2007

AMEMOS

Foto de Alex Krivtsov



DAMA NEGRA
POR QUE TARDAS, meu anjo! oh! vem comigo.
Serei teu, serás minha... É um doce abrigo
A tenda dos amores!
Longe a tormenta agita as penedias...
Aqui, ao som de errantes harmonias,
Se adormece entre flores.

Quando a chuva atravessa o peregrino,
Quando a rajada a galopar sem tino
Açoita-lhe na face,
E em meio à noite, em cima dos rochedos,
Rasga-se o coração, ferem-se os dedos,
E a dor cresce e renasce...

A porta dos amores entreaberta
É a cabana erguida em plaga incerta,
Que ampara do tufão...
O lábio apaixonado é um lar em chamas
E os cabelos, rolando em espadanas,
São mantos de paixão.

Oh! amar é viver... Deste amor santo
— Taça de risos, beijos e de prantos
Longos sorvos beber...
No mesmo leito adormecer cantando...
Num longo beijo despertar sonhando...
Num abraço morrer.

Oh! amar é ser Deus!... Olhar ufano
O céu azul, os astros, o oceano
E dizer-lhes: "Sois meus!"
Fazer que o mundo se transforme em lira,
Dizer ao tempo: "Não... Tu és mentira,
Espera que eu sou Deus!"

Amemos! pois. Se sofres terei prantos,
Que hão de rolar por terra tantos, tantos,
Como chora um irmão.
Hei de enxugar teus olhos com meus beijos,
Escutarás os doces rumorejes
D'ave do coração.

Depois... hei de encostar-te no meu peito,
Velar por ti — dormida sobre o leito —
Bem como a luz no altar.

Te embalarei com uma canção sentida,
Que minha mãe cantava enternecida
Quando ia me embalar.

Amemos, pois! P'ra ti eu tenho n´alma
Beijos, prantos, sorrisos, cantos, palmas...
Um abismo de amor...
Sorriso de uma irmã, prantos maternos,
Beijos de amante, cânticos eternos,
E as palmas do cantor!

Ah! fora belo unidos em segredo,
Juntos, bem juntos... trêmulos de medo,
De quem entra no céu,
Desmanchar teus cabelos delirante,
Beijar teu colo!... Oh! vamos minha amante,
Abre-me o seio teu.

Eu quero teu olhar de áureos fulgores,
Ver desmaiar na febre dos amores,
Fitos fitos... em mim.
Eu quero ver teu peito intumescido,
Ao sopro da volúpia arfar erguido
O oceano de cetim

Não tardes tanto assim... Esquece tudo...
Amemos, porque amar é um santo escudo,
Amar é não sofrer.
Eu não posso ser de outra... Tu és minha,
Almas que Deus uniu na balsa e ténue
Hão de unidas viver.

Meu Deus!... Só eu compreendo as harmonias,
De tua alma sublime as melodias
Que tens no coração.
Vem! Serei teu poeta, teu amante...
Vamos sonhar no leito delirante
No templo da paixão.


Castro Alves

domingo, setembro 30, 2007



Solidariedade com os oprimidos! Darfhur.

Antigamente havia em mim...

Foto de Mariah-Olhares



Antigamente havia em mim um nome gravado a fogo e eu
morria por ele. Eu fechava os olhos e o nome pedia-me a luz,
a manhã, a música. Antigamente eu imaginava a delicadeza,
as florestas, os bosques reduzidos ao silêncio pelos subterrâneos

da tarde, e ser tocado no rosto era ser ferido por uma imensa
beleza, pelos olhos da planície, como um animal adormecido,
como um lugar onde deitar a cabeça e adormecer sonhando
com o deserto. No deserto eu estava a salvo, caminhando nos

declives e havia palavras imensas, palavras como o trigo e o mar
e as raízes e os relâmpagos e um rosto e os campos do Outono
e isso era como ficar cego no meio da luz estremecendo entre
as poeiras, as cores da manhã, as veredas dos bosques. E eu olho

fixamente esse rosto de fogo, toco uma vez essas mãos, amo
demoradamente a distância, comovo-me perdido na sua
voz, enquanto passa no mundo uma estranha ventania.



Francisco José Viegas

sábado, setembro 29, 2007

Uma noite com... Che Guevara





Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário.

(Che Guevara)



No dia 8 de Outubro completam-se 40 anos sobre o assassinato de Che Guevara, na Bolívia.

No dia 13 de Outubro próximo, Movimentum - Arte e Cultura em colaboração com o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, apresenta "Uma Noite com... Che Guevara", com a participação de Albino Santos, Carlos Andrade, Fernando Fernandes, Fernando Peixoto, Maria Mamede e Roberto Merino.





Não esquecer:

"Uma noite com... Che Guevara"


Sábado, 13 Outubro 07

21,30 horas

ANFITEATRO DO GDM FLOR DE INFESTA

Rua Padre Costa, 118

4465 S. Mamede Infesta


Hasta Siempre, Comandante Che Guevara

Aprendimos a quererte
Desde la historica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso cerco a la muerte

Estribillo:

Aqui se queda la clara
La entraniable transparencia
De tu querida presencia
Comandante Che Gevara

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa

Estribillo

Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo Santa Clara
Se despierta para verte

Estribillo

Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con Cuba te decimos
Hasta Siempre, Comandante

sexta-feira, setembro 28, 2007

Mais uma noite, amor

Foto de Alina Lebedeva





Mais uma noite, amor. Ao recordar-te
retomo os fins do mundo, a cinza, os dias
manchados de outras lágrimas. Sabias
como eu a cor das sombras, essa arte

que nos engana agora e se reparte
por esquinas e cafés. Já não me guias
os muitos passos vãos, as fantasias
da minha falsa vida. Vou deixar-te

fugindo-me. Na chuva, sem ninguém,
apenas alguns vultos, o que vem
«e dói não sei porquê» - este deserto

onde te vejo, imagem outra vez,
até de madrugada. O que me fez
sentir o muito longe aqui tão perto?



Fernando Pinto do Amaral

quinta-feira, setembro 27, 2007

Sê suave no pisar...

Foto de Sergey Rizhkov



Tivesse eu os tecidos bordados dos céus,

Lavrados com a prata e o ouro da luz,

Os tecidos azuis e foscos e de breu

Que têm a noite, a luz e a meia-luz

Estenderia esses tecidos a teus pés:

Mas eu, porque sou pobre, apenas tenho sonhos;

São os meus sonhos que eu estendi a teus pés;

Sê suave no pisar, que pisas os meus sonhos.



YEATS


"William Butler Yeats nasceu em 13 de junho de 1865, em Dublin, Irlanda, onde se desenvolveu em um meio culto e criativo. Poeta e autor teatral, Prêmio Nobel (1923) de Literatura. Foi o representante máximo do Renascimento irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX.Faleceu em 1939"

terça-feira, setembro 25, 2007

Dilema

Foto de Gary Whalen



Você passou por mim despercebida,
Levando em cada passo uma saudade.
E ao perceber tamanha realidade,
Fui definhando em toda a minha vida.

As ilusões, os sonhos, na verdade
Você levou em rápida corrida...
Restando uma lembrança dolorida,
Desse romance morto em tenra idade.

No mais, tudo passou rapidamente.
Você partiu precipitadamente,
Deixando esse vazio que ficou...

E ao relembrar o nosso antigo ninho,
Sinto esse medo de ficar sozinho,
Sem mesmo nem saber quem hoje sou!



Alberes Cunha

segunda-feira, setembro 24, 2007

O meu amor não cabe num poema





O meu amor não cabe num poema ― há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo;
são como corpos desencontrados da sua arquitectura
os quartos que os gestos não preenchem.

O meu amor é maior que as palavras; e daí inútil
a agitação dos dedos na intimidade do texto ―
a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías
nem a candura a mão que protege a chama que estremece.

O meu amor não se deixa dizer ― é um formigueiro
que acode aos lábios com a urgência de um beijo
ou a matéria efervescente os segredos; a combustão
laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios
de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo,
ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo.

O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras
com a nudez do teu nome ― é um fantasma que estrebucha
no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas.
Um verso que o vestisse definharia sob a roupa
como o esqueleto de uma palavra morta. nenhum poema
podia ser o chão a sua casa.



Maria do Rosário Pedreira

quinta-feira, setembro 20, 2007

Carta de Amor

Foto de Matthew Bowden



Para te dizer tão-só que te queria
Como se o tempo fosse um sentimento
bastava o teu sorriso de um outro dia
nesse instante em que fomos um momento.

Dizer amor como se fosse proibido
entre os meus braços enlaçar-te mais
como um livro devorado e nunca lido.
Será pecado, amor, amar-te demais?

Esperar como se fosse (des) esperar-te,
essa certeza de te ter antes de ter.
Ensaiar sozinho a nossa arte
de fazer amor antes de ser.

Adivinhar nos olhos que não vejo
a sede dessa boca que não canta
e deitar-me ao teu lado como o Tejo
aos pés dessa Lisboa que ele encanta.

Sentir falta de ti por tu não estares
talvez por não saber se tu existes
(percorrendo em silêncio esses altares
em sacrifícios pagãos de olhos tristes).

Ausência, sim. Amor visto por dentro,
certezas ao contrário, por estar só.
Pesadelo no meu sonho noite adentro
quando, ao meu lado, dorme o que não sou.

E, afinal, depois o que ficou
das noites perdidas à procura
de um resto de virtude que passou
por nós em co(r)pos de loucura?
Apenas mais um corpo que marcou
a esperança disfarçada de aventura...

(Da estupidez dos dias já estou farto,
das noites repetidas já cansado.
Mas, afinal, meu Deus, quando é que parto
para começar, enfim, este meu fado?)

No fim deste caminho de pecados
feito de desencontros e de encantos,
de palavras e de corpos já usados
onde ficamos sós, sempre, entre tantos...

Que fique como um dedo a nossa marca
e do que foi um beijo o nosso cheiro:
Tesouro que não somos. Fique a arca
que guarde o que vivemos por inteiro.


Fernando Tavares Rodrigues


(Fernando Jácome de Castro Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa, no dia 7 de Março de 1954. Professor universitário, sociólogo e escritor, faleceu em Lisboa, no dia 1 de Março de 2006.

Formado pela Universidade Nova de Lisboa em Ciências Humanas e Sociais (Economia e Sociologia), estudou também Comunicação Social e preparou tese de doutoramento em Ciências da Informação e da Comunicação, no Instituto de Psicologia Social Louis Pasteur, em Estrasburgo.

Interessou-se também pela carreira diplomática acabando, porém, por se iniciar no jornalismo em 1974. Como jornalista ingressou em 1974 no Diário Popular tendo, posteriormente, transitado para o Correio da Manhã, mas é ao ensino que dedica grande parte do seu tempo, assim como actividade literária, especialmente à poesia.
Publicou diversos livros, entre os quais, "Memórias de corpo inteiro", "(Ur)gente", "(A)mar", "Concerto para uma voz", "Talvez amanhã", "Depois do amor" , "O amor (im)possível" e "XXI Sonetos de Amor".

ALVITO - DIA MUNDIAL DO TURISMO E JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO









A Câmara Municipal de Alvito, à semelhança de anos anteriores, preparou um programa de actividades de bastante interesse para comemorar o Dia Mundial do Turismo e as Jornadas Europeias do Património, que integra o programa nacional do IGESPAR, I.P. (ex- IPPAR).

Sob o lema, O Património em Diálogo, foi elaborado o programa das comemorações, que pretende divulgar o património nas suas várias dimensões e chamar a atenção de todos para a necessidade de o preservarmos e o valorizarmos enquanto herança de um povo.

Programa

27 de Setembro
Inauguração da Exposição de Fotografia, "Scintille" de Nicola di Nunzio
Centro Cultutal de Alvito, às 18h00

29 Setembro
Concerto com Coro Polifónico de Almada
Igreja Matriz de Alvito às 18h00

30 Setembro
Inauguração do Percuso Pedestre "Rota de Sant'Águeda"
Praça da República de V.N.Baronia às 8h30
(haverá transporte de Alvito para V.N. Baronia às 8h15, na Praça da República)

30 de Setembro e 1 de Outubro
Jornadas sobre Olivais e Azeites
Centro Cultural de Alvito

domingo, setembro 16, 2007

Seus olhos tão negros...

Foto de Alex Krivtsov



Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece
Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co'um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.


Gonçalves Dias

sexta-feira, setembro 14, 2007

Desafio





Desafio lançado por Jorge Vicente, Amoralva:

1- Pegar no livro mais próximo

2- Abri-lo na página 161

3- Procurar a 5ª frase completa

4- Colocar a frase no blog

5- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)

6- Passar o desafio a 5 pessoas

"E andei eu a viver a morte que vivia disfarçada em amor na minha cela!"

(Miguel Torga, Antologia Poética, pg. 161

As 5 pessoas:

CARTAS SEM VALOR

O BOM GIGANTE

MARIA

ESTRANHOS DIAS E CORPO DE DELITO

FUNDAMENTALIDADES

Poema do regresso

Foto de Stanmarek (One Photo)


Venho do fundo escuro de uma noite implacável,
e contemplo os astros com um gesto de assombro.
Ao chegar à tua porta me confesso culpável,
e uma pomba branca se me pousa no ombro

Meu coração humilde se detém em tua porta,
com a mão estendida como um velho mendigo;
e teu cachorro me late de alegria na horta,
porque, apesar de tudo segue sendo meu amigo.

Ao fim cresceu o roseiral aquele que não crescia
e agora oferece suas rosas atrás da grade de ferro;
Eu também hei mudado muito desde aquele dia,
pois não tem estrelas as noites do exílio.

Talvez tua alma está aberta atrás da porta fechada;
porém ao abrir tua porta, como se abre a um mendigo,
olha-me docemente, sem perguntar-me nada,
e saberás que não hei voltado... porque estava contigo.



José Angel Buesa
Tradução Maria Teresa Almeida Pina

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...