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Aldeia





Nove casas,

duas ruas,

ao meio das ruas

um largo,

ao meio do largo

um poço de água fria.

Tudo isto tão parado

e o céu tão baixo

que quando alguém grita para longe

um nome familiar

se assustam pombos bravos

e acordam ecos no descampado

(Manuel da Fonseca in Planície)

Comentários

paper life disse…
:)

Total coincidência, Lumife!

Espantosa sintonia!

Belo poema do grande Manuel da Fonseca.

Bjs. :)
wind disse…
Lindo poema e verdadeiro:) beijos e bom fim de semana
batista filho disse…
À proporção que cada um de nós fala da própria aldeia, percebemos quanta coisa, quanto sentimento é comum à todos, e isso é bom, não achas? Coisas novas nos são apresentadas, criam-se laços. # Gostei de conhecer Manuel da Fonseca, gostei de aportar no teu cantinho tão aconchegante. # Grato pela visita. Um abraço fraterno.
Desculpe lá a ousadia, compadre, mas o último verso do poema deverá ser "e acordam ecos no descampado" e não "e acordam ecos de descampado"
Lumife disse…
Joaquim Filipe Mósca agradeço a visita e a rectificação. Um erro de revisão indesculpável. Volte sempre pois pode ser necessário noutras faltas.Bom fim de semana.
Lumife disse…
Batista Filho obrigado pela visita. São pequenas coisas como a nossa aldeia que nos preenchem, nos alimentam o espírito nos alegram neste mundo frio e desumano.Bom fim de semana. Um abraço.
Lumife disse…
maker

Ando na pesquisa de Homens e Mulheres do Alentejo que se evidenciaram em qq ramo de cultura.

Bom fim de semana.

Bjs.
Lumife disse…
wind fico satisfeito por gostares.

Um bom fim de semana.

Bjs.

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.
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.
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.
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