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À Beleza








Não tens corpo, nem pátria, nem familia,

Não te curvas ao jugo dos tiranos.

Não tens preço na terra dos humanos,

Nem o tempo te rói.

És a essência dos anos,

O que vem e o que foi.



És a carne dos deuses,

O sorriso das pedras,

E a candura do instinto.

És aquele alimento

De quem, farto de pão, anda faminto.



És a graça da vida em toda a parte,

Ou em arte,

Ou em simples verdade.

És o cravo vermelho,

Ou a moça no espelho,

Que depois de te ver se persuade.



És um verso perfeito

Que traz consigo a força do que diz.

És o jeito

Que tem, antes de mestre, o aprendiz.



És a beleza, enfim. És o teu nome.

Um milagre, uma luz, uma harmonia,

Uma linha sem traço...

Mas sem corpo, sem pátria e sem família,

Tudo repousa em paz no teu regaço.



À Isabel Filipe que me ofereceu a imagem que abre o post de hoje retribuo com todo o carinho ofertando este poema de Miguel Torga.



Comentários

O Turista disse…
O "Turistar" faz 1 ano...
:)
Há bolo! Aparece...

o Turista - www.turistar.blogspot.com
Isabel-F. disse…
Oi Lumife...

Bom dia...
e Obrigada... fiz com carinho...
o poema é lindissimo... Torga é um dos meus escritores favoritos... apaixonei-me por ele quando li a obra "A Criação do Mundo"...são vários volumes...todos fantásticos..

1 beijo
batista filho disse…
Beleza de poema, beleza de imagem! Parabéns aos 3: Torga, Isabel e Lumife.
paper life disse…
Que belo presente ofereces à Isabel que desconheço, mas por certo o merece!

Lindo.

Beoijos

:)
wind disse…
Lindo:))))) beijos
Nilson Barcelli disse…
Boa combinação, isto é, texto e imagem estão em sintonia, o que não é fácil.
O Torga já se consagrou e nem comento, mas a Isabel foi uma agradável descoberta que fiz há uns meses. Ela é mesmo uma Artista.
Abraço.
Cristina disse…
Olá lumife,

O poema é lindissimo e acompanhado com a arte da Isabel ainda mais lindo fica

:)
Beijinhuu

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