A JANGADA


Gostava de fazer uma jangada
Com os destroços do meu barco à vela,
Meter-me ao Mar, e, em lírica jornada,
Beber a Luz da minha antiga estrela.


Fugir de toda a gente, não ter nada,
Senão os próprios olhos fixos nela,
Alheio mesmo aos golpes da nortada
Que os mares e os lagos encapela.


E fui ao Mar. Nas ondas, uma a uma,
Busquei e rebusquei, sofregamente,
Os restos dessa antiga embarcação.


Não trouxe mais que uns frémitos de espuma,
E alguns punhados dessa areia ardente
Onde se perde a voz do coração!




(António Celso in Asas Cinzentas)

Comentários

sonhos sonhados disse…
Lumife

...que saudades!
sou mesmo eu.
aqui...
em casa...
que bom.

jinhux létinha.

*para a próxima quero ir ao jantar.
Kalinka disse…
LUMIFE
Ah, como eu gostava de fazer uma jangada, meter-me ao Mar, fugir de toda a gente, não ter nada...
E fui ao Mar. Nas ondas, uma a uma,
Busquei e rebusquei, sofregamente,
aquilo que mais necessito na Vida: Paz e Amor!

O menino anda esquecido do meu kalinka...tenho feito umas reportagens, mas, não vai lá dizer nada, fico tristinha. Beijo.
Lumife disse…
Sonhos sonhados e Kalinka

Estou voltando e visitando.

Beijos
wind disse…
Escolhes poemas lindíssimos:) beijos

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