OLHARES




Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já ,
Como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei sem ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota, Que nos importa, aos dois, ir sem destino?


Poema de Álvaro Feijó (1916-1941)


Foto de Alberto Calheiros-1000 Imagens

Comentários

jorge vicente disse…
o amor é sempre eterno, meu caro amigo

um abraço
jorge
MARIA disse…
Triste, Belo, Eterno, como só tu, Anigo, o sabes dizer.
Pois que sentir : sente "quem lê" !
Um beijinho
Maria
Isabel-F. disse…
um belo poema de amor ...


bjs
Papoila disse…
O destino é onde houver palavras de aconchego...
hoje este foi o meu destino.

beijos
BF
sashacores disse…
Não conhecia, mas gostei bastante.

Convido-te a passares por www.sashacores.wordpress..com

Beijinho
Clitie

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