DIZ-ME O TEU NOME




Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira


Comentários

Paula Raposo disse…
Bonito poema...beijos.
Baby disse…
E o seu nome é poesia, que se cola a nós e jamais se esquece, como se um corpo fosse.

Beijos.
Miminho do bebé disse…
Que lindos poemas,que romãntico que este homen é.

beijinhos
Lapa disse…
que ricas maminhas que ela tem...

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