Sobre os cadernos da escola Sobre a carteira e as árvores Sobre a areia sobre a neve Escrevo o teu nome
Sobre as páginas já lidas Sobre as páginas em branco Pedra papel sangue ou cinza Escrevo o teu nome
Sobre as imagens douradas Sobre as armas dos guerreiros Sobre a coroa dos reis Escrevo o teu nome
Sobre a floresta e o deserto Sobre os ninhos e as giestas Sobre o meu eco da infância Escrevo o teu nome
Sobre os encantos das noites Sobre o pão branco dos dias Sobre as estações mescladas Escrevo o teu nome
Sobre os meus trapos de azul Sobre o tanque sol melado Sobre o lago lua viva Escrevo o teu nome
Sobre os campos e o horizonte E sobre as asas dos pássaros Sobre o moinho das sombras Escrevo o teu nome
Sobre a sopro duma aurora Sobre o mar e sobre os barcos Sobre a montanha demente Escrevo o teu nome
Sobre as espumas de nuvens Sobre o suor da tormenta Sobre a chuva espessa e vã Escrevo o teu nome
Sobre as formas cintilantes E sobre os sinos das cores Sobre a verdade palpável Escrevo o teu nome
Sobre as veredas traçadas Sobre as estradas desertas Sobre as praças trasbordantes Escrevo o teu nome
Sobre a lâmpada que acende Sobre a lâmpada apagada Sobre as minhas casas juntas Escrevo o teu nome
Sobre o fruto dividido Entre o meu espelho e o meu quarto Na concha aberta do leito Escrevo o teu nome
Sobre o cão terno e guloso Nas suas orelhas tensas Na sua pata sem tino Escrevo o teu nome
Sobre o meu degrau da porta Sobre os objectos da casa Sobre as labaredas vivas Escrevo o teu nome
Sobre a carne concedida Sobre a fronte dos amigos Sobre cada mão estendida Escrevo o teu nome
Sobre o vitral das surpresas Sobre os lábios expectantes Muito acima do silêncio Escrevo o teu nome
Sobre os meus refúgios gastos E os faróis desmoronados Nas paredes que me enfadam Escrevo o teu nome
Sobre a ausência sem desejo Sobre a solidão despida E sobre os degraus da morte Escrevo o teu nome
Sobre a saúde que volta E o perigo que já passou Sobre a esperança esquecida Escrevo o teu nome
Com o poder duma palavra Eis que recomeço a vida Eu nasci para te aprender Para te invocar
Liberdade
* * * (Tradução feita por Carlos Domingos na Cadeia do Forte de Peniche, em Setembro de 1973)
Eugéne Grindel ( PAUL ELUARD) nasceu em 1895 em Saint Denis (França). Em 1952 morre em Paris. Quando se dá a Segunda Guerra Mundial uniu-se à Resistência com as armas que tinha, a poesia sendo por isso perseguido pela gestapo.
LIBERTÉ foi escrito em 1942 durante a ocupação da França pelos nazis.
não sei comentar. sei que gostei,que todos gostamos de liberdade. mas nunca deveremos deixar de pensar que embora bela, saudavél,reconfortante, tem limites. limites que muitos esquecem e assim deturpam a linda palavra.LIBBERDADE
12 comentários:
Espectacular!
beijos
não sei comentar.
sei que gostei,que todos gostamos de liberdade.
mas nunca deveremos deixar de pensar que embora bela, saudavél,reconfortante, tem limites.
limites que muitos esquecem e assim deturpam a linda palavra.LIBBERDADE
Olá Lu...
Um lindo post...
E vc como está? Saudades...
Beijo super especial na Carolzinha e outro a ti...
Grande escolha, grande mesmo. Bom fim de semana
desejo um bom fim d semana. Abraço
Olá querido amigo!
Este poema é muito bem cantado por Cristina Branco no seu "Ulisses".
Apetece ouvir!
Beijinhos nossos para vós todos (incluindo Carolina, claro!)
Mais uma vez fico impávida e serena
com o que acabei de ler!!
Obrigada Lumife!
Um bom fim de semana...e beijinhos para a bébé mais linda
que já vi!
Bjs com todo o respeito.......
Maria
Excelente, amigo. É sempre bom o pretexto para cantar a Liberdade...
E reler Paul Eluard! Abraços
Passei para apreciar esta página agradável, que me atrai pela sua qualidade e desejar bom fim-de-semana. Até breve.
Um dia a Pide passou lá por casa para uma visita longa.
Tinha esse poema num gravador de fita dito em francês.
Difícil de esquecer...
:)
BOm Domingo
Que bom alguém recordar aqui Eluard, poema grande da resistência e tb companheiro dos grandes do movimento surrealista francês.
Bjs
TD
Obrigado por me apresentares este poema. Belissimo
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