
sexta-feira, agosto 24, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
NOCTURNO

O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele...Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...
Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...
Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas....
Imaginei-te assim á beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...
Poema de David Mourão Ferreira
Foto de Oleg Kosirev
terça-feira, agosto 21, 2007
OLHARES

Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já ,
Como a alguém que se espera a cada instante.
Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.
E viverei sem ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora
Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota, Que nos importa, aos dois, ir sem destino?
Poema de Álvaro Feijó (1916-1941)
Foto de Alberto Calheiros-1000 Imagens
sábado, agosto 18, 2007
PEDRO, LEMBRANDO INÊS

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer:"Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?"Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste.
NUNO JÚDICE in Pedro Lembrando Inês
Foto de Carla Salgueiro
sexta-feira, agosto 17, 2007
A VIAGEM DEFINITIVA

Ir-me-ei embora. E ficarão os pássaros
Cantando.
E ficará o meu jardim com sua árvore verde
E o seu poço branco.
Todas as tardes o céu será azul e plácido,
E tocarão, como esta tarde estão tocando,
Os sinos do campanário.
Morrerão os que me amaram
E a aldeia se renovará todos os anos.
E longe do bulício distinto, surdo, raro
Do domingo acabado,
Da diligência das cinco, das sestas do banho,
No recanto secreto do meu jardim florido e caiado
Meu espírito de hoje errará nostálgico...
E ir-me-ei embora, e serei outro, sem lar, sem árvore
Verde, sem poço branco,
Sem céu azul e plácido...
E os pássaros ficarão cantando.
JUAN RAMÓN JIMÉNEZ (1881 – 1958)
(Prémio Nobel da Literatura 1965)
Tradução: Manuel Bandeira
Foto de Terje Trobe
quinta-feira, agosto 16, 2007
NÃO PASSARÃO ! -Miguel Torga

NÃO PASSARÃO
Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!
Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.
Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.
Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!
Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!
Miguel Torga in Poemas Ibéricos, 1965
quarta-feira, agosto 15, 2007
No tempo em que éramos felizes...

no tempo em que éramos felizes não chovia.
levantávamo-nos juntos, abraçados ao sol.
as manhãs eram um céu infinito. o nosso amor
era as manhãs. no tempo em que éramos felizes
o horizonte tocava-se com a ponta dos dedos.
as marés traziam o fim da tarde e não víamos
mais do que o olhar um do outro. brincávamos
e éramos crianças felizes. às vezes ainda
te espero como te esperava quando chegavas
com o uniforme lindo da tua inocência. há muito
tempo que te espero. há muito tempo que não vens.
José Luis Peixoto
(A criança em ruínas)
Foto de Pascal Renoux
sexta-feira, julho 27, 2007
ALVITO - AMIGOS DO CANTE - NOVA SEDE
No próximo dia 3 de Agosto, pelas 20h, será inaugurada a nova Sede do Grupo Coral “Amigos do Cante” de Alvito.
Este Grupo Coral, fundado em 2002, pelo saudoso José Luís Fragoso, que deu alma também ao grupo da Associação do Grupo de Canto Coral Alentejano de Alvito, tem grande actividade e consegue agora instalar a sua Sede numa antiga taberna de Alvito, (Luís da Venda) depois de algumas obras de melhoramento do espaço, que contaram com o apoio logístico da Câmara Municipal de Alvito.
Sede do Grupo Coral Amigos do Cante
Rua do Salvador nºs 24-26, em Alvito
sábado, julho 21, 2007
ANTÓNIO SARDINHA - POETA DE MONFORTE DO ALENTEJO
Pintura-Jean-Hippolyte Flandrin-1809-1864
VELHO MOTIVO
Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!
O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!
E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!
Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!
Foto Carla Salgueiro
NO DESERTO
Chegaram os camelos junto ao poço,
Quando Rebeca tinha a urna cheia.
Foram momentos esses de alvoroço,
Bem raros de encontrar em terra alheia.
Também meu coração, menino moço,
Nos cardos do caminho se golpeia.
Ouço-te os passos, dentro de alma eu ouço
O eco dos teus passos sobre a areia.
Busquei-te no deserto longamente...
Como Rebeca outrora, condoída,
Surgiste, calma, na poeira ardente.
De ânfora baixa, à boca da cisterna,
Ficaste assim, para toda a tua vida,
Matando a minha sede, que é eterna!
Pintura de Gaudenzio Ferrari
TOADA GÓTICA
Seguem-se os alicornes mansamente,
Pastando neve na montanha azul...
Que a tua mão, Senhora, os apascente
Sem nada que os altere ou que os macule!
O céu, coalhado, tem um ar ausente
Que nem parece o dum país do Sul.
E os alicornes pastam mansamente
— E a neve brilha na montanha azul!
Ondeiam nos pauis fantasmas brancos.
Tal como um sonho que se apaga e esfuma,
Anda a bailar o Inverno nos barrancos.
E tu sorris, atrás dos alicornes...
Ó pastorinha de vitral e bruma,
Que sobre mim a tua graça entornes!
António Maria de Sousa Sardinha (1887-1925) nasceu em Monforte do Alentejo no dia 9 de Setembro, e faleceu em Elvas. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Com Alberto de Mosaraz e Hipólito Raposo, fundou em 1914 a Nação Portuguesa, revista de cariz nacionalista que viria a dar origem ao Integralismo Lusitano. António Sardinha torna-se director em 1922 do diário A Monarquia, defendendo o nacionalismo monárquico. Exilou-se em Espanha após o fracasso do movimento da Monarquia do Norte. Obras poéticas: Tronco Reverdecido (1910), Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1821), Na Corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923), Era uma Vez um Menino (1926), O Roubo da Europa (1931), Pequena Casa Lusitana (1937). Ensaio: O Valor da Raça (1915), Ao Princípio Era o Verbo (1924), Ao Ritmo da Ampulheta (1925), entre outras.
(Informação Projecto Vercial)
sexta-feira, julho 20, 2007
MÁRIO BEIRÃO - POETA DE BEJA
foto João Espinho
CASTELO DE BEJA
Castelo de Beja,
No plaino sem fim;
Já morto que eu seja,
Lembra-te de mim!
Castelo de Beja,
De nuvens toucado;
A luz que te beija
É sol do Passado!
Castelo de Beja,
Espiando o inimigo;
Te veja ou não veja,
Sempre estou contigo!
Castelo de Beja,
Feito de epopeias;
Um sonho flameja,
Nas tuas ameias!
Castelo de Beja,
Subindo, lá vais...
Tu fazes inveja
Às águias reais!
Castelo de Beja,
Lembra-te de mim:
Saudade que adeja,
No plaino sem fim...
foto trekeart
Barros de Beja
Ledos campos de Outrora! em plena festa.
Por onde a minha infância,
Ditosa, decorreu,
Entre fumos de cálida fragrância,
Deslumbramentos, extases do Céu.
Que resta
Desse inefável, em que tudo abria
Em flor e lumes siderais,
Desse inefável de algum dia ?
Vago, indistinto
Sorrir de pôr-do-sol -um sonho extinto...
Uma saudade a desfolhar-se em ais.
Pudesse eu regressar
A mim, volver
Ao intimo do ser,
Ao Anjo em que vivi transfigurado,
De longe em longe, como absorto, a errar...
Plainos de oiro de Beja do Passado,
Da minha clara infância e de outro Mundo,
Libertai-me do sono em que me afundo...
Que eu seja Luz, constelação sagrada,
O' voo para Deus duma «queimada»
Abril de 1960
foto trekeart
Vales de verdes pinos tão sòzinhos
" Vales de verdes pinos tão sozinhos,
Alumiados da graça do Senhor;
E, em arroubos ao Céu, - jardins em flor
De enlaçadas roseiras sem espinhos...
Ermidas onde ajoelham pobrezinhos,
Sorrindo, como Cristo, à própria dor;
Planícies de enigmático torpor
Onde se escutam vagos murmurinhos...
Por ti, meu pensamento é mais profundo
E o meu canto mais alto se alevanta,
Ó Lusitânia, coração do Mundo!
O mar ergue o teu nome em seus delírios!
E, em tardes de milagre, - ó mais que santa,
Sobre o teu corpo o céu desfolha lírios! "
Mário Beirão
Mário Pires Gomes Beirão (1890-1965) nasceu em Beja, na Rua das Portas de Aljustrel, e faleceu em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, exercendo o cargo de conservador do Registo Civil de Mafra. Como poeta, insere-se na corrente do Saudosismo, tendo sido amigo de Teixeira de Pascoaes, Afonso Lopes Vieira, entre outros. Dessa amizade resultou a sua colaboração na revista A Águia. É aliás nessa revista que se estreia como poeta com o poema «As Queimadas» (nº4, de 15 de Janeiro de 1911). Em 1912 publica a plaquette Sintra. Principais obras: O Último Lusíada (1913), Ausente (1915), Lusitânia (1917), Pastorais (1923), A Noite Humana (1928), Novas Estrelas (1940), Mar de Cristo (1957), O Pão da Ceia (1964). Escreveu também a obra inserida na literatura de viagens Oiro e Cinza (1946), Poesias Completas (edição organizada por António Cândido Franco e Luís Amaro, IN-CM, 1997).
(Informação Projecto Vercial)
A paisagem alentejana é uma constante na sua obra poética, sempre convidando a alma à reflexão e à busca do infinito, tornando-se o espaço perfeito para as realizações da sua inspiração. Cria-se aí um espaço idealizado, no qual se manifesta seu lado bucólico-metafísico. Neste cenário coloca-nos o seu gosto pela luz do ocaso, do vento outonal, do culto do vago, da figura espectral e do sentimento da ausência.
(Elementos encontrados em Poesia e Prosa)
quarta-feira, julho 18, 2007
ANRIQUE PAÇO D'ARCOS - UM POETA PORTUGUÊS...
foto de Jean Jacques André
Saudade é querer viver o já vivido,
Querer amar e ter amado já…
Sentindo o coração anoitecido,
Querer beijar a luz que o sol lhe dá.
Saudade é ver fugir o bem perdido,
Não podendo ir com ele onde ele vá;
Ai, saudade afinal é ter nascido
Na certeza que a vida acabará!
Horizontes sem fim, novas paisagens…
Saudade é vago espelho onde as imagens
Têm vida para além da realidade.
Saudade é tudo enfim que me rodeia;
Um relevo de passos pela areia;
A morte, a vida, o amor, tudo é saudade…
foto de Gerhardt Thompsonz
Ó meu saudoso olhar, penumbra triste
Que da alma das coisas se enamora,
Onde o riso se extingue e aonde chora
A lágrima de tudo quanto existe.
Ó meu saudoso olhar, relembra agora
Aquela doce luz que um dia viste
Iluminar-te a vida e que persiste
Em deslumbrar-te ainda, como outrora.
Tudo é silêncio e dor; tudo é saudade.
E lembro o meu amor e o seu encanto,
Os seus olhos de estranha claridade.
Ó meu bendito amor! Bendita luz!
Por quem eu dava a vida e tudo quanto
Além da própria vida me seduz!
foto de Sissi
Esta tristeza que me envolve agora
Nem me deixa sequer pensar em mim…
Cai na terra o silêncio; e nesta hora
A minha dor vai descansar enfim.
O sol ao longe todo o céu colora
De nuvens cor de fogo e de rubim;
E as árvores também, como quem ora,
Rumorejam nas sombras do jardim.
E no silêncio desta tarde linda
Paira na terra uma doçura infinda,
Asas leves de sonho e de agonia…
Morrem ao longe as nuvens incendiadas,
Quando o silêncio e a sombra de mãos dadas
Amortalham a luz, ao fim do dia…
segunda-feira, julho 16, 2007
A MORTE DE MADRUGADA

UMA CERTA madrugada
Eu por um caminho andava
Não sei bem se estava bêbedo
Ou se tinha a morte n’alma
Não sei também se o caminho
Me perdia ou encaminhava
Só sei que a sede queimava-me
A boca desidratada.
Era uma terra estrangeira
Que me recordava algo
Com sua argila cor de sangue
E seu ar desesperado.
Lembro que havia uma estrela
Morrendo no céu vazio
De uma outra coisa me lembro:
... Un horizonte de perros
Ladra muy lejos del río...
De repente reconheço:
Eram campos de Granada!
Estava em terras de Espanha
Em sua terra ensangüentada
Por que estranha providência
Não sei... não sabia nada...
Só sei da nuvem de pó
Caminhando sobre a estrada
E um duro passo de marcha
Que em meu sentido avançava.
Como uma mancha de sangue
Abria-se a madrugada
Enquanto a estrela morria
Numa tremura de lágrima
Sobre as colinas vermelhas
Os galhos também choravam
Aumentando a fria angústia
Que de mim transverberava.
Era um grupo de soldados
Que pela estrada marchava
Trazendo fuzis ao ombro
E impiedade na cara
Entre eles andava um moço
De face morena e cálida
Cabelos soltos ao vento
Camisa desabotoada.
Diante de um velho muro
O tenente gritou: Alto!
E à frente conduz o moço
De fisionomia pálida.
Sem ser visto me aproximo
Daquela cena macabra
Ao tempo em que o pelotão
Se punha horizontal.
Súbito um raio de sol
Ao moço ilumina a face
E eu à boca levo as mãos
Para evitar que gritasse.
Era ele, era Federico
O poeta meu muito amado
A um muro de pedra-seca
Colado, como um fantasma.
Chamei-o: Garcia Lorca!
Mas já não ouvia nada
O horror da morte imatura
Sobre a expressão estampada...
Mas que me via, me via
Porque em seus olhos havia
Uma luz mal-disfarçada.
Com o peito de dor rompido
Me quedei, paralisado
Enquanto os soldados miram
A cabeça delicada.
Assim vi a Federico
Entre dois canos de arma
A fitar-me estranhamente
Como querendo falar-me
Hoje sei que teve medo
Diante do inesperado
E foi maior seu martírio
Do que a tortura da carne.
Hoje sei que teve medo
Mas sei que não foi covarde
Pela curiosa maneira
Com que de longe me olhava
Como quem me diz: a morte
É sempre desagradável
Mas antes morrer ciente
Do que viver enganado.
Atiraram-lhe na cara
Os vendilhões de sua pátria
Nos seus olhos andaluzes
Em sua boca de palavras.
Muerto cayó Federico
Sobre a terra de Granada
La tierra del inocente
No la tierra del culpable.
Nos olhos que tinha abertos
Numa infinita mirada
Em meio a flores de sangue
A expressão se conservava
Como a segredar-me: A morte
É simples, de madrugada...
Vinicius de Moraes
domingo, julho 15, 2007
MOMENTOS DE EXCELÊNCIA

Há momentos excelentes na nossa vida.
A generosidade de Maria Valadas-PALAVRAS AO VENTO atribuiu-nos o selo "MOMENTOS DE EXCELÊNCIA, contribuindo assim para um desses momentos.
Não habituado a tais "mimos" não posso deixar, no entanto, de agradecer a intenção da amiga Maria Valadas, ela sim merecedora de tudo que premeie a sua obra bem patente no blog PALAVRAS AO VENTO.
Retribuo com um beijo amigo.
Como é da praxe vou oferecer o mesmo selo a alguns dos blogs que me têm dado momentos excelentes:
--ALICIANTE
--PRAÇA DA REPÚBLICA EM BEJA
--VIDAS
--WEB CLUB
--ART & DESIGN DE ISABEL FILIPE
--A DESENHAR
--ALENTEJANICES
--AVEC LE TEMPS
--BARÃO DA TRÓIA II
--POLIEDRO
--POESIA PORTUGUESA
--ESTRANHOS DIAS E CORPO DO DELITO
--CABANA DE PALAVRAS
--ESCRITOS OUTONAIS
--FANTASIAS
--GASTR'EAT
--SULISTA
sábado, julho 14, 2007
RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
Foto de Piotr Kovalik
sexta-feira, julho 13, 2007
A INVENÇÃO DO AMOR

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor
Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana
Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo
Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia
Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade
É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas
Fechem as escolas Sobretudo
protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade
Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas
...
É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
lhe lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta
...
Procurem a mulher o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência
Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua
DANIEL FILIPE
Em 1925 nasceu Daniel Damásio Ascensão Filipe na ilha da Boavista, em Cabo Verde.
Ainda criança, veio para Portugal onde fez os estudos liceais. Poeta, foi colaborador nas revistas Seara Nova e Távola Redonda, entre outras publicações literárias. Combateu a ditadura salazarista, sendo perseguido e torturado pela PIDE.
Num curto espaço de tempo, a sua poesia evoluiu desde a temática africana aos valores neo-realistas e a um intimismo original que versa o indivíduo e a cidade, o amor e a solidão.
Faleceu em 1964 em Cabo Verde.
Foto de Valeriy Velikov-Photo.Net
quinta-feira, julho 12, 2007
"PARAÍSO"

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão-Ferreira
Foto: Deviantart-Wondershine
quarta-feira, julho 11, 2007
QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa
que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu,
trazem entre as penas a saudades de um verão carregado
de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas
brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me
a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem
toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos
como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois
os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar
para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu, estrelas
que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol,
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor.
Maria do Rosário Pedreira
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade Clássica de Lisboa (1981). Possui ainda o curso de Língua e Cultura do Instituto Italiano de Cultura em Portugal, tendo sido bolseira do governo italiano e frequentado um curso de verão na Universidade de Perugia. Frequentou durante quatro anos o Goethe Institut, foi professora do Ensino Básico, fez algumas traduções, proferiu conferências, etc.
Foto: Artwork 61
photography J. Barthelmes
terça-feira, julho 10, 2007
De onde me chegam estas palavras?

De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência
Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto doía no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.
E não havia um nome para a tua ausência.
Mas tu vieste.
Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?
Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.
Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.
Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.
JOAQUIM PESSOA
Joaquim Pessoa canta o mundo, o tempo o amor e o ser como se a vida não fosse possível sem a palavra a circular no sangue.
Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 22 de fevereiro de 1948. Iniciou a carreira no Suplemento Literário Juvenil, do Diário de Lisboa. O seu primeiro livro veio a público em Março de 1975. Ao último original foi atribuído o Prémio de Poesia de 1981 da Secretária de Estado da Cultura. Segundo o poeta e ensaísta David Mourão Ferreira "o largo sopro de muitos dos seus poemas faz de Joaquim Pessoa um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente capazes de comunicar com um vasto publico"
Foto da Galerie von Karl-Heinz L.-
domingo, julho 08, 2007
NOITE

Noites africanas langorosas,
esbatidas em luares...,
perdidas em mistérios...
Há cantos de tungurúluas pelos ares!...
Noites africanas endoidadas,
onde o barulhento frenesi das batucadas,
põe tremores nas folhas dos cajueiros...
Noites africanas tenebrosas...,
povoadas de fantasmas e de medos,
povoadas das histórias de feiticeiros
que as amas-secas pretas,
contavam aos meninos brancos...
E os meninos brancos cresceram,
e esqueceram
as histórias...
Por isso as noites são tristes...
Endoidadas, tenebrosas, langorosas,
mas tristes... como o rosto gretado,
e sulcado de rugas, das velhas pretas...
como o olhar cansado dos colonos,
como a solidão das terras enormes
mas desabitadas...
É que os meninos brancos...,
esqueceram as histórias,
com que as amas-secas pretas
os adormeciam,
nas longas noites africanas...
Os meninos-brancos... esqueceram!...
1948-Outubro (Poemas1966)
Poema de:
ALDA LARA
(Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das actividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia.
Óleo sobre tela - Perturbação na Floresta - Pintura de
MALANGATANA
Nasceu em Matalana, em 1936. Estudou na Escola da Missão Suiça de Matalana e na Escola da Missão Católica de Ntsindya, em Bulaze. Depois de obter o diploma da 3ª classe rudimentar, vai para Lourenço Marques (Maputo). Em 1958 frequentou o Núcleo de Arte onde conhece o pintor Zé Júlio, que o apoia. Em 1961 efectuou a sua primeira exposição individual. Em 1971 foi bolseiro da Gulbekian em gravura e cerâmica. Recebe a Medalha Nachingwea pela contribuição dada à cultura Moçambicana. Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Está representado em museus, galerias e colecções particulares em todo o Mundo. As suas obras estão presentes no M'Bari de Oshogbo, Nigéria, no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa, no Museu Nacional de Luanda, na National Gallery of Comtamporany Art de Nova Deli, na National Art Gallery de Harare, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, na colecção do Partido Comunista Português, no Museu Nacional de Arte de Moçambique e em inúmeros países, de Cabo Verde à Nigéria, da Bulgária à Suíça, dos Estados Unidos ao Uruguai, Na Índia e no Paquistão.
sexta-feira, julho 06, 2007
Maria

Tenho cantado esperanças…
Tenho falado d' amores…
Das saudades e dos sonhos
Com que embalo as minhas dores…
E eu cuidei que era poesia
Todo esse louco sonhar…
Cuidei saber o que é vida
Só porque sei delirar…
Eram fantasmas que a noite
Trouxe, e o dia levou…
À luz da estranha alvorada
Hoje minha alma acordou!
Esquece aqueles cantos…
Só agora sei falar!
Perdoa-me esses delírios…
Só agora soube amar
[Poema"Maria" de Antero de Quental]
Foto Oleg Kosirev
segunda-feira, julho 02, 2007
ALVITO - A FESTA DO BARÃO
A Festa do Barão foi um êxito. Tanto na condução e realização do espectáculo a cargo da Vivarte, como na parte gastronómica da responsabilidade da Escola Profissional de Alvito.
O Sector de Turismo da Câmara Municipal de Alvito está de parabéns por ter conseguido levar a efeito com brilhantismo este evento.
Centenas de pessoas aqui se deslocaram e com agrado geral assistiram a esta Festa do Barão.
Aguardemos a próxima edição.
NOTA: Para ver diversas fotos da Festa do Barão visite o blog ALVITO-BAIXO ALENTEJO
quinta-feira, junho 28, 2007
SONDAGEM

O portal digital Guia de Portugal está a promover uma sondagem que visa avaliar a actuação dos diferentes Municípios.
Visitei e vi as votações interessantes já conseguidas nos diversos municípios. VOTE se assim entender.
segunda-feira, junho 25, 2007
O MONTADO

"O Montado
Foi o meu local de brincadeiras em criança, o meu mundo onde me inventava e reinventava sempre. Nunca lá brinquei sozinho, gerações de aves e outros animais bravios foram meus companheiros e adversários ocasionais. À sombra dos seus sobreiros, principalmente do mais altaneiro, ainda hoje ouço o rumor da aldeia ao fim da tarde. As memórias estão vivas e o meu desejo de regresso é eterno e crescente. Ao meu Alentejo que me viu nascer e que amo de maneira desmedida, louca, eterna..."
Uma visita a este blog e ficará leitor habitual. CLIQUE AQUI
sexta-feira, junho 22, 2007
quinta-feira, junho 21, 2007
29 de Junho - A FESTA DO BARÃO
Olá caro Amigo (a)!
Estamos à sua espera e à espera da sua família para a Festa do Barão a 29 de Junho!!
Venha!
Terá muita Animação pela companhia de Teatro VIVARTE: torneio a cavalo, falcoaria, dança do ventre, coros e um excelente
repasto à maneira da época (da responsabilidade da Escola Profissional de Alvito), conforme segue:
I Serviço: Omeletas de Ervas Campaniças com Braseado de Cenouras
II Serviço: Caldo de Carne com Boletos aromatizados de Alecrim
III Serviço: Cozido de Couves do Lameiro com Frescas Salsichas, Maçãs e seus
Adubos
IV Serviço: Alcatra de Boi Agridoce com Molho de Coríntios/Bolas de Pão com
Ameixas cozidas em Caldo aromático
V Serviço : Fradinhos Hospitaleiros; Manjar do Barão em Covilhete de Pêra;
Frutas Frescas da Horta do Barão
Bebidas: Vinho, Groselha, Água
A Festa começa por volta das 19h00 e prosseguirá até cerca da meia-noite, sempre com "bailias e folias, comeres e beberes", tudo à moda das Terras da Baronia!
Se necessitar de qualquer esclarecimento complementar, por favor não hesite em contactar-nos.
As inscrições são até dia 22 para o Posto de Turismo: Tel.: 284 485 440 ou
para o email: turismo@cm-alvito.pt
As indicações referentes ao pagamento serão facultadas pelo P.Turismo aquando do acto da inscrição.
Venha à Festa, pois vai valer a pena!
terça-feira, junho 05, 2007
LENDO O EXPRESSO...

UMA EXPLICAÇÃO PARA O DECLÍNIO DO BLOGSPOT
A opinião pública expressa-se na web sobretudo através dos blogues e o Blogspot tem um papel fundamental. Mas tem vindo a perder notoriedade. Ganham alguma coisa os sistemas concorrentes, mas cresce sobretudo a tendência para publicar debaixo de uma marca própria, diferenciada.
(Paulo Querido)
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EXAMES
MAIS DE MIL PORTUGUESES CONCORREM A UNIVERSIDADES EM ESPANHA
Abriu este fim-de-semana mais uma época de caça à vaga nas universidades espanholas. Os candidatos portugueses sonham, sobretudo, com Medicina.
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DENÚNCIA
BARREIROS QUER INVESTIGAÇÃO À "CUMPLICIDADE" ENTRE MINISTÉRIO PÚBLICO E AUTARCAS
O advogado José António Barreiros quer que o Ministério Público investigue as denúncias de "amizade e cumplicidade" entre procuradores que prestam serviço nas comarcas do interior e os respectivos autarcas locais, tal como foi denunciado pelo fiscalista Saldanha Sanches na última edição da revista 'Visão'. José António Barreiros entregou, esta segunda-feira, uma denúncia no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), fazendo referência a eventuais crimes de prevaricação e abuso de poder que podem estar em causa no alegado relacionamento próximo.
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ESTADOS UNIDOS QUEBRAM ACORDO DAS LAGES
Americanos abrem 40 vagas na base aérea para as quais não podem concorrer portugueses, violando o acordo de cooperação e defesa com Portugal.
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segunda-feira, junho 04, 2007
HOJE EU RECEBI FLORES...
Foto de Art E Design De Isabel Filipe
Não é o meu aniversário ou nenhum outro dia especial; tivemos a nossa primeira discussão ontem à noite e ele me disse muitas coisas cruéis que me ofenderam de verdade.
Mas sei que está arrependido e não as disse a sério, porque ele me enviou flores hoje.
Ontem ele atirou-me contra a parede e começou a asfixiar-me. Parecia um pesadelo, mas dos pesadelos acordamos e sabemos que não é real. Hoje acordei cheia de dores e com golpes em todos os lados.
Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje. E não é São Valentim ou nenhum outro dia especial.
Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me. Nem a maquiagem ou as mangas compridas poderiam ocultar os cortes e golpes que me ocasionou desta vez. Não pude ir ao emprego hoje porque não queria que se apercebessem.
Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje.
E não era o dia da mãe ou nenhum outro dia.
Ontem à noite ele voltou a bater-me mas desta vez foi muito pior. Se conseguir deixá-lo, o que é que eu vou fazer?
Como poderia eu sozinha manter os meus filhos?
O que acontecerá se faltar o dinheiro?
Tenho tanto medo dele! Mas dependo tanto dele que tenho medo de o deixar.
Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje.
Hoje é um dia muito especial.
É o dia do meu funeral.
Ontem finalmente conseguiu matar-me.
Bateu-me até eu morrer.
POR UMA VIDA SEM VIOLÊNCIA
Alertas (se fores vítima...se fores testemunha)
Não tenhas medo de denunciar!!
Em Portugal ligar em caso de urgência 800202148.
Apresentar queixa às autoridades competentes.
Pedir apoio à APAV- Associação de Apoio à Vítima ou ligar 707200077 - Podes também enviar um email: apav.sede@apav.pt
No Brasil acesse:http://www.ipas.org.br/violencia.html
ou ligue para o número 180 ( atendimento Nacional).
sexta-feira, junho 01, 2007
quarta-feira, maio 30, 2007
domingo, maio 27, 2007
LENDA DO MILAGRE DE OURIQUE

A Batalha de Ourique é um episódio simbólico para a monarquia portuguesa, pois conta-se que foi nela que D. Afonso Henriques foi pela primeira vez aclamado rei de Portugal, em 25 de Julho de 1139. Foi no campo de Ourique que se defrontaram o exército cristão e os cinco reis mouros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja e os seus guerreiros, que ocupavam o sul da península. A lenda conta que um pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem que o rei já tinha visto em sonhos e que lhe fez uma revelação profética de vitória. Contou-lhe ainda que "sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da Sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá." O rei deveria ainda, na noite seguinte, sair do acampamento sozinho logo que ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia, o que aconteceu. O rei foi surpreendido por um raio de luz que progressivamente iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir aos poucos o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado. O rei emocionado ajoelhou-se e ouviu a voz do Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e em outras batalhas: por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria o Seu império através do qual o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas e que teria para o povo português grandes desígnios e tarefas. D. Afonso Henriques voltou confiante para o acampamento e, no dia seguinte, perante a coragem dos portugueses os mouros fugiram, sendo perseguidos e completamente dizimados. Conforme reza a lenda, D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco escudos ou quinas em cruz representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de cristo, carregadas com os trinta dinheiros de Judas.
A Morte do Lidador num dia longínquo de 1170.
Gonçalo Mendes da Maia, nomeado Lidador pelas muitas batalhas travadas e ganhas contra os Mouros, decidiu celebrar os seus 95 anos com um ataque ao famoso mouro Almoleimar. Da cidade de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta cavaleiros fidalgos e trezentos homens de armas, sabendo de antemão que o exército de Almoleimar era muitas vezes superior. Perto do meio-dia, pararam os cavaleiros para descansar perto de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros. A primeira seta feriu de morte um guerreiro português, o que fez com que o exército cristão se pusesse em guarda. Frente a frente se mediam a destreza e perícia árabes, invocando Allah, e a rudeza e força cristãs, clamando por Santiago. A batalha começou e ambos os exércitos se debateram com coragem, até que num dado momento Gonçalo Mendes e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos. Um dos vários golpes desferidos atingiu Gonçalo Mendes que, mesmo ferido, atacou com raiva Almoleimar, que ripostou. O resultado foram dois golpes fatais, um dos quais matou o mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido de morte. O Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros que debandavam em fuga até que o esforço de um último golpe sobre um cavaleiro árabe lhe agravou os ferimentos. O Lidador caiu morto na terra juncada de mais de mil corpos inimigos. Os cerca de sessenta cristãos sobreviventes celebraram com lágrimas esta última vitória do Lidador. Um sacerdote templário disse em voz baixa as palavras do Livro da Sabedoria: "As almas dos justos estão na mão de Deus e não os afligirá o tormento da morte".
(Fonte: Lendas de Portugal
(Quadro de Domingos Sequeira : llustre e distinto artista, o pintor mais notável não só de Portugal como de toda a Europa, e talvez o maior do seu tempo. N. em Belém a 10 de Março de 1768; fal. em Roma a 7 de Março de 1837).)
quinta-feira, maio 24, 2007
FURTO EM BEJA
GRAVURA ALENTEJANA

Por entre casas brancas
Sol e distância
Por entre oliveiras e vinhedos
Ânsias e medos
Por entre espigas e bolotas
A espuma dos olhos
Na terra seca e no calor
O sabor a suor
Nas almas sem mistério
A luz apenas como refrigério
E na dor das horas imoladas
Silêncio e nada.
Autor: José A. Palma Caetano
Foto de Aguinaldo Vera-Cruz
quarta-feira, maio 16, 2007
ALVITO - 7º ENCONTRO TRANSNACIONAL - 22 a 27 DE MAIO

Território i9tur volta a ser palco de Encontro Transnacional
PORTUGAL, ESPANHA, ESLOVÁQUIA E ITÁLIA COOPERAM NO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DE ALVITO, CUBA, FERREIRA DO ALENTEJO E VIDIGUEIRA
A decorrer entre os próximos dias 22 e 27 de Maio, o 7º Encontro de Trabalho Transnacional trará mais uma vez ao Alentejo o grupo de trabalho responsável pela iniciativa CreaTour.
Fundada num Acordo de Cooperação estabelecido entre a parceria do projecto i9tur e outras 3 parcerias de Espanha (Avia Crea Futuro), Eslováquia (Nadacia Skola dokoran) e Itália (STAF), esta iniciativa junta organizações públicas e privadas dos vários países, empenhadas em explorar e partilhar boas práticas de promoção e estímulo à criação de empresas e de emprego.
De entre várias acções de apoio e promoção do empreendedorismo turístico, o programa do encontro prevê a apresentação oficial do Prémio Melhores Ideias de Negócio (Best Business Ideas Award), um concurso internacional aberto a todos aqueles que queiram implementar as suas ideias de negócio de base turística. (hora e local a confirmar)
Na sessão estão ainda previstos o lançamento de um programa de estágios transnacionais para jovens empreendedores (CreaTour Stages) e a promoção de um portal Internet, que se encontra ainda na sua fase de implantação, mas que já pode ser visitado em www.creatour.eu. O portal disponibiliza toda a informação sobre a iniciativa e sobre os parceiros, e permitirá a divulgação e a promoção integrada das empresas turísticas dos quatro Municípios que compõem o i9tur (Alvito, Cuba, Ferreira do Alentejo e Vidigueira).
Durante a actividade "CREATOUR - Promovendo o Empreendedorismo (Stages, Awards, Site)" com início às 17,00h do mesmo dia (24-05-07/Pousada de Alvito), será igualmente assinado um Protocolo com a NDRIVE - Software de Navegação (http://www.ndriveweb.com/) para a inclusão dos 4 territórios i9tur (Municípios de Ferreira do Alentejo, Cuba, Vidigueira e Alvito).
Dada a temática turística da intervenção, e como é exemplo o Foreign Eyes Photo Quest, a organização do encontro pretende ainda proporcionar aos participantes uma experiência única de aprendizagem intercultural através do contacto directo que promoverá entre estes e as comunidades locais durante o período do evento. Desta forma, usufruindo das singulares paisagens, da cultura e do património, os participantes poderão apreciar e avaliar activamente a região e os valores que esta oferece.

(fotos de Luis Milhano)
ALVITO - 04 a 10 JUNHO -AS ERVAS DA BARONIA

“ As Ervas da Baronia”, é a designação Ciclo das Ervas na Cozinha, que teve início no concelho de Alvito, em Fevereiro, com uma semana gastronómica especialmente dedicada aos pratos confeccionados à base de Espargos , Catacuzes e Carrasquinhas.
A segunda semana é dedicada às Beldroegas e decorrerá no concelho, entre os dias 4 e 10 de Junho.
Pratos como: Sopa de Beldroegas, Açorda de Beldroegas com Queijo e Ovos, Açorda de Beldroegas com Bacalhau, Açorda de Beldroegas com Camarão e Amêijoas, entre outros, poderão ser apreciados nos seguintes restaurantes aderentes: "O Buraco da Zorra" , "O Feio" e "A Markádia" , em Alvito e "Avenida", "Bica Nova", "O Camões" e "O Casão", em Vila Nova da Baronia.
A última semana do ciclo será dedicado às hortelãs, coentros e poejos -"Aromas campestres à Moda da nossa Gente", e decorrerá de 29 de Outubro a 4 de Novembro.
O Município de Alvito, enquanto entidade organizadora desta iniciativa, conta com o apoio da Região de Turismo da Planície Dourada e pretende que o ciclo das Ervas na Cozinha aconteça anualmente no concelho, perspectivando-se no próximo ano a introdução do cante alentejano de forma a enriquecer este evento e a torná-lo ainda mais atractivo para quem visitar os nossos restaurantes nestas alturas.
O Ciclo das Ervas na Cozinha é para apreciar...devagar !
Alvito Apetece!
ALVITO - 29 JUNHO - V FESTA DO BARÃO

A Câmara Municipal de Alvito realiza no dia 29 de Junho (sexta-feira), a partir das 19h, no Largo das Alcaçarias, em Alvito a 5ª Festa do Barão.
A Festa do Barão é uma recriação tardo-medieval, à moda da Baronia de Alvito, que inclui teatro, malabarismo, música e danças, torneio a cavalo, falcoaria e um grandioso repasto pela noite dentro.
Venha passar a noite em Alvito!
Inscrições até ao dia 22 de Junho:
Posto de Turismo
Tel.: 284 485 440
turismo @cm-alvito.pt
Alvito um concelho à sua espera...
sábado, maio 12, 2007
S. Leonardo de Galafura

"Aquele poema de Torga não lhe saía da cabeça. O autor dos Contos da Montanha nasceu ali ao lado e a sua visão telúrica sempre o impressionara. Algo terá este lugar para tanto ter fascinado o poeta."(palavras e foto de A Desenhar a quem dedico este "post" desejando rápida e franca recuperação)
À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.
Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e rosmaninho!
Miguel Torga – Ordonho, 2 de Outubro de 1961 (Antologia Poética)
quarta-feira, maio 09, 2007
BEBIDO O LUAR
Salvador Dali
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Porquê jardins que nós não colheremos
Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
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