terça-feira, maio 06, 2008

A MEMÓRIA DO TEU CORPO

Foto Alina Lebedeva



A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto
um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.


Traz o vestígio incandescente dos mares de levante
a ardência duma praia restituída de lembranças.


É uma semente a colorir os teus quadris de incenso
Uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.


Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias
do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.


E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,
para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.


Vieira Calado

In Transparências

segunda-feira, maio 05, 2008

BICICLETA FLORIDA



Oferta de MARIA MARIA VISITA O REINO DE ESTHER, a quem agradeço a gentileza.

Como se torna difícil escolher alguns amigos(as)para dar seguimento à oferta, desta vez fica ao critério de quem me visita levar a "sua" bicicleta florida.

Boas pedaladas!


Para retribuir a amabilidade dedico a Maria estes versos que encontrei na net sem indicação de Autor
:

TEUS OLHOS



Teus olhos de mulher,

Tão imensos como a noite,

Infinitos como o tempo,

Que, um dia, descuidado,

Descobriu-se enciumado,

Pelo sorriso escancarado

Desses lindos olhos teus.



Teus olhos de mulher.

Tão intensos como o dia,

Têm a vastidão do vento,

Que ao soprar, desavisado,

Confundiu-te com a flor,

Que um dia te ofertaram,

Pelo amor dos olhos teus




sexta-feira, maio 02, 2008

ALEGORIA FLORAL

Foto de Alberto Viana de Almeida - Olhares


Um dia em que a mulher nasça do caule da roseira
que cresce no quintal; ou um dia em que a nuvem
desça do céu para vestir de névoa os seus
seios de flor: seguirei o caminho da água nos
canteiros que me levam ao caule, e meter-me-ei
pela terra em busca da raíz.


Nesse dia em que os cabelos da mulher se
confundirem com os fios luminosos que o sol
faz passar pela folhagem; e em que um perfume
de pólen se derramar no ar liberto da névoa:
procurarei o fundo dos seus olhos, onde corre
uma transparência de ribeiro.


Um dia, irei tirar essa mulher de dentro da flor,
despi-la das suas pétalas, e emprestar-lhe o véu
da madrugada. Então, vendo-a nascer com o dia,
desenharei nuvens com a cor dos seus lábios, e
empurrá-las-ei para o mar com o vento brando
da sua respiração.


Depois, cobrirei essa mulher que nasceu da roseira
com o lençol celeste; e vê-la-ei adormecer, como
um botão de rosa, esperando que a nuvem desça
do céu para a roubar ao sonho da flor


Nuno Júdice
(O Estado dos Campos)
(Dom Quixote)


quinta-feira, maio 01, 2008

PRIMEIRO DE MAIO DE 1974



Dia primeiro
do Maio que Abril nos deu.
Dia rasgado
pelo Sol em cada peito,
pelo riso de todos nós crianças,
pelo abraço dos irmãos em festa.
Dia de todas as cores
dançando em roda,
de cantos mil
voando pelas praças.
Dia sem sede
que a água se oferecia
nos parapeitos das janelas.
Dia de acreditar.
Foi esse o Maio
em que comemos flores
e nos embriagámos.
Foi esse o dia
de todos os amores.

Poema de LICÍNIA QUITÉRIO in O SÍTIO DO POEMA

terça-feira, abril 29, 2008

FLOR DE CRISTAL

Cristal Swarovski



FLOR DE CRISTAL

Como tu, cristal…
Como tu, flor …


Frágil e pura,
Em multifacetada vida te desdobras:
Coa-se a luz na tua transparência,
Irisando-a de cor


Frágil e pura,
Das pétalas, o suave toque em que sossobras,
Do gineceu, o torpor da essência
Em teu redor …


O Cristal, a Flor –
A simbiose:
A Alma-Luz, a Carne-Fogo,
Fremindo,
Vivendo.


Rolam os anos sem ferir
A beleza do que é perene


Como tu, Flor,
Como tu, Cristal!



António de Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008

POEMA DE AMOR

Foto de Sergey Ryzhkov





Percorreria na ponta dos meus dedos
os teus cabelos em desalinho,
inspirar-me-ia no teu cheiro único
que o meu corpo perpetua,
escrever-te-ia um poema de amor
em páginas e páginas de paixão,
falar-te-ia segredando palavras
que tu guardarias como relíquia.

Seríamos uma só voz sem saudade,
seríamos cânticos de alegria,
seríamos a força solidária
de um Amor.

Mas o que resta do que não foi
são as luzes feéricas do sonho,
as imagens bem delineadas de um filme,
o sabor inalterável de um beijo,
no presente doce das nossas Vidas,

Tal como este inútil poema de amor...


Paula Raposo in As Minhas Romãs

sábado, abril 19, 2008

OVIBEJA - 26 de ABRIL a 04 de MAIO - TRADIÇÃO E INOVAÇÃO





Tradição e inovação. São estas as linhas fundadoras da Ovibeja, a maior Feira agrícola que anualmente se realiza em território português. Organizada pela ACOS – Associação de Criadores de Ovinos do Sul – a Ovibeja concilia em mais de dez hectares de exposição a cultura e os costumes ancestrais que herdou da antiga Feira de Maio de Beja, instituída em 1261 por carta régia de D. Afonso III, com as mais arrojadas inovações tecnológicas ao nível não apenas das práticas agrícolas, mas também dos diferentes sectores da economia e da sociedade.
A Ovibeja, que anualmente recebe para cima de trezentos mil visitantes, é uma Feira na verdadeira acepção da palavra. É um local de festa e de diversão. De convívio e de reencontro. É um espaço de negócio e de troca de experiências. É um terreiro de cultura e de debate. É um fórum político e de cidadania. É a Primavera em toda a sua exuberância, onde o passado e o futuro passeiam de mãos dados.
Em 2008 a Ovibeja faz 25 anos. A festa que irá decorrer no Parque de Feiras e Exposições de Beja entre os dias 26 de Abril e 4 de Maio não servirá apenas para assinalar as bodas de prata do maior evento cultural, político, económico e social do interior do País. Servirá também para constatar que as mudanças ocorridas no país e na região nestes últimos 25 anos, também passaram pela Ovibeja: Uma Feira que tem vindo a mostrar “Todo o Alentejo Deste Mundo”, mas que agora quer trazer o mundo todo a este nosso Alentejo.

Texto DAQUI

sexta-feira, abril 18, 2008

ABRIL DE SIM ABRIL DE NÃO







Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre

quinta-feira, abril 17, 2008

CONTRA A INDIFERENÇA E O MEDO,

O Grito - Munch - 1893



Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sòzinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Vladimir Maiakovski



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Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei


Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Bertold Brecht



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Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.


No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.


No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.


No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...


Martin Niemoller



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Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles,

Depois fecharam ruas, onde não moro,

Fecharam então o portão da favela, que não habito,

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...



Cláudio Humberto

terça-feira, abril 15, 2008

Jorge Vicente e José Gil - Novos Livros


Clique nas imagens para uma melhor leitura



'Caros Amigos, Poetas, artistas, bloggers, público em geral, gostaria de convidar-vos a estar presentes no lançamento do meu primeiro livro de Poesia, ASCENSÃO DO FOGO, que irá desenrolar-se no próximo dia 26 de Abril, no Salão do Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, Rua do Jardim, 1181, pelas 16.00. A vossa presença é muito importante porque é a vós, todos, que eu dedico aquilo que sai cá de dentro: as minhas palavras ou, se o preferirem, o meu Verbo.

No mesmo dia, na mesma hora e no mesmo espaço, também será apresentado o livro do poeta e actor José Gil, com prefácio da minha autoria


Por isso, cá vos espero. Com o coração aberto e com as mãos plenas de palavras para partilhar convosco.

(Convite enviado pelo amigo Jorge Vicente)






Beja - Campanha de adopção



Para mais informações contactar BLOG DO ZIG

quinta-feira, abril 10, 2008

25 DE ABRIL, SEMPRE




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

[Sophia Mello Breyner]





Foto de Alfredo Cunha

sexta-feira, abril 04, 2008

A B R I L - L I B E R D A D E

Imagem DAQUI



O golpe de estado militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante a revolta das forças armadas. Este levantamento é conhecido por Dia D, 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levantamento foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português. (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).


Cravo
O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.


No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.




Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição politica entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão politica que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.

A guerra colonial acabou e, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.



O 25 de Abril visto 33 anos depois

O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.

Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento politico-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

As pessoas mais à direita lamentam a forma como a descolonização foi feita e as nacionalizações feitas no periodo imediato ao 25 de Abril de 74 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.

(Fonte : WIKIPÉDIA)



Amadeu Sousa Cardoso - Menina dos Cravos

quinta-feira, abril 03, 2008

Linha de Rumo

foto Stanmarek



Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas...

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.


Ruy Cinatti

(1915/1986)

quarta-feira, abril 02, 2008

Lembrando MÁRIO VIEGAS




Mário Viegas (1948-1996), encenador, actor, declamador de raro talento, interiorizou a poesia como poucos. Improvisou textos extraordinários, deu a conhecer autores, disse o que tinha a dizer de Portugal e do mundo. Fez da sua vida um poema de luta pelas ideias. Com radical desprezo pelo poder, foi Rei das Berlengas e amante de Beckett, dos palcos, das palavras, do vinho e da verdade. Disse: "Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco... A vida sempre foi assim."
12 anos de ausência mas sempre presente na nossa lembrança.

segunda-feira, março 31, 2008

Noites de Poesia em Vermoim - dia 5 Abril




Sábado, dia 5 de Abril de 2008, pelas 21,30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim (Lugar da Igreja - 4470-303 Maia) teremos a nossa habitual Noite de Poesia.



Tema: NUVENS






Apareçam… ajudem a divulgar… noticiem…







E não se esqueçam de trazer mais um amigo às

Noites de Poesia em Vermoim…






Aos habituais (e aos novos!) colaboradores da "Poesia na Net" enviem os vossos trabalhos, até à próxima Sexta-feira, dia 4 de Abril, para saturnogomes@netcabo.pt

Para saber mais visite o MOVIMENTUM

domingo, março 30, 2008

Hoje não quero apenas escrever-te...

Foto de Martin Kovalik



Hoje não quero apenas escrever-te
as mais belas palavras.
Não me basta saber
que lês os meus sonhos
com o desejo escondido em cada página.

Essas palavras são veneno sem antídoto
onde se morre de amor e de saudade!
Enlouquecem a alma,
fazem acordar sensações profundas
na irrealidade de instantes sem tempo…

Rasguemos as folhas, acabemos com a ilusão.
É entre os nossos lábios que a realidade acontece!


Albino Santos

sexta-feira, março 28, 2008

Seja eu de quem for

Foto Alex Krivtsov



Seja eu de quem for



Serei eu a chama que arde em ti ou por acaso já se apagou o fogo que deixei de ver nos teus olhos.

Serás tu a minha alma gémea ou incendiou-se o rastilho de paixão que me cega.

Louca esta visão que me surge no horizonte: o sol que se põe, a noite que desliza por entre nós, o cheiro do mar, a flor que nos faz falta, o perfume que nos une.

Ando à procura de um ideal para que amanhã seja um ideólogo, um fantasma ou um psicólogo, alguém por quem possam chamar. Por isso quero ser alguém, quero ser de alguém e, sem saber bem porquê, entrego-me sem ver a quem, pois é a forma mais fácil de fugir.

Preencho a espaços aquilo que me falta entender. Em cada passo em falso que dou descubro algo mais e encho a minha já vasta colecção de frustrações. Entrego-me a quem quer que seja mas sem nunca me deixar possuir.

Aperta-me algo por dentro, foi mais um pedaço que morreu. Volta de novo o vazio que me pinta por fora, levanta-se o muro que chega a ser ridículo. Cubro-me de fantasias, crio mitos e personagens, distribuo papeis por aqueles com que me deparo, elaboro maquiavélicos obstáculos e sento-me à espera.

Espero que peguem em mim, que mandem o muro abaixo, que me prendam. Espero em vão. Troco as voltas à vida, construo um labirinto à minha volta e perco-me. Devolvo a paz ao mundo nas horas em que me deixo dormir para, mais tarde, voltar ainda mais insaciável.

Fecho os olhos, continuo a fugir, tropeço em mais alguém que ficou por amar, mais um erro de percurso. Mas continuo nesta minha entrega, a quem quer que seja.

Continuo a fingir para a vida seja eu de quem for. Continuo a viver do engano e mantenho-me fiel a esta espécie de infidelidade da qual ninguém está a salvo. Este é o meu furacão, o meu tsunami que arrasta almas, corações e deixa um rasto terrível de desilusões.

(Foi mantida a grafia original)


Carlos Miguel Leite - (1975-Portugal)

TIBETE - PETIÇÂO AVAAZ




"Amigos,

Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.

Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.

Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:


AVAAZ

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...