
quarta-feira, setembro 06, 2006
sexta-feira, setembro 01, 2006

Caronte, o barqueiro do Hades - Gravura de Gustavo Doré
ARCO – ÍRIS
No longe mais longe dos longes do mar
Andava um barqueiro a remar… a remar…
Não via mais nada: só águas e céu
E nuvens e astros que Deus acendeu.
Sozinho consigo, sonhava… sonhava…
Nos fundos mistérios que o fundo guardava.
Passavam as ondas, e, uma por uma,
Beijavam-lhe os remos com lábios de espuma.
Os ventos pintavam, com nuvens e sol,
mil quadros a tintas de fresco arrebol.
À noite, não quadros que o vento arrebata,
Mas lua beijando cardumes de prata.
E o poeta barqueiro remava a sonhar
Nos fundos mistérios do fundo do mar.
Que tempos passaram!! Já nem se lembrava
De quando partira! Remava… remava…
Às ondas suaves: - «Mais longe, mais longe,
(Pediam as nuvens) levai este monge!»
E o monge poeta, com mais energia,
Remava nas ondas da luz que acendia,
Que a luz era o sonho que o monge habitava,
Bebendo os silêncios que a alma cantava.
E as horas passaram felizes… velozes!
Cantaram os galos, ouviram-se vozes,
O sol levantou-se, rompeu a manhã
Mais linda e alegre que fresca romã,
E o monge, acordando, sentiu-se mesquinho,
Ao ver-se num catre de tábuas de pinho.
Saltou para o chão, os joelhos dobrou,
Três vezes no peito bateu… e chorou!
António Celso – Asas cinzentas
terça-feira, agosto 29, 2006

Pensamento
Além longe ,onde o sol se põe,
Não se vislumbra o firmamento,
Em nossa ilusão,o pensamento
Abala, acaba , não se repõe.
Quando a luz enfim desaparece,
Além longe ,atrás daqueles montes,
Chega até nós , o barulho das fontes,
As palavras doces do entardecer.
Hora dos amantes que com agruras,
Misturam seu amor e amarguras,
Sentem noite em seus pensamentos.
Beijam-se sequiosos de prazer,
E não sentindo a alma sofrer,
Esquecem a noite e o sofrimento.
(Olinda Bonito -Agosto 05)
sexta-feira, agosto 25, 2006

A L V I T O
FESTAS POPULARES EM HONRA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO
Vão-se realizar, nos dias 25, 26 e 27 de Agosto, as já tradicionais Festas da Vila de Alvito. Sendo este ano, a organização da responsabilidade da Associação Juvenil Nova Geração. As principais atracções, das Festas Populares em Honra de Nossa Senhora da Assunção, serão as Garraiadas, o Grupo de música tradicional “Adiafa”, os tradicionais bailaricos e uma sessão de autógrafos com os actores “Bia” e “Lourenço” da série Morangos com Açúcar .
quarta-feira, agosto 23, 2006
Tu eras também...
quinta-feira, agosto 17, 2006
ESTA MANHÃ ENCONTREI O TEU NOME NOS MEUS SONHOS...

Foto de Paulo Cesar-Olhares
Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
Maria do Rosário Pedreira
segunda-feira, agosto 14, 2006

Foto de Stefan Haffner
TARDE
É tarde?...não sei…
Muitos ocasos passaram,
Mas madrugadas claras
Renovam-se todos os dias,
E dentro de nós a paixão
Que tu ou eu não quisemos,
E que julgámos passado
É uma dor latente
Que nos torna em ausentes
Do mundo que agora nosso
Sentimos não nos pertence.
A madrugada clara,
Que deixámos abalar,
Tornou-se escuridão
Que não queremos aceitar.
Embora com luz difusa
Os dias vão-se passando,
O teu olhar, esse não,
Não me sai do pensamento,
E os beijos que nesse tempo
Procurávamos ansiosos,
São hoje a recordação
Que sentimos bem presente
Do tempo que radioso
Tornámos escuridão.
OLINDA-05/06
sexta-feira, agosto 11, 2006

AGUARELA
Quando, a esta hora, o dia abala lentamente
pelo Tejo fora, num barco distraído,
a tarde deixa no crepúsculo penas de vermelho
do sol que voou, pousando do céu para o mar.
E lá no horizonte, as velas das nuvens,
que demoram, ainda agora, acesas na claridade,
dão tempo às luzes dos candeeiros das avenidas
e aos pássaros boémios das árvores da cidade.
(Sebastião Penedo – Poesia)
segunda-feira, agosto 07, 2006
PENÉLOPE

foto de Dave Levingston
Penélope
mais do que um sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
e recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.
mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.
David Mourão Ferreira
quinta-feira, agosto 03, 2006

Foto de A. M. Catarino - 1000 Imagens
À Beira-Mar Plantada
A casa até parece não ter dono!
Sem portas, sem janelas e sem telhas,
Já nem é casa, são paredes velhas
Nas insensíveis mãos do abandono.
Não satisfeito com a pouca sorte
Daquilo que foi casa e são ruínas,
Atira-lhe palavras assassinas
Durante toda a noite o vento norte.
Os mochos, e outras aves agoirentas,
Vêm ferir, nas horas sonolentas,
O sono que era bem que fosse um grito…
E entre palhuço, terra e velhos cacos,
As ratazanas criam nos buracos
Das míseras paredes que eu habito.
António Celso
terça-feira, agosto 01, 2006

Foto de João Carlos Espinho
ALENTEJO
No meio da planura
De céu azul e carmim
Cresci eu, a desventura
E uma réstea de esperança,
Que as Primaveras vividas
Felizes e bem sentidas,
Fossem auroras claras
Dum Verão ardente
Num Alentejo bem quente,
Que incendeia o coração
E a alma desta gente,
Que olha o Outono
Não, como um retorno,
Mas como a aventura
Duma nova viagem,
Tendo em si a miragem
Que do castanho do arado
Virá uma vida nova,
Que a todos lembrará
Que a vida, como o Alentejo
É esperança e amargura,
Coragem e renovação,
Como a força desta gente
Que está sempre presente
P`ra que o trigo dê pão.
(Olinda Bonito - 06/06)
domingo, julho 30, 2006

Foto Sensitivelight
AMAR
Amar é sentir,
Sentir o teu coração.
Amar é dar,
Oferecer o meu olhar.
Amar é perder,
Quando sentimos sofrer.
Amar é vaidade,
Na hora da mocidade.
Amar é dor,
Se não nos dão amor.
Amar é repartir,
O meu e o teu sentir.
Amar é beleza,
Se amamos sem tristeza.
Amar é perdão,
Se nos ferem o coração.
Amar é viver,
Dar e receber.
Amar é felicidade,
Juntos pela idade.
Amar é doação.
Entrega total
E muita dedicação.
(Olinda Bonito 03/06)
sábado, julho 29, 2006
quarta-feira, julho 26, 2006
Suão

Foto de Joâo Espinho
A terra sequiosa, gretada de sede,
deitada num mar amarelo de restolho,
queda-se adormecida até ao por do sol
nos silêncios da planície.
Os sobreiros angustiados,
ardendo na febre do suão,
erguem aos céus os ramos secos
feitos mãos em súplica.
As aves, esvoaçando inquietas,
choram gritos de sede
nas margens desalentadas
de ribeiras sem água.
Um Alentejo queimado,
de entranhas em fogo,
mastiga em desespero,
a poeira quente, das últimas eiras.
Na charneca, prisioneira do suão,
calando amarguras,…ainda cantam
as cigarras, os grilos, os moscardos…
e os homens alentejanos!
(Orlando Fernandes – Alentejo … e outros poemas)
sábado, julho 22, 2006

Foto de Katrin Taepke - (enjoy the silence)
VAZIO
Olho,
Não te vejo.
Falo,
Não te ouço.
Quero-te?
Não sei.
Existes?
Só em sonho.
E é para ti
Este poema…
Sem voz,
Mas com amor.
Sem olhar,
Mas com ternura.
Com tristeza.
Sem rancor.
Com saudade
Do teu calor.
Sei…
Sei que te quis.
Sei que és
A ilusão
Duma ternura
Doce e pura,
Que não terá amanhã.
06/07
(Olinda Bonito)
sexta-feira, julho 21, 2006
Manif: Trabalhadores do Grupo Pestana (Pousada de São Francisco, em Beja).
Trabalhadores do Grupo Pestana manifestam-se esta sexta-feira (21 de Julho), frente às unidades hoteleiras. Em Beja a concentração é junto à Pousada de São Francisco.
Os trabalhadores do Grupo Pestana, que inclui as Pousadas de Portugal, manifestam-se nesta sexta-feira (21 de Julho), frente às unidades hoteleiras, no caso de Beja a concentração tem como cenário a Pousada de São Francisco, desde as 8 horas.
Segundo a Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), os trabalhadores do Grupo Pestana são dos mais mal pagos, com salários na ordem dos 470 euros mensais, a que se junta o facto de não serem aumentados hà mais de 18 meses.
Os sindicalistas acusam a administração da empresa de piorar as condições de trabalho, recusando-se a negociar a revisão do Acordo de Empresa.
Num documento que está a distribuir aos clientes do Grupo Pestana, a FESAHT, explica as razões porque os trabalhadores estão em luta, e descreve, na óptica dos sindicatos, quais os erros a que a privatização das pousadas, conduziu: “Despedimento de cerca de 300 trabalhadores, degradação na qualidade dos serviços prestados, ao encerramento e venda de pousadas, que deverão continuar até ao final do ano e ao aumento dos ritmos de trabalho”, face a tudo isto a estrutura sindical termina afirmando que não há quem aguente isto”.
quinta-feira, julho 20, 2006

Foto de Nuno M. Batista - Olhares
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'Neill)
quarta-feira, julho 19, 2006
ALVITO - CONCERTO
SONIC KITCHEN
Concerto
Jardim dos Livros, Biblioteca Municipal do Alvito
22 DE JULHO
21H 30M
Numa cozinha instalada ao ar livre prepara-se uma refeição destinada ao público. Verifica-se o gume das facas, batem-se ovos e massa, voam farinhas, repetem-se gestos tantas vezes iguais, usam-se garfos e facas, varinhas e batedeiras, ligam-se lumes e luzes.
Desta cozinha saem continuadamente sons, amplificados, transformados, trabalhados, projectam-se imagens em redor. É assim o concerto que os Sonic Kitchen trazem a Portugal. Uma cozinha com sons num espectáculo divertido e generoso. A encerrar o espectáculo, os espectadores transformam-se em convidados de um jantar que viram e ouviram preparar. E, depois de ver este espectáculo, cozinhar não voltará a ser o que era!
mais informações, em http://www.escritanapaisagem.net/2006/geral.html; tel.: 284 285 440(Posto de Turismo de Alvito)
quinta-feira, julho 13, 2006
sexta-feira, junho 30, 2006
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