
quinta-feira, setembro 24, 2009
quarta-feira, setembro 23, 2009
LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA POÉTICA AMANTE DAS LEITURAS 2009
sábado, setembro 19, 2009
LANÇAMENTO DO LIVRO DE IRENE LAMOLINAIRIE
sexta-feira, setembro 18, 2009
O AMOR E O TEMPO

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
— Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento.
Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»
António Feijó (1859-1917)
terça-feira, setembro 15, 2009
SONETO

Lábios
que encontram outros lábios
num meio de caminho, como peregrinos
interrompendo a devoção, nem pobres
nem sábios numa embriaguez sem vinho:
que silêncio os entontece quando
de súbito se tocam e, cegos ainda,
procuram a saída que o olhar esquece
num murmúrio de vagos segredos?
É de tarde, na melancolia turva
dos poentes, ouvindo um tocar de sinos
escorrer sob o azul dos céus quentes,
que essa imagem desce de agosto, ou
setembro, e se enrola sem desgosto
no chão obscuro desse amor que lembro.
NUNO JÚDICE
Sessão de lançamento do livro “O Meu Cancioneiro”
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Estêvão Machado Pereira, a Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo, o autor, José-Augusto de Carvalho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “O Meu Cancioneiro” a ter lugar no Cine-Teatro Vianense, sito em Viana do Alentejo, no próximo dia 19 de Setembro, pelas 21:00. Obra e autor serão apresentados pela poetisa Conceição Paulino e pelo professor António João Valério.
terça-feira, setembro 08, 2009
SOLEMNIA VERBA
Trabalho de ISABEL FILIPE
Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.
Antero de Quental, in "Sonetos"
quinta-feira, setembro 03, 2009
MESA DA SOLIDÃO -RAUL DE CARVALHO

MESA DA SOLIDÃO
Mortas na boca as palavras demoram
A refluir aos lábios
Elas esperam que o Amor as ajude
Que o Amor lhes sirva
De ponte
Que o Amor lhes dê a conhecer
A boca que as espera
A ofegante boca que as espera .
RAUL DE CARVALHO
Raul Maria de Carvalho nasceu em Alvito, Baixo Alentejo, a 4 de Setembro de 1920. As memórias da infância passadas nesse local manifestam-se em todos os seus livros de cunho autobiográfico. Chegou a Lisboa na década de 40 e tornou-se frequentador do café Martinho da Arcada, contactando com personalidades do meio literário.
Preocupado com a condição dos mais desfavorecidos, assumiu algumas afinidades com os neo-realistas. Conjugou esta preocupação com a aprendizagem de uma liberdade surrealista. Foi colaborador das revistas Távola Redonda, Cadernos de Poesia e Árvore, de que foi co-director (1951-1953).
Em 1956 foi premiado com o «Prémio Simon Bolívar», no Concurso Internacional de Poetas de Siena, em Itália.
Morreu a 3 de Setembro de 1984, no Hospital de São João, no Porto.
Algumas obras:
As Sombras e as Vozes (1949)
Poesia 1949-1958 (1965)
Tudo é Visão (1970)
A Casa Abandonada (1977)
Elsinore (1980)
Um mesmo livro (1984)
No blog ALVITO pode ler um trabalho sobre Raul de Carvalho da autoria do Homem de Letras ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO
terça-feira, setembro 01, 2009
Recordando FERNANDO PEIXOTO

Colher a sensação das arestas redondas
das areias escaldantes das minhas dúvidas
respirar a maresia das ideias
que transpira na crista das ondas
das minhas incertezas súbitas
enormes rumorosas e cheias
Provar os sabores salgados
da espuma na minha mão
junto à proa do navio
e respirar os ventos desgarrados
que se espraiam na rebentação
e sentir na pele um arrepio
Impelido por ventos de desnorte
sentir na carne o desconforto
de ter um mundo imenso à minha frente
e um silvo de silêncio como a morte
a lembrar-me que está longe o porto
no oposto preciso do nascente
Penetrar no horizonte distante
nessa linha que me afasta de ti
e perceber a impotência dos braços
que me sustêm na orla hesitante
que ainda me retêm aqui
incapaz de quebrar meus próprios laços
desafiar Neptuno o deus gigante
que roça os rochedos agressivos
impelido por Zéfiro implacável
e pressentir naquele mesmo instante
que há medos de tal forma possessivos
que a vontade se torna vulnerável
Deitar-me no areal já ressequido
e queimar-me no sol do meio-dia
sonhando que é possível decifrar
o doce labirinto entretecido
nas curvas do teu corpo a melodia
que nunca me canso de escutar
e ver a tua imagem reflectida
em múltiplas vagas de frescura
que se estendem na areia do estuário
só que tu estás sempre de partida
e eu fico roendo esta amargura
de estar cada vez mais solitário
Talvez sejas somente uma quimera
um sonho uma ilusão uma utopia
ou quem sabe a minha barca de Caronte
Navegando ao longe à minha espera
te encontrarei por certo qualquer dia
banhada pelo sol no horizonte
Dia a dia porém eu continuo
sempre vinculado à mesma esperança
de escutar nas ondas o teu canto
e por isso prossigo e acentuo
meus pés sobre a areia numa dança
passeando no litoral do espanto
FERNANDO PEIXOTO
sábado, agosto 29, 2009
É TEMPO AINDA...

É tempo ainda, Amor
de retomar
a viagem que iniciámos
juntamente.
De voltar ao fluir
do nosso rio,
de recerzir o tempo
fio a fio,
de reatar o passado
no presente.
É tempo ainda, Amada
de acordar.
Redescobrir
sentidos
novos nas palavras.
Reencontrar
esquecidos
gritos nos silêncios.
Renovar
o antigo frescor das madrugadas .
É tempo ainda, Amor
de avivar
a memória de gestos
já perdidos ...
O sabor
de antigos sonhos
recriar ...
Reinventar o amor
e incendiar
a adormecida chama dos sentidos,
0 entrelaçar dos dedos
a ternura
da troca de um olhar
O estilhaçar dos medos
na aventura
dos corpos penetrar.
A procura
das bocas, numa fome
nunca satisfeita de beijar ...
É tempo ainda, Amiga,
É tempo ainda.
É tempo ainda de voltar !
ANTÓNIO MELENAS
quarta-feira, agosto 26, 2009
TUDO O QUE ONDULA

Tudo o que ondula ondula no teu corpo
a garça a flor o vinho a égua a água
ondula o barco e o arco ondula o porto
l'aura amara e a onça ondula a mágoa
Ondula o vento a vela a onda brava
e a caravela dentro da palavra
Ondula a letra e o l ondula a lua
e a roxa violeta em tua coxa
Ondula a estrela e a nave ondula o sol
ondula a ave e o azul ondula o sul
Ondula a sílaba e a chama ondula
abril e o til a flauta a flama a flâmula
Ondula a seara a saia a sarça o trigo
tudo o que ondula ondula e vai contigo
Manuel Alegre - 30 Anos de Poesia
Crédito da imagem: http://www.vivercidades.org.br/publique222/media/tamara_AndroMulherNua.jpg
quinta-feira, agosto 20, 2009
A NOITE NA ILHA

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
-pão, vinho, amor e cólera -
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.
Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.
Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.
Pablo Neruda - Os Versos do Capitão
Tradução de Albano Martins
Foto da net
sábado, agosto 15, 2009
SONETO DA VÉSPERA

Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou — fria de vida
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
VINICIUS DE MORAES
quinta-feira, agosto 13, 2009
QUERO FALAR-TE DESTE AMOR...

Quero falar-te deste amor, como de um vento
amordaçado na camisa; uma febre de verão
que o mercúrio não acha; um telhado esmagado
pela ideia da chuva. Quero dizer-te
que sobre ele pairaram sempre brumas e nevoeiros
e profecias de temporais maiores, como os que levam
para longe os corpos dos navios. Não há notícias
deste amor; apenas uma intriga, um recado sonâmbulo,
um temor que desmaia as pregas do vestido e um sortilégio
urdido nas paisagens suspensas de um mapa que aperto
na mão sem desdobrar. E há memórias
deste amor? A voz sem as palavras, um livro lido
às escuras, um bilhete cifrado deixado num hotel,
um velho calendário cheio de desencontros? Não,
não há memória deste amor.
Maria do Rosário Pedreira
terça-feira, agosto 04, 2009
TALVEZ
Mendigo de Rembrant
Dá-me os andrajos vis com que mendigas,
E empresta-me o teu gesto à minha mão.
Das minhas mãos faz tuas mãos amigas,
E ensina-me a cantar essa canção.
Empresta-me os ouvidos com que escutas,
Mais tristes do que as tuas amarguras,
As gargalhadas dessas prostitutas
Que choram escondidas, às escuras.
Ensina-me a passar, como tu passas,
Medindo a imensidão de mil desgraças,
Por onde a dor, e sempre a dor, persiste.
Talvez que eu me contente com bem pouco,
E fique menos pobre e menos louco,
E o céu, ao meu olhar, bem menos triste.
António Celso – Asas Cinzentas
segunda-feira, agosto 03, 2009
Um dia...

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.
José Luís Peixoto –A Criança em Ruínas
domingo, agosto 02, 2009
ROMANTISMO

As Gôndolas de Nadir Afonso
Nadir Afonso nasceu em Chaves em 1920.
Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts de Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês.
De 1946 até 1948 e em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier, nomeadamente no projecto da cidade radiosa de Marselha, e serviu-se algum tempo do atelier de Fernand Léger.
De 1952 a 1954, trabalha no Brasil com o arquitecto Óscar Niemeyer.
Nesse ano, regressa a Paris, retoma contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité» e faz parte do grupo da galeria Denise René juntamente com Herbin, Vasarely, Mortensen.
Na vanguarda da arte mundial expõe em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles «espacillimités» animado demovimento.
Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitectura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.
Prémio Nacional de Pintura em 1967 e Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso em 1969. Medalha de ouro da cidade de Chaves, membro da Ordem Militar Santiago de Espada e da Academia Nacional de Belas-Artes.
Homenageado por ocasião dos 25 anos da Bienal de Cerveira em 2003 e atribuído o prémio Nadir Afonso na 2.ª feira de Arte Contemporânea do Estoril.
Sobre Nadir Afonso foi realizado um filme da autoria de Jorge Campos para a Radiotelevisão Portuguesa.
Está representado em Museus de Lisboa, Porto, Amarante, Rio de Janeiro, S. Paulo, Budapeste, Paris (Centre Georges Pompidou), Wurzburg, Berlim entre outros. Prémio Nacional de Pintura em 1967 e Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso em 1969. Medalha de ouro da cidade de Chaves, membro da Ordem Militar Santiago de Espada e da Academia Nacional de Belas-Artes.
Artista homenageado na 2.ª Feira Internacional do Estoril e a atribuição do Prémio Nadir Afonso.
A lua é uma gôndola doirada,
Onde em sonhos de amor, um dia, me embarquei
Contigo, ó meu amor, ó linda Bela-Amada,
Que um dia imaginei!
E partimos os dois na gôndola do Sonho...
Na Veneza do Amor, onde íamos vogando,
Tudo era lento e triste e doce como um sonho,
Como o sonho de Amor que ia sonhando!
Mas perdeu-se na bruma a gôndola doirada,
Onde em sonhos de amor, um dia, me embarquei!
E morreste na espuma, ó linda enamorada,
E desfez-se, na espuma, o sonho em que te amei!
Ai, a lua é a gôndola doirada,
Onde embarquei contigo e onde, sem ti, voltei!
Anrique Paço d'Arcos
domingo, julho 26, 2009
O GRITO DA FOME

O GRITO DA FOME
Murmureja, resfolga
Sente-se, penetra.
Tomai tento
Senhores, ricos,
Abastados, soberbos,
Indiferentes e apáticos.
Tende atenção
Governantes, políticos,
Estadistas e líderes.
O grito da fome
É um grito de alma
Não se trava, não se prende
É um grito que não pára.
O grito da fome
Não suporta a indiferença
É a miséria revoltada
É a criança esfomeada,
É o idoso abandonado,
É o trabalhador desempregado.
CIDADÃOS:
ESCUTAI O GRITO DA FOME.
Lumife aos 26 de Julho de 2009
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INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM
Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...
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Aos meus amigos Por motivo de força maior não me foi possível colocar já, neste blog, a reportagem do I Encontro de Blogs em Alvito. Fá-lo-e...
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Desejo que neste Natal, antes de perceber Jesus nas luzes que piscam pela cidade, O encontre primeiramente em seu coração. E, à frente de qu...
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PRESÉPIO A noite era fria Mas bem estrelada, A geada caía Na terra molhada. No estábulo deitado Com bafo aquecido, Em panos enrolado O Menin...



