domingo, agosto 10, 2008

HELENA DOMINGUES

Foto de Thais Salinas


GOTA



Roubou-me o vento ao mar...
Levou-me de viagem...

Fez de mim nuvem passageira,
Sombra escondida,
Estrela cadente de brilho breve,
Caída dos céus sem aviso
E me afundou no teu rio
No teu sorriso

De novo, levou-me ao mar
O meu mar...
Que abafou meu silêncio gritante
E me cantou cantigas de embalar
Que me pegou ao colo
Me conduziu à praia
E a fez brilhar.
E nessa noite escura,
Noite sem luar
Como que por magia
A noite se fez dia

E o areal que de mim fora privado
Transformou-se no mais belo céu estrelado





GAIVOTA

Como a gaivota que busca o alimento
Eu busco em teus gestos o amor.
Se tropeço em terra, subo em voo lento
E atinjo alturas breves de condor.

E pairo nesse céu que é o teu mar,
E mergulho já louca de paixão
Nesse líquido azul do teu olhar
Aí despedaçando o coração.

E de condor-gaivota, a tropeçar
Ouço ao longe ainda alguns harpejos
Recordo com saudade esse mar,
E o sal, em meus lábios, dos teus beijos.





RENASCER


Longínquo é o passado
Das areias
Ainda que o julguemos
Próximo.
Tempestade de mim
E de palavras.
Expurguei-me de voz
E de sentires
Dançando com elas
Em louco turbilhão.
Renasci
Das inquietas areias
Tal Phoenix, das cinzas
Ao Caos seguiu-se a Ordem
A calma possuiu-me
E sou Outra
Em paz comigo
E com o Mundo


HELENA DOMINGUES

Apresentamos hoje três trabalhos de Helena Domingues "roubados" do seu blog ORION.
Recomendamos vivamente uma visita demorada a esse blog.

domingo, agosto 03, 2008

LENA MALTEZ

Foto de Vladimir Arkhipov



COMEÇA EM TI ...


começa em ti, tudo o que se sente
como o aroma de mar sem fim
numa ausência que não é indiferente
no sol que vem de ti e se liga a mim

apoio-me taciturna nas palavras
num reunir obscuro de desejos
vacilando nua, em marés passadas
confusa, ávida de sabores e medos

desfaz-se o sonho começado em ti
transformo as razões, em riscos
nas mãos, desfaz-se o que senti
na voragem de leves sorrisos

começa em ti, tudo o que se sente
o aroma, o mar, a ausência do fim
memória mágica e dormente
da noite que corrói e vagueia em mim

e acaba em mim...





SONHO...


a noite entrou, encantada
adormeceu-me o corpo
envolveu-se nos meus sonhos
fez-me sentir-te em mim
tremer junto ao teu corpo
beijar teus lábios demoradamente
descobrir o teu gosto
com meu corpo inteiro

fomos sombras ocultas
cheias de movimento
desejos penetrantes e agitados
fomos nós num momento
da duvida que sonha a certeza
o desequilíbrio na infame consciência

a noite fez-nos sentir
o silêncio vestido de branco
a ausência irreal
em forma de sonho
viajamos juntos em sentimentos
e o teu corpo fundiu no meu

de alto a baixo
o suspiro violento
numa voraz paixão
que nos alimentou as veias
da noite que cresceu como louca,
brotavam palavras, nas entrelinhas
um intenso amo-te
no dueto de quem ama

a noite acordou-me
abandonou-me sem sonhos
tu não te encontravas lá
só a cama, branca, amarrotada...










EM CADA SILÊNCIO MERGULHA A PALAVRA

aqui

junto à praia fundi palavras
os olhos, esses transformaram-se
adquiriram o brilho da cor da madrugada,

o sol partiu,
evaporou-se entre nuvens cinzentas
deixou sombras de um tempo passado,
ficou só o barulho das aves em grupos,

respiro em silêncio o cheiro do mar
anoiteceu mais cedo
a lua brilha tanto como o sol

aqui deixo-me ficar
numa amarga memória de inspiração alheia
imaginando ouvir palavras que esperei

tenho como companhia a noite
que me persegue e assusta,

já nada possuo em mim
amanheceu,
prendi-me ao esquecimento
por tanto amar


espero o dia que sobrevirá ao outro





LENA MALTEZ

Poemas retirados do seu blog CABANA DE PALAVRASque merece uma visita demorada.




segunda-feira, julho 28, 2008

VONTADES e NA TUA VIDA





VONTADES


Tenho vontade
duma coisa doce
como se fosse
vontade de ti;

Tenho vontade
duma coisa suave
como canto de ave
que a cantar sorri;

Tenho vontade
de algo diferente
que deixe semente
agora e aqui;

E tenho vontade
de dizer ao mundo
que dói, muito fundo
a vida, sem ti!...




NA TUA VIDA


Eu quero ser na tua vida um gesto!
A ternura dum beijo dado a medo
nem passeata, discurso ou manifesto
canção de ninar ou de protesto
um gesto, um simples gesto
ou um segredo!
Eu quero ser na tua vida, um ponto!
ponto de combustão, ponto do prumo
ponto cardeal ou contra ponto
o ponto final dum texto pronto
um ponto
partida ou chegada a qualquer rumo!
Eu quero na tua vida o nada!
Ausência total, coisa nenhuma
vazio absoluto, nada, nada
nada de porta aberta, escancarada
o nada
todo brisa, todo bruma!
Eu quero ser na tua vida cheiro!
Forte, que perturba, que inebria
mas não de poder ou de dinheiro
um cheiro de povo
um simples cheiro
de giesta de serra e maresia!...


MARIA MAMEDE

VISITE O SEU BLOG:

DE AMOR E DE TERRA

sábado, julho 26, 2008

AO LUAR

Pintura de Jaoni



Que linda vai a noite, que calor!
Tudo em repouso já ... Só o luar
Nostálgico e morno anda a boiar
Encharcando de luz tudo em redor


Que aroma subtil, jasmins em flor...
Há restos de canções ainda no ar
E dentro em mim o sangue, a latejar,
Arde em desejos loucos de amor

Ah, pudesse eu beijar-te, longamente...
Apertar-te em meus braços como outrora,
Aninhar-te em meu peito ternamente,


Sentir-te toda minha nesta hora.
Já que tão triste e só e descontente
Sem ti, a minha vida corre agora!



António Melenas


terça-feira, julho 08, 2008

ÚLTIMA FRONTEIRA

Foto de Arian Bahrami


Delirando entre sonhos,
verdades, desejos
e loucuras,
entre o toque da caneta no papel
e o teu sorriso,
é tão curta a distância
dos meus braços aos teus.
É tão fácil tocar os nossos lábios.
É tão curto o caminho.

Fico a pensar o que busco em ti,
na cor do silêncio nocturno
enquanto o desejo alastra,
insubmisso,
como se procurasse
um esconderijo urgente.
Como se a penumbra tivesse olhos
e pudesse ver através da noite.

Depois,
deslizas como o vento
propagando sem destino
surpresas e carícias,
suavidade e tumulto.
Tão subtil, tão viva,
azul... sempre azul…
Júbilo da nudez,
insana fantasia
num delírio fulvo de luz.

Encantado gozo
como rios de prosa a versejar
ao longo do teu corpo
transbordando poesia.
Corpos ondulantes
em delírios de amor,
esperando suplicantes
o momento redentor.


ALBINO SANTOS

domingo, julho 06, 2008

PRESENTE

Foto de Gregória Correia - Olhares



PRESENTE


Queria neste poema a cor dos teus olhos
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.


Queria juntar as palavras como os corpos
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.


E queria que a cor dos teus olhos e o som
da tua voz saíssem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo; depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas, nem repetir as palavras do poema,
para saber o que significa o amor.


Então, dar-te-ia o poema de onde saíste,
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia
pela mão, contando os passos do amor.



Nuno Júdice

O Estado dos Campos

quarta-feira, julho 02, 2008

NÃO ADORMEÇAS: O VENTO AINDA ASSOBIA NO MEU QUARTO

Foto de Nuno Manuel Baptista-Olhares





Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.



Maria do Rosário Pedreira
de A Casa e o Cheiro dos Livros

domingo, junho 22, 2008

CONVITE





Dia 28 de Junho (Sábado), em Beja, pelas 13h00.

Preço: 15€/pessoa (a pagar no local)

Restaurante: Adega 25 de Abril.

Inscrições, até 26/6, via e-mail, com indicação de restrições alimentares e número de pessoas.

Para amigos e simpatizantes da Praça.

João Espinho

PRAÇA DA REPÚBLICA EM BEJA

quinta-feira, junho 12, 2008

HOMENAGEM A DOIS POETAS





Escrevo

Escrevo já com a noite
em casa. Escrevo
sobre a manhã em que escutava
o rumor da cal ou do lume,
e eras tu somente
a dizer o meu nome.
Escrevo para levar à boca
o sabor da primeira
boca que beijei a tremer.
Escrevo para subir
às fontes.
E voltar a nascer.


Eugénio de Andrade









Eugénio de Andrade (Fundão, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005) foi um poeta português que, em 2001, ganhou o Prémio Camões, o nobel para a língua portuguesa.




Biografia

Eugénio de Andrade foi o pseudónimo de José Fontinhas Rato poeta português do séc. XX, nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923, fixando-se em Lisboa em 1932 com a mãe, que entretanto se separara do pai.

Estudou no Liceu Passos Manuel e na Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado "Narciso", publicou três anos mais tarde.

Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço. Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.

A sua consagração já acontecera dois anos antes, em 1948, com a publicação de "As mãos e os frutos", que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio. Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, "Os amantes sem dinheiro" (1950), "As palavras interditas" (1951), "Escrita da Terra" (1974), "Matéria Solar" (1980), "Rente ao dizer" (1992), "Ofício da paciência" (1994), "O sal da língua" (1995) e "Os lugares do lume" (1998).

Em prosa, publicou "Os afluentes do silêncio" (1968), "Rosto precário" (1979) e "À sombra da memória" (1993), além das histórias infantis "História da égua branca" (1977) e "Aquela nuvem e as outras" (1986).

Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros...

Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com "essa debilidade do coração que é a amizade".

Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). Em Setembro de 2003 a sua obra "Os sulcos da sede" foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube. Viveu em Lisboa de 1932 a 1943. Fixou-se no Porto, a partir de 1950, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.


Vida e obra literária
Estreou-se em 1940 com a obra Narciso, torna-se mais conhecido em 1942 com o livro de versos Adolescente, e afirma-se como poeta na cole(c)tânea As mãos e os frutos. A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica, considerada por José Saramago como uma poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.


Livros de Poesia
Pureza (1945)
As Mãos e os Frutos (1948)
Os amantes sem dinheiro (1950)
As palavras interditas (1951)
Até amanhã (1956)
Coração do dia (1958)
Mar de Setembro (1961)
Ostinato rigore (1964)
Obscuro domínio (1971)
Véspera de água (1973)
Escrita da Terra (1974)
Limiar dos pássaros (1976)
Matéria solar (1980)
Vertentes do olhar (1987)
O outro nome da Terra (1988)
Rente ao dizer (1992)
Ser dá trabalho (1993)
Ofício de Paciência
Antologia Breve
Ofício de Paciência
O Sal da Língua (1995)

Antologias
Daqui houve nome Portugal (1968)
Variações sobre um corpo (1972)
Versos e alguma prosa de Luís de Camões (1972)
Foi também tradutor de alguma obras, como dos espanhóis Federico García Lorca e Antonio Buero Vallejo, da poetisa grega clássica Safo (Poemas e fragmentos, em 1974), do grego moderno Yannis Ritsos, do francês René Char e do argentino Jorge Luís Borges.


Literatura Infantil
História da Égua Branca (1977)
Aquela Nuvem e Outras (1986)

Prosa
"Os Afluentes do Silêncio". Porto, Editorial Inova, 1968.
"História da Égua Branca". Porto, Edições Asa, 1976.
"Rosto Precário". Porto, Limiar, 1979.
"À Sombra da Memória".

Obras Traduzidas
Alemanha
"Die weiße Stute", in "Dichter Europas erzählen Kindern". Trad. de Helmut Frielinghaus, Colónia, Midlhauve, 1972.

Ex-Checoslováquia
"Portugalski Kvartet" (Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, Eugénio de Andrade, Herberto Hélder). Trad. de Mirko Tomasovic, Zagreb, Znanje Zagreb, 1984.

Espanha
"Antología Poética 1940-1980". Versão de Ángel Crespo, Barcelona, Plaza & Janes, 1981.

"Escritura de la Tierra", III. Trad. de José Luís García Martín, in "Fin de Siglo", nº8, Jerez de la Frontera, 1984.
"Memoria d'Outru Riu". Trad. (em bable) de António García, Oviedo, Libros de Frou, 1985.

"Blanco en lo Blanco". Trad. de Fidel Villar Ribot, Granada, Editorial D.Quijote, 1985.

"Vertientes de la Mirada y Otros Poemas en Prosa". Trad. de Ángel Crespo, Madrid, Ediciones Júcar, 1987.

"Ostinato Rigore". Trad. de Manuel Guerrero, pref. de Eduardo Lourenço, Barcelona, Ediciones de Mall, 1987.

"Matéria Solar". Trad. (em catalão) de Vicente Berenguer, Valência, Gregal Llibres, 1987.

"Contra la Escuridade". Trad. (em bable) de Antonio García, Oviedo, Academia de Língua Asturiana, 1987.

Estados Unidos
"Inhabited Heart: The Select Poems of Eugénio de Andrade". Trad. de Alexis Levitin, Van Nuys, Califórnia, Perivale Press, 1985.

"White on White". Trad. de Alexis Levitin, in "Quaterly Review of Literature", Princeton, New Jersey.

"Memory of Another River". Trad. de Alexis Levitin, St. Paul, Minnesota, New Rivers Press, 1988.

"The Slopes of a Gaze". Trad. de Alexis Levitin, Plattsburgh, New York, Apalachee Press, 1992. (Edição bilingue: português e inglês)

França
"Vingt-sept Poèmes d'Eugénio de Andrade". Trad. e impressão de Michel Chandeigne, Paris, 1983.

"Une Grande, Une Immense Fidélité". Trad. de Christian Auscher, Paris, Chandeigne, 1983.

"Matière Solaire". Trad. de Mª Antónia Câmara Manuel, Michel Chandeigne e Patrick Quiller, Paris, La Différence, 1987.

"Les Poids de l'Ombre". Trad. de Mª Antónia Câmara Manuel, Michel Chandeigne e Patrick Quiller, Paris, La Différence,1987.

Itália
"Ostinato Rigore, Antologia Poetica". Trad. de Carlo Vittorio Cattaneo, Roma, Edizioni Abete, 1975.

"Memoria d'un Altro Fiume". Trad. de Carlo Vittorio Cattaneo, Luxemburgo, Éditions Internationales Euroeditor, 1984.

México
"Brevisima Antología". Trad. de A. Ruy Sánchez, México, Universidad Nacional Autónoma, 1981.

Ex-URSS
"Poesia Portuguesa Contemporânea": José Gomes Ferreira, Jorge de Sena, Carlos Oliveira e Eugénio de Andrade. Trad. de Elena Riáuzova, Moscovo, Editorial Progress, 1980.

Venezuela
"Blanco no Blanco". Trad. de Francisco Rivera, Caracas, Fundarte, 1987.

Portugal
"Ostinato Rigore", edição bilingue (português e francês), com traduções de Bruno Tolentino e de Robert Quemserat, 1971.

"Escrita da Terra e Outros Epitáfios", edição bilingue (português e italiano), com traduções de Vottorio Cattaneo,1974.

"Changer de Rose, Poèmes de Eugénio de Andrade traduits em espagnol, français, italien, anglais et alemand." Trad. de Ángel Crespo, Xosé Lois García, Pilar Vásques Cuesta, Armand Guibert, Robert Quemserat, Isabel Magalhães, Sophia de Mello Breyner e Guillevic, Bruno Tolentino, Carlo Vittorio Cattaneo, Giuseppe Tavani, Luciana Stegagno Picchio, Jonathan Griffin, Jean R. Longland, Mário Cláudio e Michel Gordon Lloyd, Erwin Walter Palm, Curt Meyer-Clason, Porto, 1978.


Prémios
Eugénio foi galardoado com inúmeras distinções, entre as quais:

Prémio Pen Clube (1986)
Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986)
Prémio D. Dinis (1988)
Prémio Jean Malrieu (França, 1989)
Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE) (1989)
Prémio APCA (Brasil,1991)
Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996)
Prémio Vida literária da APE (2000)
Prémio Celso Emilio Ferreiro (Espanha, 2001)
Prémio Camões (2001)
Prémio PEN (2001)
Doutoramento "Honoris Causa" (2005).
Em Setembro de 2003 a sua obra "Os sulcos da sede" foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube.










Sem Título e Bastante Breve

Tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa
tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e
com elas quero construir um templo em forma de ilha
ou de mãos disponíveis para o amor....

na verdade, estou derrubado
sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde,
não sei onde
procuro as aves recolhidas na tontura da noite
embriagado entrelaço os dedos
possuo os insectos duros como unhas dilacerando
os rostos brancos das casas abandonadas, á beira mar...

dizem que ao possuir tudo isto
poderia Ter sido um homem feliz, que tem por defeito
interrogar-se acerca da melancolia das mãos....
...esta memória lamina incansável

um cigarro
outro cigarro vai certamente acalmar-me
....que sei eu sobre as tempestades do sangue?
E da água?
no fundo, só amo o lodo escondido das ilhas...

amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
hoje, vou correr à velocidade da minha solidão

Al Berto






Alberto Raposo Pidwell Tavares, (Coimbra, 11 de Janeiro de 1948 — Lisboa, 13 de Junho de 1997), que adoptou o pseudónimo de Al Berto, foi um poeta e editor português.

Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi para o Alentejo, é em Sines onde passa toda a infância e adolescência até que a família decide enviá-lo para o estalebecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.

A 14 de Abril de 1967 foi estudar pintura para a Bélgica, na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.

Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita. Regressa a Portugal a 17 de Novembro de 1974 e aí escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.

O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte. Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.

Morreu de linfoma.



Obra

Poesia
1977 - À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.
1980 - Meu Fruto de Morder, Todas as Horas.
1982 - Trabalhos do Olhar.
1983 - O Último Habitante.
1984 - Salsugem.
1984 - A Seguir o Deserto.
1985 - Três Cartas da Memória das Índias.
1985 - Uma Existência de Papel.
1987 - O Medo (Trabalho Poético 1974-1986).
1989 - O Livro dos Regressos.
1991 - A Secreta Vida das Imagens.
1991 - Canto do Amigo Morto.
1991 - O Medo (Trabalho Poético 1974-1990).
1995 - Luminoso Afogado.
1997 - Horto de Incêndio.
1998 - O Medo.
2007 - Degredo no Sul.

Prosa
1988 - Lunário.
1993 - O Anjo Mudo.
2006 - Apresentação da Noite.

Prémios
1988 - Prémio Pen Club de Poesia pela obra O Medo.

domingo, junho 08, 2008

A FLOR

Foto de Alex Krivtsov




por onde passo
e sinto flores
revejo crianças
brincando
conversando
sorrindo
ou mesmo
caladas
alheias ao tempo

por onde passo
e sinto flores
quer seja nos jardins
quer seja nos campos
ou nas dunas
lembro
de uma flor
cor de sonho
numa manhã de abril

o tempo
que tingiu meus cabelos
descoloriu casas
encurtou meus passos
sepultou ilusões
não conseguiu murchar
a lembrança da flor
que um dia colhi
e jamais entreguei

BATISTA FILHO


Visite este meu amigo brasileiro no seu blog ILHA DOS MUTUNS. Terá óptimas razões para lá voltar.

quarta-feira, junho 04, 2008

MENINA MAROTA - UM DESNUDAR DE ALMA



O "BEJA" não podia deixar de se associar ao lançamento promocional do livro MENINA MAROTA-UM DESNUDAR DE ALMA, que terá lugar no dia 15 de Junho de 2008, pelas 16 horas, na Fnac do Galashopping.
A apresentação estará a cargo do Dr. Fernando Peixoto.

Desejamos a Otília Martel, a nossa Menina Marota, muitas felicidades e os maiores êxitos.

Para dar mais cor a esta notícia fui ao blog "Menina Marota" e "roubei" a imagem acompanhada deste poema da Amiga, editado em Agosto de 2005.




ESPERANÇA


Desenha em ti
cores vivas
de felicidade
mesmo que adiada
mesmo que não consentida
não deixes que o negro
tome conta de ti...
Exala o perfume
das flores
o aroma dos frutos
e pinta a Vida
de mil cores
mil pensamentos
felizes
audazes
coloridos...


domingo, junho 01, 2008

ENTRE AS ONDAS E A BRUMA

Foto de Paul Mahder



O meu rumo é o que o mar quiser!
De horizonte ausente
na penumbra silenciosa
atravesso madrugadas
sem fronteiras,
invento rumos, rotas e marés,
desfraldo as velas do sonho
e navego entre ondas de espuma

Deixo o meu mundo para trás
e dissolvo-me em místico nevoeiro,
pois sei que haverá um momento
em que me perderei na bruma,
o sol me queimará o rosto,
e alvas e alterosas ondas
serão nossos lençóis agitados
nas correntes loucas do desejo.

Nos lábios rubros da manhã,
molhados de sal e orvalho
haverá um impulso metafísico
de mergulhar neles num afago,
e neles voar como gaivota,
partindo livre e clandestino
até a um pôr-de-sol eterno…

Oiço-me então no meu silêncio!
Fecho os meus olhos de espanto.
E na avidez de tanto te amar,
descubro no imenso abismo azul
montes de páginas em branco
que haveremos de escrever
em bordados de espuma,
nos revoltos lençóis do oceano
com as cores da nossa paixão!...



Albino Santos

sexta-feira, maio 30, 2008

COMPANHIA DE DANÇA OLGA RORIZ NO PAX JULIA


dança

PARAÍSO pela Companhia de Dança Olga Roriz

Pax Julia - Teatro Municipal de Beja, dia 31/05/2008 | 21.30 | 8€ / 5€ (descontos para menores de 25 anos, maiores de 65 anos e reformados)

Direcção e selecção musical:OLGA RORIZ

Músicas:Rocio Jurado / George Gershwin / Nino Rota / Boris Vian / Patsy Cline / Chavela Vargas / Dean Martin / Bem Webster / Pascale Comelade / Edith Piaf / Leonard Bernstein / Frank Sinatra / Orquestra Universitária de Tangos / Cármen Miranda / Marlene Dietrich

Cantado ao vivo: "Le Déserteur" de Boris Vian - Maria Cerveira / "Milonga del mono" de Alejandro Dolina - Catarina Câmara / "My Funny Valentine" de Rogers and Hurt - Maria Cerveira / "Je ne t'aime pas" de Kurt Weil - Sylvia Rijmer "Homens e Mulheres" de Ana Carolina - Catarina Santana / "Bang Bang" de Nancy Sinatra - Catarina Santana / "Cantigas do Maio" de Zeca Afonso - Pedro Santiago Cal

Cenário:OLGA RORIZ / PEDRO SANTIAGO CAL
Figurinos: OLGA RORIZ
Desenho de luz:CELESTINO VERDADES
Arranjos Musicais: RENATO JÚNIOR
Direcção Vocal: CARLOS COINCAS
Acompanhamento vocal: JOANA MANUEL / LUÍS MADUREIRA

Desenho, montagem e operação de som:SÉRGIO MILHANO

Montagem e operação de luz : DANIEL VERDADES
Assistente da direcção artística:ANDRÉ LOURO
Assistente de guarda-roupa: MARIA RIBEIRO
Costureira: FÁTIMA RUELA
Director de produção: PEDRO QUARESMA
Produtor executivo: JOSÉ MADEIRA

Intérpretes: CATARINA CÂMARA
MARIA CERVEIRA
SYLVIA RIJMER
CATARINA SANTANA
BRUNO ALEXANDRE
PEDRO SANTIAGO CAL



SINOPSE

O "Paraíso" é uma peça inspirada no musical americano.
A sua estrutura é intencionalmente composta por uma sucessão de números, onde os clichés do tema principal são uma recorrência.
Naturalmente a selecção musical tem nesta peça um papel quase dramatúrgico. A insistência de trechos musicais e canções que fazem parte de uma memória colectiva presente ou passada, ligada ao mundo da canção ou ao do cinema foi o nosso ponto de partida.
E como o tema assim o exigia, em "Paraíso" os bailarinos desdobram-se em cantores desenvolvendo os seus dotes de intérpretes totais.
Irão ouvir-se uma variedade de temas tão conhecidos como: "My funny Valentine" cantado por Maria Cerveira; "Je ne t'aime pas" na voz de Sylvia Rijmer; "Homens e Mulheres" e "Bang Bang" por Catarina Santana; "Milonga del mono" por Catarina Câmara e "Cantigas do Maio" por Pedro Santiago Cal. Composições de Gershwin, Nino Rota, Bernstein e Pascale Comelade, assim como canções de Boris Vian, Dean Martin, Frank Sinatra, Edith Piaf, Chavela Vargas, Marlene Dietrich e Cármen Miranda farão parte da banda de som que nos guiará ao longo deste paraíso musical.
Não tenho dúvida que neste "Paraíso" a sátira e o tributo se confundem, assim como o palco e os bastidores, o glamour de uma diva com a insegurança de uma principiante...

Olga Roriz

quarta-feira, maio 28, 2008

TEU NOME, MEU AMOR

Foto de Nikola Borissov





Teu nome, meu amor, dorme comigo
mesmo até quando penso que te esqueço.
Nele me acolho, amor, quando esmoreço
como se fosse o meu porto de abrigo.

Nele me encontro, amor, a sós contigo,
com ele falo, amor, e me confesso,
nele me vejo a sós e reconheço
teu corpo irmão do meu e meu amigo.

Mas se o teu nome, amor, é a Poesia
( sorriso de sol tímido, escondido
nas veias do poema inacabado),

teu corpo, meu amor, é a Melodia
com que sonha meu corpo adormecido,
sob o céu dos teus olhos embalado.


FERNANDO PEIXOTO

Aconselho uma visita ao BLOG ARCA DE TERNURA

sexta-feira, maio 23, 2008

O RANÇO SALAZARISTA



Recebi de um amigo um texto de Baptista Bastos.

Li e senti tanta verdade nessas palavras que gostaria de partilhar convosco a prosa deste Homem das Letras.

Também gostaria de conhecer a apreciação dos meus visitantes sobre este assunto pelo que aguardo os V/ comentários.




Baptista Bastos

O ranço Salazarista

b.bastos@netcabo.pt




Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver. Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos. Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal.



Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d'alma: são, também, dores físicas.



Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.



Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: 'Que se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o Soares.'



Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes não se sabe como.



Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.



Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.



Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas, socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem.



A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.



Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.


segunda-feira, maio 19, 2008

BEJA - ENCONTRO DE COROS





música

XX ENCONTRO DE COROS

dia 24/05/2008 | 17.30 | M 6 | entrada livre


Coral de Évora, Grupo Coral do Estreito de Câmara de Lobos e Coro de Câmara de Beja

Desde 1989, o Coro de Câmara de Beja tem vindo a organizar, anualmente, os Encontros de Coros de Beja. Por solicitação da Autarquia, o Coro tem realizado esta iniciativa, integrando-a nas Festas da Cidade. Simultaneamente, com o evento tem-se pretendido dar a conhecer outros intérpretes da Música Coral, de várias proveniências do País e mesmo do estrangeiro (Espanha e Suécia).

Nesta 20ª edição contaremos com a presença do “Grupo Coral do Estreito de Câmara de Lobos” e com o “Coral Évora”, para além do Coro organizador.


Org Coro de Câmara de Beja




domingo, maio 18, 2008

O QUADRO

Foto de Sue Anna Joe






Gostava de inventar um quadro teu
com cores para além do arco-íris,
(paleta que um poeta me ofereceu...)
fixar a tua alegria, se sorrires.

Mas falha o engenho e não há tons,
quando a beleza é calma e entorpece
não logro retratar a alma, os dons,
e o meu entusiasmo desfalece.

Talvez azul distante no olhar...
talvez negro profundo nos cabelos...

Inderdito, quedo-me a sonhar
com amores irreais, com a alegria
de ficar, sôfrego dos teus desvelos,
parado, frente a uma tela vazia.




Manuel Filipe

quinta-feira, maio 15, 2008

BEJA - "A NOITE DOS MUSEUS"




O Museu Regional de Beja aderiu à quarta edição de "A Noite dos Museus" que terá lugar um pouco por toda a Europa no sábado, dia 17 de Maio de 2008, das 18.30 h até às 2h da madrugada.



Este importante acontecimento, que decorre sob o alto patrocínio do Conselho da Europa e beneficia a aproximação às comemorações do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), tem conhecido uma mobilização crescente entre as populações dos diversos países aderentes.



Durante esta noite mais de 2000 museus por toda a Europa abrirão gratuitamente as suas portas, convidando as populações a descobrir, de uma maneira criativa e pedagógica, as suas diversas colecções.



O Museu Regional inicia este percurso, a partira das 18.30h, com a inauguração da exposição Evoluções, da artista plástica Maria T, seguindo-se um concerto meditativo com gongos e taças tibetanas por Ingrid Ortelbach.



Serão efectuadas visitas guiadas à exposição pela própria autora, que nos dará a conhecer nos seus trabalhos uma perfeita simbiose entre a poesia e a arte, através de um forte registo e de uma verdadeira alquimia, em técnica mista sobre madeira.



Pela noite dentro serão efectuadas visitas guiadas à exposição temporária sobre Madre Mariana Alcoforado, freira do Convento da Conceição, possível autora das "Lettres Portugaises", que viveu uma grande história de amor com o cavaleiro francês Nöel Boutton, Conde de Saint Léger e Marquês de Chamilly.



O visitante poderá, durante esta noite, usufruir igualmente de visitas guiadas à arquitectura do Museu (Convento da Conceição), azulejaria, pintura, ourivesaria ou arqueologia.

Das 21.00h às 22.30h decorrerá a sessão de cinema À Noite no Museu.



O Museu Regional encerra as suas portas às 2:00h da madrugada.

Para qualquer esclarecimento adicional contactar Museu Regional de Beja, telefone 284 323 351 ou através do email geral@museuregionaldebeja.net.


terça-feira, maio 13, 2008

DIZ-ME O TEU NOME




Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira


domingo, maio 11, 2008

CARTAS...




numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez


Poema da Amiga Lena, retirado do seu blog CABANA DE PALAVRAS que merece ser visitado.

sexta-feira, maio 09, 2008

NUNCA MAIS




Passa um dia,
e outro a correr atrás dele
e outro e outro...
O tempo a todos impele,
tal o vento
levando, em doida correria,
revoadas de folhas outonais,
folhas de calendários sempre iguais,
uma a uma arrancadas,
perdidas nas estradas...

Nunca mais... Nunca mais...



Saúl Dias, Essência

quarta-feira, maio 07, 2008

A L V I T O - I BIENAL INTERNACIONAL RAUL DE CARVALHO





A “I Bienal Internacional Raul de Carvalho”, instituída em 2008, é uma iniciativa do Município de Alvito, que entende desta forma homenagear o poeta alvitense e, simultaneamente, criar um espaço de apoio e divulgação de novos talentos.


Tem como língua oficial o Português e está aberta à participação de expressões artísticas, de artistas nacionais ou estrangeiros, residentes ou não em Portugal, maiores de 16 anos.


A Bienal tem como objectivos, promover o desenvolvimento artístico, a divulgação de bons trabalhos e permitir o contacto da população com várias formas de arte, ao mesmo tempo que apela à criatividade dos cidadãos, sensibilizando para a valorização do Património Imaterial (natural, cultural, histórico, edificado e imaterial) do Concelho de Alvito.


CONSULTE O Regulamento I Bienal Internacional ''Raul de Carvalho''
A Q U I

PARA MAIS INFORMAÇÕES consulte A Q U I

<

terça-feira, maio 06, 2008

A MEMÓRIA DO TEU CORPO

Foto Alina Lebedeva



A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto
um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.


Traz o vestígio incandescente dos mares de levante
a ardência duma praia restituída de lembranças.


É uma semente a colorir os teus quadris de incenso
Uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.


Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias
do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.


E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,
para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.


Vieira Calado

In Transparências

segunda-feira, maio 05, 2008

BICICLETA FLORIDA



Oferta de MARIA MARIA VISITA O REINO DE ESTHER, a quem agradeço a gentileza.

Como se torna difícil escolher alguns amigos(as)para dar seguimento à oferta, desta vez fica ao critério de quem me visita levar a "sua" bicicleta florida.

Boas pedaladas!


Para retribuir a amabilidade dedico a Maria estes versos que encontrei na net sem indicação de Autor
:

TEUS OLHOS



Teus olhos de mulher,

Tão imensos como a noite,

Infinitos como o tempo,

Que, um dia, descuidado,

Descobriu-se enciumado,

Pelo sorriso escancarado

Desses lindos olhos teus.



Teus olhos de mulher.

Tão intensos como o dia,

Têm a vastidão do vento,

Que ao soprar, desavisado,

Confundiu-te com a flor,

Que um dia te ofertaram,

Pelo amor dos olhos teus




sexta-feira, maio 02, 2008

ALEGORIA FLORAL

Foto de Alberto Viana de Almeida - Olhares


Um dia em que a mulher nasça do caule da roseira
que cresce no quintal; ou um dia em que a nuvem
desça do céu para vestir de névoa os seus
seios de flor: seguirei o caminho da água nos
canteiros que me levam ao caule, e meter-me-ei
pela terra em busca da raíz.


Nesse dia em que os cabelos da mulher se
confundirem com os fios luminosos que o sol
faz passar pela folhagem; e em que um perfume
de pólen se derramar no ar liberto da névoa:
procurarei o fundo dos seus olhos, onde corre
uma transparência de ribeiro.


Um dia, irei tirar essa mulher de dentro da flor,
despi-la das suas pétalas, e emprestar-lhe o véu
da madrugada. Então, vendo-a nascer com o dia,
desenharei nuvens com a cor dos seus lábios, e
empurrá-las-ei para o mar com o vento brando
da sua respiração.


Depois, cobrirei essa mulher que nasceu da roseira
com o lençol celeste; e vê-la-ei adormecer, como
um botão de rosa, esperando que a nuvem desça
do céu para a roubar ao sonho da flor


Nuno Júdice
(O Estado dos Campos)
(Dom Quixote)


quinta-feira, maio 01, 2008

PRIMEIRO DE MAIO DE 1974



Dia primeiro
do Maio que Abril nos deu.
Dia rasgado
pelo Sol em cada peito,
pelo riso de todos nós crianças,
pelo abraço dos irmãos em festa.
Dia de todas as cores
dançando em roda,
de cantos mil
voando pelas praças.
Dia sem sede
que a água se oferecia
nos parapeitos das janelas.
Dia de acreditar.
Foi esse o Maio
em que comemos flores
e nos embriagámos.
Foi esse o dia
de todos os amores.

Poema de LICÍNIA QUITÉRIO in O SÍTIO DO POEMA

terça-feira, abril 29, 2008

FLOR DE CRISTAL

Cristal Swarovski



FLOR DE CRISTAL

Como tu, cristal…
Como tu, flor …


Frágil e pura,
Em multifacetada vida te desdobras:
Coa-se a luz na tua transparência,
Irisando-a de cor


Frágil e pura,
Das pétalas, o suave toque em que sossobras,
Do gineceu, o torpor da essência
Em teu redor …


O Cristal, a Flor –
A simbiose:
A Alma-Luz, a Carne-Fogo,
Fremindo,
Vivendo.


Rolam os anos sem ferir
A beleza do que é perene


Como tu, Flor,
Como tu, Cristal!



António de Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008

POEMA DE AMOR

Foto de Sergey Ryzhkov





Percorreria na ponta dos meus dedos
os teus cabelos em desalinho,
inspirar-me-ia no teu cheiro único
que o meu corpo perpetua,
escrever-te-ia um poema de amor
em páginas e páginas de paixão,
falar-te-ia segredando palavras
que tu guardarias como relíquia.

Seríamos uma só voz sem saudade,
seríamos cânticos de alegria,
seríamos a força solidária
de um Amor.

Mas o que resta do que não foi
são as luzes feéricas do sonho,
as imagens bem delineadas de um filme,
o sabor inalterável de um beijo,
no presente doce das nossas Vidas,

Tal como este inútil poema de amor...


Paula Raposo in As Minhas Romãs

sábado, abril 19, 2008

OVIBEJA - 26 de ABRIL a 04 de MAIO - TRADIÇÃO E INOVAÇÃO





Tradição e inovação. São estas as linhas fundadoras da Ovibeja, a maior Feira agrícola que anualmente se realiza em território português. Organizada pela ACOS – Associação de Criadores de Ovinos do Sul – a Ovibeja concilia em mais de dez hectares de exposição a cultura e os costumes ancestrais que herdou da antiga Feira de Maio de Beja, instituída em 1261 por carta régia de D. Afonso III, com as mais arrojadas inovações tecnológicas ao nível não apenas das práticas agrícolas, mas também dos diferentes sectores da economia e da sociedade.
A Ovibeja, que anualmente recebe para cima de trezentos mil visitantes, é uma Feira na verdadeira acepção da palavra. É um local de festa e de diversão. De convívio e de reencontro. É um espaço de negócio e de troca de experiências. É um terreiro de cultura e de debate. É um fórum político e de cidadania. É a Primavera em toda a sua exuberância, onde o passado e o futuro passeiam de mãos dados.
Em 2008 a Ovibeja faz 25 anos. A festa que irá decorrer no Parque de Feiras e Exposições de Beja entre os dias 26 de Abril e 4 de Maio não servirá apenas para assinalar as bodas de prata do maior evento cultural, político, económico e social do interior do País. Servirá também para constatar que as mudanças ocorridas no país e na região nestes últimos 25 anos, também passaram pela Ovibeja: Uma Feira que tem vindo a mostrar “Todo o Alentejo Deste Mundo”, mas que agora quer trazer o mundo todo a este nosso Alentejo.

Texto DAQUI

sexta-feira, abril 18, 2008

ABRIL DE SIM ABRIL DE NÃO







Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre

quinta-feira, abril 17, 2008

CONTRA A INDIFERENÇA E O MEDO,

O Grito - Munch - 1893



Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sòzinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Vladimir Maiakovski



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Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei


Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Bertold Brecht



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Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.


No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.


No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.


No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...


Martin Niemoller



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Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles,

Depois fecharam ruas, onde não moro,

Fecharam então o portão da favela, que não habito,

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...



Cláudio Humberto

terça-feira, abril 15, 2008

Jorge Vicente e José Gil - Novos Livros


Clique nas imagens para uma melhor leitura



'Caros Amigos, Poetas, artistas, bloggers, público em geral, gostaria de convidar-vos a estar presentes no lançamento do meu primeiro livro de Poesia, ASCENSÃO DO FOGO, que irá desenrolar-se no próximo dia 26 de Abril, no Salão do Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, Rua do Jardim, 1181, pelas 16.00. A vossa presença é muito importante porque é a vós, todos, que eu dedico aquilo que sai cá de dentro: as minhas palavras ou, se o preferirem, o meu Verbo.

No mesmo dia, na mesma hora e no mesmo espaço, também será apresentado o livro do poeta e actor José Gil, com prefácio da minha autoria


Por isso, cá vos espero. Com o coração aberto e com as mãos plenas de palavras para partilhar convosco.

(Convite enviado pelo amigo Jorge Vicente)






Beja - Campanha de adopção



Para mais informações contactar BLOG DO ZIG

quinta-feira, abril 10, 2008

25 DE ABRIL, SEMPRE




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

[Sophia Mello Breyner]





Foto de Alfredo Cunha

sexta-feira, abril 04, 2008

A B R I L - L I B E R D A D E

Imagem DAQUI



O golpe de estado militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante a revolta das forças armadas. Este levantamento é conhecido por Dia D, 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levantamento foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português. (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).


Cravo
O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.


No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.




Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição politica entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão politica que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.

A guerra colonial acabou e, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.



O 25 de Abril visto 33 anos depois

O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.

Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento politico-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

As pessoas mais à direita lamentam a forma como a descolonização foi feita e as nacionalizações feitas no periodo imediato ao 25 de Abril de 74 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.

(Fonte : WIKIPÉDIA)



Amadeu Sousa Cardoso - Menina dos Cravos

quinta-feira, abril 03, 2008

Linha de Rumo

foto Stanmarek



Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas...

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.


Ruy Cinatti

(1915/1986)

quarta-feira, abril 02, 2008

Lembrando MÁRIO VIEGAS




Mário Viegas (1948-1996), encenador, actor, declamador de raro talento, interiorizou a poesia como poucos. Improvisou textos extraordinários, deu a conhecer autores, disse o que tinha a dizer de Portugal e do mundo. Fez da sua vida um poema de luta pelas ideias. Com radical desprezo pelo poder, foi Rei das Berlengas e amante de Beckett, dos palcos, das palavras, do vinho e da verdade. Disse: "Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco... A vida sempre foi assim."
12 anos de ausência mas sempre presente na nossa lembrança.

segunda-feira, março 31, 2008

Noites de Poesia em Vermoim - dia 5 Abril




Sábado, dia 5 de Abril de 2008, pelas 21,30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim (Lugar da Igreja - 4470-303 Maia) teremos a nossa habitual Noite de Poesia.



Tema: NUVENS






Apareçam… ajudem a divulgar… noticiem…







E não se esqueçam de trazer mais um amigo às

Noites de Poesia em Vermoim…






Aos habituais (e aos novos!) colaboradores da "Poesia na Net" enviem os vossos trabalhos, até à próxima Sexta-feira, dia 4 de Abril, para saturnogomes@netcabo.pt

Para saber mais visite o MOVIMENTUM

domingo, março 30, 2008

Hoje não quero apenas escrever-te...

Foto de Martin Kovalik



Hoje não quero apenas escrever-te
as mais belas palavras.
Não me basta saber
que lês os meus sonhos
com o desejo escondido em cada página.

Essas palavras são veneno sem antídoto
onde se morre de amor e de saudade!
Enlouquecem a alma,
fazem acordar sensações profundas
na irrealidade de instantes sem tempo…

Rasguemos as folhas, acabemos com a ilusão.
É entre os nossos lábios que a realidade acontece!


Albino Santos

sexta-feira, março 28, 2008

Seja eu de quem for

Foto Alex Krivtsov



Seja eu de quem for



Serei eu a chama que arde em ti ou por acaso já se apagou o fogo que deixei de ver nos teus olhos.

Serás tu a minha alma gémea ou incendiou-se o rastilho de paixão que me cega.

Louca esta visão que me surge no horizonte: o sol que se põe, a noite que desliza por entre nós, o cheiro do mar, a flor que nos faz falta, o perfume que nos une.

Ando à procura de um ideal para que amanhã seja um ideólogo, um fantasma ou um psicólogo, alguém por quem possam chamar. Por isso quero ser alguém, quero ser de alguém e, sem saber bem porquê, entrego-me sem ver a quem, pois é a forma mais fácil de fugir.

Preencho a espaços aquilo que me falta entender. Em cada passo em falso que dou descubro algo mais e encho a minha já vasta colecção de frustrações. Entrego-me a quem quer que seja mas sem nunca me deixar possuir.

Aperta-me algo por dentro, foi mais um pedaço que morreu. Volta de novo o vazio que me pinta por fora, levanta-se o muro que chega a ser ridículo. Cubro-me de fantasias, crio mitos e personagens, distribuo papeis por aqueles com que me deparo, elaboro maquiavélicos obstáculos e sento-me à espera.

Espero que peguem em mim, que mandem o muro abaixo, que me prendam. Espero em vão. Troco as voltas à vida, construo um labirinto à minha volta e perco-me. Devolvo a paz ao mundo nas horas em que me deixo dormir para, mais tarde, voltar ainda mais insaciável.

Fecho os olhos, continuo a fugir, tropeço em mais alguém que ficou por amar, mais um erro de percurso. Mas continuo nesta minha entrega, a quem quer que seja.

Continuo a fingir para a vida seja eu de quem for. Continuo a viver do engano e mantenho-me fiel a esta espécie de infidelidade da qual ninguém está a salvo. Este é o meu furacão, o meu tsunami que arrasta almas, corações e deixa um rasto terrível de desilusões.

(Foi mantida a grafia original)


Carlos Miguel Leite - (1975-Portugal)

TIBETE - PETIÇÂO AVAAZ




"Amigos,

Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.

Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.

Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:


AVAAZ

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...