segunda-feira, julho 06, 2009

O MEU PAÍS É UM SONHO SONHADO DE CONCEIÇÃO PAULINO

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Dia 11 de Julho, 18H00/18H30, no Salão do Flor de Infesta, na cidade de S. Mamede de Infesta
dedicado:“ à população e à terra de S. Mamede de Infesta que há |quase| 35 anos, pela alma, me cativaram e fizeram com que aqui fixasse residência.”
*
Razões da dedicatória:
“Creio necessárias algumas palavras sobre as razões porque dedico este livro à população de S. Mamede em todas as suas formas organizativas.
(…)
Tenho sessenta e quatro anos de vida extra-uterina. Destes |quase| trinta e cinco anos aqui foram vividos. Em S. Mamede de Infesta tive o meu grande envolvimento de cidadania política activa ocupando cargos autárquicos (a nível concelhio e de freguesia) bem como associativos. Aqui cresceram minhas três filhas. Boas razões creio
(…) Mas a razão maior não é esta.
Radica no passado.
(…) Deixei-me levar pelas brisas. Caminhei pelas ruas observando e cumprimentando. Escutando as conversas.
Ouvindo as vozes das almas.
Bebi ares de liberdade e na classe dominante, a operária, vi e senti O orgulho de ser gente. Um sentimento tão forte e similar ao meu e do meu amado povo Alentejano que nunca baixou a cerviz ao ter, conscientes do ser, que toda a busca aqui se centrou e cá lancei as raízes que até hoje me sustêm.”


quinta-feira, julho 02, 2009

SOPHIA - CINCO ANOS DE SAUDADE




Sophia de Mello Breyner morreu há cinco anos, cumpridos hoje.


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.



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Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa



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Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


terça-feira, março 10, 2009

Petição para Instituir o Dia Nacional da Epilepsia

POR FAVOR ASSINEM E DIVULGUEM
PETIÇÃO PARA INSTITUIR O DIA NACIONAL DA EPILEPSIA

VIEIRA CALADO

Foto de Bruno Abreu - Olhares





NESTES DIAS DE TRANSPARÊNCIAS



Nestes dias de transparências violentadas
sonho a ardência duma árvore estóica
testemunhando os ludíbrios da paisagem,
um rio que simplesmente prossegue
e insiste em devaneios de águas claras,
no rigor dos invernos que conhece.


Subo do meu frio por escadas verticais,
um perfil amargurado de vozes interiores
que me trazem às margens da realidade,
ao alicerce da superfície das coisas
onde apenas vislumbro os excessos da luz
as cinzas, ou o fogo de vulcões extintos.


Contemplo, nas fronteiras do alvoroço,
os murmúrios de antigos violoncelos
sussurando o desígnio das águas leves
fustigando o granito das profundas fendas
da terra, num exercício demolidor.


Não sou comerciante de barros antigos
apenas reconheço o ar circundante
que prossegue dando frescura às vigílias,
na lassitude serena de entender a bruma
a descer sobre a superfície das origens.


Por isso, atento me atenho às evidências
do pólen esvoaçando ao sabor do vento,
a pura sedução das vertentes da luz
no mecanismo rigoroso dum grão de trigo.


Vieira Calado

O autor tem variada colaboração em jornais e revistas, páginas literárias, prefácios e antologias. Coordena uma página de Poesia e outra de Astronomia no "Jornal de Lagos"




sexta-feira, março 06, 2009

PARABÉNS PARA TI - POEMAS DE ALBINO SANTOS

Foto de Bruno Abreu - Olhares


O Mar expande-me a um infinito horizontal. A Montanha esmaga-me o seu peso na vertical. Perco a essência de mim com primeiro e sinto-me comprimido com a segunda. A pequenez em mim é a mesma por dissolução ou compressão. O êxtase e a humildade, a constante agitação e a imobilidade eterna.

Como o contraste me arrebata!...

I

Não sei se Mar ou se Montanha,
tenho os meus afectos repartidos
por duas paixões que mal sustento,
duas ânsias opostas nos sentidos
dois pólos de atracção no pensamento

II

Mar!
Feito de sal e azul liquefeito
de céu, de gaivotas, vendavais
de abismos profundos e mortais
que o sol escolheu para seu leito,
onde o céu se debruça a ver corais

Onde habitam lendas e sereias,
ninfas nuas e de longas tranças
que alimentam sonhos de crianças,
namorados que se amam nas areias
da imensa praia de águas mansas

Onde posso beber sol e liberdade
longe de angústias e de medos,
sentar-me no colo dos rochedos
perder-me no azul que me invade
e contar ao mar os meus segredos

III

Montanha!
Hino supremo à imortalidade,
arrasadora e telúrica erecção,
feita da substância da eternidade,
onde as pedras parecem ter vontade
de fecundar o seu próprio chão

Imponente e austera grandeza
convertida em arte e formosura,
poesia esculpida em fraga dura
que a força e o poder da natureza
com o passar do tempo mais apura

TU, que acordas o sol na hora de nascer
entre a bruma e o cheiro de jasmim,
no teu perfil agreste, sem ter fim,
repousas a grandeza do teu ser
como eu próprio repouso sobre mim!...


ALBINO SANTOS






Foto de Marta Ferreira - Olhares


Quando a luz amadurece
chegas como quem esquece
os lençóis incandescentes
onde sempre eu anoiteço…
Mas trazes sempre as sementes
da flor com que adormeço…

Assim me vem a noite,
em pequenas chamas
florescendo entre os lábios
e os dedos dóceis…

um a um, suaves,
teus gestos me poisam no peito
como faminto bando de aves…

Línguas de sal na escuridão acesa!


ALBINO SANTOS




Foto de Bela-Olhares


Um poema deve ser silencioso
como uma carícia...
Macio
como o toque dos dedos sobre a pele...
Doce
como um olhar de amor,
abrindo caminho através dos teus olhos...
Imprevisto
como o voo dos pássaros...
Imóvel
como a sombra no tempo...
Suave
como prelúdio de belas melodias...
Tranquilo
como quando tua mão descansa sobre a minha...
Ousado
como as últimas borboletas que adormecem
na erva já ressequida depois do último beijo...

ALBINO SANTOS





Foto de Nuno Manuel Baptista - Olhares

Caminho sobre um murmúrio
de vozes transparentes.
Sou a síntese de todos os ecos
que se projectam
através de mim,
os gritos que calei
para que outros irrompessem!

Na minha memória
vestida de saudade,
respiro o teu corpo
pelo fôlego das palavras
com que faço este poema.
Elas nascem límpidas
e partem depois,
húmidas de desejo...

Molham-se os meus versos,
chove-me a saudade,
inundam-me as noites,
silenciosas,
deliciosamente lascivas
como asas de pássaro
escorrendo o teu orvalho.

Um pingo mais
desse liquido ardor,
e o poema transborda
de amor…

ALBINO SANTOS





Foto de António Carreteiro - Olhares


Se de amor me falasses!
Um dia… abstractamente,
como um leve rumor
ao som de uma serenata!
Mas fala-me somente
palavras de amor,
quando a noite deixar ver
claramente
o sítio onde o teu corpo
se refracta

Se de amor me falasses!
De amor ardente
sem a alma fria
em ti tão abstracta!
Na carícia fugidia
e tão surpreendente,
que trazes nessa boca
irreverente
onde a paixão é sempre mais exacta!

Se de amor me falasses!
Nesta noite incandescente
e tão ingrata!
Do amor que se sente
e tantas vezes se mata!
Da loucura de um beijo
no teu corpo cor de prata,
onde o amor e o desejo
tantas vezes se retrata…


ALBINO SANTOS


INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...