quinta-feira, setembro 20, 2007

ALVITO - DIA MUNDIAL DO TURISMO E JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO









A Câmara Municipal de Alvito, à semelhança de anos anteriores, preparou um programa de actividades de bastante interesse para comemorar o Dia Mundial do Turismo e as Jornadas Europeias do Património, que integra o programa nacional do IGESPAR, I.P. (ex- IPPAR).

Sob o lema, O Património em Diálogo, foi elaborado o programa das comemorações, que pretende divulgar o património nas suas várias dimensões e chamar a atenção de todos para a necessidade de o preservarmos e o valorizarmos enquanto herança de um povo.

Programa

27 de Setembro
Inauguração da Exposição de Fotografia, "Scintille" de Nicola di Nunzio
Centro Cultutal de Alvito, às 18h00

29 Setembro
Concerto com Coro Polifónico de Almada
Igreja Matriz de Alvito às 18h00

30 Setembro
Inauguração do Percuso Pedestre "Rota de Sant'Águeda"
Praça da República de V.N.Baronia às 8h30
(haverá transporte de Alvito para V.N. Baronia às 8h15, na Praça da República)

30 de Setembro e 1 de Outubro
Jornadas sobre Olivais e Azeites
Centro Cultural de Alvito

domingo, setembro 16, 2007

Seus olhos tão negros...

Foto de Alex Krivtsov



Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece
Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co'um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.


Gonçalves Dias

sexta-feira, setembro 14, 2007

Desafio





Desafio lançado por Jorge Vicente, Amoralva:

1- Pegar no livro mais próximo

2- Abri-lo na página 161

3- Procurar a 5ª frase completa

4- Colocar a frase no blog

5- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)

6- Passar o desafio a 5 pessoas

"E andei eu a viver a morte que vivia disfarçada em amor na minha cela!"

(Miguel Torga, Antologia Poética, pg. 161

As 5 pessoas:

CARTAS SEM VALOR

O BOM GIGANTE

MARIA

ESTRANHOS DIAS E CORPO DE DELITO

FUNDAMENTALIDADES

Poema do regresso

Foto de Stanmarek (One Photo)


Venho do fundo escuro de uma noite implacável,
e contemplo os astros com um gesto de assombro.
Ao chegar à tua porta me confesso culpável,
e uma pomba branca se me pousa no ombro

Meu coração humilde se detém em tua porta,
com a mão estendida como um velho mendigo;
e teu cachorro me late de alegria na horta,
porque, apesar de tudo segue sendo meu amigo.

Ao fim cresceu o roseiral aquele que não crescia
e agora oferece suas rosas atrás da grade de ferro;
Eu também hei mudado muito desde aquele dia,
pois não tem estrelas as noites do exílio.

Talvez tua alma está aberta atrás da porta fechada;
porém ao abrir tua porta, como se abre a um mendigo,
olha-me docemente, sem perguntar-me nada,
e saberás que não hei voltado... porque estava contigo.



José Angel Buesa
Tradução Maria Teresa Almeida Pina

quinta-feira, setembro 13, 2007

Cheguei a casa há pouco...

Foto de Rui Cardoso




Cheguei a casa há pouco e amanhã
celebrarei contigo pla primeira vez
esse dia que alguém convencionou
ser para os namorados: eu e tu,
dois seres quase sonâmbulos,
afogados em histórias mal cicatrizadas
que extravasam ao longo de conversas
plas estradas nocturnas por onde fugimos
da vida que nos dói: velhos amores
refulgindo na tua memória,
na minha fantasia que os volta a viver
em ti, por ti, como se também eu
ressentisse na pele o sabor desses beijos
esvaindo-se no tempo, que lhes toca,
ao de leve, com lábios de veludo,
e os arrasta num caudal de espectros
de vagas silhuetas, na penumbra
que foi a minha vida até chegar a ti.


Fernando Pinto do Amaral

terça-feira, setembro 11, 2007

ALENTEJO - NOTÍCIAS

Dórdio Gomes



Projectado há algum tempo só hoje foi possível publicar na blogosfera o ALENTEJO - NOTÍCIAS.

Por razões óbvias começámos a sua publicação pelo Baixo Alentejo mas pretendemos englobar nesta idéia também o Alto Alentejo.

As fontes de pesquisa para composição deste blog são as Câmaras Municipais, seus sites e boletins além doutras informações credíveis que nos cheguem pelas mais diversas vias.

Neste blog reuniremos assim, para facilidade de consulta, todas as informações sobre os mais diversos acontecimentos a decorrer no nosso Alentejo.

A apresentação será pela ordem alfabética dos Municípios.

Esperamos seja do agrado geral e em particular de todos os Alentejanos.

Noite

Foto Galerie Von Karl-Heinz




Mais uma vez encontro a tua face,
Ó minha noite que julguei perdida.

Mistério das luzes e das sombras
Sobre os caminhos de areia,

Rios de palidez que escorre
Sobre os campos a lua cheia,

Ansioso subir de cada voz
Que na noite clara se desfaz e morre.

Secreto, extasiado murmurar
De mil gestos entre a folhagem

Tristeza das cigarras a cantar.

Ó minha noite, em cada imagem
Reconheço e adoro a tua face,
Tão exaltadamente desejada,
Tão exaltadamente encontrada,
Que a vida há-de passar, sem que ela passe,
Do fundo dos meus olhos onde está gravada.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, setembro 09, 2007

Ardente Desejo

Foto de Oleg Kosirev







Vem dormir nos meus sonhos,

Traz promessas aos meus desejos.

Sem pejo, despudoradamente,

Pressente meus anseios,

Me banha com teus beijos,

Me inunda de paixão,

Conduz a minha mão

Ao encontro dos teus seios

E, sem pressa, devagarinho,

Ensina-lhe o caminho,

E deixa que meus dedos,

Na avidez da ansiedade,

No roçar de mil meneios,

Te incendeiem de emoção o peito.

Flutuarás então na excitação,

A mesma que todas as noites

Me põe na tua direção,

Vagando em pensamentos

Buscando nossos momentos,

Esperando que de repente, num açoite,

Saltem do imaginário pro real

E nos atirem do sonho para o leito.



Autor : Francisco Simões.

terça-feira, setembro 04, 2007

Poema del renunciamento

Foto Piotr Kowalik



Passarás por minha vida sem saber que passaste
Passarás em silêncio por meu amor e, ao passar,
fingirei um sorriso, como um doce contraste
de dor de querer-te... e jamais o saberás.


Sonharei com o nácar virginal de tua testa;
sonharei com teus olhos de esmeralda de mar;
sonharei com teus lábios desesperadamente;
sonharei com teus beijos... e jamais o saberás


Talvez passes com outro que te diga ao ouvido
essas frases que ninguém como eu te dirá;
e afogando para sempre meu amor inadvertido,
te amarei mais que nunca... e jamais saberás.


Eu te amarei em silêncio, como algo inacessível,
como um sonho que nunca conseguirei realizar;
e o longínquo perfume de meu amor impossível
roçará teus cabelos... e jamais o saberás


E se um dia uma lágrima denuncia meu tormento
o tormento infinito que devo ocultar
te direi sorridente: "não é nada...foi o vento".
Me enxugarei a lágrima... e jamais o saberás


José Angel Buesa - Poeta cubano 1910/1982

Tradução de Maria Teresa Almeida Pina

segunda-feira, setembro 03, 2007

Quanto, quanto me queres ?

Foto Anthony Schuber



Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.

Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida...

Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...

Não perguntes, não sei - não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.

António Botto (1900-1959)

domingo, setembro 02, 2007

O PALÁCIO DA VENTURA




Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!


Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!


Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, O deserdado...
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!


Abrem-se as portas d’ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!


Autor - Antero de Quental


Foto - William Chapman

sábado, setembro 01, 2007

MULHER




Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.


A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.


Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.


Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!


Poema de Rui de Noronha
(Escritor moçambicano 1909-1943)


Foto de Sergey Ryzhkov

sexta-feira, agosto 31, 2007

MUITAS VEZES TE ESPEREI...






Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
- tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.

Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
"Que me importa que batam à porta..."
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?

Fernando Assis Pacheco
(de Cuidar dos Vivos)

Foto de Galerie von Karl-Heinz

quinta-feira, agosto 30, 2007

BLOG CERTIFICADO...




Estragam-nos com mimos...

Desta vez foi "MOMENTOS" que nos quis distinguir com este prémio.
Agradecemos sensibilizados tal distinção e tudo faremos para continuar a contar com a V/ amizade.
Iremos, como é da praxe, indicar outros blogs que, em nosso entender merecem também este prémio:

"MENINA MAROTA"

"ALICERCES"

"ALVITRANDO"

"AMORALVA"

"MOVIMENTUM"

"ORION"

"PETER'S">

"POEMAS DE AMOR E DOR"

"SANTA MARGARIDA"

"VIRTUAL REALIDADE"



Tal indicação não significa que muitos outros não o merecessem também .

Saudações a todos e um beijo amigo a "MOMENTOS"

terça-feira, agosto 28, 2007

DORME, MEU AMOR...




Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira


Foto de Doug Gilbert

domingo, agosto 26, 2007

TERNURA



Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
extático da aurora.


Poema de Vinicius de Moraes

Foto de Jacek Pomykalski

sexta-feira, agosto 24, 2007

SENTIMENTO




Eu recordo a tua presença,
na voz meiga e serena,
o teu cabelo
ondulando ao vento,
como se me envolvesses
com o pensamento.

Vivo contigo,
todo este momento,
de muito perto
sofrendo a ausência
se estás longe
quando desperto.

Sinto a vibração do teu corpo,
no meu cansaço,
e quero, contigo transpôr
as portas do silêncio,
vogando lentamente
no éter do firmamento.

Poema de João-Maria Nabais

Foto de Nuno Belo - 1000 Imagens

quarta-feira, agosto 22, 2007

NOCTURNO




O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele...Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...

Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...

Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas....

Imaginei-te assim á beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...

Poema de David Mourão Ferreira

Foto de Oleg Kosirev

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...